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balançar

não gostei de dar por mim a fazer balanços quando pisei a terceira década.
de que serve encostar-me à ombreira da porta e olhar para a sala a ver o que lá está e o que sempre pensámos que por esta altura já devia lá estar? sabemos bem que o que está foi o que se conseguiu, que luta não falta por estes lados.

ponho de lado esses balanços e enveredo por outros, que o que me faz falta é rir. nesta vida que se me apresenta, há sempre factos curiosos...

ainda posso fazer compras na secção juvenil, mas quando acho que algo está mal, ainda armo arraial como se tivesse 2 metros de altura
ainda não tenho celulite
apesar de já estar na idade de usar creme anti-rugas, ainda estou a lutar contra o acne eventual
ainda sei de cor grande parte da primeira peça que fiz há... uns bons 10 anos. mas não sei o que é que comi ontem ao almoço. (bem, se calhar foi porque não almocei)
com meia dúzia de anos de vida nas dobragens, já dirigi uma boa dose de dinossauros com resultados extremamente positivos
ainda não me levo demasiado a sério, mas encho-me de medos a cada novo trabalho
ainda morro de medo de cada vez que tenho de cantar em público mas a minha vida não deixou de ser um musical
ainda gosto de cerelac
quando danço ainda faço coup de pied
ainda choro quando vejo um bom espectáculo de teatro
sou adepta ferrenha da utópica meritocracia
ainda prefiro papel e caneta, apesar de ter aderido aos computadores
apesar do facebook, ainda escrevo no blog
da empresa de onde me despedi há três anos - a bem da minha saúde mental e profissional - ainda me telefonam de tempos a tempos para pedir um código de internet que, já avisei mil vezes, não faço ideia de onde ande.

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