inocencia...?
acredito em cada um. e que muitos são mais e melhores. e que todos podem ser mais e melhores.
acredito no caminho. acredito no objectivo. acredito na vontade.
acredito nisto porque preciso de acreditar. acredito demais.
acredito em cada um. e que muitos são mais e melhores. e que todos podem ser mais e melhores.
acredito no caminho. acredito no objectivo. acredito na vontade.
acredito nisto porque preciso de acreditar. acredito demais.
carimbo [d]o outro lado
os homens, no geral, são umas crianças grandes. depois dá nisto: estou neste momento a tentar descobrir o admirável mundo novo do enorme IMAC que tenho à minha frente, muito bonitinho e branquinho (estas teclas vão ficar pretas num instante)...
vai uma pessoa três dias de folga e regressa para dar de caras com isto...
ora o senhor patrão Porthos há uns dias resolveu que precisávamos de um computador novo, de preferência um Macintosh por causa dos vírus.
enquanto que para pagar as contas temos de esperar meses até que nos cortem o telefone e ele se resolva a fazer os pagamentos, neste caso o menino quis porque quis ir buscar o brinquedo novo... imediatamente.
meu dito, meu feito: fala-se em ter computador novo na 3ª, na 4ª faço os backups, na 2ª chego ao escritório e que é do meu querido velhinho lento e pacholas PC? que eu demorei 2 meses a conhecer de trás para a frente e do avesso para o direito? cujo sistema operativo é o único que conheço desde que comecei a dar os primeiros passos na área da informática, com o qual tirei os dezassetes e os dezoitos?
agora ando às voltas com as teclas das maçãzinhas e o raio que o parta, porque tudo tem de ser um bocadinho diferente, só para chatear o utilizador. os textos aqui do blog vão aparecer na formatação que bem der na veneta deste MAC porque os menus aparecem alterados, já não posso fazer links, ou um ajustamento do texto que seja e muito mais coisas hão-de haver... não estranhem as alterações de personalidade deste pobre blog... pelo menos enquanto eu não perceber como é que funciona esta magnífica máquina infernal.
ai, mas fui logo à cata do messenger para MAC... e eu agora ficava info-excluída, não? é que, cá por mim, eu sou muito gaija!
e os gajos, realmente, quando querem, fazem o que têm a fazer. tomam iniciativas, vão às coisas, lutam, desunham-se...
o problema é quererem...
subo as escadas de madeira e chego ao topo da torre de marfim, de onde olho o mundo nesta última janela. telhados e copas de árvores. nada mais. entre tantos pássaros escolho um onde me escondo. peço-lhe que mande um recado ao mundo.
um dia falei a alguém de torres de marfim. e de um grito que partiria a redoma de vidro.
há pouco tempo acordei numa cascata onde misturei no doce o salgado das lágrimas e me lavei da tristeza. não espero mais, agora. posso abrir a porta. o cadeado estava congelado com o choro frio nas noites longas de luzes veladas. bastou um toque e partiu. a espera do toque é que travou a vida. será recuperável?
apenas estarei de folga três dias para ver se acabo o resto das "férias" que me tiraram. obviamente que surgem sempre coisas para fazer e descansar é mentira...
ontem fui com a B. comprar sapatos para as personagens... assim que voltar ao bulício do Príncipe Real prometo inserir as fotos da nossa expedição imperdível... as coisas que se descobrem quando andamos às pechinchas nas lojas da Baixa... considerámos repensar algumas personagens para incluir alguns do apetrechos que nos foram aparecendo pela frente... ainda estou a considerar aquele fato de cabedal com correntes para a sensual Ana... vou também aproveitar para actualizar o meu projecto de thumbwork... não está esquecido, caros leitores d'A Palavra deste Blog... ;)
entretanto, ontem houve Gift, conforme planeado há uns meses... ombros e cabeças à discrição. mas aquele som, aquelas batidas a entrarem dentro de mim... obrigada a quem arranjou maneira de acabar o ensaio mais cedo. apesar de quase 1 hora à procura de estacionamento, aquele pedaço de música foi um prémio bem ganho...
fiz um refresh no blog e eis senão quando percebo que a minha side bar não está presente! alguém a viu? deve ter fugido, coitadinha, afugentada pelo cheiro a cola que se espalha nos corredores deste multicentro de escritórios, onde estão a haver obras. se há pouco gostei de sentir o cheirinho quando entrei, agora já me arde o nariz...
