quinta-feira, 15 de junho de 2006

espera

por motivos de spam, vejo-me obrigada a repulicar dois posts e respectivos comentários. já agora fica um apelo a quem me possa ajudar a evitar os comentários com spam nestes templates de CSS

[13.Jan.2006]

na pele ainda húmida o pijama de flanela roçava-se dengoso.
o arrepio da corrente de ar e as folhas secas de uma flor de um vaso a voarem pelo chão. migalhas de pão e pingos de mel num prato.
chupou do dedo um resto de mel e passou a língua nos lábios com lascívia. sentou-se na cama e esqueceu-se do livro. nada entre a pele e o edredon. descolou do corpo as angústias e deixou deslizar o pijama para o chão. enrolou-se e fixou a parede branca
até que o sossego lhe toldou os olhos.

office, 2 a.m.

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[20.Dez.2005]

no meio da nuvem de fumo ainda descortino as solas dos sapatos do patrão estacionadas ao pé do meu copo das canetas.
pilhas de papel impresso, com várias versões de "o" projecto.
a fala já vai entaramelada com o tempo e a dificuldade de construir frases eruditas aumenta à medida que o movimento dos caracóis do seu cabelo vai diminuindo, numa prostração inconsciente, decadente. do rosto de anjo papudo com a barba por fazer pende um cigarro com a cinza a meio, no canto da boca. a pança cai-lhe para cima das calças que não combinam com a camisola mas que sempre são melhor visual que os calções com uma camisola de gola alta.
já se disseram as maiores barbaridades como "longas-melodramagens" e "explorar os actores" [esta se fosse só barbaridade...] entre risota e bocejos.
ele já se levantou vezes sem conta, mudando de posição para, acho eu, ver se as antenas invisíveis apanhavam as ideias, se agitava os neurónios. começou por andar na sala. depois sentou-se, depois levantou-se e pensei que daqui a nada pega no jornal, como é costume, para ir à "casinha". voltou a sentar-se, esticou os pés para cima da secretária, levantou-se, veio para trás de mim reler apesar de ter os papéis na mão. ditou:
- os nossos parceiros poderão anuir à viabilização da expansão da panóplia de oferta cultural considerando que polegar tenho de ir à casa de banho...
pegou no jornal e saiu.
os meus dedos não encontram as teclas à primeira e o documento parece brincar com o cansaço, bloqueando, alterando a formatação... o costume.
as costas já deram o que podiam e imploram sossego, uma superfície plana e macia. a cabeça estala entre dores de abstinência de cafeína e capacidade de encaixe de frases. a pele enrosca-se no casaco à procura de mais calor e os joelhos estalam de cada vez que me levanto [enquanto o outro pensa] à procura da braseira eléctrica do aquecedor cuja luz morna parece não querer penetrar além da ganga.
a garrafa já foi à casa de banho duas vezes e aos lábios muitas outras. mesmo assim tenho a boca em textura de pergaminho egípcio.
no cinzeiro a pilha de beatas bafientas acumulou-se a pontos de entrar em combustão espontânea.
no momento antes de desligar o computador, acendo um último cigarro que sepultarei entre os outros, ouvindo o Patrão-Porthos no outro computador mandar uma gargalhada embriagada enquanto tenta brincar no photoshop com efeitos e criar um logotipo.
suspiro.
a secura dos pulmões intoxicados vem-me à boca num fel sem corpo.
os olhos pendem-me sem perdão e a mão procura em vão o rádio para me manter em estado de alerta inconsciente. desisto.
só preciso de uma cama. amanhã é aqui a bocado.
mando outra gargalhada para outro disparate e outro bocejo.
- e brush strokes?
- esse é piroso.
silêncio...
- está tão feio...

