segunda-feira, 10 de março de 2008

orgulhosicamente

há anos que não assistia ao Festival da Canção. o meu regresso foi de coração apertado, num espírito de missão. suportei estoicamente o rol de músicas óbvias e a roçar o pimba, aliviei-me na número 7 quando a "Canção Pop" do Nuno Markl interpretada pelo Ricardo Soler me fez bater palmas e dizer "ah, isto sim". e continuei em deprimidas, à espera de mãos cerradas, pela que seria a última da noite.
estavam lá três amigos meus, parceiros de cesta de frutas, numa versão non sense do que pode ser este evento. claro está que o espírito passou incompreendido, mas eu fiquei a noite toda a cantarolar.
parabéns. há anos que não sentia este cheiro de coragem e alegria. a contrariar o tal espírito luso das tristezas, o épico deprimido, o mar e o amor incompreendido.
até gastei os tais dos 60 cêntimos mais IVA... :)

sábado, 1 de março de 2008

bons vizinhos

não tenho razão de queixa. a cusca do lado, para além de povoar a escada com uma selva amazónica, não chateia mais do que ouvi-la a espreitar à porta de cada vez que abro a minha. no rés-do-chão, o homem-torre e a esposa de cabelo vermelho são caladinhos, têm um gato engraçado que já salvámos um par de vezes e só se vestem com fatos de treino ao fim de semana. o bêbedo do benfica só tem conversas um bocado longas e de bafo etilizado quando o encontramos na tasca, mas está fora no Brasil e tudo. os velhotes do segundo andar nem piam, e o outro velho esquisito só é massacrante nas conversas das teorias da conspiração nas reuniões de condomínio, uma vez por ano, ou quando teima que quando não consegue estacionar o carro dele na garagem não é por ser um azelha a quem devia ser retirada a carta de condução, mas porque o resto dos condóminos arrumam mal os carros deles. por fim, o Vasco está a administrar condomínio há 3 anos porque toda a gente se descarta e ele até faz um bom trabalho. razões de queixa do Vasco? só o facto de ter forrado a casa a tijoleira branca. de resto, é um porreiro pachola.
todos acham muita graça ao facto de terem um casal de artistas no prédio, a actriz e o fotógrafo, a quem por isso perdoam os horários fora do vulgar e o barulho da porta da garagem à hora do sono dos comuns mortais, as cantorias sobre legumes em tempos de ensaios e outras pequenas situações.
damo-nos todos bem, até se for preciso vamos bater à porta do lado a pedir emprestado um comando da garagem se o nosso parar de funcionar, pagamos cafés de vez em quando uns aos outros quando nos cruzamos na tasca, a coisa é pacífica, quase de pequena aldeia.
agora temos um novo vizinho, que veio ocupar a casa por baixo da nossa, sucessor da senhora que gritava com o marido a toda a hora e dizia coisas de um português que eu desconhecia. o vizinho é simpático, tem uma filhota (como quase todos neste prédio), apresentou-se na reunião de condomínio e disse logo que adora música.
gostei da sinceridade, até pisquei o olho porque tenho o mesmo problema.
agora deparo-me com uma "situação". o senhor é um querido, mas ouve kuduro e morangos do nordeste toda a santa tarde de sábado. num volume que nos faz pensar que se calhar isto é festa da junta de freguesia no largo do café... mas não, é já aqui por baixo...

aaaaii, é a dooooor, ai ai ai é a doooor, é a dooor :S

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

frases a reter

"está maluca"
"temos uma situação"
"se te deixares enganar, parece que os barcos estão no céu"
"vais entrar em palco no último dia, sim senhora"
"desculpa a confusão em que te meti quando te convenci a fazeres o casting"
"anima-te, dentro em pouco estaremos com os nossos amores"
"este teatro é mais bonito do que os olhos conseguem ver"
"tu, aqui!"
"sinto-me como se fosse domingo à noite e tivesse acabado o MacGuyver: não sei o que hei-de fazer agora"

