quinta-feira, 14 de julho de 2005

...

dasse!

quarta-feira, 13 de julho de 2005

lucidez

não é todos os dias que nos oferecem uma história de amor.
obrigada, Paulo.

blank

o cursor olha para mim, expectante.
a companhia de Ella tenta abraçar-me.
a folha está em branco. dizem que o branco é a união de todas as cores.
as palavras às vezes são tantas que sufocam à saída.
gostava de dizer muita coisa. aos pedacinhos. em torrentes.
saído de mim. bem do fundo. do que tenho de bonito e de feio.
do sincero e perfeito porque real.
perco-me em meias frases. a monotonia das metáforas.
o monocromático. há por aqui uma bruma. ardem os olhos.
a voz não solta a língua. não solta o suor preso à pele. não solta a vida dos dedos.
vão. fechado. preso. oculto. entupido. vedado.
não vale a pena. pouco há a fazer.

agora, as letras doem.

segunda-feira, 11 de julho de 2005

nevermind

estou a precisar de férias. durante bastante tempo estar longe de tudo.
preciso de um sítio meu. só meu. onde possa descansar. e desligar.
onde possa ler umas horas, apanhar sol, molhar-me na água fresca, ouvir música e adormecer a contar estrelas, descobrir constelações inventadas, com a luz de presença da minha lua. crescente, minguante, nova ou cheia. preciso da lua. e de ventos quentes que me embalem as angústias e me tragam as noites compridas de menina.
esquecer-me de dias como este. de temperamentos sem sentido. de umbilicalismos.
preciso de não ter de desmembrar-me.
quero ver o pôr-do-sol às 9 e tal da noite. sentada na areia ou no topo do monte. mas sem relógios por perto, sem nada que me lembre que tenho de ir a correr para algum lado. que não tenho tempo. que o tempo me tem presa.
preciso de dançar descalça na relva. de largar as energias negativas na tontura das piruetas.
preciso urgentemente de gritar. alto, muito alto. até a vibração da voz desfazer o nó que tenho na garganta. e deixar sair as lágrimas que tenho por chorar e depois as que ainda não sabia que ia chorar. perder o pudor até perder as forças. e depois dormir.
quero limpar a alma. deste suor poluído que me anda a esgotar os olhos.

perdoem o desabafo.

sexta-feira, 8 de julho de 2005

london, 07.07.'05

sweetheart:
went to work. I left you asleep, lying on our bed, dreaming.
I love you so much. days and nights spent with you are paradise in this crazy world.
oh, I wish I could stay, even for a few more seconds, lying there, nesting beside you.
well, gotta go now, into the subway like everyone else. but at least I'm smiling, with the memory of you always with me.

luv ya. see you later.

p.s.: don't worry about supper. I'll arrange it for us today

esta nota é ficção, cedida pelo querido Bufas. quantas terão ficado em cima de uma almofada ao lado de cabelos espalhados e cheiros quentes?
a homenagem merecida a quem não vai voltar a casa.

cavalheiro évora

aqui ao escritório costuma vir um senhor, colaborador da empresa. entra sempre com o seu andar pesado dos cabelos brancos e da barriga enorme. sorriso em riste para o que der e vier. saquinho do pingo doce com fruta fresca, porque as compras são feitas antes de passar por cá às 10 da manhã. demorou cerca de 2 meses a deixar de me chamar Simone ou Yolanda...
começou a pedir-me ajuda para ver os mails dele. ainda não percebe disso dos computadores, e a secretária dele está de férias. mas já se inscreveu em informática na universidade da terceira idade.
descobri que também colabora com colegas meus de há uns anos, e é amigo do meu encenador.
anyways, hoje cá entrou logo de manhãzinha, com o seu "quem é uma flor?" com que me cumprimenta todos os dias, e, penso, para colmatar o facto de nem sempre se lembrar do meu nome.
estendeu-me um embrulho.
agora tenho o cd de Humanos, que apenas ouvia no site deles.
há gestos que deixam uma pessoa desarmada...

sonhos

percorri a rua da Escola Politécnica com Louis Armstrong e "A kiss to build a dream on".
a pensar na minha noite. em como o subconsciente nos prega rasteiras e nos avisa que, apesar de tudo, ainda acredita (ele, coitado) em certos finais felizes.

