segunda-feira, 22 de junho de 2009

rotfl

Try JibJab Sendables® eCards today!


eheheheh

terça-feira, 16 de junho de 2009

disco riscado



chega uma pessoa para gravar e está o outro pós-estampado com o braço do rato ao peito.
tu queres ver que os bonecos vão ter ruído?

sexta-feira, 12 de junho de 2009

subúrbio - 03:06 a.m.

da janela vem a brisa fria da madrugada.
pequeno silêncio entre cliques de rato.

- estás a ouvir os sapos?

segunda-feira, 8 de junho de 2009

meias nos pés ou pretérito imperfeito



se há dias que parecem por dizer, é do incompleto pretérito imperfeito onde vives.
onde te vou buscar para um pouco de festas no cabelo ou umas meias porque tenho os pés frios.
os meus pés lembram-se de ti e o coração ainda te ouve cantar. apesar de já não me lembrar da voz sei que era aguda e trinada como nos filmes antigos e não me lembro bem mas era assim. e confesso que se me atravessa um grão na garganta.
há papoilas lá fora. perderam-se da primavera mas fizeram-se à estrada porque as memórias não se esvaem do nosso mapa genético só porque o dia não trouxe sol.
é um consolo pequeno mas é consolo da família do abraço de vento que sinto de vez em quando. não me sais do sangue e da lista das saudades e do riso de miúda pequena e das coisas que dizias que eu digo e que ainda me chamo ao espelho e da obstinação e do revirar de olhos silencioso de quando em vez.
sento-me a conversar com os pés no teu colo.
eu estou bem, sossegada, sossega, em dias azuis como tanto gostavas que eu tivesse. tenho-os aqui, na palma da mão ou não fosse eu polegar das mãos cheias de tinta que sabes que não sou de assim-assim e se não tenho azul vou ali misturar e agarro no pincel com a tua vontade que me sopras no ombro. eu estou bem, já te disse, que os altos e baixos são caminho e os pés doem às vezes mas são os meus pés que o calcorreiam e o peito ainda me deixa recuperar o fôlego. de mãos dadas, contei-te?, sim, contei, que fui logo a correr contar-te desde o primeiro dia em que deixei que me dessem a mão. o que tu te riste, sei que te riste de certeza quando viste os meus olhos espantados a ver, a dizer que deixei que me dessem a mão. por isso o azul, aquele azul, percebes agora?
enrodilho-me meio dorida e olho para as meias nos pés. penso em ti.
feliz aniversário, avó.

domingo, 7 de junho de 2009

paralelismos politicamente incorrectos

devo ter sido das poucas pessoas que em vez de pegar no carro na sexta e só voltar no próximo domingo a casa [isto se não espatifaram o popó nas filas de sexta à tarde], peguei no popó para fazer os 15 km que me separam da junta de freguesia onde ainda estou recenseada, para votar. qual senhor bigodudo pega religiosamente no cachecol, nas bandeiras e na geleira que a Maria encheu de jolas e que vai, ao domingo à tarde - ou à quarta logo a seguir ao trabalho sem passar na casa da partida - para a catedral do seu querido clube, gastar o dinheiro dos livros da escola do mais novo.

devo ter sido das poucas pessoas neste pequeno bairro de subúrbio que ficou a roer as unhas até saírem os resultados da última freguesia, qual bêbado na tasca da esquina já no desempate por morte súbita, enquanto comentava de cigarro no canto da boca os discursos pedantes e desenquadrados daquilo para que foram efectivamente estas eleições, como quem comenta os comentários ao desempenho dos árbitros e os fora de jogo mal assinalados.

e fui com certeza a única pessoa neste pequeno bairro de subúrbio que, assim que viu finalmente as letras maiúsculas no oráculo da SIC Notícias, desatou aos saltos e aos berros como se tivesse ganho o campeonato. só não fui apitar para a janela porque não sou de apitos e a miúda do segundo esquerdo já estava a dormir.

eu sei, são todos uns aldrabões. eu sei, ganham muito e eu não ganho nada com isso. eu sei, não vêm para a porta do teatro com bandeirinhas só porque faço bem o meu trabalho. mas que querem? estava num dia sensível, sei lá.

para quem quiser saber como se portou a sua freguesia, a Comissão Nacional de Eleições está a falhar, mas no site da RTP dá para saber tudo certinho...

