sexta-feira, 6 de maio de 2005

o botânico cantor

vagueia pelas pedras seculares do bairro. entre ombreiras de portas e escadarias de museus. surge de nadas, todos os dias no passeio, no caminho de quem tem para onde ir. ele está ali, simplesmente.
magro, já nos 40 ou 50... talvez mais, talvez menos, quem é das ruas não tem idade certa. orelhas saídas do rosto emagrecido, olhos grandes aumentados pelas lentes grossas dos óculos de massa de estilo anos 70, já reparados com fita-cola, o olhar vago das pedras que lhe servem de cadeira.
um dia, ao sol, com uma garrafa de cerveja pousada ao lado, mirava fixamente um minúsculo vaso de plástico verde que tinha uma florinha. cantarolava baixinho.
outro dia, à sombra de um prédio amarelo, sentado com a companheira garrafa, cantava em plenos pulmões uma das suas cantilenas, agarrando fervorosamente uma rosa de pé que lhe servia de microfone.
hoje andava pela rua com um molho enorme de malmequeres amarelos de caule comprido às costas, que se destacavam pela alegria no meio da roupa suja e escura.
agora todos os dias percorro a calçada de nariz no ar, curiosa por saber onde o irei ver, e que música terá para me cantar, que flor para oferecer ao vento.

quinta-feira, 5 de maio de 2005

pedaço de serra


é neste raminho fresco e bem-disposto que enterro o nariz. vem-me à boca o sabor das azedas.

euphonia


[ms]
noite dentro, o cansaço acumulado quebra a elasticidade da voz, única e preciosa ferramenta de trabalho, já debilitada com uma súbita constipação. tem de se gravar 3 programas... e não vale a pena estrebuchar, que é para entregar de manhã. então cá vamos, no mundo das cores, tentado dar ao bonequito a alegria que sai sabe-se lá de que confim adormecido do corpo. dói a garganta. pausas cada vez maiores para beber água e descansar. uns golos de xarope (que tem etanol, vamos lá ver se isto não sai demasiado entaramelado), umas pastilhas que já me salvaram da afonia mais vezes.
é um trabalho a dois. o técnico é o melhor amigo, e se lhe facilitar a vida, ele facilita-a a mim. portanto, tratamos de brincar bastante. só assim se suportam as horas abafadas do estúdio.
fazem-se considerações acerca da sexualidade de um mocho. da estranha tara de uma das personagens de lacinho na cabeça por homens feitos.
fazem-se trocadilhos com expressões inocentes, que tomam outros contornos no meio da palhaçada e, às vezes, acabam alteradas na gravação por via das dúvidas.
soltam-se imprecações à incapacidade das tradutoras de escreverem de forma coloquial, o que acrescenta mais trabalho à nossa cabeça esgotada.
tenta-se ter a certeza de que não escapou um suspiro, um gemido, um ah de espanto... e rogamos pragas às miúdas, que gemem tanto, parece uma porno-chachada...
agora a Teresa, depois a avó, depois a princesa, ontem foi a formiga...
para o fim fica o episódio em que se fala de Portugal... a série é espanhola... só podia haver molho... então no reino de Camões a princesa Amália, que nunca sorriu, vai ser conquistada pelo José Pessoa e a sua gaita... [de foles mágica!] extremamente didático...
bem, venha o próximo. mas hoje não, que já são quase 2 da manhã e a garganta não dá mais.

espiga

em miúda era eu que fazia os raminhos de espiga. subia à serra, e, pequenina como era/sou, desaparecia no meio das ervas altas à procura das flores silvestres e das espigas que cresciam livremente por ali. adorava compôr as florinhas em ramos farfalhudos, dispondo-as por cores, tamanhos. depois atava bem com um cordel... tinha era pena das flores. nunca gostei de as ver murchar, faz-me impressão.
em chegando a casa, esperava impacientemente que os meus pais chegassem para o beijo e a correcção dos trabalhos de casa. para depois lhes dar os raminhos feitos com tanto carinho.
hoje em dia, maldita a hora em que virei adulta, já não tenho tempo para ir para a serra. mas quando passar no metro, vou comprar um raminho da espiga. que se lixe o capitalismo, eu quero mesmo é um bocadinho de serra...

quarta-feira, 4 de maio de 2005

preto e branco

abafe-se parte da culpa em dois dedos de boa prosa. que a outros, assim, nascem as espinhas bífidas, as escamas e as línguas bicudas. deixam um lastro de gosma e soltam veneno num hálito que existe somente para sufocar os pobres inocentes a cada gargalhada solta com sadismo. preto e branco. e mais nada. porque assim é mais confortável. porque a exclusividade de dores e sentires existe e, sem darmos por isso, agora é preciso autorização da SPA.