quarta-feira, 6 de julho de 2005

corrida de obstáculos

chegar a casa tarde, cansaço. entrar pela porta que faz mais barulho na casa toda e está de frente para o quarto dos pais. roda chave, roda chave, sobe tranca. clanc clanc.
abrir porta do corredor. atravessar o corredor.
passar por cima do cão de guarda.

que dorme.
pesadamente.
ronca.
muito alto.
completamente espojada no chão, muitas vezes toda esparramada de barriga para cima, de beiços descaídos para trás...
ó menina, compõe-te! isso é forma de guardar a casa?
vidas... de cão!

terça-feira, 5 de julho de 2005

shoe sale

numa pessoa de baixas finanças, gaja, muito gaja, que gosta do seu saldozinho, da sua bagatela, da sua espiadela de montra, ir passear para um centro comercial cheio de oferta e sem um tostão no bolso é coisa de loucos...
e dá nisto!



entrei na loja onde havia mais fatos de treino e sacos do continente per capita e experimentei os sapatos mais pirosos que encontrei!

estas são umas sandálias de salto agulha em verniz azul, de tiras cruzadas ao lado, adornado por um maravilhoso coração em strass atravessado por uma seta. um mimo!

encontrei-me!

é como quem diz... encontrei a minha Teresinha! na SIC generalista, aos Sábados às 6 da manhã...
(belas horas para se chegar a casa, mas pronto... eheheheh)

sun, moon and the stars


num quarto de céu e luas, nada melhor que um sol a rir-se para mim todos os dias...

sexta-feira, 1 de julho de 2005

humanos











só para partilhar um pouco das imagens que trouxeram os sons.

quinta-feira, 30 de junho de 2005

dois teclados

um encontro imprevisto levou-nos ao desafio de partilhar um texto. eu sou amadora nisto, peço desde já desculpa. Nuno: escreves tão bem que não te consegues desperdiçar em palavras. um beijinho.

chá gelado

o saco está tão pesado como o meu vazio. o vazio arrasta-me os passos. não quero pensar. agora não. quero um chá gelado. mas não queria daqueles de lata. era mesmo um chá com açúcar saído do frigorífico num jarro qualquer. sento-me e entre os pares de cuecas e calções encontro o livro. peço um sumo de laranja e acendo um cigarro. a mulher que me atende é muito lenta. tudo se arrasta como os meus pés. doem-me os pés. tenho de seguir caminho. mas agora doem-me os pés.
P

o sumo de laranja sabe bem, mas a partida dói tanto como os pés, as partidas são sempre dolorosas como são todos os momentos que implicam uma separação de alguém. fecho os olhos e tento esquecer tudo o que me leva a fugir, não consigo. tento fugir ao pensamentos com o livro, abro na página marcada mas as palavras não passam de uma confusão de letras. está quase na hora da partida e recordo as tardes amarelas no jardim do príncipe real.
N

olho essas tardes de longe mas o sol ainda me acarinha a pele, o vento ainda me enrola o cabelo nos dedos de ar. os beijos são sempre mais reais quando na barriga ainda saltam as borboletas. está tudo queimado. o jardim, quero dizer. alguém numa noite quente de embriaguês adormeceu e deixou cair um cigarro que queimou tudo. se calhar é melhor assim. mas o castelo ainda se vê. os velhos ainda lá andam, os putos ainda jogam futebol. o elevador ainda sobe e desce. as mãos... ainda me tocam... vou ter de apanhar aquele elevador. sempre gostei daquela rua. mas esta será a última vez que a desço. quando tiver forças para me levantar. preciso de um beijo.
P

sim, um beijo. um beijo que desliza e voa sozinho e acaba por pousar no pescoço. a pele morena é mais doce nas tardes quentes de verão e queria permanecer abrigada do resto da vida nesta almofada. ainda agora nos conhecemos, digo-te. as mãos sentem a ternura da pele e o fim de tarde insinua-se sobre nós. não quero descer o elevador, quero ficar aqui muito tempo até a chuva voltar. lá fora a cidade arde selvagem e eu preciso de um chá gelado.
N

será que o chá me ia saber tão doce como os teus lábios? como os lábios de seda e vinho tinto que me aqueciam e queimavam em prazeres tão lentos que dóia saber que tinham de acabar? onde estás? vens-me buscar? vem, eu deixo tudo, deixo a mala aqui, o livro em cima da mesa e o sumo por pagar. deixo-me aqui para fugir contigo. não posso. demoras demais. ainda queres a minha pele? como querias como um tesouro terno a tocar com a ponta dos dedos, a possuir com os braços todos do mundo? estou tonta. é do calor. estão a olhar para mim. sinto-o na nuca.
P

