segunda-feira, 22 de maio de 2006

casas antigas...



... álbuns vivos de infância. em que os recortes nos servem para pousar a cabeça.

quarta-feira, 17 de maio de 2006

always remember monty python



tempos conturbados. sai, fica, não há dinheiro, aguenta mais um bocado, este mês ainda dá. agora não temos nada mas então e os projectos gigantes garantidos que têm lançamento daqui a uns meses sim mas então e até lá como é que vai ser...

fim de tarde. um telefonema:
- polegar, parece que as tuas preces foram ouvidas. recebemos uma nova série para o canal espanhol e estamos a contar contigo para as personagens principais. vamos marcar o casting de voz?

[saltinhos no meio do escritório, gritar "pão para a boca! pão para a boca!" - pagam a 60 dias, mas ao menos sei que daqui a uns meses me caem à conta mais uns cobres...]

quase a sair, outro telefonema:
- polegar, estávamos a pensar contar consigo na equipa de pré-produção da série nova que recebemos para o canal espanhol, para coordenar vozes, dirigir um pouco os actores. e também para fazer a revisão das traduções. por favor envie-nos uma proposta de orçamento para este trabalho.

[começa o delirium tremens]

para mais informações, telefonemas a vários colegas
- não precisas de estar a full time. só estar presente nas primeiras gravações, fazermos visionamento das cassetes para escolhermos as vozes. depois é fazer um seguimento e escolher vozes para personagens secundárias que forem aparecendo.
[me? xcuse? escolher as vozes de entre colegas com 18 anos de carreira?!]

- preços para estas coisas não sei.
[porreiro... cobro demais, e se meto água? cobro de menos, e se sou aldrabada? quanto é demais? quanto é de menos? aieee]

- vens cá buscar os cds, enviamos-te os textos por e-mail e assim fazes a revisão da tradução em casa. mas vão haver alturas em que tens de entregar as coisas na manhã a seguir para começarmos logo a gravar. os espanhóis são tramados com dead lines.
[muito mais descansada...]

trabalho na produtora, trabalho nos espectáculos infantis de verão [se pegarem], trabalho de dobragens, trabalho de pré-produção de dobragens, trabalho de direcção de actores nas dobragens, trabalho de revisão de textos nas dobragens e um workshop que me está a lavar a alma.

não há fome que não dê em fartura. ou que não dê numa carga de trabalhos. ou em sobrecarga de trabalhos.

ou nobody expects the spanish inquisition...

terça-feira, 16 de maio de 2006

gravity


[ms]

baby, its been a long time waiting. such a long long time.

and I can't stop smiling, no I can't stop now

do you hear my heart beating?
oh can you hear that sound?

cos I can't help crying

and I won't look down...

|embrace|

segunda-feira, 15 de maio de 2006

chico a.k.a. the troll


[ms]

corria o longínquo ano de... nem me lembro. sei que era o princípio dos 90's e estes bonecos estavam na moda. como é natural a uma pré-adolescente, fiz imensa publicidade lá em casa. a minha mãe adorou. achou que tinham uma cara querida, e que se liam nos olhos expressões e emoções conforme os dias. isso já é lá com ela. eu gostava do pormenor de na parte de trás das calças se poder abrir uma parte do fato-macaco que mostrava um engraçado rabiosque de pano.

pela minha mãe apelidado de Zé Maria [muito antes dos reality shows, apesar de a expressão meio tosca ser semelhante ao rapaz das galinhas], era para mim o Chico ou o boneco, conforme a paciência.

nessa altura íamos todos os verões para casa dos meus tios, a mais de 1000km de Lisboa. 12 horas de viagem, com Paulo Bragança, Roberto Carlos, Demis Russos, The Righteous Brothers e mais uns quantos dos 60's, Beach Boys e El Consorcio [isto até eu ter um walkman]... e o Troll.

a moda passou mas tornou-se um enraizado ritual da minha mãe levá-lo para todo o lado... quaisquer férias, perto ou longe, voltava-se para trás se nos tínhamos esquecido do Chico-Zé Maria. e invariavelmente, antes da viagem, já sentados no carro às 5 da manhã, virava-se para trás com ele na mão e dizia "já viram os olhinhos dele? estão a brilhar de contentes! esta viagem vai correr bem..." e pousava-o no tablier para ele poder ver as vistas...

