sábado, 11 de junho de 2005

open air

abriram-se as portas. na minha cabeça ressoavam as dicas do patrão, que me explicou tudo: "tu corre, rapariga, e vai reservar o teu lugar para o cinema. as melhores são as espreguiçadeiras da fila D. vês tudo deitada e estás dentro do ecrã. depois tens tempo para o resto, mas marca primeiro o lugar." tu é que sabes. fila D, tá guardado, tá a andar.
ainda joguei X-Box (no primeiro dia é sempre gratificante porque dá para quebrar records sem perceber para que servem as teclas - é que eu sou do tempo do spectrum e mais tarde da Nintendo Super Set!), tiraram-me fotos para a posteridade e tudo.
o ponto negativo da noite foi a paparoca. acontece que para a capacidade máxima daquilo, o bar-restaurante não chega. há uma fila descomunal e tudo a pensar que já não consegue ser aviado antes de começar o filme (hora a que a reserva das cadeiras perde efeito). as meninas da Optimus dizem que afinal se pode comer também nos outros bares. metade da fila desmobiliza. chega-se ao outro bar e a resposta é "as gajas da Optimus são umas otárias". estive para lhes explicar umas coisas sobre atendimento ao público, mas pensei num menu alternativo e não me chateei mais: levantei o saco de pipocas a que tenho direito, com 1 € tiro um chocolate quente numa das máquinas de self-service que lá está e espojei-me (é a expressão certa) num puff a assistir ao pôr-do-sol.
bem bom... como o recinto é todo cor de laranja, os contrastes de cor com o céu azulão de fim de dia e o rio prateado encheram-me os olhos.
chega a B. já eu estou na espreguiçadeira a acabar o pacote de pipocas.
está fresquito. as meninas da SIC distribuem mantinhas... sim, mantinhas polares por causa da aragem, senhores! as da Gazela distribuiram almofadinhas... oh, almofadinhas para o pescoço não doer...
depois levanta a tela... e que tela... um telão, senhores! realmente, assim dá gosto... dou por mim a fazer o mesmo que a menina do anúncio da já referida marca operadora de telemóveis. a virar o pescoço de um lado ao outro e de cima a baixo para abarcar toda a imagem. porreiro, é mesmo assim que eu gosto. enrosco-me na espreguiçadeira, debaixo da mantinha e começa o filme. um filmão, não só devido à dimensão da tela, mas porque a fidelidade à bd é fenomenal. na fotografia, na realização, na caracterização, no texto... aconselho. muito sanguinário, mas é mesmo assim.
depois... um Rui Veloso em delírio. é que o senhor estava uma perfeita criancinha entusiasmada com o facto de estar a tocar ao desafio com o Pepeu Gomes e ofereceram um espectáculo realmente muito bom. jam session pura. e claro, não faltou o Chico Fininho... ;)
fica a vontade, ao ler o programa, de ver uns certos concertos e de (re)ver uns certos filmes em 400m2 de tela emoldurada de estrelas, com a certeza de que na próxima há que levar marmita...

quinta-feira, 9 de junho de 2005

... tá bem!

o patrão ligou há bocado: "não há nada para fazer aí, pois não? se quiseres, põe-te a andar e bom fim de semana!"... tá bem... tou só a acabar de ler o volume dois de Sin City em BD, já vou...

ora vem aí o belo do fim de semana prolongado. a debandada em manada para terras mais solarengas e litorais. cá fico, como sempre, limitada à falta de orçamento...


mas não me posso queixar. enquanto vocês vão para as filas para sair de Lisboa (ou da vossa respectiva cidade, meus caros leitores nortenhos eheheheh) eu fico por cá a apanhar o ventinho à beira-rio no espaço Open Air. depois é cinema com uma moldura de estrelas, numa tela gigante, seguido de concerto e dj até às 4. quem lá esteve (que o meu patrão é vip e foi à ante-estreia, nós os do povo entramos nestas coisas sempre já usadas) diz que é fabuloso. há que correr para marcar a espreguiçadeira, mas de resto na boa...
portanto é mais ou menos o mesmo que ir a correr para espetar o guarda-sol no quadradinho de areia entre a marmita da família da Bobadela e os chinelos malcheirosos do velhote da casa em frente à praia, à frente da prancha do puto de 12 anos que este ano quer ser surfista e atrás da piscina de plástico dos filhos do casal secretária-gorda-pós-parto+leitor-da-bola-de-pancinha-e-boné-de-pála-do-benfica...