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

a roda dos alimentos de pantanas

de repente, regressa a maldição do pé torcido. e eu, que já me tinha despedido das minhas personagens, que adivinhava uma estadia pacata, a contra-regrar e a sentar miúdos daqueles que ainda sobem escadas de gatas, tenho de voltar.
e encarar aquelas dificuldades que julgava engavetadas [por agora]
hoje estou ainda em choque. cansada, moída.
e os olhos cheios de sono que não se fecham para descansar. ao menos a cabeça limpa para relativizar. vou tentar dormir. quem sabe amanhã corra tudo pelo melhor.
e daqui p'rá frente...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

pequenas observações

antes de partir, há tempo para umas coisas...
passar pelo antigo emprego, onde me cravam 2 projectos para fazer em 10 dias.
saber que me querem de volta, mas ainda a tentarem fazer-me as papas na cabeça.
saber que ganhei um distanciamento destes senhores que me permitiu deixá-los a resfolegar durante as negociações... que ainda não acabaram... é deixá-los suar... e ver até quanto posso esticar.
saber que por mais apetecível que seja voltar a ter ordenado certo [ainda que pequenino] todos os meses do ano, valho mais que isto. e a minha saúde, mental e emocional, vale muito mais que isto.
saber que aos 28 anos ainda não perdi o estúpido costume de não me acomodar.
saber que, pelas escolhas que faço, ainda não é desta que venho morar para Lisboa.
saber que o mais certo é voltar a não ter férias.

saber que, à medida que vou aviando as malas, me dói um bocadinho mais saber que nós vamos estar longe um do outro tantos dias, tantas horas, tantos segundos.
e o silêncio adensa-se cá dentro.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

próxima paragem

antes do desemprego: Porto.
directamente da avenida da Liberdade para o auditório da Exponor... tripeiros, temei, a Polegar vai em digressão...
serão 15 dias de rambóia. bem, da possível, tendo em conta que faremos uma trintena de espectáculos num curtíssimo espaço de tempo.
e o hotel tem piscina... eheheh

sábado, 26 de janeiro de 2008

[d]a ficção

no fim do espectáculo, ainda vestindo a personagem, vou passear para o foyer e falar com os miúdos que por ali andam.
uma menina de uns 5 anos aborda-me. diz que gostou muito de mim, fui a preferida dela porque também me chamo "Ana". e puxa-me de lado, em estilo de confidência:
- olha lá, Aninha, aquela bruxa não era a sério...
- [abro muito os olhos, com o meu ar mais espantado] a Doença? não era a sério?! claro que era! eu fiquei mesmo doente há bocado, senti-me muito mal! só me safei porque comi as verduras!
- [em tom condescendente, de mão na anca, a revirar os olhos] ó Aninha! isto é teatro, é uma peça... as bruxas eram a fingir, não te podiam fazer mesmo mal!

peticionando

esta era-me impossível não divulgar.
vá lá, dêem um pulinho aqui e assinem...

mais uma vez, as condições de vida dos chatos dos artistas e do recibamento verde: por exemplo, somos obrigados a pagar um mínimo de 150 euros/mês de segurança social, independentemente de nesse mês [e há muitos] só termos feito um trabalho de 50. e depois não temos direito a subsídios de desemprego, de gravidez ou baixa... os contratos de trabalho não são contratos: basicamente são contratos de prestação de serviços e não nos protegem ou dão quaisquer regalias típicas dos contratos.
e o Senhor Estado resolveu que, numa nova lei, ia usar o termo "intermitentes", inteligentemente utilizado e regulamentado em França, mas para manter o nosso estatuto basicamente na mesma, senão pior.

tenham a bondade de nos auxiliar...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

t.p.c.

constantinopolitano, quando te desconstantinopolitanizarás?
eu me desconstantinopolitanizarei quando todos os constantinopolitanos forem desconstantinopolitanizados.