com uma fase menos apertada dos meus pais, pudemos sair da zona Ibérica, e mais uma vez lá vinha o Troll. depois as jovens crias começaram a ter vida própria e lá vinha o boneco em cada viagem, enfiado no saco de campismo. ou quando os meus pais puderam sair durante uns dias da nossa alçada, viajou no colo da minha mãe para um fino hotel de Paris...

resumindo, o boneco vai com quem sair de casa para passear. tem mais quilómetros que qualquer um de nós individualmente. se estivesse inscrito na Tap, de certeza que já tinha umas valentes milhas aéreas de borla e um boné.

eu gosto dessa tradição. e em todas as viagens que faço, tiro-lhe umas fotos à la duende da Amélie... para provar à minha mãe que também ele saiu à rua, de cabeça de fora da minha mochila a ver as vistas...

engraçado é que, no dia em que se decide levar o Chico para o passeio, invariavelmente, chove...

sexta-feira, 12 de maio de 2006

maybe it's because I'm a londoner



obrigada, LFM :)



Maybe it's because I'm a Londoner
That I love London so
Maybe it's because I'm a Londoner
That I think of her wherever I go

I get a funny feeling inside of me
When walking up and down
Maybe it's because I'm a Londoner
That I love London Town

Maybe it's because I'm a Londoner | Hubert Gregg

quarta-feira, 10 de maio de 2006

grounding

raíz. contacto. pleno. equilíbrio. no momento de encontrar o meu ponto de conexão à terra, esmaguei-me ao chão. quero senti-la. inteira. estender-me nos seus grãos. ser paisagem alentejana. ser horizonte. quero a terra. porque sou tão planta. ou flor. de nariz no ar. depois reguei-me.

segunda-feira, 8 de maio de 2006

images vs. feelings


leicester square

touching Banksy. Spitalfields. Sunday Up. Camden. Covent Garden. Portobello. London Fields. markets. bargains. Little Venice. alternative. feet. leather. tea cosy. blue door. roof tops. bobbys. Ben, the Big. mind the gap. fuck the gap. the travel bookshop. Sical. red door. tunnels. minor delays. bus. 149. double decker. Andy Warhol. Dali universe. Betty, God save the Queen. Hyde Park. watercolours. sun. rain. grass. wallet. yuppies. bikes. steps. stamp. skin. Shakespeare. Miró. bridges. map. Old Vick. Dame Judy Dench. applause. tears. chocolates. antiques. Hussein. Nando's. baked beans. Becket. jacket potatoes. stage door. Nero. Starbuck's. East End. West End. Off West End. Fringe. Soho. phone booths. kinky. Chinatown. Liverpool Street. pinhole. graffity. cab. The Windmill. weeds. beer. museums. more museums. window. Mia Christian Alex Ricky. mirror. Audrey Hepburn.

thank you.

segunda-feira, 1 de maio de 2006

hoje

happy birthday to you.

the east enders


[ms]

aterrar em ruelas sujas de lojas multiculturais. viajar nos artesanatos. ajudar a desmontar a banca de malas feitas de sacos de plastico. lamber os dedos de hamburguer feito na rua, sentada no passeio. as roupas e estilos inconfundiveis, misturadas sem ordem ou alfabeto. a casa labirintica, porta vermelha de Shacklewell Lane. a niponica doce, o alemao introvertido, o betinho de Oxford, o amigo "emigra". com vinho e queijo para matar-lhe as saudades.

boa noite, Londres.

sexta-feira, 28 de abril de 2006

escape



repouso

s. m.,
acto ou efeito de repousar;
sossego;
paz;

ant.,
ancoradouro.

chuva

do Lat. pluvia

s. f.,
água que cai em gotas da atmosfera;
aquilo que cai ou parece cair do ar como chuva;

fig.,
abundância;
grande quantidade;
cornucópia;

Electrón.,
interferências ou ruído na imagem, consequência de um sinal televisivo fraco e que se manifestam no ecrã sob a forma de minúsculos pontos brancos;

voo
de voar

s. m.,
meio e modo de locomoção (das aves, insectos, morcegos, aeroplanos, etc. ), através do ar;
fig.,

impulso rápido;
elevação do pensamento ou do talento;
arroubamento;
êxtase.