[agora aqui entre nós que ninguém me lê: deliciou-me encontrar no rosto de Manuela - apesar do seu impressionante discurso tão bem escrito - resquícios da ministra da educação que outrora conhecemos e amámos, à medida que a sua expressão ia passando de "pronto, vejam, também sou uma cota fixe, também canto PSD olé, desde que não cheire a couratos" para "vá lá agora a sério, essa franja serve para se lembrarem de quem são os vossos pais. e baixem os braços pelo amor de Deus" para "o António Variações - esse famoso ícone do PSD - deve estar às voltas na tumba", para "já me lembro porque é que não posso com menores de 40 anos", com as intervenções etilizadas da claque desembestada, perdão, dos jovens militantes que galhardamente lhe interrompiam o texto].

segunda-feira, 25 de maio de 2009

say it with flowers


© mário sousa

21 de Maio a 6 de Junho . quinta a sábado | 22:00
Lux.Frágil
com | Graciano Dias . Maya Booth . Rita Brutt . Miguel Moreira . Francisco Tavares
encenação | António Pires
texto | Gertrude Stein . tradução | Luísa Costa Gomes
cenário | João Mendes Ribeiro . figurinos | Luís Mesquita
música | Paulo Abelho . João Eleutério . desenho de luz | Vasco Letria
informações no site oficial . espreitem o vídeo no facebook


há coisas que me ultrapassam. não sei porque gosto. sei que gosto. muito.
porque podia ser tudo o que detesto. podia ser frio, asséptico, plástico, estético e só plasticamente estético. podia ser só bonito. podia ser vazio para, como muitos que por aí andam, supostamente pôr-nos a reflectir sobre o vazio. o tal vazio bonito.

mas say it with flowers preenche-me.
não tem uma história para contar. tem algo de burlesco, algo de físico, de coreográfico e, acima de tudo, algo de químico. chamar-lhe-ia a boa e velha alquimia. a alquimia do sentimento sem descrição.
mostra-me, contra todas as minhas resistências, que todo o género de teatro pode ser bem feito. desarma-me olhando-me nos olhos. ri, chora, salta, corre e cai. joga à macaca. descruza-me os braços e depois levanta-me a cara e pede-me um abraço.
o texto de Gertrude Stein não tem histórias. tem música feita com os sons das palavras entrelaçadas. e pronto, é isto. podia ser só isto.
mas através de uma sincronia de estranhos exercícios ou danças de cores e portas de vidro e espelho à vez e a música vibrante entrecortada e a língua que se enrola à volta das letras, 5 actores criam o mundo imaginário de António Pires. e há nele lágrimas a sério, e risos a sério e imagens fictícias de momentos de todos os nossos dias. que arrebatam. mesmo que as palavras não as contem.
é um exercício drenante, o de viver este espectáculo. é sensorial, na total abrangência da palavra.
é estranho gostar disto. mas foi-me estranhamente fácil gostar.
de facto, o Pires é o Pires é o Pires...

aconselho a todos, mesmo aos cépticos à freakalhada como eu.
a temporada - como de muitos espectáculos sem panelinhas - é curta. mas pode-se ficar por lá já a postos para o pézinho de dança.

terça-feira, 19 de maio de 2009

cansaço extremo

durante o dia, estou nas obras em casa de uma amiga. saio de lá para ir dobrar bonecos. volto para as obras. e ensaios a partir das 11 da noite...
a estreia é já na sexta. e as mãos que sentem o tempo que vai escoando devagar, para o momento em que já não poderei fazer nada por eles...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

koniec*



obrigada, Vasco Granja.

apesar de agora eu ser a única pessoa no país a admitir (sem medo de calúnias intelectualóides) que na altura achava os bonecos checos uma seca. são, ainda assim, silhuetas vivas que guardo na memória de dias compridos de algodão doce.

enfim, mesmo assim, sempre criança, a gostar de bonecos. a fazer bonecos.

graças a si.

*fim, em checo.

terça-feira, 28 de abril de 2009

não é demais relembrar

as histórias negras de Black Vox regressam.
desta feita à sala-estúdio do Teatro da Trindade.
não percam.
a sério ;)


...

muahahah

vida de artista

quando preencho a minha declaração de IRS, toda eu sou suores frios e tremores. há um ritual: duas pessoas lado a lado com máquinas calculadoras, somar todos os valores duas vezes para ter a certeza ao cêntimo, cinzeiro a abarrotar de beatas, não saber onde encaixar os rendimentos desta coisa estranha que é ser artista, ler em voz alta a "ajuda" e ficar com a sensação de que afinal somos analfabetos.
depois fica aquele aperto na barriga, um misto de fraqueza e descarga de adrenalina e de "será que foi este ano que cometi a argolada mestra e me vêm bater à porta para me empalar e penhorar os meus dedinhos em praça pública...?"

