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Mensagens

feliz[es] aniversário[s]

este ano não há páginas enrugadas de um mapa, mochilas pesadas prevenidas penduradas, não há línguas estranhas, banhos de saberes, de gentes diferentes, de espíritos surpreendentes, ruas perdidas onde nos encontramos e ponderamos como seria. não há tea cosies nem vin chaud , não há east enders nem patisseries nem a parada das princesas. por isso te peço desculpa. no entanto, há a fuga. sempre a fuga, para a frente, onde fica o caminho, onde fica o regresso. há a estrada, sempre a estrada, que desembrulhas de vento e de prados que vais conhecendo de cor, no trilho das mãos que já não se separam. há regressos e silêncios pejados dos sons e dos cheiros que não te comprimem o espírito. há os dias que passam lentos mas não doem ao roçar-nos. haja paz.

fechos e cadeados

cerrou-se outro pano, hoje, sem haver pano para me fazer desaparecer. não há cortina nas pedras, apenas passos que desaparecem ao fundo da escada em caracol. depois dos últimos aplausos, a sensação de vazio que por enquanto consegue ser racionalizada. juntar as cartolas e coelhos dentro de um saco de feira, empilhar escadas que são barcos e fechar a porta com a chave de ferro. devagar, em passos mansos e decididos chegará o resto, o aperto dormente da repetição de dias sem grande sentido para uma alma que não se consegue encaixar na mala de viagem que a vida lhe preparou. de há algumas vidas para cá, em cada vazio com que me deparo, sempre me salga o rosto a dúvida. se dependerá ou não de mim fechar a cadeado estas páginas de felicidade, de peixe na água. se não me estarei a desperdiçar em esperanças, procuras e esperas vagas. se não estarei a arrastar mais dolorosamente do que o necessário a inevitável presença de um futuro que num compasso cada vez mais decidido parece que me rodeia ...

diz que estimula o neurónio, diz que sim

fui galardoada com o chamado prémio do estímulo do neurónio. houve um gajo qualquer que se lembrou disso - uma espécie de "olhós meus favoritos" -, e que acrescentou, com grande visão, um logótipo para a coisa. depois foi passando em cadeia até chegar à blogolândia lusa. pois que assim abordou os ecrãs de dois imberbes [ este e este ] que, de forma totalmente imparcial [cof cof], me nomearam a mim como uma blogueira que, obviamente , pela sua mui espectacular escrita, verborreia mental, vivências originais, cáustica ironia, acutilante informação cultural, assiduidade admirável e apontamentos de ficção em prosa poética da mai' fina, estimula-os a pensar na vidinha... provavelmente na vidinha mais simples, culta, bonita e mentalmente sã que teriam se não me tivessem conhecido, coitados... ditam as regras deste... errr... passatempo virtual, digamos, que agora nomeie eu [a mui venerável e laureada autora] cinco, e só cinco, "belogues*" que estimulam os meus que...

assim seja

agora paraste de respirar. agora evadiste-te das paredes já desgastadas do teu peito. arrastou-se o tempo e agora parou. ela, que nunca te abandonou nem quando a mataste de cansaço, estará lá à tua espera. e, para onde vais, andar não custa. respirar não custa. as dores, as marcas, as horas, ficam. agora não importa. que descanses em paz, avô.

terapia do impulso

estou cansada. farta, de olheiras pesadas e tornozelo torcido. dias de passos impassíveis ao desespero pedem medidas drásticas de vontade de largar tudo o que obrigue a pensar. uma paragem para encontrar o branco e logo impera o impulso do vermelho. seja assim, sempre, em dança improvisada de apetecimentos. entornam-se os jorros de sangues e vestidos, tangos e coca-cola, o brilho e o cheiro e começar por onde não manda a regra porque é premente ver os muros mudar. e porque sim desenha-se infâncias e verdades na parede por pintar, porque sim, se ficar marcado é só mais uma história para contar. depois é a língua de fora no compasso certo da trincha, porque o risco tem de ficar perfeito, porque assim não se pensa no que não interessa à alegria. essa vive aqui. de corpo pesado, no crepitar de gotas de tinta no jornal, nas solas dos pés a colarem ao chão, no suave roçagar dos pincéis, na companhia infinita de duas almas cansadas e sorridentes que a traços largos esboçam as cores do "p...