ontem vi


o dia a ir-se em nuvens roxas pintadas de um violento carmim. entre pequenas gotas de água que entornavam e tornavam a imagem semelhante a um quadro impressionista visto de demasiado perto.
lembrei-me de outros quadros impressionistas que conheço.

terça-feira, 3 de maio de 2005

fominha

prepara-se a digressão.
a produtora fica encarregue de organizar os transportes, refeições e alojamento com a Câmara.
até aqui tudo bem, se não fossem as particularidades desta companhia...

supostamente ia-se na véspera, os técnicos de manhãzinha para montarem tudo, o elenco à tarde só para ensaiar. o dia seguinte é para arrumações, arranjos na roupa, descontrair e peça à noite. decidiram que é melhor irem 2 dias antes, porque a montagem de luzes é complicada... tá bem, irem passear é o que é. fazerem 3 horas de almoço e outras tantas de jantar e ficarem escandalizados porque os técnicos de lá têm horas de sair e o teatro horas de fechar. se chegarmos como em Alcobaça e ainda tivermos de ensaiar no próprio dia da apresentação porque eles não fizeram nada nos dias que lá estiveram, vai haver molho...

depois, o teatro não pode cobrir as despesas de transporte, organizem-se para irem todos nos carros da Câmara. sim senhor, é justo. mas eles vão em dois carros... próprios... ah!!! quem tem de ir no transporte da Câmara é o elenco... que por acaso metade pode ir de manhã [o que dá jeito para engomar roupa e arrumar camarins] mas a outra trabalha e tem de sair de Lisboa ao fim do dia. para fazer um itinerário mais rápido que marcar um ponto de encontro, tem de se ir parando à porta das pessoas para as apanhar mal saiam... afinal a única despesa que o teatro não pode suportar é a do meu carro...

já agora... de repente, caem de pára-quedas uma data de "amigos para ajudar"... e lá vão para a digressão. e, já que estamos nisto, porque não? trazem os namorados que não têm nada a ver com aquilo e, claro, marcam-se quartos duplos para os casalinhos... é que uma queca à pala da Câmara sabe sempre bem...

neste teatro sempre se trabalhou à percentagem de bilheteira. que, feitas as contas, é uma miséria, porque temos pouco público e os elencos são grandes. mas desta vez, com espectáculo comprado, pia mais fino.
é que está lá uma produtora com uma folha excel, relatórios de despesas e cópias de facturas que se vai certificar que o refugo receba o que merece... já que tenho a fama tenho o proveito.

coimbra tem mais encanto...

... na hora das festas académicas...
que é exactamente a altura para que está marcada a nossa digressão lá...
vai ser bonito, vai. estou mesmo a ver a minha colega lavada em lágrimas, de olhos semi-cerrados, mão na testa, aos berros ininteligíveis como é seu costume, frente a uma plateia de comas alcoólicos... isto se houver gente na plateia...
ou uma cena intimista de D. Pedro, a lamuriar-se da perda da sua Inês, a falar baixinho porque a dor lhe tolda a voz, e, ao fundo... uma banda sonora grátis de uma qualquer banda rock-punk lá fora... eheheheh