quarta-feira, 14 de junho de 2006

em banho maria

o dia que o meu corpo escolheu para ceder foi um em que o céu cedeu também. escorrem os vidros e as ruas, escorre o meu corpo nos lençóis. escorre a febre e os comprimidos, e sinto-os a lutar sem mexer um músculo. porque tudo me dói. hoje não consegui ir trabalhar. finalmente, não consegui.
como explicar...
sempre fui. sempre, com febre, rouca, com asma, com achaques.
hoje não me deixaram. o meu corpo, a febre e a garganta, quero dizer. não tive força, finalmente, para me levantar...
maldigo não ter tv cabo nem força para ir buscar os cabos e ligar o dvd na televisão do quarto.
maldigo o anjo selvagem e a belíssima. e a chuva no écrã também. é que tem "fantasma", a antena é daquelas que consegue atravessar o quarto todo. e por mais que se mexa as imagens não têm definição.
e depois de cada refeição há um aumento de cáries, e os óculos multiópticas são super fashion e os cartazes exclusivos dos D'zrt no bollycao!... como diz a Iva Pamela "chove que Deus a dá"...
nem o Rodrigo, o jornalista, me consegue embalar nas suas doces palavras escritas, demasiado complexas para este triste cérebro febril.
quebra-se o silêncio nos trovões lá fora. já fui ver, a roupa está toda no estendal. não se pode dizer que intacta, porque encharcada.
leio o que escrevi e comprova-se: estou mesmo insane hoje, ferveu-me o cérebro em banho maria...
não sei se é finalmente a alergia ao trabalho, se é apenas uma dose de cansaço acumulado que me fez quebrar como a meteorologia. olha, consegui escrever bem à primeira, meteorologia.
olha a Fátinha da Boavista ganhou 100 euros, a palavra era "vento"...
ai, que já nem sei para onde me vire. a gata parece que adivinhou, não me entra no quarto apesar de me ter esquecido da porta escancarada desde a última chávena de chá. as perpétuas roxas não estão a ajudar. nem isso, nem o propolis. afinal o grande segredo dos actores é uma grande aldrabice.
no messenger descambam as conversas para outros tapetes puxados debaixo dos pés... nada a que não esteja habituada. pois, tenho de acabar esta posta... tenho ali uma amiga a deprimir. a ver se mesmo com o neurónio ardido consigo animá-la.

e... desculpem qualquer coisinha...

quinta-feira, 8 de junho de 2006

c.i.a.*

neste escritório escorrem conversas que seriam, só elas, um blog inteiro.
diálogo entre realizador e produtor, entre dois cigarros e um telefonema:

r - sabes que a Soraia Chaves também teve aulas com o realizador lalalalala**...
p - mas quê, antes do "Crime do Padre Amaro"?
r - ah pois...
p - já estou a ver: "Vá, vamos ensaiar esta parte. É a mais importante, tens de fazer bem. Um, dois, três: despe, veste, despe, veste..."



* centro de inteligência artística
** estando eu no centro do c.i.a., não posso revelar nomes, não é?

quarta-feira, 7 de junho de 2006

a crise

o patrão, abrindo um convite daqueles com selo branco e tudo
- olha, uma conferência dia 15... se calhar vou. eles costumam ter comida...

terça-feira, 6 de junho de 2006

the producers

there comes a time in your life when you have to stand up straight and scream out loud so that everybody can hear:
"Who the hell do I have to fuck to have a chance around here?!"

The Producers | Mel Brooks | Drury Lane Theatre | Covent Garden

quando ouvi isto, soltei a gargalhada amarga que me acompanha nas ironias da vida.
agora já nem consigo rir. estou cansada.
não dou o cuzinho e três tostões, mas dou o couro e três tostões.

não conta, porra?

sexta-feira, 2 de junho de 2006

desalinho

é o vento. é o suor. os encaixes do corpo que rangem. são as serigrafias na pele, feitas de línguas e odores.
desalinha-se o cabelo, revolto, e perde a raíz. pingos grossos. chuvas de sal. rasgam a vontades em aromas de vinho tinto, um sangue que escorre sem dor. estremecem-se as células, nuvens de pano encobrem o céu. da boca, dos lábios e das linhas entrosadas como teias de aranha, tão suaves com pérolas escorregadias, tão fortes como o peso das vontades. dos sentidos. das entranhas. no ouvido, sopro. som. vibração. vibro. arrepio. arrebato. batimento. sedimento. sede. cede.

quinta-feira, 1 de junho de 2006

and all that jazz


episódios em japonês, sem revisão, porque os primeiros prazos de entrega são apertados.
o script em inglês fintou as tradutoras, que coitadas, não perceberam que se a frase era curta e o boneco continuava a abrir e fechar a boca, algo estava errado.
improvisa, dói-me a cabeça, reescreve, quero ir para casa, não cabe, tenho tanta fome, tenta outra vez, as tradutoras são loucas, e se fizer assim...

