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Mensagens

a posta de natal

este ano a coisa anda complicada. embora às vezes até tenha algum tempo, nesse mesmo tempo encontro-me num estado vegetativo de fazer inveja a muito tubérculo. a nível mental, também, vaziazinha de ideias ou de memórias de momentos destacáveis para colar por cá. no entanto, muni-me de uns fiapos de força que encontrei por aí, arrastei comigo o namorido, e aqui está o nosso vídeo de natal. com música, animação e, claro, gorros vermelhos. fiquem bem. aconchegados, a entupirem-se de doces como manda a tradição :) eu vou ali recolocar-me a soro a ver se recupero.

29

foto roubada à Manel meia-noite com a alcateia, pequeno-almoço na cama, estrelas de feltro ao lanche com a boneca. passeio de mãos dadas a olhar para a nossa amiga que, só hoje, trazia brincos*. seria para a minha festa? *vénus e júpiter, amor e criação do dia, segundo uma especialista da coisa.

bonjour

o ambiente no meu camarim é geralmente épico. língua afiada e pouca cafeína, acho eu. portanto entro, maquilho-me a contar até duzentos para não rebentar com as enormidades que se vão acumulando no ar, e saio a abrir para aquecer no corredor. no entanto, hoje aconteceu um pequeno milagre. os clássicos da disney, em brasileiro, salvaram a minha manhã. e por isso, agarrei a oportunidade e cantei tudo o que me lembrava, fazendo as vozes de todos os personagens incluídos em cada número. em plenos pulmões. eu, que não canto. só por um bocadinho de paz, de gargalhadas com gosto enquanto pintava [literalmente] o focinho.

tu és tão grande

deixa-me ver a tua mancha. mas és uma pessoa, não és? vais sair daí? mais ou menos. [isso de] ir ou ficar. onde estaria? descansar. sim. só.

são martinho

foto de espanta-espíritos por estes lados a rua fria ainda cheira a lume. em casa, uma manta, o aquecedor e a nossa mistura perfeita das melhores tradições: castanhas no forno e vin chaud .

pânico combustível

na bomba de gasolina, ouve-se a voz roufenha de uma rapariga da caixa: - senhor da bomba cinco, desligue o telemóvel. começam a rodar cabeças à procura do imbecil. volta a voz, um pouco mais alterada: - senhor da bomba cinco, por favor desligue o telemóvel. vemos o imbecil, continua imperturbável - vá, talvez o barulho do intercomunicador esteja a chatear um bocadinho, mas pronto -, telemóvel numa mão, mangueira de abastecimento na outra. esbracejamos, mas nada. eu começo a gritar na direcção do imbecil, tentando comunicar pelo único meio que acho que ele compreenderá: "ó senhor! trrim-trrim não! gasolina! fssst cabum! morrer! explosão! dói!" a menina da caixa insiste, cada vez mais nervosa: - senhor da bomba cinco, é proibido falar ao telemóvel. está a ouvir? desligue o telemóvel. senhor da bomba cinco? o meu namorido começa a encaminhar-se na direcção do imbecil, fazendo-lhe sinais para parar. abana-o para ele levantar os olhos. ele lá se apercebe que a conversa é com ele e...

quando se pensa que já se viu tudo

vai-se comprar farinheira ao supermercado e vê-se numa estante um Trivial Pursuit edição DVD... porque deve dar muito trabalho às novas gerações essa coisa de atirar os dados ou mexer o queijinho. chega-se a casa e, abananadamente, descobre-se que até há a versão digital do bicho, tipo Game Boy, ou para os mais modernos, vá, PSP, para acabar com o incómodo dos cartões... medo...

um pedaço de história americana

nos bastidores de um teatro em Lisboa, uma colega estava quase histérica no camarim, de contente. durante o aquecimento, em vez de "força, merda", gritou-se "Obama". soube por fonte fiável que noutro espectáculo uma "menina" da Brízida Vaz também gritou, mas em cena, pelo Obama [aqui entre nós, lixando um bocado toda a dramaturgia do Gil Vicente, eheh]... hoje está tudo parvo em bom. faço parte desse sentimento. sei que um homem não resolve uma crise mundial, mas identifico-me mais com as suas intenções e planos práticos do que com outros. e sei que, acima de tudo, um povo inteiro que vivia arreigado numa pequenez de espírito assustadora deu um passo incrível por cima dos costumeiros preconceitos fúteis para acreditar na força e propostas desse homem. e como, por acaso, esse povo tem uma influência gigantesca em tudo o que se passa por todo o lado, eu agradeço.