amanhã e Sábado estarão vossas excelências de molho e a avermelhar ao sol... hmmm... talvez dê para ir ali à Caparica dar um mergulho. se levar só a toalha pode ser que haja espaço para ela enrolada num cantinho ao pé da duna dos marmelanços... ou não... ou fico só com a minha banheira. se chapinhar também tenho ondas! e depois vou para a janela secar ao sol da urbe. boa. tá-se.

palpita-me que só nos encontraremos mesmo lá para Domingo à noite... para banhos, terei os de multidão, pelo menos. já tenho itinerário marcado: tenho de trazer a minha irmã e os amigos todos no camião do meu pai para Lisboa. depois ela abandona-me no meio das sardinhas, vai-se divertir, e quando se fartar chama-me e tenho de fazer os 30 km que nos separam do mundo civilizado para os deixar na saloia-town. depois, se tiver forças e palitos para os olhos, volto para o meio das sardinhas, das bandeirolas, dos magotes de gente, dos manjericos (adoro manjericos), da dança no único dia em que podemos ser puros-tugas (ai vou dançar tanto o bacalhau... bem, se calhar não...O QUE É QUE DEU AOS BIMBOS PORTUGUESES QUE NOS SANTOS SÓ PASSAM MÚSICA BRASILEIRA? Qué feito do Quim Barreiros, hem?).

seja como for, quando quiser voltar para o carro basta-me levantar os pés do chão. sou tão pequena que a massa de gente suada me arrasta sem esforço, já sei como é. tento esquecer-me que sou claustrofóbica (é possível ter claustrofobia num local arejado, é, basta ir para Alfama nesta noite), olhar para cima até ver mais do que costas e cabeças e deixar-me levar. weeeee.
depois é dia de dormir o dia todo, porque a noite foi mais comprida que o normal...
e já é terça feira, e aí voltamos todos ao igualitarismo!

bom fim de semana. depois quero os relatos!

quarta-feira, 8 de junho de 2005

follow me to the sin city

eu vou



ah pois vou.

deitada numa
espreguiçadeira... a comer pipocas de borla...

ah vou, pois...

8 de junho

quantos fazes? não sei, já não me lembro. 74?
não interessa. um beijinho, avó.
onde quer que estejas.

terça-feira, 7 de junho de 2005

wannabe: o regresso

pois que através de um contacto de uma colega de há muitos anos, que lá pelo seu lado conseguiu chegar a um confortável sucesso entre novelas e anúncios de tv, me chamam para um casting daqueles... já não lhes sentia o cheiro há muito tempo...
mandaram-me um mail com as horas, o local e o texto... uma dessas pérolas das novelas juvenis. nem vale a pena falar na qualidade do que ali se dizia, do mais puro português suburbiano, da viragem retorcida da cena em 6 deixas... uma treta.
mas eu não nego nada. ainda sou das inocentes que acredita que se algum dia puder mostrar a alguém importante um trabalho bem feito, seja em que área for, pode ser que consiga vingar.
claro.

o texto no mail era só o seguinte:
procuram-se jovens entre os 18 e os 23 anos, bonitos, com ou sem acting para protagonizar nova novela da NBP
...
com ou sem acting, mas bonitos, hã? são só os protagonistas...

aquilo desmoralizou-me, obviamente. do alto do meu metro e meio e uns trocos sou a típica portuguesinha... nem mais nem menos. e já não tenho idade para estas concorrências fúteis. se bem que me abanam o ego completamente. não posso negar. ver depois os escolhidos em função dá para desatar à pedrada com o mundo e comigo... porque não há botox nem plásticas que me resolvam àquele ponto.

bem, estava marcado, não se perde nada a não ser uns neurónios só de respirar o mesmo ar que os imberbes que lá andam, saídos das agências de modelos e dos cursos de 100 contos por mês (basicamente o meu ordenado... quando o recebo) com as suas figuras esbeltas, altas, e sérias deficiências na fala.
estou a generalizar, obviamente. mas eu adoro tipões. processem-me.