queria ser rica, só para não ter problemas com isto dos impostos...

terça-feira, 21 de abril de 2009

da construção de uma personagem

há dias na vida de uma "dobradeira" em que aparecem personagens e situações fora do normal. não me refiro a cães ou monstros.
refiro-me a isto:





a profissional da voz pára, inspira e questiona-se profundamente.

ao que soa uma amêijoa em pânico?

como será a personalidade da a mosca paranasal 1, e ainda como será essa personalidade por contraponto à mosca paranasal 2?

segunda-feira, 20 de abril de 2009

um mano de cama

o serviço nacional de saúde tem destas coisas e só agora, uns... errr... dois anos depois da primeira crise é que o homem ficou com os olhos amarelos o suficiente para chamar a atenção dos médicos.
agora já só operando, mas antes só esperando que a infecção estabilize. antes disso, a médica tinha de ir almoçar à uma e meia, por isso mandou-o para casa esperar por uma consulta no posto.
agora já está de scrubs azul cuequinha, dieta zero no soro, droga legal e as manhãs da Fátima. [ai as dores, dona Fátima]

já lhe levei o bloquinho e a caneta e convenci-o a ir-nos actualizado das suas aventuras com a vesícula numa cama nos Capuchos via sms...

fico eu meio desorientada, com uma direcção de actores que só estava a resultar a quatro mãos. é que eu só tenho o dom da estalada e ele o dom de repetir o que já se disse mil vezes de uma forma nova e convincente...

ai, que é dos Coen sem um? hã, mano Coen?!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

valor

há algo de reconfortante no cheiro daquele mofo, naquela subida claustrofóbica torre acima, nas dores das escadas que nunca acabam, no arrastar das palavras em cuecas, na dança das partículas com arabescos de fumo.

são os "já tinha saudades disto" na boca de todos, não só de um ou dois. depois de tão-só duas semanas de ausência. depois de seis meses todos juntos.

sem [a]pesares.

terça-feira, 14 de abril de 2009

a cadela fala e a dona canta

vá de nova série de animação, com estreia na RTP. vá.
agora vá de ter de cantar... vá.
chama-se terapia de choque ao bloqueio mental. de auscultadores nos ouvidos, a ouvir-me a mim e à voz guia, a ler uma métrica duvidosa e vai de suores frios. mas vai de fazer.
olaré se foi.
a ver se começa agora a minha carreira musical eheheheh

sexta-feira, 10 de abril de 2009

como seria de esperar

com as pressas e as atrapalhações e os gritos com o blogger, acabei por apagar as minhas listas de links.
peço a todos os que estavam linkados e que tenham interesse em manter-se aqui na lista do lado mas que a minha memória abandonou, que me dêem uma grande reprimenda aí na caixa dos comentários...

bah...

[isto é... se é que alguém ainda lê esta coisa...]

quinta-feira, 9 de abril de 2009

limpeza facial

quis fazer uma limpeza facial ao polegadas.
claro que, como não nasci para sopeira, isto não me está a correr de feição...
portanto, apesar de o template ser do mais básico que há e já ter feito isto noutro blog, desta vez não estou a conseguir pôr a barra de imagem no topo do blog, nem o texto justificado como pré-definição, enfim...

andarei de volta de html, tanto quanto o tempo me permite.
entretanto vai ficando como está, liso, azul-céu e antracite.

a ver é se recomeço a escrever mais frequentemente, caramba. se calhar é por isso que não me deixa inserir a imagem, está chateado comigo pela falta de atenção...

terça-feira, 7 de abril de 2009

o sangue novo

ontem viajámos no tempo. devagarinho, primeiro de passos envergonhados. os olhos são os mesmos, terão apenas outras histórias para contar. os gestos e os abraços pareciam não ter conhecido mais um segundo. parecia que tínhamos parado no tempo, ou recuado mas no bom sentido. a ida e a volta e as pedras que nos reúnem sem podermos pisá-las outra vez. foi estranha, a sensação. mas familiar, quente e desenvolta. de pantufas, pode dizer-se. no chão empedrado mas de pantufas. com os fantasmas colados às costas. estávamos assim, como sempre e há tanto tempo que não. isso não devia ser possível nestas dinâmicas de grupo.

pergunto-me como teria sido se tivesses deixado este sangue novo correr-te nas veias, nos corredores, sem medo de nós, percebendo que caminhávamos todos no mesmo sentido e com o mesmo respeito. com diferenças mas o amor intacto. onde te queríamos incluído.
pergunto-me se pensarás nisso, lá longe disto tudo mas com essa aura pegajosa que deixaste que nos afastasse. que te mentisse sobre nós. se tens consciência que essa aura é pegajosa e que te mentiu. que te afastou de um novo fôlego. em que seria novo mas contigo. como daquela primeira vez em que nos pediste para não deixarmos o teatro morrer.