... até já...

give me please


the gift | coliseu dos recreios | 21.abril

é tão difícil ouvir sem sentir...

sempre


avenida da liberdade | 25.abril.2006

sabes, pequenino, eu era assim, como tu. e as pessoas saíram para a rua. um dia resolveram ser livres. esta gente? estão contentes, então... porque é como fazer uma festa de anos. a liberdade faz anos. em vez de velas usam os cravos... percebes?

quinta-feira, 27 de abril de 2006

ao fim do dia

come um bolo de arroz em belém.
descobre novas formas em dias repetidos.
agradece a ovação de pé
que te surpreende em despedida.
desprende o suor
a terra dos cavaleiros
em toalhitas com cheiro
de pó de talco.
pó-de-palco.
perfila-te com o sol,
deixa-o lamber-te as feridas.
sobe a rua em versos cantados.
fecha as listas como persianas.
conta em decrescente, ouve a música bem alta.
enrola a saliva seca de um dia de cigarros
em dois beijos bem dados.
passa as portas, que reflectem o mundo
para o lado de lá.
do lado de cá, tu. e a casa adormecida.
que acordas com ventos cansados.
onde serenas. e te aninhas.
suspiro.
café?

quarta-feira, 26 de abril de 2006

passagens e bombons

de raspão
Brízida Vaz, de novo
duas tardes
mais umas migalhas para não esquecer
[ainda?]
o caminho

sexta-feira, 21 de abril de 2006

esta noite

finding someone that cares for you and I, I'll dress my songs cause I care for you, cause I, I will take my time driving you slow. driving out cause I care for you, and then someone loves you but I don't care for you cause I, I will get my love, cause I will be your love, oh no... there were times I could care for you, but then I found that girl that can smile for you and I start to be something and I, I don't care, why should I care? I will get my life cause I will be your life oh no

don't look back, don't look back, don't look back

I will build my world I will sing my songs, I will keep my helmet on

and you can rule my world, you can rule my songs, I will keep my helmet on

the gift | am.fm | driving you slow

quarta-feira, 19 de abril de 2006

serendipity



não se encomendava à sorte. gostava de saber que fazia tudo o que estava ao seu alcance. tinha sempre esperança que o esforço recompensasse. mesmo que falhasse, sair sempre de cabeça erguida com a certeza de que perdera por não ter mais para dar. fazer o seu melhor, mesmo nas coisas mais pequenas. não ficar à espera.
mas naquele momento em que os pensamentos lhe chicoteavam a cabeça, desmembrando o vigor da água do chuveiro na pele nua, à luz surgiam apenas sombras.
as lutas travadas sem rei, os trabalhos forçados e os dias perdidos, afastados do sol e dos sorrisos, em prol de um único objectivo. que não queria ter. que a roubava ao que realmente interessa. as coisas de facto tinham perspectivas estranhas na sua cabeça e não conseguia organizar as prioridades como os outros faziam. o normal sufocava-a. mas se procurasse ar ficaria sem chão. o dispensável e o indispensável, presos um ao outro por arneses que lhe estrangulavam a alegria de viver. o chorar ao domingo à noite porque depois é segunda-feira. o sentir-se substituível onde queria sentir-se querida. a responsabilidade e a frustração, dançando à sua frente de mãos dadas, mirando-a jocosas. a incerteza de um amanhã que nem sequer queria mas que se revelava uma estúpida tábua de salvação.

o cheiro forte da madeira, que entesourava junto das motivações e orgulhos, que invocava nos momentos de abandono, agora chegava-lhe vago e apodrecido.

sentia-se prestes a seguir o caminho da água que lhe tentava aquecer o corpo, mas não o espírito. afastou cheiros com o sabonete na pele, seguido de uma generosa dose de creme hidratante. afastou os pensamentos com uma melodia cantada para o eco da casa de banho, ignorando as 8 da manhã.
tinha de haver solução. era apenas uma questão de encontrar o fio à meada. não se encomendava à sorte.
no entanto, ao sair do carro essa manhã, pensou duas vezes antes de se afastar da cigana suja que lhe queria ler a sina.