chego antes da hora. dou de caras com uma folha afixada que avisa: "Procuram-se primas gémeas para episódios de Verão de Morangos com Açúcar". fico logo taxada de maluca pela recepcionista porque abro um sorriso idiota. preencho a minha folhinha de gado (que tinha mais pedidos de informações sobre as medidas do que da experiência na área), entrego o CV que sei que não vão ler, as fotos, tudo lindinho, e enfio o nariz no jornal de forma a poder observar a fauna. sempre é pesquisa de actor... pode calhar-me uma personagem destas...
estão duas raparigas novinhas de umbigo à mostra com o ar mais envergonhado do mundo. sorrio-lhes. nada a declarar. mas há-de haver... uma mãe nervosa preenche o papelinho, não sei se para ela se para a criancinha que olha para todos já com aquele ar... sai um grupinho nitidamente de amiguinhos todos histéricos. primeira vez.

eis que entra a estrela. the moment we've all been waiting for!
saltos altos às bolinhas, saia às riscas, nuances loiras esvoaçantes, camisinha justa, toda fashion com a sua pochette cor de rosa. fala alto para perceberem que chegou, pede o papel do gado e ocupa o balcão da recepção todo, indiferente ao mundo além do umbigo perfeitinho. o namorado segue atrás, cabeça baixa, olhos escondidos no meio da franjinha à cão de água da moda, camisinha Calvin Klein, chaves do Golf novinho na mão. ela alarda que não sabe as medidas que tem, que não sabe o que é "confecção", vai deixar tudo em branco. tá bem, filha, já percebemos.

entra a senhora a perguntar quem está para o casting. as mulas metem silenciosamente as patas no ar. a outra diz logo pelo nariz (como fica bem):
- tou cá eu, mas ainda não acabei de preencher a folha...

a mulher ignora-a e chama-nos.
entramos, somos muito bem recebidas pelo (sempre - não sei como é que eles fazem isto) simpático realizador, dá-nos as dicas e as marcações, estão dois actores para contracenar conosco. começa o circo.
ensaio. corta. repete. não faça assim, venha mais para o centro. a actriz que devia ajudar os "castingandos" ignora os nervos alheios (farta daquilo, de certeza) e fala com uma amiga mesmo no meio das gravações. o pessoal sua das luzes. parecem todos à beira de um ataque de parkinson.
- ai, pá, que estudei tanto isto pá. ganda branca, meu. desculpe lá.
olhos colados na câmara, expressões líricas, caras escondidas no ombro do colega. e eu a retorcer-me na cadeira a pensar "desmarca-te, desmarca-te". parece que estou a assistir a um jogo de futebol.
fiquei para última. faço o que tenho a fazer. o curso de cinema (bons tempos) ainda me vem à alembradura o suficiente para fazer as coisas tecnicamente correctas. emociono-me e tudo, aproveito a tremura da mão para parecer enlevada quando o colega me toca... muahahaha, consegui fazer à primeira!

saímos. a menina dos sapatos às bolinhas, ainda na sala de espera, bufa o lindo cabelo sedoso, já colado à maquilhagem derretida. ainda tenta interpelar a rapariga que nos encaminhou, mas é novamente ignorada. começa a esparvejar com o namorado, foi para isso que ele lá foi.

saio para a rua com o grupinho que fez comigo o casting. vamos a falar, afinal vamos todos de metro. meia dúzia de estações e impressões depois, separamo-nos. mando o meu habitual "muita merda" que os faz abrir um sorriso. e pronto, de volta à vidinha.

merda, correu bem. quer queira quer não, lá vou ficar umas semanas à espera do telefonema.
I'm too old for this.

segunda-feira, 6 de junho de 2005

ao que cheguei. senhores...

