Avançar para o conteúdo principal

flores cor de laranja

neste momento começo a habituar-me à solidão.
com o computador e um maço de cigarros por companhia, e a rádio online ligada quando o modem está bem disposto e deixa que me cantem sem soluços.
ninguém põe os pés no escritório. da minha parte, também a vontade de trabalhar é pouca... só cá estou mesmo porque preciso. muito.
assim devagarinho já lá vai um mês. continuo a habituar-me a uma nova forma de desorganização. as minhas gavetas continuam vazias. à espera de tempo e dinheiro para as preencher.
no entanto, tenho uma nova companhia: um vaso de pequenas flores cor de laranja.
sempre gostei de flores. gosto tanto delas que não queria saber que por esquecimento meu (que eu sou cabeça no ar) acabariam por morrer de sede, sombra ou insolação... por isso nunca tive.
diz-se que primeiro estranha-se e depois entranha-se. até agora, tenho-as regado sempre, subo o cortinado para apanharem luz, desço o cortinado se o sol lhes bate de frente. parecem bem dispostas, todas bem abertas, e com muitos botõezinhos novos.
são de uma cor que agora não prescindo. dá energia e boa disposição, e isso quer-se aos quilos.
e olho em volta, neste espaço grande e renovado, de paredes brancas e mupis pendurados. 3 secretárias vazias e eu. os velhinhos Aerosmith perguntam "how high can you fly with broken wings".
miro as florinhas solitárias ao pé da janela.

o sol resolveu brilhar por um bocadinho. vou ali ao pé delas ver se aqueço. se faço a fotossíntese. se me preenchem de cor-de-laranja.

Comentários

Paulo disse…
Trocava Icarus por conseguir sentir o chão...

Mensagens populares deste blogue

writer's block

considerando o Polegadas, imaginem que faziam um post para aqui. sobre o que seria e porquê? se quiserem, enviem mesmo um texto. quem sabe não sai publicado... ;)

wc cheap&chic makeover

ora passámos disto para isto quem diz que uns pés-descalços do subúrbio não podem ter um Roy Lichtenstein na banheira? com direito a um armário exclusivo para viagens sensoriais ao passado, recheado de pequenas antiguidades da higiene e cosmética por nós coleccionadas através de incursões a drogarias de bairro. trabalho feito por uma equipa de dois, em 8 dias, por um terço do preço que custaria mandar fazer por "profissionais". há por aí alguém que precise dos nossos serviços de consultoria? fazemos orçamentos grátes e vamos a casa...

conjecturas de inspiração vagamente escatológica*

*que se transformou num romântico dueto de classe - ou dinâmica de um relacionamento condenado à partida a um abanamento de cabeça enquanto se rumina entredentes o[s] ditado[s] "só se estraga uma casa" e|ou "um diz mata, o outro diz esfola" eu só disse mata : há qualquer coisa de big brother nas engenhocas públicas demasiado modernas. eu já brincava com os parques de estacionamento em que uma voz diz "bem vindo ao parque não sei do quê, insira o seu cartão. obrigado e boa viagem". dizia "a senhora deve sofrer muito, ali enfiada todo o dia". ou "diz-se obrigadA, ó estúpida". mas pronto, passava. agora mais tétrico é nas casas de banho... não sei. aquela coisa de uma pessoa fazer o xixizito [meio de pé para não contactar com nada daqueles cubículos] e ainda está a subir a calça já o autoclismo, por sua auto-recreação, faz a descarga, no "exacto momento preciso". não sei. fico sempre a pensar se o sensor não será uma aldrabice. s...