domingo, 20 de janeiro de 2008

fado



são dez da noite e a calçada ainda cheira a chuva. arabescos de fumo confundem-se com o céu nublado e esperamos ouvir os saltos da Lu chapinhar nas poças. depois de um abanar contente do guarda-chuva, entramos.
é tão discreto, secreto, lento o ar ali dentro. nada se mexe para não fazer barulho. até as bolhinhas da cerveja dançam devagarinho. ao fundo, depois das cabeças, o preto. o negrume das mãos postas na tensão da nota, ou será da palavra. não importa. são as mãos, as mãos e os riscos dos olhos que saltam, que vibram, que escorrem nas paredes, para dentro do colarinho e arrepiam devagar a pele desidratada de música.
nos intervalos há conversas, há risos roubados ao silêncio, que recua com uma certa benevolência. são jovens, todos, deixá-los. depois voltam, com as guitarras, com os xailes e o preto, às suas outras personagens.
observo. as notas, as cadências e as mudanças de volume.
escuto. os corpos parece que inchados, direitos, o queixo ao alto à procura. e as outras mãos, os outros olhos fechados, pelas cordas que cortam os dedos.
ouço que ferem devagarinho, como uma faca a cortar manteiga.
abro o caderno.

demos as mãos
e senti as tuas veias
movediças como areias
latejando no meu pulso

demos as mãos
e a tarde ficou cativa
daquele primeiro impulso
que faz a gente estar viva

demos as mãos
e aconteceu a vida
vida própria e desmedida
e à nossa dimensão

demos as mãos
e começou a subida
do coração à cabeça
da cabeça ao coração

demos as mãos
e morremos devagar
no amar e odiar
dos amantes perseguidos

demos as mãos
e ficámos no lugar
das horas por despertar
no relógio dos sentidos*

- ouves?
- sim.
- estão a "cantar de nós".
sorris.

fecho o caderno. a cerveja amoleceu.
importam os traços ao sabor dos choros e das conversas castiças das guitarras.

*josé carlos ary dos santos

serviço [que pode irritar algum] público

que podia ter o título alternativo "só lá vai quem quer"

neste blog
, encontra-se a tentativa de ir listando os locais [restaurantes, cafés, bares, etc] onde fumar continua a ser um direito, sem trazer inconvenientes de maior para os não fumadores. pode contribuir-se via mail ou comentário.
também encontrei este site, sobre bares.

espero sinceramente que a ASAE não o leia, porque senão lá segue a perseguição. perdão, a inspecção que pretende ser totalmente aleatória e que por acaso só tem ido a estabelecimentos com dísticos azuis.

repito: "só lá vai quem quer"...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

teste

este post será para apagar... o que se passa é que consigo fazer tudo menos ver o meu blog...

será que fui fechada pela ASAE? :|

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

imperfeições

o pequeno pedaço de tinta lascada na parede conta que foi lata a lata que as pintámos todas.
o relevo das frutas nos azulejos da cozinha contam que já foi tudo bege-desespero e agora é verde-alface.
a ponta de papel de parede levantado fala da festa que foi esconder os azulejos da entrada, e do ataque-relâmpago da nossa gata.
e o sofá, que era branco e que agora não vive sem uma manta, invoca das noites quando nem cama havia.
o vestido de festa no armário conta que só tu é que me convences a comprar roupa sem ocasião, só porque me achas bonita.
a mancha de café no colchão sorri e diz que somos gente de pequeno-almoço almoçarado na cama.
os riscos na máquina fotográfica são prova dos teus inúmeros trabalhos.
as molduras de madeira por pintar são o rol das fotos e dos cartazes, das viagens e sorrisos.
a queimadura na mão traz-me aos olhos quem esteve comigo no meu dia de anos.
o quadro por pendurar lembra-me que me devolveste coragem para voltar a pintar.
a cama por fazer avisa que ficámos no quente um pouco para lá da hora marcada.
o telemóvel quase sem bateria conta que lhe puseste lá dentro as minhas músicas preferidas.
as calças húmidas nos joelhos são do passeio de mota de há bocado.
esse fio de cabelo mais comprido que os outros pisca-me o olho e lembra-me que só em mim confias para cortar o teu cabelo.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