segunda-feira, 2 de maio de 2005

caixotes

de vez em quando lembro-me da promessa que te fiz. já tu não a ouviste, ou talvez sim. fi-la por mim, também.
veio-me do fundo da alma. veio-me com a vontade de te ter de volta. veio com a vontade de te guardar para mim.
veio com o cheiro a começar a ficar abafado, naquele corredor. não queria que ficasse abafado nunca. queria que cheirasse sempre a comida caseira, a alfazema e a amaciador de roupa.
veio há uns anos. veio à medida que empacotava tudo. tive de ser eu. sobrei eu. sobro eu. de certa forma foi melhor. preferi passar aquelas horas entre panelas e lençóis tristes sozinha, que como no primeiro dia em que a minha mãe ainda tentou fazer qualquer coisa e derretia os caixotes com as lágrimas. foi o dia em que se tornou ateia, acho eu...
de qualquer das formas, lá teve de ser. e sobrava eu. tive de atravessar a estrada onde especialistas ainda encontrariam vestígios de giz, das solas das minhas sandálias coloridas, de pele dos meus joelhos e de mercuriocromo. tive de subir as escadas frescas onde me abrigava do Verão com as amigas e as Barbies. onde dei o meu primeiro beijo ao Carlos dos olhos verdes, que depois foi para França. tive de dar a volta à chave, pensando em quando o fazia às 5 da manhã, depois de tu dizeres à minha mãe - piscando-me o olho enquanto me vias calçar as botas de salto alto - que eu tinha ido dormir às 10 da noite.
o corredor estava escuro, mas quase vislumbrei a tua figurinha pequenina de avental a movimentar-se pela cozinha, ao fundo. era engano, de certeza.
e lá estive de volta da tua cozinha, de onde se vê a "serra" onde íamos apanhar papoilas no dia da espiga... e noutros tantos... sabia que querias que ficasse com o escorredor, do aspira-migalhas e outras geringonças amarelas. olhei para as colheres de pau. trouxe-as comigo em honra das vezes que me ameaçavas com elas se eu não acabasse de comer a sopa. só ameaças... estou-me a rir. "olha que esta é especial, veio de Espanha! esta é mais dura e tudo", gritavas, agintando-a no ar. e eu lá ficava uma, duas horas em frente ao prato da sopa, porque não conseguia mesmo. chegávamos invariavelmente ao consenso do desgaste. eu engolia umas colheradas em sufoco e tu levantavas o prato. o que eu gostava era do bife com esparguete e muito ketchup. ou "kitchaipe", como tu dizias...
depois vieram os senhores da carrinha e levaram os sofás da sala onde eu acordava de madrugada sem saber como, [a fase sonâmbula], a Mafalda ficou com eles. e fiquei sentada no chão a olhar para as marcas de anos do seu peso na alcatifa escura. tantas horas ali a ver os "bonecos". ficou lá a mesa de jantar onde eu fazia as casas de bonecas. essa ficou. onde eu espalhava todas as almofadas da casa para fazer uma "cama de luxo". eram os jantares de quinta-feira, o cozido à portuguesa em que eu fazia bollycaos com o chouriço de sangue e pão. os meus pais ficavam até mais tarde e comíamos todos juntos. depois íamos à janela despedirmo-nos deles, que desciam a praceta a apitar.
era, era.
ainda vi [vi, pois] a tua sombra no quartinho da alegria, onde estava o nintendo. onde eu brincava com a Vanessa [coitada, casou com um taxista e já tem três filhos com nomes lindos como Ana Micaela e Rebeca Sofia...] horas a fio, às modas e aos escritórios. e onde eu dormia a sesta apesar do chato do galo da vizinha de baixo que mais parecia um cuco. onde adormecíamos as duas a ver televisão à noite, depois do chá com torradas. onde devorava as argolas de chocolate que me trazias às escondidas, para a minha mãe não vir com o discurso da "coitadinha da tua irmã não pode comer porque é alérgica, portanto ninguém deve comer para ela não ficar triste". a alergia dela passou. a minha descompensação de doces mantém-se até hoje. só tu me adoçavas a boca.
ali naquele armário do quarto guardavas-me a caixa de bolachas de chocolate. onde eu tinha os cadernos da escola, os meus livros preferidos, as "pinturas", as aguarelas e o giz para desenhar na rua. lembro-me dos lençóis de flanela, apesar de estarem num saco há uns 4 anos. tenho saudades dos lençóis de flanela. de te ver passar no corredor, de te ver espreitar pela frincha da porta a ver se eu estava a dormir. depois entravas pé ante pé e davas-me o beijinho-de-boa-noite-dos-sonhos. porque o outro davas quando me deitavas. deixei escrita uma frase do Mia Couto na minha gaveta. só para ti, que és a única que ainda lá anda e pode lê-la.
deixei ficar em cima da prateleira da casa de banho um dos teus batons em miniatura que eu às escondidas esfregava sofregamente nos lábios, com a minha mania de ser mulherzinha. e tranquei o teu quarto à chave com a bailarina e a caixa de música lá dentro. para eu poder lá voltar de vez em quando e dançar como em menina. fui fechando a porta, deixando aquilo assim. o ar pousar. como agora és mais leve que o ar, os teus passos não perturbarão o pó.
ouço-te a cantar os teus fados. só acontecia quando estávamos sozinhas. e isso é um tesouro. o outro é a memória da tua pele que está na minha.
um dia hei-de cumprir a promessa. e vou comprar a casa onde moraste. e nunca mais vou ter de encaixotar recordações.

meteorologia

hoje de manhã estava sol na minha terrinha. vesti uma camisola cor de rosa com um decote enorme em V.
agora tenho frio nos ombros...

sexta-feira, 29 de abril de 2005

ainda sobre lost in translation...