é possível ser-se feliz numa noite de nevoeiro? estes olhos que me vigiam como câmaras dizem-me que é hora de fugir. tu não vens, há ali uma cerejeira que me sorri. decidida, levanto-me, saio, mergulho na lava do desconhecido. não olho para trás porque o passado é demasiado pesado para uma menina frágil com uma saia às cores.
N

pego na mala. não quero saber. largo as moedas em cima da mesa. não quero saber. meto o livro no saco. não quero saber. levanto-me. não quero saber. estou a chorar. convulsivamente. não quero saber. caí no chão. não quero saber. sabe-me a sal. o sal do teu corpo suado, de tempos em que o calor era uma desculpa para nos colarmos como o frio, que purgo nos meus olhos. os meus olhos que te eram tão fascinantese amoráveis como o mundo de elfos e folhas verdes onde vivíamos. não quero saber. agarram-me o braço. não quero saber.
P

um arrepio na pele. que fazes aqui? é demasiado tarde, deves estar enganado, já te tinha riscado do meu caderno preto, não podes aparecer do nada para me levares toda outra vez. que lábios são esses que me prendem? eu não quero, estou colada a ti mas não quero, a minha pele grita pelo teu calor mas eu não quero, dissolvo o meu corpo no teu mas não quero, não quero saber, hão-de haver noites escuras em que o manto de estrelas nos diga no meio do silêncio de que cor é a perfeição mas hoje o tempo é demasiado imperfeito, não quero saber, desculpa a lamechice, sempre gostei de finais felizes.
N

quarta-feira, 29 de junho de 2005

do querer

notas soltas que se acumulam no peito e no caderno.
sem ordem, orientação, direito ou esquerdo, só interiores.
tocava alto entre espuma fresca, recordação de azul ou verde. ou todas as cores ou nenhumas.
alheamento sem causa-efeito, apenas uma flutuação necessária.
porque a pele pede. sua e canta baixinho.
porque a pele é permeável à voz. não só ao vento arrepia. não só ao doce aquece.
o piano toca. podia não ser um piano. mas é um piano.
e as notas deslizam. são voluptuosas, envolventes, mimosas. ao toque essas notas, essas músicas, arrepiam, lambem.
feridas e pescoço.
e aos ouvidos o sabor soa mais salgado. ou mais doce ou mais macio.
o travo da lua na ponta dos dedos.
onde está?

a culpa é da vontade

de sandocha de leitão no bucho e o bilhete orgulhosamente seguro na mão, entro no coliseu.

fiquei a uma fila do palco. chão, paredes, tudo branco. uma panóplia de guitarras e outras derivadas, bateria, um piano lindíssimo, um órgão descomunal lá ao fundo, microfones à boca de cena, colunas tapadas com pano branco, amplificadores parecia que saídos dos anos 50, e uma maravilhosa caixinha estranha de madeira que já vi nas mãos do David Fonseca noutras ocasiões. tive tempo para absorver os pormenores que me circundavam porque cheguei cedo. nunca estive tão perto dos artistas e delirei só de pensar que ia poder ver cada expressão, cada tique, cada olhar cúmplice que sei que acontece em palco, qualquer que seja o contexto. já calculava que a única desvantagem seria não poder levantar-me aos saltos... coliseu é assim.

de repente olho para trás e no lugar das cadeiras estava quem as pintou de vermelho no site da ticketline. um mar de gente, tão diferente como velhotas que gostam do Camané, pessoal de meia idade que não ligava ao Variações mas que achava piada ao "Maria Albertina", malta novinha que nem sabia quem era o Variações antes do disco, pessoas como o meu pai - geração António, que o ouviram e admiraram a sua genialidade apesar dos tempos - e gente como eu, que cresceu com o pai a ouvir os LPs, e gostava de Clã e David Fonseca... ou não, mas gostou do disco.