... esperem lá...
e se o desaparecimento da side bar tiver a ver com o facto de eu ter inalado estes vapores e já não estar a ver a direito...?
a nossa casinha é de cores frescas, pistachio e tangerina. altamente comestível, doce e salgado.
a aventura no reino dos sofás, puffs e cadeirões começou na fila da segunda circular, na antecipação do que "dava jeito"..."dava jeito, e depois nunca se sabe!"
quando nos deram mais uma vez carta branca para subir e escolher à vontade, (muitos anos que passemos a ir lá, ficaremos sempre atónitos), entrámos no reino das "linhas", do "tem a ver com a personagem", no "encaixa", no "preenche demasiado espaço visual", no "olha pra mim toda boa a dar consultas" e no "este ficava bem era na minha sala"... de repente, tínhamos uns quantos selccionados, e portanto havia que proceder a eliminações. ora assentando o rabiosque nos mais variados tecidos e formatos, procedemos aos test drives e combinações de formas e cores, e as possibilidades foram-se estreitando. no final, foi fazer o pandã das cores para "equilibrar a cena" (que nós, os pobrezinhos, também usamos termos técnicos...) voltar a experimentar as poses das personagens e a imaginar o tamanho do colega, que não foi, encaixado na selecção. esta dança do traseiro é fundamental, porque, afinal, queremos a nossa casa bonita e confortável. é que vão ser os nossos rabinhos ali "assentados" durante um mês.
embalar tudo com celofane e encaixar na carrinha foi mais fácil que no ano passado. o compasso de espera no escritório à espera da guia de autorização foi passado em amena cavaqueira com a rapariga da loja, bebendo café e partilhando um cigarro, em que uma dizia que gostava de ser presa por fraude para ter férias uns meses, e o outro dizia que o sofá-cama tinha de ser bom porque passávamos o tempo todo lá... a rapariga ria-se.
depois foi levar para o teatro e experimentar. e que delícia ficou. uma casa gulosa, diferente das cores sóbrias do ano passado, mas clean e hype, como deve ser o ambiente da coisa.
ontem os ensaios correram de olhos brilhantes, faltando muito pouco para ter perfeita noção do aspecto final. ainda vou raspando os joelhos na alcatifa, que a nossa cama ainda é uma pilha de almofadas, mas a piéce de resistance está para chegar em breve...
entretanto, tenho a certeza que a minha mãe vai achar que fui eu que obriguei o pessoal a escolher o cenário. eheheheh...
carimbo [d]o outro lado
off we go, to furnitureland!
vamos pegar na carrinha escamocada, encaixar-nos nos lugares da frente, e, depois de um dia inteiro de trabalho, debaixo deste calor peganhento, fazer a ronda da mobília para a nossa casa encantada. déjà-vu.
ele vai ser escolher e embalar os mais diversos formatos de sofás, cadeirões, puffs... carregá-los para a carrinha e da carrinha para o teatro onde estamos a ensaiar. a sorte que é encontrar lojas que vendem mobília de contos e contos de reis mas que praticam O Bem, emprestando o material de exposição aos pobres artistas que não conseguiram uma borla da Tribo... "Azioni, sofás com um toque de classe" obrigada!
para a semana, apanhamos o resto da tralha e levamos tudo para a morada fixa, o Auditório Carlos Paredes.