terça-feira, 18 de abril de 2006

dos montes



revisitar raízes, elos meus. perdidos com a terra. os cheiros fortes do verde novo, das cerejeiras em flor, da caruma dos pinheiros, do alecrim. nos rostos, onde a vida riscou os dias e assinou de cruz, reconhecem-se os socalcos da terra. todo um cemitério com o meu apelido, linhas e traços entrelaçados como teia fina. as mãos de calos e braços abertos. os fornos a lenha. escondidas nas arquitecturas desvanecidas ainda as pedras empilhadas em paredes escuras e postigos coloridos, chão irregular e a água a ferver para depenar a galinha. o crepitar do lume. o queimar do sol reflectido na pureza do céu. a noite tão estrelada que nunca enegrece por completo, recortando as montanhas.
o vinho. forte, penetrante, novo. cada casa tem o seu. da sua terra. em cada casa copos de vinho e presunto de salmoura e broa e salpicão. "comeide, bebeide" - quase obrigam os olhos brilhantes. e lastimam a ausência dos filhos e das forças para voltar à vinha, e o domínio dos grandes que os fazem pensar em baixar os braços a cada outono.

vejo o meu pai pequeno descalço de calções rasgados pelas brincadeiras nas fragas, a roubar fruta e a guardar cabras.
vejo claramente nos socalcos perfeitos que desenham as encostas dos montes gigantes, na profusão de flores e no brilho das pedras lavadas. nos ribeiros, riachos e curvas apertadas.

vejo-me ali e reconheço, então, o meu outro lado. sempre esteve escondido atrás dos montes. a explicação, enfim, da minha paixão pelos campos, pelas flores silvestres, pelos perfumes selvagens, da minha teimosia e da minha constante necessidade de ventos cristalinos e de fotossíntese.

segunda-feira, 17 de abril de 2006

tango


[ms]

sustentar na ponta dos pés descalços o peso do corpo. endireitar o pescoço e alongar as costas, os braços. sentir as rugas da carpete poeirenta e o balanço das notas que, invisiveis, perfumam o ar e lhe revoltam os cabelos. primeiro lentamente, num aquecer ruborizado que dá a liquidez do olhar. depois perder o tino e as angústias pelo suor. quebrar os passos sem lhes querer sentido. ondular sem pudores de se tocar. forçar colinas e ondas num terramoto agridoce.
permitir ao fogo que aquece as coxas redimir-se em golpes de tango.
sem pouso definido, a pele vai sentindo a surpresa de cada passo cadenciado, partindo de pontos fluentes e confluentes de uma parede ou do chão. olhos fechados na tontura violenta. sentir as vergastadas com que as madeixas húmidas comprimem os ombros.
estacar numa náusea de prazer ofegante.
e ao fundo o olhar brilhante, voraz, sendento. a figura que se agiganta num paso doble, arrastando-se, impelindo-se pela cintura. o aproximar ardente de olhos fixos que despem e lambem. o envolver das mãos no ponto onde a cintura requebra e o calor dos peitos apertados. o possuir do corpo latejante. o bater dos corações que se compassa. a proximidade perigosa do hálito quente que absorve. e o largar voo perdido nas mãos de um anjo ardente. que despede o corpo controlado dos contornos conhecidos e o arredonda e fixa ao sabor dos seus intentos. ao sabor do que quer ver. o arquear da coluna e o arquejo do peito. silhueta fina e frágil com golpes de chicote, empurra o vento na outra que, possante, o engole. a perna que se descobre longa, orgulhosa sobe ao limite do imaginário. enrola-se com vigor obsceno, descendo, descendo. o suor que escorre sem perdão e que penetra nos lábios entreabertos, o sal misturado de duas vontades selvagens. a luta sem guerra dos corpos.

ali, naquele palco imaginado, hão-de ferver as suas peles, hão-de roçar-se lascivamente até ao limite do silêncio, hão-de gemer as dores e os prazeres confinados, hão-de depois, muito depois, abrandar os ritmos latentes, descansando-os num passo lânguido e esvoaçante, precioso e suave como a primeira passa num cigarro.

sábado, 15 de abril de 2006

o anúncio ou os desastres de polegar

para quem segue as minhas desventuras na tentativa de encontrar um lugar ao sol na área da representação, segue um lamiré da minha quinta-feira

8 da manhã na casa do Alentejo. ao mencionar "figuração especial", mandam-me subir. primeira falha da minha agência: afinal o "leva qualquer coisa mais formal" queria dizer fato de executiva... na sala de "styling" dizem que as minhas calças de ganga e blazer não têm muito a ver com jornalista [eu devo andar a ver os canais errados] e dão-me um fatinho cintado castanho e uma blusa justa de mangas à cava bege... ergh... as minhas cores preferidas. na casa de banho reconheço uma "colega de casting" e o alívio de ter uma cara conhecida ajudou a suportar as longas horas de espera. depois vejo chegar gente de calças de ganga e blazer que estão "óptimas"... go figure.