...descobri por um texto que me deliciou. gosto de quem escreve bem. infelizmente, este blog já terminou. felizmente continua no ar.

"a sala de embarque de um aeroporto é sempre demasiado fria quando se está só. um livro acompanha por um momento, mas a vontade de fugir para o sol lá de fora aumenta. ele aguarda-a no outro lado do mundo. ainda falta muito tempo até ao reencontro. ela relembra pormenorizadamente aquela noite no bar: os copos meio vazios, os joelhos demasiado próximos e as mãos com vontade própria. eles mal se conhecem e ela parte a caminho dele."

por [N], que suspeito quem seja e [se isso se confirmar] cujos textos sigo noutros blogs.

despertar

uma garrafa de anis partiu-se. foi deslizando devagarinho, aproximando-se imperceptivelmente da borda da prateleira onde descansava altiva. dos cacos, no chão, evaporou-se o líquido. ficaram os reflexos de luz espalhados por toda a parte. e o entorpecimento adormeceu.

quarta-feira, 27 de abril de 2005

contra-luz

respira fundo. o peito pequeno sobe e desce com calma. controla o ar até o coração amansar.
o seu corpo levanta-se da cadeira, indiferente ao escuro, ao frio.
está num espaço vazio, anónimo e intemporal. continua de olhos fechados e, na sua cabeça, o ritmo da respiração traz-lhe uma música.
deixa a cabeça deslizar para trás. levemente, avança um passo, depois outro. as ancas balançam. os braços levantam-se, e apanham as notas perdidas no ar. roda. roda. roda. salta e envolve o ar e o ar envolve-a.

[ms]
perde a noção do tempo. perde a noção.
já se descalçou, a camisola descaiu, revelando o ombro nu. os cabelos voam no ar despenteados e suados. não interessa.
abraça essa música que lhe chega sussurrada entre os estalidos da madeira. frenética, perde o controlo. agora não.

há-de acordar. arfante, desorientada. e ouvir os carros a passar.

alone in Kyoto [Air]

uma banda sonora sugerida para um post...
recordar algo que não recordo bem.
recordar uma viagem, duas vidas vazias e um encontro. mudou alguma coisa? isso fica para ponderar. mas acaba com um sorriso, não é?

numa capital cheia de luzes e movimento é estranhamente fácil o reconhecimento de duas solidões. num hotel luxuoso, num bar de meias luzes e glamours falsos. brilho. imagens cheias de brilho. e a tristeza infindável em dois pares de olhos. parecem sem rumo, apesar de trazerem agendas definidas. nem que o sejam por espaços em branco.
quando uma cidade grande se torna tão claustrofóbica e sufocante. e com tantos pontos de atenção que o olhar desfoca e não encontra um ponto certo. um porto de abrigo.
até encontrar. surpreendentemente, encontra-se noutro vazio. noutro desespero disfarçado.
não há histórias paralelas nesta história. encontros ou desencontros. aliás, já não se espera nada. apenas se vive um presente estranhamente familiar. estranhamente coincidente. estranhamente simples. com tanto lugar no mundo, o encontro de dois vazios é no meio do tal outro vazio cheio de brilhos, músicas, lantejoulas e neons.
e então faz-se realmente luz. nos olhos e nas almas. e não é preciso cenários fabulosos. não era preciso o destino exótico e cosmopolita. ou era?
falar de amor ou atracção. falar de destino ou coincidências. falar de viagens luxuosas. falar do que é cosmopolita ou charmoso, ou do fútil. falar de estilos de vida alternativos, do consumo, da imitação, dos ideiais estéticos. falar da loucura ou do desespero. falar do impulso ou do juízo de valores. falar de quando se perde o controlo ou simplesmente se deixa correr. falar de desejo e de intenção.
falar da simplicidade de um roçar de rostos, de uma troca de olhares, da sensualidade de uma pele, do fogo de um passeio à chuva, da embriaguez de uma porta aberta, de um intenso proteger aconchegante na cama, [tão] mais íntimo que o "será" do sexo. da simples simplicidade no meio da confusão. de quando tudo pára sem nada parar à volta.
tudo perdido em traduções. só sabemos que acaba com um sorriso.

para a V.
para Lost in Translation
não sei porquê. apeteceu-me.

terça-feira, 26 de abril de 2005

sex appeal ou uma forma de me deixarem a pensar o dia todo...