e vamos remontar tudo, reviver cada pedaço de madeira, cada cheiro de tinta, cada marca nos lençóis brancos que não saiu depois de 3 lavagens. ainda soam na minha cabeça as marteladas, a lixa a raspar na madeira, as risadas e as discussões, o barulhinho dos parafusos espalhados no chão. e a imagem daquele branco imenso.
vai ser bom reviver isso, mesmo com os músculos das costas a pedirem piedade.
saio mais cedo, com outro sorriso, hoje. vou "comprar mobília para a nossa casinha"...
carimbo [d]o outro lado
no peso destes dias sem gente, dei por mim a ir ao Extra comprar uma revista foleira só para não almoçar com as paredes.
gosto de pessoas. sempre o disse. gosto dos seus rostos, expressões, histórias, estórias, e pequenos sorrisos que surgem do nada. gosto de ter surpresas. gosto de ser ombro e que surjam do nada gestos engraçados. acho que seria uma boa profiler e já me atestaram qualidades como psicóloga. gosto de imaginar, no metro, quem será aquele desconhecido, de onde vem, para onde vai, porque é que coça a cabeça assim.
adoro brincar com tipões. apesar de saber que cada indivíduo é único, as caricaturas apaixonam-me.
no entanto, todos têm defeitos, todos a certa altura desiludem.
acredito piamente na mudança, na regeneração. dou sempre segunda, terceira hipóteses. nunca fecho portas.
apesar disso, há pequenas desilusões diárias que me magoam às vezes mais que as grandes. não sei como explicar.
as pessoas falham redondamente nos seus objectivos, na sua maneira de ser até, talvez porque não contam com a teoria do caos, com os factores externos, porque estão demasiado certas das suas virtudes e verdades absolutas. com isso eu conto. conto com o contexto, o background emocional e profissional, com a temperatura ambiente, com as pessoas que estão à volta e o que se comeu ao almoço.
até conto previamente com certos defeitos... ou feitios... quem tenta virar o bico ao prego, quem açambarca créditos alheios, quem é naturalmente convencido, quem se descarta, quem não assume incapacidades, quem não reconhece qualidades alheias, quem é pedante e critica os outros de o serem com observações tristes, quem é tão umbilical que conta histórias deturpadas para se poupar da culpa.
há momentos em que engolir custa. normalmente não consigo.
(há, inclusivé, quem conte com esse meu defeito... ou feitio... e não me leve a mal ou até me consulte para ser mandado à merda)
outros momentos há em que tento fazer de conta que nada se passa. porque gosto da pessoa, porque é comigo (e não o contrário), porque são coisas a que, pensando ponderadamente (ui, coisa complicada) eu sei que não se deve dar valor.
mas fica aquela moinha, aquela mágoa... aquele bichinho a moer...
depois pode acontecer uma de duas coisas: afastamento natural, ou explosão emocional.
bicho estranho, este do eu de cada um...
contando comigo, são 4 gajas a habitar-me o corpo e a mente...
senhores, imaginem o galinheiro!
imaginem como não é quando se avizinha a TPM!
carimbo [d]o outro lado
carimbo [d]o outro lado
voei por entre verdes e cinzas e riscas brancas.
o encontro de afinidades moderno já ultrapassou largamente o "não me digas que também frequentaste essa piscina nessa altura?!" ou "não acredito: também andaste nessa faculdade?!" ou até "também tens pancada por esse filme?"
hoje em dia é mais intenso, mais arrebatado, mais fashion, mais trendy, mais... tudo:
"não me digas que também tens ataques de ansiedade?!"
caros amigos e leitores e seguidores fiéis d'A Palavra deste blog: conheçam a praga do século XXI!
rita é menina. menina-mulher.
rita ama ferozmente, com a candura da primeira vez. põe em pedestal e acredita de braços abertos, alma estendida ao sol a secar.
rita veste-se de azul, o azul da sua inocência, dos céus brilhantes que adivinham um novo dia.
