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A mostrar mensagens com a etiqueta [d]o outro lado - moviezz

check-out

uma sexta-feira, às sete da tarde, tiraram um género de dentro de um chapéu. não gostaram e tiraram outro. Mistério. levaram uma frase, uma personagem e um objecto obrigatórios. mandaram um e-mail para o outro lado do Atlântico e do lado de cá começou a espera. 3 horas depois chegou um texto, ligaram-se skypes e chats, distribuíram-se personagens, definiu-se o plano de trabalho, adereços, roupa e marcou-se uma hora para encontro no dia seguinte. a essa hora estavam lá todos, textos na mão. uns montaram equipamento, outros vestiram-se, maquilharam-se e ensaiaram. depois foi-se gravando, rindo, gravando, enervando, rindo. a avó Fernanda fez o almoço. às onze da noite foi declarado "that's a wrap" e deu-se o último aplauso no décor. depois foram para casa, uns dormir, outros editar, tratar som e imagem. às sete da tarde de Domingo, entregaram uma história com 8 minutos. na sexta seguinte, chegaram para ver o seu trabalho num cinema. ficaram contentes por o trabalho ...

um fósforo

cheguei para o colo do meu encenador: "O senhor presidente entrou por aqui adentro e disse logo, antes de pôr os olhos na exposição da Agustina: vim ver a Puligari". risos. cumprimentar os amigos de sempre, que por acaso ou não, partilhariam a tela comigo . fugir dos flashes e baixar a cabeça nos discursos. e alea jacta est . a cadeira já doía no rabo, ainda nem íamos a meio. o senhor presidente velava-nos lá do camarote. aguardava-me, com certeza, ri-me. o fado de Simone de As Vedetas cumpriu-se em grande escala: ou puta ou criada, a criada já está. reconheço o ensemble da cena. enfio-me pela cadeira abaixo, sapatos adentro. os meus 20 segundos. o resto é o resto é o resto. cinema português é cinema português é cinema português. sair porta fora a rir à gargalhada, de coisas pequeninas se torce o pepino. puxam-me pelo braço. estavas tão bonita. como assim? ias tão bem! mas mal se vê. diz quem sabe - ou acredita - que a magia se fez nas pequenas coisas. não sei, mal vi, enfiad...

por uma fatia de pão-de-ló

eu e a Câmara Lenta conhecemo-nos há muitos anos. desde um projecto de leitura dramatizada na escola que ganhou tais dimensões que teve de subir para um palco. com lata para reposição e tudo. tempos de reuniões de 20 pessoas, em que todos fazíamos tudo, planeando minuciosamente os desastres à volta de uma mesa com pão-de-ló da avó desta mesma "pequenita". já na altura, se revelava moça com um humor desmedido e uma maturidade acima da média. desde sempre a chateei. escreve. escreve. insiste. nós fazemos, nem que seja num vão de escada. quando acredito no talento das pessoas tenho este problema. e ela muito hesitante, a dar passinhos de bebé. e eu a chateá-la sempre que a apanhava a jeito. mas a acreditar que um dia ia acontecer. e chegou o dia. um telefonema: um piloto. sem garantias, logo se vê no que dá. a minha resposta? "sim, sim, e há pão-de-ló da tua avó?" havia... este fim de semana acordei às 9 da manhã, contentinha como uma criança com um caderno novo. [eu,...

polegar no cinema português

hoje foi o dia da "rodagem da cena com deixas". o nervoso miudinho ainda não tinha acordado, já eu tinha gravado. é que o despertar foi às 6 da manhã, entenda-se. chegar, comer uma sandocha, maquilhagem, cabelos, troca de mimos com o ex-patrão no cigarro da espera ["você nem imagina as saudades que eu tenho de si, minha cara", disse-me ele, e eu de lágrima de crocodila - oh - que - peninha - que - saudades - tenho - eu - do - escritório - e de - sua - azia - matinal quase quase a rolar-me pelo rosto se não fosse a pintura poder esborratar]. em bela diva meio acabada vou ao guarda-roupa e lá está o meu fardamento de criadinha insular do século passado antes do século que já é passado mas que eu não me habituo. vestidinha a preceito, já temos a perfeita mulher do campo, delicada mas vigorosa, com rosetas fornecidas pela secção das pinturas, e só me lastimei de não ter deixado crescer a sobrancelha-monocelha para ficar mais autêntico. e de não me deixarem fazer a coisa...

the extra

pediram-me que escrevesse, e escrevi. afeiçoei-me ao senhor e foi com um gostinho adocicado na boca que soube que ele tinha conseguido levar a sua avante e que os meus dedos tinham dado um pequeno contributo para isso. depois fugi, como se sabe, dos dias cinzentos, à procura de luz e de pinturas que me devolvessem a cor à cara. não sei por quanto tempo, mas isso agora não interessa à conversa. há pouco tempo inscrevi-me numa nova agência, onde trabalha uma colega minha. "procuramos actriz entre 20 e 30 anos, sem madeixas" - não se vê logo que sou eu? conhecendo a minha história, não hesitou em ligar-me: há aqui a hipótese de uma participação pequena no filme do teu amigo. o cachet é uma merda. queres? por acaso até quero. se andei com o bebé ao colo, agora, se posso, quero ajudá-lo a andar. fui, assim, conhecer o glamoroso mundo do cinema. num ambiente bastante aconchegado, ou não conhecesse eu mais de metade da equipa. incluindo os senhores do topo. todos acharam imensa graç...

wannabe: o regresso

pois que através de um contacto de uma colega de há muitos anos, que lá pelo seu lado conseguiu chegar a um confortável sucesso entre novelas e anúncios de tv, me chamam para um casting daqueles ... já não lhes sentia o cheiro há muito tempo... mandaram-me um mail com as horas, o local e o texto... uma dessas pérolas das novelas juvenis. nem vale a pena falar na qualidade do que ali se dizia, do mais puro português suburbiano, da viragem retorcida da cena em 6 deixas... uma treta. mas eu não nego nada. ainda sou das inocentes que acredita que se algum dia puder mostrar a alguém importante um trabalho bem feito, seja em que área for, pode ser que consiga vingar. claro. o texto no mail era só o seguinte: procuram-se jovens entre os 18 e os 23 anos, bonitos, com ou sem acting para protagonizar nova novela da NBP ... com ou sem acting, mas bonitos, hã? são só os protagonistas... aquilo desmoralizou-me, obviamente. do alto do meu metro e meio e uns trocos sou a típica portuguesinha... nem m...