- ó polegar, tu fazes jazz com isto!

terça-feira, 30 de maio de 2006

hang on

[...] e eu acreditei. ali acreditei com todas as minhas forças que saía um raio verde e outro branco do meu coração para o universo e que a vibração das nossas vozes o encaminharia para quem necessitava dele... e que das minhas mãos saía calor que eu depunha no corpo de quem precisava tanto de chorar.

foi assim que me encontrei com uma fé. não numa grande revelação religiosa, mas mais uma vez nas pessoas. na manifestação pura e perfeita de amor, de um grupo de quase-desconhecidos, de mãos dadas, coladas, no quarto crescente, no terraço de um prédio. um amor que não cura tudo, mas que lambe as feridas e consola [...]

segunda-feira, 29 de maio de 2006

skype, encalhados e coisas assim

aqui na empresa acham o skype o máximo da modernidade. não encaixam que a base é a mesma do messenger - que também permite fazer "telefonemas" de borla e videoconferências com quem está na nossa lista...
mas pronto, dizem que é mais profissional. ter o skype ligado é profissional, ter o messenger ligado é o "lá estás tu com as tuas conversas, essa gente não te larga?"... depois quando arranjo uma resposta ou ficheiro mais rapidamente do que pesquisar na internet, ficam espantados, mas não dão o braço a torcer...
enfim...

pois que nesse meio selecto e profissional do Skype - em que a minha foto é, já de prevenção, dos meus pés - já me vieram cair ao colo (salvo seja) uns quantos matarruanos num espaço de tempo bastante reduzido. sou adicionada à lista deles e, bem que habituada ao messenger em que só nos adiciona quem nos conhece, penso "pronto, deve ser alguém que eu conheço mas agora não estou bem a ver, sou mesmo despassarada com os nomes..."
... não...
começam com o "olá", depois é o "não te importas de conversar um bocadinho", eu aviso educadamente que estou a trabalhar, e eles tudo bem, e eu - estúpida - não nego à partida uma pessoa que não conheço, e respondo à do costume "o que é que fazes" com o "sou produtora e actriz", arremessando logo com o "mas não faço morangos, não sou famosa", ao que recebo algo como "LOLOL tens um sentido de humor engraçado... gosto disso".... mau... mas isto contava para nota, stôr?
depois de mais umas coisas tipo "de onde és?" [adoro Lisboa, é tão grande], ainda observam sabiamente: "reparei que escreves acentuando todas as palavras...isso já não é 'normal', sobretudo na net..." pronto, não resisto a explicar que sou daquelas aves raras e antigas que tiveram uma boa professora da primária, gostam da sua língua materna e ainda por cima rápida a escrever no computador, pelo que as abreviaturas só as mais normaizinhas... mas engana-se quem pensava que isto encarrilava na teorização dos destinos da nova gramática, e destes jovens que já não sabem falar... isto é só um pequeno desvio na via-rápida dos "quero gaja"... daí a pouco saem-se com o óbvio "então mas como és? descreve-te".

... ai, aí fiz uma pausa... saquei de um cigarro, suspirei, fui ao meu profile e escrevi: aviso: este endereço é utilizado apenas para assuntos profissionais. encalhados por favor vão procurar uma agência de engate
do que resultou: outra janela com outro tipo a perguntar se podia "engatar-me só um bocadinho" e dois amigos a perguntar o que é que eu tinha contra os encalhados...

ora observando atentamente este tipo de abordagem, facilmente se chega à conclusão que há uma graaande diferença entre os solteiros/solitários perfeitamente respeitáveis com as suas tristezas, solidões e vontade de quem lhes aqueça os pés numa noite fria e encha o peito de suspiros e... os encalhados esfomeados com tanta sensibilidade a meter conversa como um camião tir desembestado sem travões...

moral da história: a descrição foi elucidativa do meu estado civil e permitiu que o rapaz tivesse de ir passear o cão... bloqueadinho para não me chatear mais nesta próxima encarnação...

percursos

há anos que não ia ali. o meu restaurante preferido. com paredes coloridas repletas de fotos a preto e branco, velas nas mesas, ambiente suave, jazzie e descontraído, empregados jovens e bem-dispostos e a melhor comida do mundo, num dos melhores bairros do mundo, Alfama. permiti-me uma prendinha, um brinde aos tempos apertados que aí vêm. de peito aberto, que tudo se há-de compôr e é melhor embarcar num mar agitado de mãos dadas.
a Audrey mirava-me de vários ângulos, mais ao meu saudoso brie panado com compota de framboesa. e eu sorria no calor abrasador daquela noite comprida de Sábado, temperada a vinho tinto e cumplicidades.