taxicidade



"Um táxi. Cinco motoristas. Cinco dias úteis. Inúmeras histórias escritas nos estofos gastos de um velho Mercedes. O passo lento do taxímetro leva ao destino personagens que se revelam durante o percurso da viagem e das suas vidas".


o Damon, um blogger que me acompanha quase desde o nascimento deste cantinho, sempre me surpreendeu com textos de ficção lindíssimos. nas poucas vezes que nos vimos [ele é do Porto], sempre veio à baila um sonho, um projecto, mas que lhe parecia muito longínquo. cá para mim ele tem talento para dar e vender, força e, acima de tudo, merece. mas pronto. ele achava que não.

sinto-me, portanto, muito honrada em anunciar que saiu para as estantes das livrarias o seu bebé, o livro Taxicidade, escrito em parceria com outros 4 jovens. além de ter um tema que apetece e a garantia do contributo criativo deste meu amigo, tem ainda uma capa lindíssima [que as capas são logo um chamariz para a gula literária].

no próximo sábado, os autores descem à mouraria para apresentar o bebézinho aos murcões :P

infelizmente, e apesar de lhe estar a dever umas surpresas impecáveis com que me tem presenteado, não poderei participar da leitura na apresentação. não por falta de vontade, mas porque estarei à mesma hora a trabalhar.

no entanto, retribuo como posso, lançando o repto aos leitores aqui do estaminé: passem no Sábado, dia 12, às 16h ao Magnolia Café do Saldanha Residence, para conhecer um bocadinho melhor este trabalho.
eu prometo que apareço para, finalmente, comprar um exemplar, que quero autografado com dedicatória :)

se lá forem, metam conversa com o Carlos, façam-no corar [não é difícil], dêem-lhe um abraço. e digam que vão da minha parte. eheh.
todas as informações sobre o livro aqui.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

há coisas fantásticas, não há

sexta feira foi um ponto de viragem nesta pequena família suburbana. resolvemos que o orçamento familiar aguentava mais um compromisso a longo prazo: tv cabo e internet normal. o nosso sonho de há muito tempo: mandar o leeento e limitaaado modem zapp à vida, e despedirmo-nos sem pompa nem circunstância das noites de tvshop e aqueles concursos de telefonemas com as mamalhudas de cérebros monocelulares.

pesquisámos muito, porque o orçamento é curto. eu queria alinhar nos pacotes da Clix: mais baratos, mais velocidade de internet, tráfego ilimitado, conjunto de canais compostinho em que depois se pode escolher mais uns quantos, tipo pizza. mas a Clix não tem as Foxes todas. e um amigo [ainda não decidi se convicto ou com acções na TvCabo] aconselhou-nos a optar pela TvCabo/NetCabo. porque diz que os outros não podem garantir isto e o outro, cabo de fibra óptica e mais uma catrefada de coisas. e tem as Foxes todas. pronto, siga.

começou, então, a aventura a caminho da civilização.
mal se clica lá num cantinho da página, podemos inserir o nosso número de telefone e eles é que ligam para nós. um luxo. assinar a TvCabo é um instante, simples. diria até Simplex. sem cartões, descontões nem mais complicações. segunda-feira, viria então o técnico montar tudo.