ontem senti esse sangue acordar. doeu, que as cicatrizes avisam sempre o tempo.
acordou logo, o sacana. entre frango, alho francês à brás e duas de tinto...
tu, aí, lá do outro lado do oceano, sentiste? é que, num erro de logística, até se pôs a mesa a contar contigo.

terça-feira, 24 de março de 2009

lndn . shortstop

Santa Apolónia . 13:45
com o befe bem assentado já estamos no pouca-terra. parte dentro de 15 minutos, está só a repôr o carvão. vamos no vagão da frente, a levar com o fumo...

Oriente . 14:12
os iogurtes em promoção do Pingo Doce de Santa Apolónia são para consumir até Agosto de 2004 ou Abril de 2008...

Porto . 18:00
sem congestão pelos iogurtes, paragem digestiva pelos preços da bica no magestic

Porto . 18:30
em toda a parte encontramos gente. muita merda, M@nel :)

Porto . 20:30
matraquilhos na sala de embarque, matraquilhos na sala de embarque, matraquilhos na sala de embarque!

Ar . 21:40
bless you diazepam!

Stansted . 00:20
não fuma, corre para o comboio. comboio vomitado. não fuma, mas também não respira.

Lndn . Liverpool St . 01:50
autocarro de madrugada, de 15 em 15 minutos. cheio, utilizado. ah, isto é civilização.

Lndn . Camden Town . 02:20
um homem já aviado pára em trip onírica a olhar para as bolas do meu casaco. outro está em movimento interno a olhar para um copo pousado num beiral.

Lndn . Fdnd place . 02:30
best. flat. ever.

Lndn . Camden Lock . 12:00
invoco os deuses do paracetamol de 35p. este mundo é pain free. e com bancas cheias de roupa e antiguidades para levar. pequeno almoço no Lock.

Lndn . La Strada . 14:00
almoço de grupo. massa em vez de pizza. e a galeria da Getty aqui ao lado.

Lndn . Leicester Sq . 18:00
3 pashminas por 5 quids. um par de óculos por 5 quids. e o quid está igual ao euro.

Lndn . Covent Garden . 18:30
flapjacks e concerto de música no meio da rua. Boots para pague um shampoo e leve 2, anti-histamínicos a 2 euros e mei0.

Lndn . hmv . 19:00
raismeparta os preços: novo cd dos Franz Ferdinand a 7 euros, packs de séries completas a 50, filmes acabados de sair a 13. iPods a metade do preço. eles ganham 4 vezes mais... e à semana...

Lndn . Leicester Sq . 19:30
expresso Delta no west end!

Lndn . West End . 20:00
aqui fazem fila à porta do teatro antes de abrir, meia hora antes do espectáculo, comem na sala sem fazer barulho e a porta fecha à hora.

Lndn . Avenue Q 20:30
best . comedy musical . ever. Generation X meets Sesame St.

Lndn . Avenue Q . 23:00
I wanna be the Bad Idea Bear!

Lndn . Soho . 23:30
wandering. os bares já estão a fechar e mundo já etilizou. a tempo de curar a ressaca para amanhã de manhã.

Lndn . Camden . 00:00
Londres é dançar a 9ª de Beethoven na Proud.

Lndn . Fdnd Place . 03:00
doem-me os pés. a alma ri à gargalhada. waffles aquecidas com manteiga e doce.

Lndn . Camden . 12:00
um vestido fifties para mim, t-shirt do super mário para ti. um mundo de chapéus dos anos 20 a pedir para vir em excesso de carga. e almoço de grupo no Strada. pizza em vez de massa.

Lndn . Oxford St . 15:00
Muji rules. um iPod a metade do preço na mala.

Lndn . Fdnd Place . 21:00
fazer o jantar para os meus meninos. Franz Ferdinand no iPod. último cigarro no terraço.

Lndn . Fdnd Place . 08:00
beijos, queijos. see you soon.

