quinta-feira, 18 de agosto de 2005

esta juventude...

o encontro de afinidades moderno já ultrapassou largamente o "não me digas que também frequentaste essa piscina nessa altura?!" ou "não acredito: também andaste nessa faculdade?!" ou até "também tens pancada por esse filme?"

hoje em dia é mais intenso, mais arrebatado, mais fashion, mais trendy, mais... tudo:
"não me digas que também tens ataques de ansiedade?!"

caros amigos e leitores e seguidores fiéis d'A Palavra deste blog: conheçam a praga do século XXI!

quarta-feira, 17 de agosto de 2005

rita

rita é menina. menina-mulher.
rita ama ferozmente, com a candura da primeira vez. põe em pedestal e acredita de braços abertos, alma estendida ao sol a secar.
rita veste-se de azul, o azul da sua inocência, dos céus brilhantes que adivinham um novo dia.
rita tem sapatos macios, perto das sapatilhas das bailarinas e das pantufas confortáveis.
rita usa rabo de cavalo desprendido.
rita faz beicinho, finge a dor que finge fingir.
porque acredita, a rita, na vida e no seu amor. e o resto vai passado, bem disposto.
rita é mulher, mas deixa-se ficar menina porque assim é mais bonita que a rita-mulher para o homem da sua vida.
rita tem a voz fina, afinada e doce. rita não diz palavrões. rita faz a cama todos os dias, lava a loiça e sorri ao fim do dia.
rita queria ser psicóloga. mas nos corredores da faculdade encontrou outro destino.
que lhe trará entre sorrisos e beijos soltos no ar uma rita-mulher.
rita costura as suas prendas com as mãos pequenas cheias de sorrisos que espera encontrar do outro lado.
nos pequenos momentos de gestos vagos, rita não vê, não quer ver a evasão.
rita fica em casa todo o dia e estuda, e sabe, às escondidas, o que Freud dizia. não sabe para que o faz, mas rita diz que é rato dos livros. só. porque não importa o que sabe, prefere perder-se noutras palavras.
rita às vezes tinha vontade de se vestir com saias justas, perfumar-se com cheiros quentes e sentir-se voluptuosa, num baton vermelho. e de sair para a rua e ser levada em danças arrebatadas de bar em bar, entre as luzes das velas.
outras, gostava de sentir uma vida quente e companheira dentro de si, um ser pequenino para envolver nos seus braços, agora fracos, mas que tem a certeza, ganhariam a força do amor protector. da muher-guia.
rita gosta de bolas de berlim e de cozinhar. rita gosta de se aninhar.
a rita só gritará uma vez na vida.
a rita sou eu.

Sax

sexta-feira, 12 de agosto de 2005

último cigarro antes de fugir

sentou-se. meia Lisboa já gravada nas solas dos sapatos, à hora quente do suor incontrolado.
era o último cigarro antes de fugir.
para lado nenhum. mas podia sair daquele abafado. das paredes brancas e da nudez da alcatifa, tão solitária como o Romeu triste do cartaz.

os recados estavam feitos, e já conhecia os tempos biológicos da menstruação da senhora da segurança social que ia de férias nessa tarde. até lhe preencheu o formulário cheia de boa vontade, para que a tinta da bic cristal lhe levasse mais uns segundos ao relógio.
depois lembrou a menina do metro de olhos cheios de lágrimas sonolentas que fixara, até ser vencida pelo João Pestana, as suas unhas dos pés pintadas do laranja quente do sol lá fora.
e a senhora dos brinquedos de lata que, fechada na loja vazia - porque cara - desarrumara a montra para cima do balcão só para poder conversar mais um pouco, só para ver um sorriso desconhecido e interessado por um bocado.
toda a gente à espera que o tempo passe para chegar a algo.

era só pegar nas chaves e na mala que lhe doía nos músculos para poder sair. no entanto, a inércia. o mirar sem ver a ponta dos dedos, os rasgões definidos das palmas das mãos. o encontro dos olhos com um nada que lhe sugava as forças e lhe tremia nos braços. o tal último cigarro desnecessário.

lançou a última golfada de fumo com a força de quem expira dentro de água salgada, entre braçadas. saudades do mar. do sal que não o do seu suor. do sal que não o seu.

this side up

frágil.
hoje talvez chore...