sim senhor, chegou, pontual, simpático, novinho, com o cabelo cheio de gel como se quer para encantar as meninas de Odivelas. fez-nos duas menos necessárias crateras no estuque, mas nós contentíssimos da vida! é para isso que há gesso. e aspirador. tudo para voltar a ver o House a horas decentes. e o Heroes, e o CSI Las Vegas, e....
depois lá assentou arraiais de volta do router wireless [dá jeito, com dois portáteis em casa], e enquanto a televisão sintonizava os milhares de canais inúteis e a meia dúzia de essenciais, já havia net de boa velocidade. era o milagre e estávamos felizes.

navegámos toda a tarde na net, com o Fox ligada. um luxo.

depois parámos.

depois quisemos voltar a entrar na net. mas nada. pede a palavra-passe, e dali não passa. nao diz água-vai, simplesmente não estabelece ligação.
contactámos o centro de assistência técnica. da primeira vez o senhor, incrédulo depois das tentativas óbvias, sem perceber bem a parte de "um é mac, outro é pc, são os dois portáteis, nenhum acede", até queria que fizéssemos reinstalação do software do próprio computador. o telemóvel ficou sem saldo, a chamada a meio.
segunda tentativa. fazer tudo o que o outro já tinha pedido [excepto a reinstalação, porque o novo técnico percebeu logo que era estupidez], avisando sempre que o segundo o telemóvel estava quase sem saldo. "mas você não me pode ligar daí?" "não, minha senhora, não temos autorização, temos os telefones bloqueados". bonito. ao fim de um bocado, o moço diz do lado de lá "pronto, depois desta reconfiguração, é impossível que não tenha a rede reposta". não, nem reposta nem às postas. nada de wireless. ainda ouvi um "mas mas" antes do "tututututu" do sem saldo.
fiquei piursa. foram quase 10 euros de telefone à vida por um erro nitidamente de hardware defeituoso. então se há o sistema do telefonema grátis para nos venderem a assinatura, é mesmo para ali que vou chatear. nisto sou bera como a ferrugem. e o moço do departamento comercial, muito ressabiado com a minha falta de respeito às hierarquias das linhas de apoio "tem de ligar para o apoio técnico". mas eu não tenho saldo, já despejei dois telemóveis convosco. "mas daqui não posso fazer nada". eu sei. por isso é que pedi para falar com um responsável, uma pessoa acima de si na cadeia alimentar. não é consigo, que não tem culpa. mas eles adoram os responsáveis, mais que as mãezinhas, devem fazer um pacto de sangue e cuspo quando entram para os call centers. e não me deixaram falar com ninguém. deixaram-me em espera e passaram-me o recado do tal responsável omnipresente, omnipotente, omnívoro, mas transparente: "o apoio técnico já devia obviamente ter agendado consigo uma visita do técnico a sua casa, uma vez que obviamente o problema não é possível ser solucionado por telefone". pois, tá bem, obviamente.

carrego o telemóvel - pela net, via modem zapp - e volto a ligar para o apoio técnico, para pedir... o apoio técnico de um técnico.
"sim, sim, podemos mandar-lhe um colega a casa. são 40 euros. quer agendar ou prefere fazer umas tentativas de correcção via telefone?"
"já fiz 20 euros de tentativas. diga-me só uma coisa: quanto tempo tenho para devolver o equipamento e cancelar a assinatura sem ter de indemnizar a tvcabo?"
em espera, musiquinha - the only one who could ever reach me was the son of a preacher man. a sério.
"tem 15 dias a partir da data da entrega"
"obrigadinha e boa noite".

se alguém conhecer alguém que me possa ajudar presencialmente dentro dos próximos 14 dias, a troco de um jantar e uma bica das boas, avise-me.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

publicidade meio institucional

o meu amigo MPR vai, em breve, levar a cena um espectáculo. finalmente, com texto e tudo. enquanto me delicio com os seus ataques, e o ouço vezes sem conta falar das cenas, das dificuldades, das roupas, dos nervos, enfim, de todo um novo mundo que se lhe apresenta, sou também assediada para fazer divulgação da sua peça.
só porque é para ti, abro uma excepção e falo dela antes de a ver... ;)


GODOT NOS INFERNOS



Pelo grupo de Teatro Hipócritas


Texto, adaptação e encenação de Alexandre Borges, baseado em "Huis Col" de Jean-Paul Sartre e "À espera de Godot" de Samuel Beckett.