esperámos por ser maquilhadas - como nos tinham dito - e nunca aconteceu. da sala de espera víamos na maquilhagem as meninas que seriam as "Tochettes": uma loira nórdica de busto generosamente siliconado e olhar literalmente a leste; uma morena esguia muito bonita de rolos na cabeça, a stressar ao telemóvel.

esperámos duas horas. porque a morena "não sabia" que ia ter de usar calções curtinhos e top cavado. diz era despida demais. - eu não achei nada de escandaloso, elas têm corpo para isso, é por isso que são modelos, e se havia razão de queixa seria da loira, que dava mais nas vistas - de certeza que no casting já a tinham avisado, mas que fazer?... não se sabe dos pormenores, é certo que tiveram de chamar outra morena. aqui entre nós, esta púdica menina foi a que andava montada numa banana na capa de uma revista e respectivos toques jamba... go figure!

adiante. na hora de distribuir os adereços, calhou-me um micro. e a quem estava de calças de ganga, as máquinas fotográficas... aí fiz beicinho. havia uma fotógrafa de saia travada, casaco de ganga com gola de pelo e botas de crocodilo... go figure!

a minha chapa de identificação dizia "Francisco Azevedo". havia um brasileiro chamado Enfermeira Isabel... ainda troquei com ele umas impressões sobre a operação eheheh

ensaiada a primeira cena [um corredor de jornalistas tenta entrevistar o senhor doutor Tochas antes da conferência de imprensa], prepara-se tudo para gravar. reparo em dois tipos com ar de patos bravos ao meu lado que usam o telemóvel para fotografar o ensaio. a Tochette loira começar a ficar incomodada e aí percebo. estavam a levar recuerdos para as noites solitárias. ela queixa-se e o assistente dá o raspanete. no fim da gravação da cena, os tipos afastam-se a comparar as imagens gravadas. triste.

resumindo, entre cada cena eram horas de espera e chegámos à conclusão que aquilo foi tudo um desperdício de dinheiro: às tantas até turistas perdidos faziam figuração, mudavam as pessoas de sítio entre cada cena [o que dá uma continuidade fantástica], não sabiam se estavam a usar figurantes especiais [pagos para falar] nas cenas em que se falava, esperámos 6 horas de propósito para gravar uma cena... de costas... uma confusão.

outra falha da minha agência: "lá para depois do almoço estás despachada"... brincalhões, hem?

no fim de tudo, se aparecer a minha testa é uma sorte... nada mau para quem saiu de lá às 10 da noite...

entretanto falei com a minha agência: descobri que o pessoal agenciado por outros estava a receber o dobro. ora se estamos todos a fazer o mesmo... vai haver molho. baixou-me o santo e passei-me com eles. e ao fim da noite estava criado um sindicato que irá pedir satisfações para a semana...

a comida era do melhor: enchi-me de broa com queijo da serra, doces vários e cafés. os sofás da casa do Alentejo são confortáveis. o realizador tem um fetiche com loirinhas. o Tochas tem dificuldade em decorar as deixas e é mesmo avariado da cabeça. entra um cão na figuração, que é um querido. acabei por me dar com um grupinho de três "pernas-curtas", uma "perna-longa" e um "perna-longa". sim, que estipulei logo de manhã as discriminações de géneros físicos que arrancaram as primeiras gargalhadas quando completei com um "deixa estar, é só dor de cotovelo". durante o dia, dirigiam-se a mim com um "ó Francisco..." ;)

agora é esperar pela OPA! e mais não digo :)

quarta-feira, 12 de abril de 2006

para castigo...

... fiquei num anúncio...

não no das mãos, obviamente, mas noutro para que fiz casting sem estar marcado...

pois que é uma figuração especial, o que quer dizer: estar numa molhada de gente e dizer uma ou duas deixas.
conhecendo o guião, a minha deixa [muuuito especial] vai ser: "doutor, doutor"... em coro com outros tantos.

se, depois da edição e ideias mágicas em cima da hora do cliente, eu ainda aparecer, eu aviso eheh

entretanto, vou levar a moleskine... é um dia inteiro num set de filmagens... this should be interesting... muahahahahah!