lamechas



ela estava feita princesa, vestida de nuvens.
ele muito nervoso não parava de falar.
ele é trapalhão, mas até acedeu dançar.
foi um momento bonito, muito bonito.

hoje estou lamechas. processem-me.

quinta-feira, 11 de agosto de 2005

ana

ana é psicóloga, e está nos vintes e uns trocos. ana veste de preto. ana ouve jazz. ana anda sempre de saltos altos. ana fuma muito. ana usa óculos. pretos.

ana passa os dias sentada no seu consultório, em casa, a ouvir as tristezas dos outros.
ana passa os dias a ver a felicidade ao alcance de uma palavra, um gesto, de uns. e a ouvir os estonteamentos de outros, perdidos, completamente perdidos.
ana ouve. ana analisa. ana pergunta e disseca. ana receita-lhes esperanças e prozacs, na sua caligrafia angulosa que criei só para ela.
ana é prática. ana é calmamente explosiva. ana hostiliza o paciente que não é paciente, é só chato, grunho e egocêntrico. e, para ele, a sua receita é um "deixe-se de merdas". porque ele pode não gostar de jazz, pode não comer sushi nem saber o que é a DKNY, mas tem a sua vidinha. vá vivê-la. ele pode.

ana é sensual. ana é volátil. ana tem andar felino. olhar inteligente. irónico. poderoso. luxurioso. e poucos reparam que triste. porque ana é uma caçadora-recolectora. para ana o amor não é, não é? e isso é típico da ana.
ana passa as noites em casa descalça a ouvir a sua música com um whiskey. puro. porque poucos sabem que ela gosta de sentir o frio do chão nos pés. a ligação à terra que só sente nos mosaicos. ou então, noutras noites de fumo e fogo, vai consumir um homem vazio até se alimentar completamente do seu suor, dos gemidos e dos braços viris, do ritmo cadente que a leva ao esquecimento. ana não é possuída, ana possui. para ana os homens são como os cigarros: "sabem bem, consomem-se rápido, e deitam-se fora". diz, na sua voz profunda, que me custa porque arranha cá dentro. como arranha dizer aquilo e saber que ana se arranha quando o diz.
é que ana morreu menina. e ana mulher chora sozinha. quando ninguém está a ver. e as lágrimas caem no mosaico do chão.
mas isso, só eu sei. porque eu sei quem é a ana. eu sou a ana.

Sax

entre dois luckies

uma janela abriu-se.
e entrou um vento quente...

isso é...

quando o patrão nos liga a meio das férias a dizer que se lembrou que quer mandar duas curtas a concurso...
quando até vamos fazer o jeito de interromper as férias para dar uma mão e descobrimos que uma das curtas tem um argumento daqueles que mete medo ao susto...
quando o tal argumento tem tantos erros de português que se passa mais tempo a corrigi-los e a sentir vergonha alheia do que a escrever textos para o projecto...
quando o autor escreve "abajur", "fallow spot", "flashadas" e "vou prosseguir em procura da busca de..."
quando na dissertação técnica sobre o projecto, o senhor usa pontos de exclamação como se tivesse descoberto a pólvora...
quando não compreendemos o que passa na cabeça de um pseudo-realizador, pseudo-freak quando escreve diálogos em que se disserta sobre o amor das putas com uma psicóloga...
quando a protagonista do tal guião é "de formas generosas, lábios sensuais e misteriosa, com uma grande paixão pelo jogo da sedução" e o protagonista tem "rabo de cavalo escuro e usa luvas de pele escuras"...
quando a outra curta nem sequer está escrita...
quando as candidaturas abriram há um mês e não se falou nisso, e fecham daqui a 3 dias...
quando cada projecto tem de ir com mais 5 cópias, encadernadas, em papel, porque os senhores não devem ter computadores em casa...

template

um dia perguntaram-me porque é que o meu blog era preto.
se tinha tanta vida, disseram. se os textos foram aos poucos ganhando cores novas.
olha, não sei...