corte e costura

falava-se de certas pessoas para cuja presença começo a ter muito pouca paciência. aliás, no sítio onde desperdiço a maior parte do meu dia, a paciência já desistiu há muito... ficou-se-me o instinto de sobrevivência... até ver. corte - é a parvalhona da (não se pode mencionar o nome), q só sabe falar da gorda da XXX como se fosse a maior actriz que já pisou a terra costura - lol e um dia pode vir a ser corte - ah, sim. no dia em que APRENDER A REPRESENTAR! costura - porquê? corte - oh, pelo amor da santa. só tem duas velocidades: rápido e rapidíssimo. só tem duas entoações: jocosa e bruta como as casas. só tem duas expressões: olhos semi-cerrados e olhos fechados. é uma pessoa dual, portanto eheh costura - pera lá... mas estamos a falar de ela ser a melhor ou a maior actriz do mundo... ? é que tinhas dito a maior... :P

café cheio bem quente

seguia pela rua como qualquer outra pessoa, nem mais gorda nem mais magra, nem mais feia nem mais bonita. quase me acompanhava os passos. quando começou a falar: - é que ninguém faz nada. são uns assassinos. eles são uns assassinos e matam tudo e não deixam ninguém. matam as mães com os filhos lá dentro, e a mim também. não consegui evitar um esgar surpreendido. - pois, agora olhas para mim, pensas que eu não vi, não? mas os assassinos andam aí. eu sei, eu sei e toda a gente sabe. entrei directa no café, alheando-me da ladainha. mas ela veio atrás de mim. parou ao balcão logo à entrada e não esperou que a atendessem. - é um café cheio bem quente.

os milagres acontecem

a contagem decrescente é a parte angustiante de quem não tem vida certa e jogos de anca a fazer com o destino. nunca se sabe que cartada ele puxa a seguir. neste momento já sinto escorrer pelos dedos os últimos grãos de areia deste pequeno castelo de migalhas que me foi concedido para não me esquecer de quem sou. faltam meia dúzia de espectáculos. um punhado de ilusões e depois de volta ao fosso de onde me impeço, por vezes, de sair. entre dúvidas - as de sempre - de continuar ou esquecer, e o que vai ser de mim depois, há momentos em que algo nos prega ao chão do presente com garras docemente violentas. o medo de encontrar 230 miúdos era enorme. a garganta e a boa vontade, muitas vezes, não prendem a atenção de cem deles irrequietos. a turba foi-se aproximando e quando pensávamos que o grupo estava completo, lá víamos atravessar os claustros mais uma manada. mas quando chegaram perto de nós, o silêncio. as gargalhadas. o respeito. a diversão. o olhá-los nos olhos e vê-los beber-nos. e...

let's and go

janeiro de 2005: toda cheia de razões e valores profissionais, calhou em estrebuchar acerca do estado em que os textos dos desenhos animados chegavam ao estúdio. passava-se mais tempo a corrigi-los do que a gravar. e na pós-produção passavam mais tempo a tentar colmatar falhas do que a... pós-produzir. propuseram-me que fizesse a revisão dos textos da bonecada seguinte. aceitei. era dinheiro extra e, achava eu, coisa que não tomaria muito do meu [parco] tempo. acabaram os ursos carinhosos, chegaram os let's and go. durante a primeira série, entregava 4 episódios por semana, ao domingo. quando as tradutoras começaram a perceber que traduzir para desenhos animados é um bocadinho diferente de traduzir documentários e é para crianças , levava-me à volta de 4 horas do meu fim de semana. na segunda série, tive de entregar 7 por semana. faseado em duas doses. mais duas noites para ir, realmente, gravar os ditos bonecos. durante alguns meses não tive vida. saía para casa para rever ou par...

pisar os calos

há gente que gosta de cuspir para o ar. pode ser que lhe caia na testa. gosto de encarar este blog como uma esplanada ensolarada por onde passam ocasionalmente ou ritualmente umas quantas pessoas e se conversa sobre tudo. o mote, sendo este o meu espaço, são os temas que me rodeiam. gosto de argumentações acesas, pontos de vista diferentes. mas com tolerância e informação acima de tudo. não censuro comentários. esses tempos já passaram, nem nunca foram os meus tempos. felizmente. mas dá-me engulhos a atitude de certos comentadores que ocupam os seus tempos demasiado livres a saltitar de blog em blog à procura de luta. normalmente respondo e passo à frente. mas esta está arrematada. e a partir de agora peço desculpa pelo meu francês. adenda - como o senhor disse que era anónimo, eu chamo-lhe o que entendo. Gervásio, pá: andaste a correr as capelinhas todas , a espetar umas farpinhas, qual toureiro garboso, defensor de uma curiosa causa com slogan à laia Playstation 3. a tua falta de to...

abrigo

deves estar a chegar. eu é que não dou pelos teus passos. a tua pele já não se faz avisar pelo aroma delicado que viajava antes de ti pelos corredores. eu sei, deves estar aí mesmo a aparecer. estou no sítio de sempre. a enrolar o tempo entre os dedos. a desenhar-lhe telhados. sempre gostei de telhados.