- que capa de telemóvel tão gira! é uma fotografia, não é?
- é. sou eu.
- ah. pensei que era a tua namorada...

... levo a mão ao buço, à procura de alterações hormonais galopantes...

sexta-feira, 22 de abril de 2005

untitled

disseca, corta, reinventa sem pesar no ar pesado sem saída.
estéril.
entra, aperta as cores em cinzentos obscuros.
não é nada.
ciclos de esferas entrecortadas sem colar.
atenta. mira. esguelha directa.
não é.
olhar em volta sem ver [querer?], fechar os olhos para ver no escuro. agarrar o cabelo no ar e puxá-lo.
não.

travagem. res...pi...ra...
água. redonda. macio de quente entre algodão e sons que chegam.
submerge, ondula, desenha. cores de sabores.
ligeira embriaguez. luzes e trancas.
noite. lua branca pintada às pintas de azul e amarelo.
dia. braços abertos. sol.
vida. tábuas e cheiro a espíritos. borboletas. pele. pincel.
relógio.

entretanto.
res...pi...ra...

bom fim de semana

merchandising ou narcisismo nouveau

hoje de manhã fui comprar tabaco a uma papelaria. dei de caras com uma cara conhecida na montra.
fui pressionada! foi mais forte que eu!...
pronto, tenho um estojo com a minha outra cara!...

quinta-feira, 21 de abril de 2005

verduras

percorria eu a R. da Escola Politécnica, e deparo-me com três coisas verdes com pernas e bonés.
e questiono:
mas quem raio é que se candidata a funcionário da EMEL???
só podem viver noutro planeta à parte.
ninguém que conheça o drama de quem precisa de trazer o carro para Lisboa (já sem falar dos pobrezinhos que vêm das Amoreiras para o Rato ou de Telheiras para o Rossio e precisam de deixar o BM à porta do escritório porque não cabe no hall de entrada) colabora nestas coisas!
andam o dia todo a pé, a imprimir papelinhos.
fazem o trabalho sujo da polícia mas não podem usar um pau, se se forem agredidos.
rogam-lhes pragas, são ameaçados de sodomia diariamente, têm de andar aos grupinhos por causa das coisas...
... e usam aqueles fatinhos verde-couve, de calças justas, que fazem o rabinho mais amaricado possível...

terça-feira, 19 de abril de 2005

centro

base
origem
atenção
espiral
perspectiva
círculo
encaixe
contexto
intenção
vácuo
ornamento
preenchimento
entendimento
umbigo

questionário

porque foi o meu querido Rantanplan que propôs, eu não me esquivo. cá vão as respostas. não esperem coisas demasiado profundas, que eu sou mesmo simples. ou básica, conforme as opiniões...

:: não podendo sair do contexto de "Fahrenheit 451", que livro gostarias de ser?
lamento, não conheço o contexto. mas respondo na mesma.
qualquer um da Laura Esquível.


:: já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por uma personagem de ficcção?
em adolescente, tive uma fixação pela desequilibrada Catherine de “Herdeiros do Ódio” e “Pétalas ao Vento” de... bem, não me lembro da senhora que escreveu (sou péssima para fixar nomes) , mas não era boa da cabeça... li e reli “Apocalipse Nau” e “Hotel Lusitano” do Zink. a Francesca e o Robert de “As pontes de Madison County”.

:: qual o último livro que compraste?
eya... onde é que isso já vai... bem, acho que foi o “Homem que Mordeu o Cão - a irmandade do canídeo” do Markl. não é profundo, mas dá para umas boas gargalhadas...


:: qual o último livro que leste?
reli “As pontes de Madison County”...


:: que livro estás a ler?
“Afrodite” de Isabel Allende. e “Uma Aventura no Caminho do Javali”. uma colecção que comecei aos 8 anos e ainda hoje me oferecem. e eu divirto-me, que eu não sou esquisita.


:: que livros (cinco) levarias para uma ilha deserta?
só 5? não sei se levaria novos, mas “As pontes de Madison County” era certinho, Gabriel Garcia Marquez, Laura Esquível, Pedro Paixão, Allende e Rui Zink. ups, passou dos 5... posso levar um bloco e uma caneta?

:: a quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
er... à Alien (minha querida, minha linda, meu geniozinho, para quando a nossa curta? grrrr), ao Nuno e ao Knuque. porque têm blogs e porque são loucos ao ponto de ainda andarem pelo polegadas... isto é uma máfia eheheh