quarta-feira, 10 de agosto de 2005

tatuagem

não existes na pele, porque os dedos que te marcaram fundo ainda não te desenharam. não a cores, não a preto e branco, não ainda.
esperas no papel a materialização da aliança. com a noite. com a vida.
com o brilho forte de um ser que me penetrou e encantou.
sinto a volta, a curva perfeita que hás-de descrever em mim. como descreves em mim de cada vez que surges nua, exposta, suave e intensa, dançando fulgores e sonhos de criança de olhos postos em ti.
serás em mim o traço fino definido há tanto tempo, agora revelado. do preto para o branco, volta ao preto na pele dourada.
fundimo-nos em longos raios de serenidade para explodirmos na loucura.
ninguém te conhece. ninguém me conhece. assim não.
somos mulher. não tenho mistérios e melancolias tuas. tenho as minhas. e quero um pouco do teu brilho. do teu enigma.
ainda, no caderno preto, à tua espera. à espera que entres em mim.
serás assim no dia que marcar o dia que marcar a minha pele. aguardo o momento certo, sem pressas. agora já não.
crava-te. segura-me.
lua tatuada em quarto decrescente.

em resposta ao duende feliz

teaser #3

[de gajos, gajas e sinais...]

Francisco - Ligou-te e quer jantar contigo... Só falta pôr um outdoor daqueles bem grandes que cobrem os prédios!

Marques - Que é que queres dizer com isso!

Francisco - Ela quer voltar para ti, pá!

Marques - Chico... Nós estivemos casados 4 anos, 2 dos quais foram passados a preparar um divórcio doloroso, que já passou e estamos bem assim muito obrigado, há um ano e uns trocos...
...Próxima pergunta se faz favor!

Francisco - Estará ela interessada? É ela que te telefona, é ela que marca a data... só falta ser ela a pagar!

Marques - Dava jeito!

Francisco - Dava jeito... e depois nunca se sabe!

Marques - ...Ela quer é amizade.

Francisco - Ela está a dar sinais!... Isso significa que ela quer alguma coisa!

Marques - Porra! Não me venhas com essa agora dos sinais!... Se as mulheres querem uma coisa, que peçam essa coisa!...

Francisco - E estás à espera de quê? De um pedido formal autenticado pelo notário? Ela marca um jantar romântico e...

Marques - Ela quer ir ao rodízio, Chico!
É romântico, não é?...
“Querida, agora que estás a mastigar essa picanha ensanguentada... lembrei-me que tenho algo para te dizer...”
“Licença senhor... Maminha?”


Sax . 4 actores, 12 personagens, uma cama.

entre letras...

... me perco, sem nexos aparentes. não interessa. gosto de palavras.
gosto da palavra "palavra". os lábios tocam-se ao de leve. desliza na língua e brinca na saliva. outras duas palavras bonitas.
"bonita" é bonita porque se mastiga e degusta.
os arrepios dos cantos ao ouvido, sempre entre sussurros quentes, perdem-se-me e fazem-me levar os dedos ao pescoço. é pele, e "pele" também se saboreia. a palavra e o sentir.
gosto de sabores. dos doces. sou gulosa e gosto de coisas gulosas. gosto de palavras e doces, salpicados de canela.
e gosto de maçã, e morango. gosto de como ondula: mo-ran-go. o "g" também é guloso, toca no fundo da boca.
gosto de tocar com a língua no céu. da boca e do mundo.
e gosto de enfiar-me por desconexos momentos onde me enrolo e enrolo os cabelos. como a língua a falar francês.
e o ressoar do ar nas cordas. podiam ser violinos. ou um piano. é som. é, sim.
é a pequena brisa, o pequeno vento ("vennnnto") privativo que cada palavra tem. tem hálito quente, mas sabe a lábios frescos.
gosto de lábios. e sorrisos. sem sons de grande revelação, é das minhas palavras preferidas. porque se dão. só, assim.
e beijos e beijinhos. e carinhos. e "inhos" no geral. já me disseram que a minha Lisboa é "feita de diminutivos".
se calhar, como sou pequenina, também me encanto em encantamentos de tamanhos reduzidos. "encantamento". bonito, não é?
brincar assim, de letra em letra, como se de nada fosse feito o riso. como se descalça na cozinha, ouvindo o fervilhar do jantar, pudesse entre cigarros e cheiros de petiscos, ler Pessoa à janela. porque não? o Pessoa é boa pessoa, e escreveu para se ler. ler poesia como se lê um separador de livro. não precisa de ser grave. precisa de ser.
maravilhas da dicção, da palavra e do falar. não interessam as bocas, interessam as formas. que se moldam à nossa boca.

terça-feira, 9 de agosto de 2005

teaser #2

[pillow talk]

Ela dá um pulinho infantil em cima da cama, meio elétrica e dispara uma exigência:

Ela- Quero um elogio!

