Pergunto-me o que acharias acerca desta demĂŞncia toda, desta distopia rocambolesca mas ainda assim nĂŁo suficientemente diferente do “normal”. Deste bailado em corda bamba da auto-idolatria com os gestos incrivelmente abandonados de ego. Desta atrapalhação profundamente honesta e refinada que se aprende fazendo e se desfaz em ilusões como uma teia fininha. Deste viver no presente forçado, fincados no agora atĂ© Ă dor no pescoço porque agora Ă© que nĂŁo sabemos mesmo o que vem depois de amanhĂŁ. Provavelmente discutimos aces amente sobre uma merda polĂtica qualquer que nĂŁo controlamos, para a seguir nos estarmos a rir cĂşmplicemente de qualquer coisa pouco apropriada. Cheira a grelhados, que o vizinho tem quintal, e aĂ a coisa custa mais. Esse peso bom da mĂŁo inteira na cabeça que me guardava a inquietude faz falta. Distopia Ă© nĂŁo estares aqui. O resto aguenta-se com um cravo ao peito. Contigo cravado no peito.
sabes quando te revisitas e já não te encontras? não sabes o que fazer de ti contigo. as perdas têm sido valentes, as estocadas mais fundas. pensei que por agora a pele estivesse mais grossa, mas não. pensei que estivesse de pés assentes, mas há força nas pernas. perdi o meu pai. perdi o meu chão. espero por uma fase boa. em que esteja tudo bem, organizado. nem que venha depois outra ventania, mas um pedaço de vida em que tudo esteja no seu lugar. só por um bocadinho. mas não. as peças estão espalhadas, quando começo a arrumar umas, caem ao chão as do outro canto da vida. um empilhar de pratos num tabuleiro demasiado cheio, que não se tem oportunidade de ir despejar à cozinha. até as metáforas me saem avariadas, já. tabuleiros de cozinha é o que me sobra. isto são metáforas, certo? é um padrão, o padrão caótico da minha vida, que tento desenhar em palavras que já não tenho. quero despejar-me aqui mas não sei bem como. os medos continuam, sabias? estão piores, diria, porque...