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enquanto houver estrada para andar



se tudo fosse asfalto. se tudo fosse o vento a envolver-me em giestas, pinheiros e eucaliptos. se tudo fosse um horizonte que se desnivela conforme as curvas da estrada. se tudo fosse já ali, não interessa onde. o calor a lamber-me o suor, o frio a rasgar-me os olhos. a sombra presença constante nos riscos, socalcos e vegetação, nos verdes, nos ocres, nas papoilas, nos prédios, nos girassóis. os mapas e as decisões aleatórias, como as linhas das mãos. um tecto enrolado atrás de mim, ou a vaga ideia de uns lençóis brancos algures. se tudo fosse o teu cheiro a brincar nos meus cabelos. o ronronar do motor e o recorte perfeito do teu pescoço. se tudo fosse o adejar da tua camisa, para o assomar das tuas sardas onde passeio os dedos, onde descanso enfim.

Comentários

Anónimo disse…
...a gente vai continuar...
Anónimo disse…
o toque da tua mão no meu pescoço faz com que as estradas não queiram ter fim, que cada km queira ser mil, que cada curva deseje não seja a última, que cada desvio nos leve mais longe. tudo porque tua mão toca no meu pescoço e a minha pele pede mais.
Anónimo disse…
que dizer? fica o arrepio. o resto, guardo no cantinho dos sentimentos bonitos e fugazes. como aliás, de cada vez que te leio acontece...

beijos
Anónimo disse…
É isto que me faz acreditar. Obrigado. :)

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