Com Ana Chambel, Filipa Pais de Sousa, Manuel Barbosa, Miguel Pires Ramos, Selma Totta, Sara Totta, Sheila Totta, Sofia Ribeiro e Ricardo Lérias.

Instituto Franco-Portugais - Av. Luís Bívar, 91, Lisboa
11 de Janeiro a 10 de Fevereiro
Sextas e Sábados às 21:30h [dia 18 não há espectáculo]
Domingos às 17h [apenas dias 20 de Janeiro e 10 de Fevereiro]

Preço: 6,50 euros
[com desconto de Pin Cultura, maiores de 65 anos, estudantes, profissionais do espectáculo e grupos + 10: 5,50€]
Informações e reservas: 966419650 | hipocritas@gmail.com


Sinopse:

"Ok. Nem Deus nem o Diabo atendem. Então, quem me vem buscar?

Inês, Estelle e Garcin estão no inferno. Mas não há fogo eterno nem demónios nem tridentes. Não há, sequer, outros condenados. O espaço não é vermelho nem quente, mas vazio. Há três canapés e uma estátua do Super-Homem. Nenhum espelho. A única coincidência com o imaginário colectivo é talvez o Criado, que poderia ser Caronte. Vladimir e Estragon estão no mundo, parece. Mas não há casas nem árvores nem carros nem portas nem janelas nem outras pessoas. Apenas uma árvore de natal. Artificial. Depois, vêm Pozzo e Lucky, mas sabem tanto ou tão pouco do mundo como Didi ou Gogo. Nada mais. Existir é isto, dum lado e doutro da vida. A menos que alguém venha. "


uma peça com um texto simples e irónico, bem entretecido, sobre um outro inferno das pessoas. e uma estátua do super-homem.

vendida

a partir de hoje, confesso a minha total rendição e rogo pragas à padeira de Aljubarrota:

o único sítio que [a meu ver] realmente cumpriu [pôde cumprir] a legislação e tem os simpáticos locais ventilados para fumadores dentro da sua área comercial [sentados, com direito a bicas, e não à chuva] é o el corte inglês.

olé!

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

a lei da chucha

antes de mais, bom ano novo. ou bom dia 1 de um novo mês, para os menos místicos.

agora é proibido fumar... basicamente... em todos os espaços públicos. fiquei por casa, a descansar no quente e a ver as reportagens que por aí andam sobre as reacções à lei.
factos:
nos estabelecimentos com menos de 100 m2 os donos têm de optar se tornam o local "verde" ou, vá, cinzento.
se optarem pelo verde, tudo bem.
se optarem pelo cinzento, têm de pôr extractores de fumo. apesar de a lei já estar bem definida há muito tempo, ainda não estão estabelecidas as características que devem ter os tais extractores. e são caros. e se não estiverem de acordo com o que ainda não foi estipulado, pode dar em multas na mesma.
se tiverem mais de 100 m2, podem criar espaços de fumadores, mas, lá está, têm de meter os tais extractores que ninguém sabe como são.

os não fumadores estão contentes e já vão assumindo aquele comportamentozinho pedante de quem se sente uma entidade superior.
os fumadores conformam-se, reduzem-se à sua insignificância de consumidores de segunda, pobres animais viciados, e vão fumar para a rua ou acham que é desta que largam o vício.

o senhor governo gosta de dizer que esta nova lei é para o bem de todos e tal, e que temos de ser civilizados. na civilização que eu conheço, há locais de fumadores com extractores bons e devidamente regulamentados. onde, curiosamente, já vi não-fumadores sentados a ler revistas porque o ar ali até é melhor que no resto do estabelecimento. a sério, isto existe.