Portugal . Ramada . 20:00
café com papás, e o mundo no buxo.

domingo, 15 de março de 2009

um fósforo

cheguei para o colo do meu encenador: "O senhor presidente entrou por aqui adentro e disse logo, antes de pôr os olhos na exposição da Agustina: vim ver a Puligari". risos.
cumprimentar os amigos de sempre, que por acaso ou não, partilhariam a tela comigo.
fugir dos flashes e baixar a cabeça nos discursos.
e alea jacta est.
a cadeira já doía no rabo, ainda nem íamos a meio. o senhor presidente velava-nos lá do camarote. aguardava-me, com certeza, ri-me.
o fado de Simone de As Vedetas cumpriu-se em grande escala: ou puta ou criada, a criada já está.
reconheço o ensemble da cena. enfio-me pela cadeira abaixo, sapatos adentro.
os meus 20 segundos.
o resto é o resto é o resto. cinema português é cinema português é cinema português.
sair porta fora a rir à gargalhada, de coisas pequeninas se torce o pepino.
puxam-me pelo braço. estavas tão bonita. como assim? ias tão bem! mas mal se vê.
diz quem sabe - ou acredita - que a magia se fez nas pequenas coisas. não sei, mal vi, enfiada lá em baixo, dentro dos sapatos apertados.
ficar em cigarros com os de sempre, assinar dois autógrafos para amigos "desta tua estrela sem créditos", sorrir ao realizador querido, não querendo incomodar em noite de tantos abraços mais importantes. um destes dias cruzamo-nos por aí num café ou uma cerveja e logo lhe agradeço não me ter cortado a cena.

aparecer no grande écran - check.
mais um para a história da menina dos fósforos.

domingo, 8 de março de 2009

Black Vox - histórias negras em teatro de terror



textos e encenação . Ana Lázaro, Patrícia Andrade, Ricardo Neves-Neves

com . Ana Lázaro, Patrícia Andrade, Ricardo Neves-Neves, Sílvia Figueiredo, Vítor Oliveira
vídeo . Dora Carvalhas
curta de animação . Solange Santos e Mário Sousa [polegarfilmes] a partir do texto de Ana Lázaro


Casa Conveniente
| 6 a 15 de Março | todos os dias às 21:30

Teatro da Trindade | 29 de Abril a 17 de Maio | 4ªa a Sáb às 22h . Dom às 17h

bilhetes . 7,5€ . normal | 5€ . para jovens até 30 anos, maiores de 65 anos, profissionais do espectáculo, grupos de mais de 10 pessoas, coveiros, talhantes e médicos legistas

info e contactos: 964096484 | 913938899 |
www.teatrodoelectrico.com


chegada de Braga, passei a última semana e meia a recuperar um trabalho de 3 semanas que se tinha evaporado no éter digital de um velho programa de computador. quinta-feira à noite, depois de várias madrugadas e uma directa a trabalhar ininterruptamente [saindo apenas de frente dos fumegantes computadores para ir fazer espectáculos], finalmente entregámos o material.

valeu a pena.
não fazia ideia de como iria resultar no enquadramento final do espectáculo. sabia apenas o contexto, muito por alto. deram-nos o texto e fechámo-nos em copas com ele e maços de cigarros e café e dores nas articulações. nem a autora opinou grande coisa depois do storyboard.

assim, nesta sexta-feira, lá fomos para a Casa Conveniente ver se as peças encaixavam.
e encaixaram.
Black Vox é um espectáculo de pequenas peças curtas de terror, escritas e encenadas por alguns elementos do grupo que lhes dá corpo. com muito humor negro, daquele de que gosto. despretensioso, bem dito, bem interpretado, com variações entre a poesia, o corpo, o vídeo, a animação e a comédia. todos os textos são bons, e nem os nervos da estreia atabalhoaram o andamento. a Casa Conveniente, com o seu ar baffon [podia dizer urbano-decadente-chic, mas não me apetece a freakalhada], é o cenário perfeito e Hugo Franco fez magia com a simplicidade de algumas lâmpadas espalhadas pelos recantos do espaço.
são todos bonecos pálidos, estranhos, figuras conhecidas do nosso imaginário. e brincam bem com isso, sente-se que gostam de nos provocar e de lamber sangue das paredes como quem diz um poema bucólico. não há que ter medo de que nos façam rir: o mórbido saboreia sempre dois lados e um é o ridículo dos nossos medos. consequências de uma geração Tim Burton...
há sempre os preferidos mas nem entro por aí. não é preciso destaques, essencialmente esta peça é um corpo só. com cabeça, apesar do tema.

recomendo a todos que a apanhem ainda na Casa Conveniente. o ambiente é qualquer coisa. para quem não sabe, o espaço leva pouco mais de 20 pessoas de cada vez, portanto apressem-se.
o mais provável é cruzarmo-nos por lá, que eu vou voltar.

ah, e depois contem coisas acerca de uma curta de animação que por lá aparece... muahahah ;)