Lisboa, quase 5 da tarde de uma 2ª feira dessas raras: "tire 4 dias e leve 10 de férias".
algures num escritório perto do Príncipe Real, uma janela aberta deixa entrar o calor sufocante em troca de um pouco de circulação de ar. ouvem-se os rugidos dos camiões que páram na estrada, para carregar bolos da padaria em frente. provocam trânsito e buzinadelas. um alarme de carro. outro que passa de janela aberta partilhando com o mundo o seu gosto por Michael Bolton.
a esses, os da EMEL não passam multas.
uma garrafa de água, que se volta a esvaziar pela 4ª vez desde manhã.
um computador ligado, sempre com a janela do tal projecto vital aberta. havia muita pressa, por isso se ficou a trabalhar nele na 6ª até às 7 da tarde. ainda está por rever. não aparece ninguém. o telefone não toca. enquanto não houver aval, não se avança, e não há ninguém para dar o aval. pagamentos só na 4ª feira, novas ordens. se dEUS quiser, quando for a digressão vamo-nos todos vingar de ricos. eles no Brasil a beber caipirinhas com os actores, eu no escritório vazio. é o que se diz à boca pequena, eu espero para ver. mas isso não interessa, não me quero perder em divagações.
onde é que ia?
ah. o computador. ao lado um cinzeiro. 6 beatas. mais os 2 do almoço e o da manhã faz 9. tenho de reduzir. pego no isqueiro. começo amanhã.
um "crostas" manda alguém sodomizar-se. o alguém não devia ter trocos.
do alto da parede a minha única companhia é o romeu... um tipo calado, talvez por ter só duas dimensões. mira-me com olhar sofrido. já não ligo. é rico e famoso. tenho uma peninha...
o telefone está silencioso. no messenger só uma alma penada faz aparecer no cinzento do écrã uma barrinha cor-de-laranja.
arrasta-se... o tempo... pegajoso, quente, devia ser pecado isto. tanto sol para apanhar...
um grito.
- foda-se!um valete!só preciso de um valete!

fotossíntese

azul, azul, azul.
na Cidade do Pecado com Frank Miller.
enquanto o sol me lambe as feridas.

sexta-feira, 3 de junho de 2005

em boa companhia

ben harper...
e depois gift...
quem virá mais cantar-me ao ouvido, hm?

John Mayer said...

...
fathers be good to your daughters
daughters will love like you do
girls become lovers, who turn into mothers
so mothers be good to your daughters too
[daughters]

um aviso ao mundo.

green bean strikes again

tive de ir a correr salvar o meu patrão das garras da EMEL!!! eheheheh
os verdurinhas bloquearam-lhe o carro e ele tinha de sair a correr para uma reunião. tinha dinheiro para a multa mas não tinha documentos (eu é mais ao contrário)... lá fui autuada com o ar mais calmo do mundo, enquanto ele voava rua abaixo à procura da próxima multa.
quando o verdurita se despediu de mim com um sério "bom fim de semana e espero que não se repita", eu só lhe disse: "oh, amigo, isto é do meu colega, ele não tinha era documentos. eu ando de metro!".
o rapaz corou, arrependido do tom "ah, foi para desenrascar o seu amigo..."
ora pois!

acho que vou pedir um aumento ;)