adenda do dia não senhor

descobri entretanto que a causa de o meu despertador não ter tocado foi, literalmente, isso: o altifalante do telemóvel [meu despertador] pifou. assim, da noite para o dia. portanto agora o piqueno não toca, só vibra. também não posso falar em altavoz no carro. o que me vale é que com auscultadores ainda posso ouvir música no metro... para breve, o enterro do dito pequenito, que não sei bem como vou substituir... ADENDA DA ADENDA: o namorido lá me esventrou o telelé e arranjou-o! iupi!

dia não senhor

acordo com um telefonema, a patroa a perguntar onde estou. no momento em que pego no telemóvel começo a hiperventilar. faltam 20 minutos para a peça começar. gaguejo qualquer coisa como "ah uh ah ghlagh tou ah a ir agh" e desligo. 3 minutos depois, estou montada na mota a repetir autisticamente "faltam 17 minutos, faltam 17 minutos, eu não acredito nisto, faltam 17 minutos", de dedos cravados nas costas do namorido - ensonado, atordoado e petrificado de medo porque nunca por nunca gostou de conduzir a mota à chuva e, claro, hoje choveu, daquela chuva que transforma o chão em manteiga, mas por isso há mais trânsito, por isso nem tempo para carro nem para metro. na antónio augusto de aguiar atendo outra chamada da patroa e tento explicar, agora mais articulada, que o despertador não tocou, que a única coisa que me separa do teatro são os semáforos - todos vermelhos, como convém. explico que se não me caracterizar para a primeira cena, são 30 segundos para me vestir e ...

sonoro

descia descuidada a avenida, restituída à ordem natural depois do fim de semana de sete milhões de euros que legalizaram - temporária e exclusivamente - as corridas de carros, o tuning e o barulho excessivo em áreas residenciais. [by the way, o público surpreendeu-nos, recusando os apelos da grunhice intrínseca de cada zé tuga, enchendo-nos a sala apesar do circo à porta, das estradas fechadas, do incómodo de mudança da hora, do sol lá fora e nós aqui. amén a todos vocês, benditos anónimos, que nos forraram a plateia com mais de seiscentas almas receptivas e bem dispostas.] mas dizia eu que descia a avenida. passando o nevoeiro das castanhas na esquina, evito que uma senhora seja atropelada na passadeira e continuo na luta interna de conseguir chegar à mala apesar das várias camadas de roupa, do capacete, do desastre natural da minha pequena estatura que não me permite equilibrar tudo nos braços. tiro o sete colinas e o telemóvel, carrego no play. já vai a meio a canção e é das que dã...

do que há-de vir

a caminho do trabalho, um taxista pára para deixar a mota passar. dois tiochos daqueles que costumam ser pedantes e nem olhar para o lado [desses que aparentam não ter problemas de créditos, euribores, nem de combustíveis a julgar pela assentadura] abrem as alas dos espelhos - eléctricos - também para nos deixar passar. ao telefone, massajam-me o ego profissional. duas vezes. e, já em casa, um senhor da cabo liga a oferecer um desconto na factura mais telefone grátis durante um ano. o namorido põe-se a arrumar as gavetas. e isto . que não sei se ria, se chore. e tudo faz sentido quando uma senhora no intercomunicador do prédio me pergunta se eu acho que Deus vai resolver o problema do aquecimento global e da bacarrota da Islândia. mais descansada. afinal são só sinais do apocaliptro ...