Ele-Hã?

Ela- Agora! Rápido...

Ele- (enrascado, improvisa) Errr... "És tão bonita...
cheiras a hortelã... gosto tanto de ti... hã..."

Ela - (risos) Que merda é essa?

Ele - Opá, foi o que saiu...

Ela- Vá lá, a sério. Usa a cabeça...

Ele-...E és lindíssima e tens umas belas mam...

Ela- A-ou-tra-ca-be-ça!

Ele- Ok! Ok!... Espera, Espera...

Ela- Siiiiim?

Ele- (compasso de espera) Ok! Tu és tão bela, tão importante e tão magnífica... tão preciosa para mim... que algo de muito chato está para acontecer na minha vida...


Sax - 4 actores, 12 personagens, uma cama. De 7 de Setembro a 1 de Outubro, de 4ª a Sábado, Auditório Carlos Paredes.

humor de padre

- o marido tem de ser sempre correcto e respeitoso com a esposa, não pode pôr e dispôr. desengana-te, meu caro, porque tens de te lembrar: Deus é teu pai, e é também pai dela, o que faz dele teu sogro... e com os sogros há sempre que ter cuidado...

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

thumbwork

anda a circular um desafio na blogosfera a que achei imensa piada.

Think of 3 pictures you'd like to see. Things around my house or whatever... something I can take a picture of easily. Once I have enough requests, I'll start posting them. If I can't or won't take a picture of something you've requested, I'll let you know.

tendo em conta que tenho algum tempo extra em mãos, venham os pedidos.

ah, mas olhem o nível :P

too darn hot

escrevo isto no computador de casa, num sótão forrado a madeira onde não circula... nada.
só o suor que teima em encharcar-me e faz-me perguntar para que é que tomei banho hoje.
mas a questão não é o calor.
esse vem com o verão.
ontem saí dos ensaios no meio de uma neblina espessa e sufocante. não trazia aquela humidade que, em movimento, refresca.
era escura e estava por toda a cidade. por toda a auto-estrada. pela minha localidade e sabe-se lá por que outras zonas.
quando abri a porta de casa, ardiam-me os olhos, as narinas. o cheiro de terra perdida, morta, ainda quente esteve por toda a viagem. não vi chamas, brilhos incandescentes... mas estavam presentes pelos 30 km que percorri.
hoje está nublado por aqui. mas é a tal película de fumo feia, baça. e o cheiro mantém-se.
já há 3 casas per capita, não é o que dizem? já temos as aldeias descaracterizadas, as cidades cheias de casas vazias, algumas pejadas de prédios vazios para venda há anos... é o caso de uns à entrada da minha terrinha.
quem ganha? eu não sou.
quem é essa gente sem alma, que nunca respirou fundo o cheiro dos pinheiros e eucaliptos? que nunca brincou com uma pinha, que nunca apanhou flores e amoras no campo? que nunca teve nem se pôs no lugar de quem teve um pedaço de terra de onde retira o único sustento? onde tem a casa que demorou uma vida a pôr de pé?
somos pequeninos, pobres e moramos longe. todos. menos os que mandam e não se importam que ardamos vivos em fogueiras de vaidade.
só me apetece gritar: deixem o meu país em paz!