os mais moralistas têm de se aperceber de uma coisa: fumar não é ilegal. porquê?
ah, não sei. faz tanto mal... é uma droga, mata e tudo. mas pronto... o senhor governo civilizado e que de certeza não fuma o charutinho nas reuniões, é bom. faz uma troca: não ilegaliza a coisa, mas em troca veda os locais públicos aos fumadores e leva quase 90% do valor de cada maço de tabaco como imposto. disso ninguém falou nas entrevistas. quem mama a saudinha de quem, pergunto eu?

posto isto, e já que estamos a defender a nossa querida saúde, eu, como uma das poucas fumadoras civilizadas que restam neste pequeno rectângulo à beira-mar plantado, vou continuar a fumar. educadamente, como sempre fiz. vou escolher os sítios onde se pode fumar e não consumo nos outros. o que poderá querer dizer que vou sair muito menos, jantar fora menos vezes, beber menos cafés com os amigos. agora talvez surja uma nova moda: "olá, tudo bem? que é que fazes? tens tempo para irmos fumar um cigarrinho ali ao aquário e pôr a conversa em dia?"

e, preocupada com a saudinha deste pacato povo, pergunto-me: quando é que vão começar a multar as famílias não-fumadoras que dão as entrevistas sentadas à mesa com aqueles pires de presunto gordo, queijinhos, salgadinhos, as colas, as vinhaças, as cervejinhas e restantes pecados do colesterol que entopem as suas veias; os carros e autocarros que bombam todos os dias com os seus flatos; os que não reciclam; as fábricas, as lareiras, e restantes coisas dessas que também têm chaminés que deitam fumos que fazem buracos no ozono e fazem cancros; os que constroem resorts em reservas ecológicas; os que oferecem canetinhas de prata e fecham a cidade e dão o forte de S. João da Barra e catering para matanças de animais, como comemoração da assinatura de um tratado que ninguém sabe bem o que diz [nem tem de saber]; os que fecham maternidades e centros de saúde; os patrões que contratam estagiários e gentinha a recibos verdes para não pagar ordenados nem segurança social e que fazem com que ande toda a gente mal dos nervos [e fume mais eheh], e evitam que se tenham filhos e coisas dessas. a lista continuaria... mas não quero maçar muito.

também me pergunto quando é que vão começar a multar os novos assassinos da civilização portuguesa, que trabalham de fininho, com declarações como "não há extractores amolgados", "o ar assim até sabe o apetite", ou "aqui há umas grandes milhares de pessoal"...

para quem quiser confraternizar à moda antiga, sem censura hipócrita, e enquanto a verdadeira civilização não passa por aqui, cá em casa há café do bom, música da boa, velas, incenso, janelas e cinzeiros.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

blog em suspensão temporária


[musiqueta de natal em bom[b] pelo meu Donaldim preferido, Achmed, the dead terrorist]

porque:
é Natal e as prendas são todas feitas à mão [grande agradecimento à Air pela dica da cola quente: elevou a velocidade do nosso trabalho a um patamar nunca antes conseguido]
como as prendas são feitas à mão, a roupa está por lavar, a loiça por arrumar, o lixo por levar para a rua, o chão por aspirar.
só parei de trabalhar ontem [dia 23], depois de várias maratonas durante semanas a fio, e tive jantar de natal da peça. hoje tenho prendas para terminar e só vou começar a dormir mais de 5 horas por noite amanhã.
estou a aproveitar os últimos momentos de liberdade de fumar neste país para poluir o mais possível, enquanto não vedam aos fumadores o acesso aos cafés e esplanadas.
os meus tios chegam de Espanha e quero aproveitar ao máximo esta visita-relâmpago.