paracetamol

o corpo em descanso, pela primeira vez de dois meses de tensão, em vez de ficar agradecido, vinga-se da negligência com dores absurdas em sítios que pensava que não tinham terminações nervosas, a cabeça pesa mais do que o pescoço aguenta, os olhos querem saltar das órbitas e é toda uma moleza inominável que me prende impotente ao sofá. assisto às mudanças de luz na sala, que lambe as paredes devagarinho, destaca e esconde os títulos dos dvds, dos livros. e penso que devia ir aspirar o chão. tinha coisas para fazer. apetecia-me sair de mão dada, apanhar ar, comer travesseiros ou castanhas ou sushi, comprar um casaco, ler um livro de fio a pavio, acabar o quadro grande, e essas coisas que andei a adiar. apetecia-me convidar amigos para um café, um filme, qualquer coisa que me fizesse sentir acompanhada, descontraída, com vida pessoal outra vez. tudo engolido por uma dolorosa apatia. quebrada apenas pelo ritual de, às 8 da manhã, dar um salto na cama a pensar que estou atrasada para os en...

contagem decrescente ou it's a jungle out there

um elefante com uma luxação, um impala com um torcicolo, uma tribette com os ombros inflamados, outra tribette a recuperar de uma pneumonia, uma elefanta bebé com quebras de tensão, uma criança-mona com alergias e um elefante-macaco substituto que tem dores só de vestir o fato. a girafa mais pequena do mundo com os dedos dormentes. faltam 3 dias...

malas aviadas

começa agora a contagem decrescente. fazer as malas para viver 5 meses num teatro é muito parecido com a preparação de uma viagem de campismo. mas leva-se mais mariquices de gaja...

funny face ou havia muito a dizer acerca disto

You Scored as Audrey Hepburn Audrey Hepburn 75% Betty Page 69% Mae West 69% Betty Grable ...

seis horas

de suor a derreter no peito de asfixia de ácaros na garganta de cinzento de pó de pés em meia ponta de costas encaracoladas de pontadas nas mãos de deixas penduradas de dedos esvaziados de recusas de vontade de noites de tinto de incongruências de gripes de ânimo enfraquecido de ego que nem com muletas de ausências de desorientações de cadeiras partidas de cigarros a meio de fitas de amuos de idiotices de palermices de risos cansados de dias que já se esvaíram quando se sai para a rua sem os ter visto.

cabaret

teatro maria matos até 28 de Dezembro Adriana Queiroz, Ana Cláudia Ribeiro, Ana Lúcia Palminha, Bernardo Gama, Carlos Gomes, David Ripado, Dima Pavlenko, Fernando Gomes, Henrique Feist, Isabel Ruth, Meredith Kitchen, Paula Fonseca, Pedro Laginha, Sandra Rosado e Sara Campina. encenação de Diogo Infante bilhetes entre 15 e 25€ já toda a gente sabe que a minha vida é um musical, que nasci na época errada e com um estranho pânico, vá, respeitinho encolhido por cantar em palco. sendo este musical um off-La Féria, não me podia escapar. aviso já que neste género quero ser bem servida, quero tudo - porque já vi o tudo - mas, mais do que esperar cantores exímios e dançarinos exemplares, vou à procura de representações poderosas que elevem as notas musicais ao tão estimado arrepio. já se sabe que vamos entrar numa Alemanha quasi-nazi, num submundo boémio e nas relações e ralações dos vibrantes seres desse mundo e dos que o rodeiam. não querendo ser acusada de fornecer spoilers, fico-me por ...

cinzentamente

sair porta fora e o mundo está pendurado nas pálpebras, pressiona-as de maneira a que tudo se veja apenas por entre as aranhas das pestanas, em cinzas vários e cada um mais desinteressante que o outro. terá sido falta de café, mas há dias despojados de toda a boa intenção. que nos é sugada por antecipações, previsões, confirmações. interjeições. sim, essas são as piores. a interjeição do ego, essa cabra. que salta e arranca um braço a quem já estava de mãos preparadas para a defesa - dizem que é o melhor ataque, mas tinham de conhecer certas interjeições. e a dor de cabeça, claro está. terá sido falta de café. ou falta de força. ou repressão de força para um bem maior que já não se sabe bem qual. e palavras ditas em desdém, e desdenhadas e desenhadas com tanta força que a ponta do lápis parte. cansa. a doença alheia que calcorreia corpos, suga e cospe os despojos do que fomos. há coisas que nos absorvem e não nos devolvem e vamos para casa à procura de onde estamos. mas deve ter sido f...