eis senão quando entra um grupo de gente nova, mais ou menos da minha geração. começam logo a pedir para se desligar luzes que acham que estão a mais e a perguntar se não dá para virar a ventoinha para eles.

mau...

entre conversas simples de momentos saborosos, era impossível não ouvir as outras, desse grupo, que se levantavam acima do volume simpático de quem está a curtir de facto uma refeição incrível num ambiente intimista.
primeiro gozaram com a empregada chinesinha ao pedir sal grosso [pois, queriam sal grosso para a comida, verdadeiros gourmets]. depois começaram a falar dos seus planos da viagem a Cuba. [ai que giro, que castiço poder ver lá os pobrezinhos ao longe da janela do empreendimento turístico, sabes que eles são tão desesperados que te apanham cocos por uma moedinha, é o máximo].
quando se cansaram de regozijar com os pés-descalços, atacaram a empregada da casa de um deles, que era uma incompetente a quem a mãezinha dizia tantas vezes "eu só não a despeço porque tenho pena de si", mas ela continuava a não fazer a dobra do lençol da cama como deve ser, e a mãezinha, como boa católica e samaritana, lá se apiedava dela e a mantinha ao serviço dela e da casa do filhinho, que não sabe engomar, coitadinho...

dividiram entradas, pratos principais e sobremesas por todos [assim fica mais em conta, há que poupar para a viagem], pagaram com os seus farfalhudos cartões de crédito e saíram enfiados nos seus ténis de marca e calças da moda.

não me pararam a digestão, mas permitiram-me ver aquilo em que eu me poderia, há muito tempo, ter tornado. quando os tempos eram outros e andava num colégio privado e não gostavam de mim porque eu não usava calças Chevignon e não sabia quanto é que o meu pai ganhava mais que o pai do outro e não apedrejava a colega mulata e não queria experimentar cigarros. respeitava quem me passava pela frente, divertia-me com todos [quando mo permitiam, claro!], mas não era igual. nunca consegui ser. até que me fartei de ter que ser igual para gostarem de mim.

agora serão assim, eles. tristes e pobres de espírito. elites enlatadas. sectaristas hipócritas, de risos jocosos a tudo o que é diferente de ter empregada paga pelos pais para lhes desfazer os vincos da roupa de marca, em empregos estáveis lá no cimo da cadeia alimentar, conseguidos porque "o padrinho conhece o tio que é dono de", mas que planeiam apenas viagens óbvias, lêem o que ouviram dizer que é bem, ouvem a música que deve ser trendy no momento, gostam dos filmes porque sim e comem em sítios finos sem respeito por quem lá trabalha, porque, afinal, são gente de berço e cartão de crédito, têm lugar cativo em locais que não sabem aproveitar.

saí para a noite ainda abafada com um sentimento estranho. por um lado o alívio de não me ter tornado numa destas pessoas, o que me permite abrir o coração a todas e cada uma que me cruza o caminho, absorvê-la e conhecer o verdadeiro âmago de quem o quiser partilhar. de me poder banhar e enriquecer em almas sem passear-me superior nas suas desgraças.
por outro, a angústia: estas amostras de gente vão ser os pais e mães da geração que, supostamente, devia dar o lugar no autocarro e ajudar a atravessar a rua a esta pobre ex-actriz a recibos verdes... eeek!

sexta-feira, 26 de maio de 2006

VII


o carro

[movimentos redondos. as rodas a girar. não. música? não. não é isto. sentir o chão. sim. focar. em frente. desfocar o resto. não parar. a alcatifa queima. não parar. vento, tem de haver vento. abana as mãos. e quando chegar ao fundo? logo se vê. bate lá. não avança. não pode parar. gira a cabeça, o corpo segue. recto. recto. abana as mãos. tem de haver vento]

- olá. posso falar contigo?
- olá. queres boleia?
- posso ir contigo?
- podes, anda.

[sentes o vento?]

- como te chamas.
- já não me lembro.
- onde vais?
- não sei, mas tenho de ir.