rita tem sapatos macios, perto das sapatilhas das bailarinas e das pantufas confortáveis.
rita usa rabo de cavalo desprendido.
rita faz beicinho, finge a dor que finge fingir.
porque acredita, a rita, na vida e no seu amor. e o resto vai passado, bem disposto.
rita é mulher, mas deixa-se ficar menina porque assim é mais bonita que a rita-mulher para o homem da sua vida.
rita tem a voz fina, afinada e doce. rita não diz palavrões. rita faz a cama todos os dias, lava a loiça e sorri ao fim do dia.
rita queria ser psicóloga. mas nos corredores da faculdade encontrou outro destino.
que lhe trará entre sorrisos e beijos soltos no ar uma rita-mulher.
rita costura as suas prendas com as mãos pequenas cheias de sorrisos que espera encontrar do outro lado.
nos pequenos momentos de gestos vagos, rita não vê, não quer ver a evasão.
rita fica em casa todo o dia e estuda, e sabe, às escondidas, o que Freud dizia. não sabe para que o faz, mas rita diz que é rato dos livros. só. porque não importa o que sabe, prefere perder-se noutras palavras.
rita às vezes tinha vontade de se vestir com saias justas, perfumar-se com cheiros quentes e sentir-se voluptuosa, num baton vermelho. e de sair para a rua e ser levada em danças arrebatadas de bar em bar, entre as luzes das velas.
outras, gostava de sentir uma vida quente e companheira dentro de si, um ser pequenino para envolver nos seus braços, agora fracos, mas que tem a certeza, ganhariam a força do amor protector. da muher-guia.
rita gosta de bolas de berlim e de cozinhar. rita gosta de se aninhar.
a rita só gritará uma vez na vida.
a rita sou eu.
Sax
carimbo [d]o outro lado
ana é psicóloga, e está nos vintes e uns trocos. ana veste de preto. ana ouve jazz. ana anda sempre de saltos altos. ana fuma muito. ana usa óculos. pretos.
ana passa os dias sentada no seu consultório, em casa, a ouvir as tristezas dos outros.
ana passa os dias a ver a felicidade ao alcance de uma palavra, um gesto, de uns. e a ouvir os estonteamentos de outros, perdidos, completamente perdidos.
ana ouve. ana analisa. ana pergunta e disseca. ana receita-lhes esperanças e prozacs, na sua caligrafia angulosa que criei só para ela.
ana é prática. ana é calmamente explosiva. ana hostiliza o paciente que não é paciente, é só chato, grunho e egocêntrico. e, para ele, a sua receita é um "deixe-se de merdas". porque ele pode não gostar de jazz, pode não comer sushi nem saber o que é a DKNY, mas tem a sua vidinha. vá vivê-la. ele pode.
ana é sensual. ana é volátil. ana tem andar felino. olhar inteligente. irónico. poderoso. luxurioso. e poucos reparam que triste. porque ana é uma caçadora-recolectora. para ana o amor não é, não é? e isso é típico da ana.
ana passa as noites em casa descalça a ouvir a sua música com um whiskey. puro. porque poucos sabem que ela gosta de sentir o frio do chão nos pés. a ligação à terra que só sente nos mosaicos. ou então, noutras noites de fumo e fogo, vai consumir um homem vazio até se alimentar completamente do seu suor, dos gemidos e dos braços viris, do ritmo cadente que a leva ao esquecimento. ana não é possuída, ana possui. para ana os homens são como os cigarros: "sabem bem, consomem-se rápido, e deitam-se fora". diz, na sua voz profunda, que me custa porque arranha cá dentro. como arranha dizer aquilo e saber que ana se arranha quando o diz.
é que ana morreu menina. e ana mulher chora sozinha. quando ninguém está a ver. e as lágrimas caem no mosaico do chão.
mas isso, só eu sei. porque eu sei quem é a ana. eu sou a ana.
Sax
carimbo [d]o outro lado