I.A. iá, yeeehaaaa

cortesia espanta-espíritos para quem não está enquadrado: o I.A. é o instituto das artes. são os senhores que dão os subsídios, vulgo dinheirinho, aqui aos pobres dos artistas. para a droga e assim. uma vez por ano [excepto aquela vez do "ah e tal, esqueci-me"] abrem concursos para o pessoal mandar um projecto para uma peça. se eles gostarem do projecto, dão dinheirinho. se não, lá têm as suas razões. mesmo que se ameace com tribunal, o IA não se engana. apesar de os apoios irem parar quase sempre aos mesmos [se bem que com outros nomes, e para isso vai uma menção honrosa, nem todos conseguem inventar tanto nome seguido], os senhores estão a tentar acompanhar os tempos. e por isso foram evoluindo. dantes entregavam-se 5 calhamaços com todos os quês, comos, porquês, currículos, objectivos, articulação dos objectivos com os objectivos do I.A., metodologia dos objectivos, unhas encravadas do objectivos e... iada iada iada. resumindo, uns bons 10 kg de papel. depois resolveram qu...

the fallen

momento de pressão extrema, com formulários electrónicos demoníacos, currículos idiotas, protagonistas idiotas, textos idiotas, um projecto incoerente inventado em cima do joelho, os responsáveis pelos mesmos a quilómetros [e continentes] de distância, conversão de textos de reivindicação política pseudo-esquerdina do género "vocês são uns vendidos e eu quero mais é que vão levar no rego" em polidas declarações de "ó por favor dê-me lá o dinheirinho que eu quero fazer uma pecinha freak". o corpo com demasiados meses de serões de revisões de texto, traduções e dobragens em cima, já suplica piedade e eu tenho de suplicar-lhe que não ceda... já. nesse momento, cai uma das poucas coisas que ainda me incluía. que ainda me dava gozo. talvez em Outubro. a recibos verdes, sem segurança social, a receber o recebo, talvez já não esteja cá em Outubro. [essa era a maior ironia.] mas o concurso, não te esqueças do concurso. argh... you could have it so much better... puxo o v...

retalhos

lençóis de muitos metros. pés descalços na madeira. cantar enquanto se cose. cantar enquanto se espera. cantar enquanto se transporta. espalhar cartazes de madrugada. o carro cheio de cola. a carrinha cheia de cenário. olhos que já vêem mal, mas querem ver o fundo do túnel. frio, pés descalços e pedras seculares. o calor das luzes e de roupa pesada. acupunctura no cenário. respiração, diafragma, postura, projecção. raízes. tecido. charros e bolos. digressão, viagem, estrada, carrinha, pés. abraços de vocalizos que fazem cócegas na alma. um galão para o jantar. esquecer o texto. beijar o desconhecido. cabelos loiros. cabelos curtos. cabelos longos. cabelos pretos. rímel. pó de arroz. baton no espelho. mãos dadas na penumbra. choro, riso. cheiro de tinta, serradura, livros, roupas e mofo. perucas. máscaras. desenhos de figurinos. discussões. black-out e ovação. entra a música. cd riscado. cortes de papel. oriemirp. moça, inês, norma jean, marilyn, preguiça, lara, mulher, ela, ana, rita, ...

a-m-i-g-o

amigo escreve-se com todas as letras. engloba todos os nomes. de cada vida. têm bandas sonoras, também. e, muito simplesmente, "amigo" às vezes soletra-se assim: [...] lembro-me de ter começado por te ameaçar de tareia... nada demais, apenas um "queres levar?" querido e disse ainda que não te daria palmadinhas nas costas porque, como tenho uma força desmedida, podia magoar-te. Escrevi também que o que podia fazer era agarrar-te por trás (aqui não há qualquer espécie de conotação erótica meus queridos... "um charuto às vezes é só um charuto" e não sei mais o quê que o Freud disse... muito importante e lálálá) e assim agarrados começava a fazer vocalizos e tu rias-te muito e passava-te tudo. [...] my very own mr. bojangles

riscos

não me fales em ir mais devagar, agora que finalmente as luzes se desfazem em riscos esboçados nos vidros, nos teus cabelos, nos teus olhos assustados. não percebes nada, não vês. assim sim, o mundo escorre-nos pela frente e pelos lados e não temos de o ver. não como ele é, não assim. não me digas que é perigoso, que olha o carro ali, que faz pisca, que vamos morrer. não sentes? o estremecimento do motor como se fosse o teu corpo enrolado ao meu em noites violentas que já não voltam. sim, vai-se a cidade pelo vidro, pelo cano abaixo. num único risco rasgado deixamos de ver os fragmentos, os pedaços, os pormenores, a descrição aberrante das construções, dos viadutos, do urbanismo falhado de sociedade. vão-se, são riscos como podiam ser rabiscos. mas nunca perfeitos, nunca certos, nunca lisos e discretos. são raios raivosos. dilaceram-se e multiplicam-se a cada ressalto. assim destroçamos, diluímos, e não está lá o palco da tua vaidade, da minha indiferença. ficam apenas longas pernas d...