[estou a chorar, não vês? é do vento. é do vento]

- estou à procura do verde. disseram-me que era para aqui.
- o verde? já vi tantos. qual deles?
- o verde.
- já passei por ele, mas não me lembro onde.
- oh, que pena. sabes, conheci a lua.
- ai, que bom, muita companhia me faz...
- também a conheces?
- não pessoalmente, mas passo muitas horas com ela.
- tu não páras?
- não. não posso.

[dói-me. há quanto tempo estou nisto? não te vejo a cara. não vejo as caras. no entanto não fecho os olhos]

- porquê?
- porque tenho de lá chegar.
- onde?
- não sei, mas tenho.

[ali ao fundo, o sol no terraço. mas as pernas recuam, a cabeça gira e o corpo segue noutra direcção. o vento na cara. o sol fica lá atrás]

- tu tens amigos?
- não sei. mas já dei muitas boleias, encontro muita gente.
- como se chamam?
- não sei, falei com tanta gente.
- e onde estão?
- oh, isso não faço ideia. eles só vêm comigo quando precisam de boleia. depois vão à sua vida.

[não me perguntes se sou feliz. choco no espelho, apetece-me continuar em frente. cabeça roda e fixa outro ponto. as pernas seguem]

- bem, tenho de ir à procura do verde. gostei muito de falar contigo.
- eu também. boa viagem.
- boa viagem

[não sinto os dedos. não posso limpar os olhos. o sol?]

o carro simboliza avançar na direcção de uma meta. conquista e êxito. está na hora de pôr-se em marcha e deixar de vacilar. indica que existe um caminho e que tem de avançar com confiança, calma e segurança, apesar das dificuldades que apareçam [...]

segunda-feira, 22 de maio de 2006

soluço


porto | 2006

... ou "o meu corpo tem a forma do teu abraço"

casas antigas...



... álbuns vivos de infância. em que os recortes nos servem para pousar a cabeça.

quarta-feira, 17 de maio de 2006

always remember monty python



tempos conturbados. sai, fica, não há dinheiro, aguenta mais um bocado, este mês ainda dá. agora não temos nada mas então e os projectos gigantes garantidos que têm lançamento daqui a uns meses sim mas então e até lá como é que vai ser...

fim de tarde. um telefonema:
- polegar, parece que as tuas preces foram ouvidas. recebemos uma nova série para o canal espanhol e estamos a contar contigo para as personagens principais. vamos marcar o casting de voz?

[saltinhos no meio do escritório, gritar "pão para a boca! pão para a boca!" - pagam a 60 dias, mas ao menos sei que daqui a uns meses me caem à conta mais uns cobres...]

quase a sair, outro telefonema:
- polegar, estávamos a pensar contar consigo na equipa de pré-produção da série nova que recebemos para o canal espanhol, para coordenar vozes, dirigir um pouco os actores. e também para fazer a revisão das traduções. por favor envie-nos uma proposta de orçamento para este trabalho.

[começa o delirium tremens]

para mais informações, telefonemas a vários colegas
- não precisas de estar a full time. só estar presente nas primeiras gravações, fazermos visionamento das cassetes para escolhermos as vozes. depois é fazer um seguimento e escolher vozes para personagens secundárias que forem aparecendo.
[me? xcuse? escolher as vozes de entre colegas com 18 anos de carreira?!]

- preços para estas coisas não sei.
[porreiro... cobro demais, e se meto água? cobro de menos, e se sou aldrabada? quanto é demais? quanto é de menos? aieee]

- vens cá buscar os cds, enviamos-te os textos por e-mail e assim fazes a revisão da tradução em casa. mas vão haver alturas em que tens de entregar as coisas na manhã a seguir para começarmos logo a gravar. os espanhóis são tramados com dead lines.
[muito mais descansada...]

trabalho na produtora, trabalho nos espectáculos infantis de verão [se pegarem], trabalho de dobragens, trabalho de pré-produção de dobragens, trabalho de direcção de actores nas dobragens, trabalho de revisão de textos nas dobragens e um workshop que me está a lavar a alma.

não há fome que não dê em fartura. ou que não dê numa carga de trabalhos. ou em sobrecarga de trabalhos.

ou nobody expects the spanish inquisition...

terça-feira, 16 de maio de 2006

gravity


[ms]

baby, its been a long time waiting. such a long long time.

and I can't stop smiling, no I can't stop now

do you hear my heart beating?
oh can you hear that sound?

cos I can't help crying

and I won't look down...