conhecendo a sua música, sei que respeitando-o deram novas vozes e adaptações, arranjos e um toque deste século que o quis, finalmente, abraçar. não se limitaram mas não imitariam. já sabia que não tinham convidado músicos externos ao projecto, que se iam revezar entre os mil instrumentos, que inseririam músicas contemporâneas e provavelmente influências de António Variações. mas não sabia nada e esperei de alma aberta... até te escutar

entraram os músicos, uma das 4 componentes da alma de Variações. eram eles a representação das melodias que ecoariam na sua cabeça ao compôr. branco era a cor de eleição das roupas. depois as 3 vozes, 3 outras partes de António. a sensualidade e infantilidade feminina de Manuela, a loucura e desespero de David e as raízes bem portuguesas de Camané.
começou com um hino a António.

depois seguiu. sem desafinar, sem falhar, sempre a brincar. com a música, com o público, entre eles. em músicos normalmente depressivos encontrava-se uma expressão leve, sorrisos e gargalhadas. o prazer de tocar. a alma de António. aquele homem que nos seus concertos se isolava na roulotte porque ninguém queria conviver com ele, que sofreu na pele a incompreensão da sua pessoa, da sua música, da sua poesia, aqui era livre. para a época era um génio - outcast mas um génio. porque fazia música à frente de si e dos que o rodeavam. hoje seria mais um.
mas foi resguardado, numa caixa de cassetes. até que voltou em forma de novos sons, que, sem dúvida o honrariam e horaram as suas palavras.
escusado será dizer que o rabo não resistiu pregado à cadeira com as batidas irreverentes de músicas como Maria Albertina, Muda de Vida, A Teia, na Lama, Não me Consumas... o público estava louco, inclusive as velhotas arranjadas de laca da zona da orquestra.

em Gelado de Verão vi um rapaz aproximar-se da rapariga que o acompanhava e sussurrar-lhe qualquer coisa ao ouvido que a fez lançar-se-lhe aos braços e de sorriso emocionado dizer que sim com a cabeça. fez-me sentir como é bom testemunhar coisas raras, momentos únicos, mesmo que no anonimato, e saber que a paz e as coisas bonitas nos rodeiam sob as mais diferentes formas. espero que vivam um amor de conserva...

chorei muito quando a minha avó me veio beijar pela Manuela Azevedo em Anjo da Guarda.

saltei em fúria louca com O Corpo é que Paga...

o Camané saía de palco depois das suas actuações e deixava os "putos" brincarem com as músicas com mais pedalada. This town ain't big enough for the both of us foi assim uma loucura de ouvir e ver na interpretação furiosa dramática de David e Manuela. um dueto disputado à antiga.
a caixinha de madeira do David voltou a fazer magia, entranhando-se na perfeição nesta palpitação única de sons e luzes de António. António a milhares de vozes, a uma voz só.

entre recordações, novos sons e muito boa companhia daqueles maravilhosos sete amigos, foram duas horas de pura magia, roçando mas não entrando no revivalismo.

obrigada António Variações. vais viver.

terça-feira, 28 de junho de 2005

musicóle vs. carestia

entra jigle > "interrompemos a emissão de nadas deste blog para prestar um serviço público:

ainda na onda dos concertos...
... olhem lá...
agora alguém me explica como é que vou fazer para ainda ir ao hype @ tejo dia 9 de Julho e ao Iber Rock de 14 a 17 de Julho??? ah, sem falar na Casa de Bernarda Alba que tenho de visitar no S. Luís, apesar das datas manhosas.
bem haja o belo e caridoso evento que reúne músicos portugueses todos os anos nos jardins do Casino Estoril. é à borla e isso basta-me. agora é escolher consoante o gosto de cada um. ora Junho já passou, temos aqui as próximas:

Agosto
04 - Luís Represas
11 - Delfins
18 - Fingertips
25 - The Gift

Setembro
01 - Jorge Palma
08 - Santos & Pecadores
15 - Maria João & Mário Laginha
22 - Vitorino
29 - Mafalda Veiga

De certeza, mas de certezinha, apanham-me lá a 1 de Setembro.
Se não for a 25 de Agosto, bato em alguém.

e a partir de agora finou-se a agenda cultural. a ela voltaremos se se verificar essa necessidade de deprimir financeiramente por parte da blogger que vos fala. por ora, voltemos à formatação original deste blog. é sobre nadas e assim continuará." > entra jingle

...