quinta-feira, 4 de agosto de 2005

clac clac

enquanto escrevo no teclado, as minhas unhas novas fazem aquele barulhinho esquisito, clac clac...
tenho umas unhas novas... apoio para o Sax...
tempo houve que eu fazia unhas de gel. pois... era técnica de unhas...
para muitos (os meus pais incluídos "tens tu um curso para isso!") é um trabalho menor... uma manicure.
ontem revivi os movimentos, as dores, os cheiros, e as emoções que nunca passam para quem está de mão estendida.
tem de haver jeito de mãos, noção da individualidade de cada um, de cada formato, de cada curva, defeito transformado em feitio.
é de dores e traumas musculares que é feito. horas seguidas sentada, as clientes a perguntarem se não dá para dar um jeitinho sem marcação "é só aqui esta unha", "é só pintar", sem terem noção de que estamos ali muito tempo, mão nova, unha nova, cola, corta, lima, esculpe, pinta, rebrilha.
é um trabalho quase artístico. lida com a auto-estima das pessoas. lida com pessoas.
é um trabalho que depende sempre do sorriso para os outros, mesmo cansado. foi ali que aprendi.
é um trabalho que implica o tão indesejado contacto físico... ali damos as mãos. ali, as tias dão as mãos às empregaduchas de centro comercial.
e surgem surpresas: gente que me chorou sentada no banco cor-de-rosa, gente que me obrigou a levantar e beber um café, comer um bolo. prendas, abraços e beijinhos perfumados.
uma miúda que tinha cotos em vez de dedos, e que saiu de lá, um mês depois, com umas unhas pequeninas, brilhantes como os olhos orgulhosos de uma batalha complicada vencida contra os vícios de anos.

ontem troquei experiências e dicas com a rapariga que me atendeu, que durante hora e meia teve as minhas mãos nas mãos.

e lembrámos a malograda D. Milú. a dona do estaminé onde trabalhei.
e onde me armei pela primeira vez em agente sindical. porque queria mais trabalho em menos tempo. porque queria que apontássemos cada lima que gastávamos, e que tivéssemos apenas meia hora de pausa. que não se fumasse de bata, e que não estivéssemos sem bata fora do stand para que não parecesse fechado. que não comêssemos de bata, que não comêssemos no stand, que não saíssemos do stand nas horas paradas.
ora eu passei-me, e com a claque das meninas da Parfois a assistirem à cena atrás da montra cheia de malas, pus a senhora habitualmente toda composta (no seu cabelo amarelo armado, a maquilhagem definitiva, a roupa sempre branca com sapatos e malas cor-de-rosa choque cheios de pindurezas) toda rosa-choque (a combinar com a mala e a agenda da Hello Kitty), com a veia do pescoço a saltar-lhe da maquilhagem definitiva, e as garras de 5 centímetros completamente cravadas na almofadinha. e quando me atira com o "ou é assim, ou não é", eu respondi "então não é. a minha carta de demissão chegar-lhe-à às mãos em menos de uma semana, não vou renovar o contrato". ficou em estado de choque, gaguejou, implorou. e lá ficou com a sua cara de rabiosque lipo-sugado.
é uma chatice perder uma das melhores funcionárias, ainda que as raparigas brasileiras façam turnos duplos, folgas e fins de semana sem se queixarem.
algumas clientes tiraram as unhas (de gel, hã...), porque não queriam outra pessoa. a D. Milú continua cor-de-rosa, rica, de BMW, casa na Av de Berna, a explorar (agora ucranianas). eu ganhei as cores que tinha perdido de passar tanto tempo sem teatro. a B ligou-me uma semana depois de eu me demitir para saber se eu queria ir fazer um Auto da Índia para o... Teatro Ibérico...
já lá vão mais de 2 anos e meio...

clac clac clac

dog battle in strangerland

há dias o Estranho fez um post para mim... desafiando-me...
aceitei o desafio...
e saiu isto: (não resisti a publicar)

" - Desculpa lá, Polegar...
...mas o meu cão (PUKI) é mais preguiçoso do que a tua cadela!"

- Polegar said...
ehehhe agora quanto a nós (arregaça as mangas, esfrega as mãos, estala os nós dos dedos)...
a minha cadela não se levanta, arrasta-se
a minha cadela não se baba, deixa descair as bochechas até ao chão.
a minha cadela mexe-se 10 minutos por dia: vai até à porta, sai para o jardim, e deita-se à porta do lado de fora...
a minha cadela não corre, dá dois passos e senta-se
I could be here the whole day... beat that!

- O Estranho said...
Ai é assim?! (franze o sobrolho e estala o pescoço)
O meu cão, quando quer entrar em casa, começa a ganir, deitado, a partir do cesto onde dorme
Quando lhe oferecemos um petisco, temos de o ir levar até ao dito cesto porque ele não se levanta
Passa a tarde toda a dormir no fresco da sala e levanta-se de hora em hora para andar um metro porque sente que aquele sítio está demasiado quente
Quando quer brincar com alguém, agarra-o pelo pulso e puxa-o até ao chão para poder estar deitado
Senta-se à cão preguiçoso, de lado, não directamente sobre o rabo
Vá lá, com certeza consegues melhor do que isso! (sorriso desafiador de Peter Pan...)