|embrace|

segunda-feira, 15 de maio de 2006

chico a.k.a. the troll


[ms]

corria o longínquo ano de... nem me lembro. sei que era o princípio dos 90's e estes bonecos estavam na moda. como é natural a uma pré-adolescente, fiz imensa publicidade lá em casa. a minha mãe adorou. achou que tinham uma cara querida, e que se liam nos olhos expressões e emoções conforme os dias. isso já é lá com ela. eu gostava do pormenor de na parte de trás das calças se poder abrir uma parte do fato-macaco que mostrava um engraçado rabiosque de pano.

pela minha mãe apelidado de Zé Maria [muito antes dos reality shows, apesar de a expressão meio tosca ser semelhante ao rapaz das galinhas], era para mim o Chico ou o boneco, conforme a paciência.

nessa altura íamos todos os verões para casa dos meus tios, a mais de 1000km de Lisboa. 12 horas de viagem, com Paulo Bragança, Roberto Carlos, Demis Russos, The Righteous Brothers e mais uns quantos dos 60's, Beach Boys e El Consorcio [isto até eu ter um walkman]... e o Troll.

a moda passou mas tornou-se um enraizado ritual da minha mãe levá-lo para todo o lado... quaisquer férias, perto ou longe, voltava-se para trás se nos tínhamos esquecido do Chico-Zé Maria. e invariavelmente, antes da viagem, já sentados no carro às 5 da manhã, virava-se para trás com ele na mão e dizia "já viram os olhinhos dele? estão a brilhar de contentes! esta viagem vai correr bem..." e pousava-o no tablier para ele poder ver as vistas...

com uma fase menos apertada dos meus pais, pudemos sair da zona Ibérica, e mais uma vez lá vinha o Troll. depois as jovens crias começaram a ter vida própria e lá vinha o boneco em cada viagem, enfiado no saco de campismo. ou quando os meus pais puderam sair durante uns dias da nossa alçada, viajou no colo da minha mãe para um fino hotel de Paris...

resumindo, o boneco vai com quem sair de casa para passear. tem mais quilómetros que qualquer um de nós individualmente. se estivesse inscrito na Tap, de certeza que já tinha umas valentes milhas aéreas de borla e um boné.

eu gosto dessa tradição. e em todas as viagens que faço, tiro-lhe umas fotos à la duende da Amélie... para provar à minha mãe que também ele saiu à rua, de cabeça de fora da minha mochila a ver as vistas...

engraçado é que, no dia em que se decide levar o Chico para o passeio, invariavelmente, chove...

sexta-feira, 12 de maio de 2006

maybe it's because I'm a londoner



obrigada, LFM :)



Maybe it's because I'm a Londoner
That I love London so
Maybe it's because I'm a Londoner
That I think of her wherever I go

I get a funny feeling inside of me
When walking up and down
Maybe it's because I'm a Londoner
That I love London Town

Maybe it's because I'm a Londoner | Hubert Gregg

quarta-feira, 10 de maio de 2006

grounding

raíz. contacto. pleno. equilíbrio. no momento de encontrar o meu ponto de conexão à terra, esmaguei-me ao chão. quero senti-la. inteira. estender-me nos seus grãos. ser paisagem alentejana. ser horizonte. quero a terra. porque sou tão planta. ou flor. de nariz no ar. depois reguei-me.

segunda-feira, 8 de maio de 2006

images vs. feelings


leicester square

touching Banksy. Spitalfields. Sunday Up. Camden. Covent Garden. Portobello. London Fields. markets. bargains. Little Venice. alternative. feet. leather. tea cosy. blue door. roof tops. bobbys. Ben, the Big. mind the gap. fuck the gap. the travel bookshop. Sical. red door. tunnels. minor delays. bus. 149. double decker. Andy Warhol. Dali universe. Betty, God save the Queen. Hyde Park. watercolours. sun. rain. grass. wallet. yuppies. bikes. steps. stamp. skin. Shakespeare. Miró. bridges. map. Old Vick. Dame Judy Dench. applause. tears. chocolates. antiques. Hussein. Nando's. baked beans. Becket. jacket potatoes. stage door. Nero. Starbuck's. East End. West End. Off West End. Fringe. Soho. phone booths. kinky. Chinatown. Liverpool Street. pinhole. graffity. cab. The Windmill. weeds. beer. museums. more museums. window. Mia Christian Alex Ricky. mirror. Audrey Hepburn.

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