maus fígados

mas será que nesta vida não me vou cruzar profissionalmente nem uma vez com alguém com poder decisivo que dê valor a quem está a dar o litro? a quem está sempre lá? será que vou ter de deixar isto tudo para trás de uma vez e desistir de acreditar que alguém um dia vai apostar nas minhas verdadeiras capacidades de trabalho? será que vou ter de dar razão aos meus pais... e a desilusão maior de, afinal, todas as desilusões que estão para trás, a minha carolice, o "my fucking way", não valeram a pena? será que tanta vontade, tantas noites sem dormir, tantas pontas remendadas... não servem para absolutamente nada? ai, vida, que ando com o rabo virado para a lua... espero que não se avizinhe de novo a depressão, porque agora não tenho mesmo tempo nem paciência para isso...

não

não se chega assim e se vira tudo do avesso. não se faz assim. não é decente. não depois de tudo, de toda a ajuda e dedicação. as pessoas não são lenços de papel por que imploram só até conseguirem tirar a cocaína das bordas do nariz. nem pastilhas dessas que derretem na boca para ver a realidade a cores. não se avisa, não se conversa, corta-se assim, de repente, porque numa noite de bebedeira assim se decide para agradar ao novo melhor-amigo-por-meia-hora? e os outros? não se pode contar com ninguém para nada. para nada. como é que num momento há gestos tão dignos que até abrem um sorriso nos lábios e noutro colapsam o chão só por humores e agradinhos? são horas a mais, já. dissabores a mais. e mais uma gota que daqui a nada entorna o copo. um dia, quando menos esperarem. porque nas costas dos outros vejo as minhas. posso não guardar rancores, dar segundas oportunidades feita parva. mas não esqueço. sabem que mais? bardamerda.

braços caídos

é apenas uma hora, se formos a ver bem as coisas. apenas uma hora de cada vez. duas horas, nos dias em que são duas doses. duas doses de espectáculo para, provavelmente, o mais estranho dos públicos: adolescentes. hormonas aos saltos, buços, bigodes, pelos públicos, massas adiposas e borbulhas a florescer. meninos ricos, putos de bairro, patos-bravos. do norte, do sul, do interior, do litoral. com professores que fazem ainda menos ideia do comportamento a ter durante um espectáculo do que os alunos. professores sem qualquer rédea sobre os putos. meninos bem-postos de farda, de risos tímidos atrás das gravatas. putos de calças descaídas que fazem rap enquanto cantamos. miúdos de aldeia que não percebem a noção de "está a acontecer um espectáculo, não se pode fazer perguntas aos actores se eles estão em cena". miúdos atentos que murmuram o nosso texto de uma forma assustadoramente metódica. silêncios contidos que explodem em gargalhadas e em aplausos. outros que não se guardam ...

em cadeia

eya! já não me mandavam uma destas há que tempos... obrigada, raio de sol :) sete coisas que faço bem: (não entrando nas poucas-vergonhas) 1. bolos e massas 2. conduzir (sim, sou gaja mas conduzo bem :P) 3. conversar/ouvir 4. dormir horas a fio 5. rir feita parva 6. estrebuchar e logo a seguir passar-me 7. representar sete coisas que não posso/não sei fazer: 1. aturar gente demasiado umbilical 2. dizer não (esta já vinha de origem e aplica-se, especialmente no acto de deixar de ser parva e esquecer o teatro) 3. controlar a minha bocarra 4. escolher o jantar 5. não transformar dinheiro em prendas e mimos, se recebo algum extra 6. resistir a sapatos ou a casacos ( certa e determinada pessoa diz que devia aderir aos casacos-e-sapatos-anónimos: "olá, sou a polegar e não namoro um casaco há 3 horas") 7. estrebuchar no trânsito com o mais suburbano português sete coisas que digo: 1. raisparta (também tu ?!) 2. eya! 3. yellow (a atender o telefone ou no msn - coisa pegajosa do esp...