por isso, ficam os desejos costumeiros da época: aconchego, mimo, as pessoas que realmente interessam, e paz... pás pás. ;)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

por uma fatia de pão-de-ló

eu e a Câmara Lenta conhecemo-nos há muitos anos. desde um projecto de leitura dramatizada na escola que ganhou tais dimensões que teve de subir para um palco. com lata para reposição e tudo. tempos de reuniões de 20 pessoas, em que todos fazíamos tudo, planeando minuciosamente os desastres à volta de uma mesa com pão-de-ló da avó desta mesma "pequenita". já na altura, se revelava moça com um humor desmedido e uma maturidade acima da média. desde sempre a chateei. escreve. escreve. insiste. nós fazemos, nem que seja num vão de escada. quando acredito no talento das pessoas tenho este problema. e ela muito hesitante, a dar passinhos de bebé. e eu a chateá-la sempre que a apanhava a jeito. mas a acreditar que um dia ia acontecer.

e chegou o dia. um telefonema: um piloto. sem garantias, logo se vê no que dá.
a minha resposta?
"sim, sim, e há pão-de-ló da tua avó?"
havia...

este fim de semana acordei às 9 da manhã, contentinha como uma criança com um caderno novo. [eu, pelo menos, delirava com cadernos novos. mas pronto, vamos ao básico: como uma criança em noite de natal, vá.]

ia gravar um texto da minha amiga, com um elenco sem vedetas, cheio daquela energia a que sempre estive habituada e de que já tinha saudades: a garra do querer fazer, do gostar de fazer, da equipa pequena que desenrasca tudo, da criatividade desembestada, incensurada, das gargalhadas incontidas do puro prazer de estar ali, a fazer acontecer.

melhor: o meu namorido também foi convidado para participar da demência, com a personagem mais sui géneris do naipe de gente esgroviada que são aquelas personagens... sim, além de um genial fotógrafo, de um talentoso webdesigner, de um acrobático assistente de produção d'O Cinema Português, este senhor esconde na manga também uma deliciosa faceta de actor...

e a cereja no topo do bolo: íamos ter dois convidados especiais daqueles... basicamente quando surgiu um dos nomes caí literalmente da cadeira onde estava sentada. e a minha amiga fuzilou-me com um dos seus olhares compadecidos.
e de repente lá estávamos. a fluir sem entraves maiores do que ataques de riso. a cair de quatro perante uma Noémia Costa que fez a sua cena brilhantemente em cinco minutos. a partir daquele momento, criámos um novo conceito que, acreditamos, constará nos manuais de cinema - fazer uma cena brilhantemente à primeira é "fazer uma Noémia".
e quando eu pensava que o patamar não podia subir mais, dei por mim a não conseguir gravar uma cena em condições porque o senhor Nuno Markl e uma campainha conseguem deitar por terra 8 anos de experiência de interpretação. ai a risa, senhores.


[para os mais distraídos, o cocuruto de cabelo castanho do lado esquerdo é meu]

aqui fica o meu mais terno agradecimento à minha querida Perche Romero/ Virtuosa Autora/ Doce Amiga, por se ter lembrado de mim. por me dar esta prendinha de anos atrasada deliciosa.
àquela equipa de produção, por ter catering, águas, cobras quando faltou a iguana, tanto gosto, tanto talento, e tanta paciência.
à equipa de actores que criou logo ali o clima que esperamos que se prolongue por muitas temporadas, qual Friends e Seinfeld e Dr. House e quejandos.
aos dois convidados especiais. por virem ali - também eles - por uma fatia de bolo. participar sem dramas nem manias no "lugar às novas".
e ao senhor Markl em particular, por me ter oferecido um robe há muitos anos, que virou inestimável figurino desta mesma série. e por já estar desavergonhadamente a fazer publicidade a este trabalho e a tecer elogios à malta.
de facto, e citando o supracitado humorista, que por sua vez cita um autor de cujo nome não se recorda, esta é "a maior diversão que uma pessoa consegue ter sem tirar as calças". ou a saia. ou o robe.