> pára jingle

...

... olhem lá... haverá algum chãozinho para lavar em vossas casas?.. cobro baratinho...

e é lá que eu vou estar até te escutar

chega o verão... (quer dizer, diz que já é, eu não sinto nada... bem, mas assim não dá para seguir o raciocínio, voltemos à vaca fria...)
chega o verão... chegam os carros de janelas abertas a espalhar música pelo ar. chegam as tardes longas, a vontade de ficar no lounging depois do trabalho num barzinho a ouvir música. num escritório vazio sem rádio, a única companhia é mesmo a música que me chega da rádio online.
e chegam os concertos, festivais, eventos ao ar livre...
contra mim falo, que quando quero fazer peças no verão me queixo que não há público, mas chega esta altura e há que laurear a pevide... e também não há público em altura nenhuma, que se dane.
mas pronto. com o calor a música bem disposta toma-nos.
uma pessoa abre os sites, as agendas culturais, liga a tv, e a oferta é demasiada para bolsos à beira dos 21%.
que se dane a carestia de vida, ao menos suporta-se a pobreza a cantar.
ontem estive no masoquismo puro: passei a tarde no site da ticketline a ver as cadeirinhas azuis tornarem-se vermelhas (ao ritmo dos refresh) para estas duas noites de Humanos no Coliseu.

cresci a ouvir o Variações, um bom amigo do meu pai. a sala é uma bosta. tenho pouco dinheiro. mas são dois concertos únicos, não voltam. e tenho um carinho especial pelo David Fonseca, processem-me. mas é caro. olha, acabaram os bilhetes do balcão. agora só uns espalhados na 2ª plateia, na primei.... não, na primeira já acabaram. para 4ª feira então há mesmo pouca coisa... sobra a visibilidade reduzida e a orquestra. aieeee.... olha, na orquestra para o segundo dia já não há. são quê, umas 10 cadeiras na orquestra ainda livres? não vás, estúpida, tens mais onde gastar o dinheiro. não não vou, claro que não. só estou a ver. é uma terça-feira, tens de acordar cedo na 4ª. mas mas mas... eheheheh ainda por cima nunca está ninguém no escritório, se adormecer nem dão pela minha falta... visibilidade reduzida é muito mau. visibilidade reduzida é o coliseu inteiro. só se vê cabeças... e a orquestra... quer dizer... esquece lá isso... mas o que é que o meu dedo está a fazer? onde é que vai o cursor do rato?? pára! não! não! pára! aaaaaaaaaaaahhhh!

hoje vou ver Humanos.

... a culpa é da vontade.

segunda-feira, 27 de junho de 2005

trivial

penso em vinho tinto, velas, cigarros, almofadas no chão e o jogo de 1983.
praticamente 12 horas de... nós. os mesmos de sempre. acaba sempre por sê-lo, mesmo não sendo.
depois de actualizar as conversas, o quem está a fazer o quê e o que se achou do filme X, depois dos primeiros disparates, de se correr a discoteca, de umas irem aquecer o prato vegetariano ao microondas, de se dispor o frango e as batatas na mesa, de se cumprimentar os atrasados, de se comer aos poucos entre goles de risos, resolveu-se jogar. um jogo, o tal de 1983 que é presença obrigatória em certos círculos. no meu círculo. já todos jogaram, mas lembram-se sempre do jogo quando estamos juntos. anda comigo no carro para eventualidades.
este jogo tem julgamentos. se achamos que o colega está a mentir, alguém tem de o desafiar. ao P. perguntaram "Se visse a carta do colega, dizia-lhe?". ele respondeu que sim. ninguém o desafiou, passámos logo à fase de lhe mostrar a carta de julgamento a dizer "culpado"... ele perdeu... mas não importava porque quem ganhava pedia mais cartas para continuar.
o raciocínio a entorpecer à medida que o tempo passava e as garrafas se acumulavam no lixo. nessa fase, optou-se pelo trivial dos idos de 1990. a meio já se tentava ajudar os parceiros com mímica, música e "privates" que tinham tanta lógica que o ajudado ficava na mesma, de olhar etilizado.
os maços de tabaco circulavam, sem substâncias ilícitas porque não apeteceu. a embriaguês natural da amizade fez o efeito químico desejado.
o dia clareou à medida que crescia a nostalgia (e a S. gritava porque não tinha dormido). reviu-se o filme da peça. vergonha, muita. risos. saudades.
despedidas ensonadas e boleias organizadas, ficaram apenas as velas a arder entre cera espalhada na placa de vidro.