quinta-feira, 2 de junho de 2005

general programme coordinator

saio para o ar quente que me sufoca a pele entre o suor e os raios de sol. fim de tarde mais que soalheiro, este. olho em volta... apetece-me... sim... descer.
hoje não passo pelo jardim. no miradouro um homem lava cerejas no chafariz, três rapazes de t-shirts suadas jogam à bola na sombra das árvores e uma senhora passeia um cão castanho. o engraxador espera um par de sapatos e um velhote dorme no banco de jardim com um jornal nos joelhos. alguém toca percussão.
já há quem tenha saído do trabalho, mas neste bairro não se sabe bem o que leva as pessoas pelos passeios empedrados.
chegando ao pé do elevador páro. uma geribéria cor de laranja. é mesmo isso que me apetece.
desço, sem esperar pelo elevador. cai-me a flor da mão, mas uma menina loira que subia corada o passeio íngreme com uma mochila maior que ela às costas corre para ma apanhar e devolver. não evitei o sorriso. três velhotas desafiam a quebra de tensão, também não esperaram pelo elevador. outra senhora à minha frente corre para atravessar a rua antes que o enorme bicho amarelo a atropele. a calçada está escorregadia e as minhas sabrinas têm sola fina.
restauradores. praça enorme, cheia de luz, não me protege com sombras amigas como lá em cima os prédios velhos coloridos onde queria morar. atravesso. nesta altura já o sol me ensopou a roupa. entro na rua do Coliseu, na azáfama de camiões da televisão, cartazes do La Féria, turistas de olhos turvos. vem aí o ballet russo. cheira a sardinhas mas todas as esplanadas estão cheias de pires com caracóis. o verão saiu à rua. ainda é cedo para o assédio dos empregados dos restaurantes, mas estão cá fora, a ver passar os passeantes.
vou subir a minha calçada. já sei que me vai faltar o ar, ainda antes de chegar às escadinhas. entro naquele mundo à parte do tal bairro onde há conversas de janela para janela, discussões entre senhoras à porta das suas lojas, cenas de porrada, o bêbado assobiador, os melhores bolinhos de Belas e o grito de guerra da turminha de miúdos que passa ali às 2 da tarde.
reconheço o cheiro que percorre as paredes daquela sala de tectos baixos e chão de madeira polida, as pilhas de dossiers azuis, o inevitável pauzinho de incenso. nas paredes fotos de tantos sorrisos, de cores e credos diferentes que nos passaram pelas mãos, pela paciência. um arrepio brincalhão percorre-me, ao lembrar-me que na primeira gaveta estão os formulários para os passes da Carris. posters de Lisboa, recordações, bandeirinhas de escolas de locais longínquos. mapas, calendários, listas desorganizadas.
aqui deixei uma caneca da Polónia, o frasco das bolas de sabão que soprava aos miúdos e a minha janela sobre a calçada.
hoje, trago uma geribéria cor de laranja para celebrar a orgulhosa passagem deste testemunho.

quarta-feira, 1 de junho de 2005

menina

já cresceste mas manténs a vida que te percorreu os cabelos escuros, a mão pequenina e os passos incertos, a gargalhada solta e a lágrima fácil.
andas aí, por vezes mais escondida, outras mais esquecida. estás no meio do monte, a colher papoilas, a aprender o abecedário e a picotar, a dar milho aos pombos no Rossio, a distribuir beijinhos depois do sarau, a dar caneladas no colega...
andaste, andaste tanto. e ainda falta muito. espera, menina. espera. pode ser que te soprem os ventos de sul. que entres no mar outra vez. que te beije a pele o sol. que voltes a comer algodão doce e pastilhas gorila...


apetece-me mascar uma azeda. se alguém encontrar, é favor entregar ao pé do Príncipe Real.

dádiva

dei o que podia dar. o que de melhor tinha: os meus pilares. alimento eterno de alma e de pele. que não esgota. felizmente. fiquei vazia, esgotada, transparente.
deu-se o que se tinha, de todos os lados. e isso é que é importante.
pendente ficou o abraço. talvez um dia.

terça-feira, 31 de maio de 2005

óculos escuros

hoje vou "misturar lágrimas".
até amanhã.

bem...

está na hora. tenho um buraco no peito. não há-de ser nada. merece.

shakespeare

se os seus olhos estivessem no céu
lançariam pelas regiões etéreas raios
de tal forma que os pássaros,
esquecendo que era noite,
cantariam

R+J

perdoem-me, mas ando a levar com isto todos os dias e nunca deixa de me emocionar...

na passadeira

à espera que me deixem atravessar. passa um carro (ailerons, rebaixado, cd a balançar do retrovisor, e os etceteras todos), não me deixa atravessar. mas abranda em cima da passadeira e abre-se o vidro.
- ganda naaaaco!
- e se deixasses o naco passar ó esfomeado!
did I just say that...?

segunda-feira, 30 de maio de 2005

sei que soa uma tempestade algures. caem relâmpagos frios, soam trovões e o vento uiva daquela forma que sempre me arrepiou.
a força das águas verga as árvores. a água ensurdece.
fico. não procuro abrigo. à espera que caia de uma vez. que desabe no meu corpo pequeno. sou pequena. sou. ínfima. já nem estou.

estranhas formas de comum.

dever

quando a força é encontrar forças para se permanecer invisível.