- Polegar said...
a minha cadela quando quer entrar em casa, tendo em conta que continua deitada à porta, a única coisa que faz é levantar as orelhas ou dar uma ligeira focinhada na porta.
ela também come deitada, e às vezes vira a taça para não ter de mexer tanto o pescoço.
a ideia dela de brincar com alguém é dar um saltinho no mesmo sítio de orelhas levantadas. depois deita-se e já está cansada.
quando quer ser agressiva ladra duas vezes e puxa uma manga com os dentes.
dantes corria em direcção ao portão e era tão preguiçosa que se esquecia de travar, parava mesmo NO portão.
só o sabíamos porque ouvíamos um estrondo.
ela também se senta de lado, mas só para ficar deitada, se possível com as patas apoiadas na parede.
se lhe fazem uma festa, cai no chão imediatamente, toda aberta. e se nos afastamos, mexe uma pata. isso quer dizer que quer mais festas...
(saltinhos de Sininho)

- O Estranho said...
ARGH!!!!(grito de derrota de Capitão Gancho)
Bolas, que cadela tão preguiçosa!;)

terça-feira, 2 de agosto de 2005

estava a pedi-las...

... e pronto, vou tê-las.
como pessoa abençoada pela Lei de Murphy (Ámen, Áwoman, Ágay), agora, que estou em ensaios e não posso ir a lado nenhum, vou ter 10 dias de férias.
começam daqui a... 10 minutos...

ainda por cima sabendo que o meu tio querido, lá no outro lado, no sul de Espanha, comprou o trespasse de uma gelataria... o que eu não dava por una agua cebada en aquel pueblo perdido de Hondon de las Nieves, con mi primita, e depois fugir para as águas quentes de Arenales... a dor...

como não posso ir a lado nenhum e eu gosto é de berbicachos, vou aproveitar para dar uma mão à B na produção do Sax.
e vou poder dormir... e ir sem olheiras ao abençoado casamento maná.
ao menos isso, não é?

ah! não pensem que se livram de mim... vou andar por aí na mesma, senão entro em descompensação.

segunda-feira, 1 de agosto de 2005

teaser

[ post-it

João - Minha Querida Futura Esposa, há coisas que tens de me explicar: Porque raio é que eu nunca consigo falar contigo quando quero e porque raio é que eu estou a olhar para uma lista de tarefas que mais parece as exigências da AL-QAEDA:
“Querido, limpa a casa.
Querido, vai às compras.
Querido, põe o lixo..."

O jantar em casa do Mário é às Oito, e como hoje é Domingo, e tu sais do trabalho quando quiseres, vais fazer tu esta merda TODA!

...”Querido, os meus sapatos estão no sapateiro, vais buscá-los?!”

Claro, minha rainha! E quando chegares a casa estarei algemado na cama com chantilly nos mamilos, ansiando pelo estalar do teu chicote!
Vou à BOLA!
...
Amo-te...

João volta a olhar para o post-it...

João
- ...pronto, pronto... ...vamos buscar o vestido da menina, vamos buscar o vestido da menina!]
[SAX - 4 actores, 12 personagens, uma cama... estreia a 7 de Setembro no Auditório Carlos Paredes, Benfica]
um novo espaço no Polegadas.
vou aproveitar-me descaradamente dos tais fiéis seguidores dA Palavra deste blog, essa vasta multidão.
vou mandar (se já não mandei ou não deram por isso) o anonimato dar uma curva.

porque já conhecem um pouco do que é a vida de quem faz teatro por amor, não é famoso, sabe articular, e não tem tachos nem subsídios.
porque preciso de público como de pão para a boca.
porque tenho uma (é forma de se dizer, são 13) história(s) para contar.
que acho que todos vão gostar de conhecer ou rever.
porque há sangue, sexo e lançamento de anões... not!

a partir de agora, de vez em quando, editarei aqui um trecho da minha próxima peça.
na esperança de que gostem do texto, ganhem curiosidade, e queiram vir ver.
e tragam gente.