I hate mondays

regresso do almoço. o bacalhau à brás ficou quase todo no prato. o tempo não está nem está.
escritório vazio. um tem uma alergia, a outra tem febre. atentem no dicionário, hão-de aparecer como sinónimos de ressaca.
no cinzeiro arde um lucky. estou à espera que o segundo café do dia faça efeito.
na antena 3 online, aos soluços porque o servidor deve estar cheio (preciso de um rádiozinho, desesperadamente - morada de entrega disponibilizada via contacto para o mail deste blog), tentam acordar-me com "hey ya - shake it like a polaroid picture" de Outkast e "take me out" de Franz Ferdinand.
há pouco que fazer. apetece-me apanhar uma daquelas febres.
olhos parados no ar, focam o meu reflexo em contra-luz no ecrã. eu não estou de ressaca. só dormente.

sexta-feira, 24 de junho de 2005

mr. bojangles

conheci-o há uns anos. voz intensa, olhar profundo, humor negro, cruel, delicioso.
pessoa enigmática, com meandros insondáveis. é mesmo assim, caranguejo.
de um charme poderoso, e uma capacidade intelectual fantástica. e o único que dançava comigo.
para falar horas a fio. agora falamos menos, a vida fez questão de nos manter ligados daquela maneira especial em que, apesar de pouco nos vermos, sabemos que estamos por ali, sempre. e saber sempre a pouco.

lembro-me que começámos ao mesmo tempo, mas no seu sangue o talento fervilha sem tempo.
lembro-me de ser uma prostituta e ele o proxeneta. de ele me fazer chorar e no fim vir abraçar-me enquanto o profeshor Lushiano batia palmas à cena.
lembro-me da lavrosca. era uma piada seca à malucos do riso transformada numa gargalhada geral porque saía dele.
lembro-me do fantasma de lençol.
lembro-me da Flóber.
lembro-me de um convencido castelhano que [me] dava apalpões no rabo da moça, e de um marido impotente.

e da voz que gritava no aviso aos espectadores "já se disse para desligar telemóveis..."
e de uma qualquer comparação de uma mulher a uma maçã vermelha. dos solavancos inventados do metro.
"querida mimi: fui violado por um extra-terrestre e agora brilho no escuro..."


lembro-me de rir às lágrimas. sempre.
lembro-me das tiradas geniais que sempre nos enriqueceram e a todos os trabalhos por onde passou. e passará.

e de um sempre-noivo que ainda me faz chorar.

em ti as palavras chegam ao seu sentido.

se fosse uma cidade seria... Lisboa
se fosse um livro seria... a biblioteca toda
se fosse um poema seria... de Mário Henrique Leiria
se fosse um génio seria... Mário Viegas
se fosse uma nota escrita seria... um qualquer caderno de peças inacabadas
se fosse um doce seria... um barquinho de ovos moles
se fosse uma frase seria... "estúpida"

se fosse uma praga seria... "e se fosses ser sodomizado por um elefante sifilítico?"
se fosse uma cor seria... laranja
se fosse uma noite seria... aquela bebedeira de vinho tinto no restaurante ao lado da Barraca, no dia em que o conheci de uma maneira diferente
se fosse um cheiro seria... o dolce&gabanna que me faz levantar a cabeça na rua à sua procura
se fosse uma música seria... mr bojangles no jipinho

estamos sempre nas estreias um do outro.
e eu estou à espera de voltar a pisar o palco com ele. porque foi também com ele que comecei. porque com ele aprendo a cada nova personagem.

é o melhor actor que conheço.
e dos melhores amigos que tenho.

parabéns, Jota.

Mónica Sintra :)