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Mensagens

super-pateta

noites de vinho tinto, séries, filmes. a brisa, a lua refrescante, as cortinas coloridas. nós os dois. e chorrilhos de disparates. dizer o que dá na gana. sem travões. sem censuras. rir de tudo. rir com gosto. rir com garra. rir todos os dias. só me ocorre uma coisa... és o meu super-amendoim.

entrementes

acordada desde as 7 da manhã, desesperada por penumbra e colo, vou a casa entre peça e gravações. - que é que queres comer? - ... não sei... - que enjoo, queres sempre comer a mesma coisa, safa!

só bronze e sonho

entre nervos e risinhos frescos de coisas pequeninas a quem contámos histórias de gente grande. o medo de as histórias serem pesadas, de não estarmos a ser ciganos como deve ser, evaporou-se nos olhos atentos, nos comentários murmurados e nas risadas francas sempre que a ocasião o propunha. com estes pequenos seres não há meias medidas. trespassam-nos com a franqueza, topam-nos um passo em falso. por isso foi de peito aberto e olhos nos olhos. depois o momento decisivo, engolir em seco e atravessar a parede que nos protegia. "mostra a mão, senhora" [pequenina, perdida na cadeira maior que o mundo dela, de trancinhas com missangas]. um segundo de hesitação e... uma mãozinha esticada, pequenina, curiosa, a ver-me percorrer as linhas ainda por desenhar e outras que não estão lá. olhos pasmados "um rapaz te quer muito, e outros te falam de amores". cora e ri. depois mostrou-me o dói-dói na perna. fiz-lhe uma mezinha de beijocas e passei ao próximo cliente. levanto os o...

raspões

corre corre, polegar. dos estúdios afogada em papéis e vozes. para o ensaio geral. povo das estrelas, canções, sinas e verde que te quero verde. ainda não vi bem o sol. pinto-o na cara para parecer cigana. contagem decrescente: uma semana para respirar.

repto ao norte

pessoal da zona do Porto, aqui vai um pedido muito especial: se alguém passar nas imediações do Teatro Nacional São João nestes dias, vejam se por acaso lá continua o telão do FITEI e fotografem-no. é que os senhores acharam tão pouca graça a esta foto de cena do meu namorido , que virou quase uma "imagem de marca" do evento este ano. os membros do elenco e equipa artística do espectáculo fotografado, que lá estiveram em digressão, vieram todos contentes contar que estava um telão enorme com esta imagem, cito, "a cobrir o teatro inteiro"... mas não se lembraram de tirar uma fotografiazinha para atenciosamente alimentar o ego agastado do fotógrafo que tão bem alimentou o ego dos intervenientes com cliques do mais alto coturno. assim, peço ao pessoal do Norte que possa fazer o obséquio de, se tiver possibilidade, me enviar uma foto do teatro com o dito telão na fachada. eu retribuirei com fotos do que precisarem de Lisboa, e, se cá passarem, contem com uma bic... um c...

banlieue*

há coisas tão boas que se sentem com o sabor do pecado. sabe a pecado perceber que nos visualizamos a viver ali ou ali. sem dificuldade, acreditamos que simplesmente podíamos ir ficando, por um enquanto indefinido. derrete-se a língua nova na boca, sabe-se que se vira à esquerda e o rio é já ali, que é tão fácil criar raízes entre bancas de roupa vintage . as rotinas são coisas que nascem espontaneamente, o café preferido e o sítio onde comprar a baguette , o restaurante japonês barato, o mercado de rua e o supermercado do leite bom. de repente já são nossos, dados adquiridos como saber que descendo aqui a rua vai dar à tasca onde o vizinho dispensa um pão ao domingo à noite. gosto de não precisar de um carro para nada. gosto de poder ir a pé ou de bicicleta, do é já ali sem cansaço, gosto de ter transportes para todo o lado, de o passe ser barato e dar para tudo a toda a hora, de a comida ser barata, de os jardins serem para todos e de haver muitos jardins, de se poder pisar a relva, ...

banho de cultura

vou ali tomar um banho de cultura e já volto... :)

senhora directora

de um dia para o outro, a uma semana de desaparecer por uns tempos, vira-se-me a vida do avesso. quando pensava que tinha uma semana de descanso, para preparativos, entregas de IRS e dormir o dia todo... pam! de novo os bonecos. e agora, a gerir os dois lados da barricada. é no que dá um "padrinho" que tem uma fé cega no meu talento e me recomenda a torto e a direito, salvaguardando:"achas que dei o teu nome só porque és gira?" e é no que dá um namorido que tem um poder, o tal do tão afamado secret. que quando digo que se calhar não passei no casting de voz porque estou enferrujada, me responde que até vou progredir na carreira. que me vai levar de uns lados para os outros "porque de mota é mais rápido", abdicando de merecidas horas de descanso até no próprio dia de anos. e que está ali à minha espera com um lanche de leite fresco e pão com tulicreme para me acalmar do dia inacreditável que foi este... a minha vida é muito bonita. podia era ser menos intem...

o canto da rosa

foto de Martim Ramos, tratada por mim bar do Teatro da Trindade 11 de Abril a 3 de Maio, sextas e sábados às 23h * bar do Teatro da Malaposta . 16 e 17 maio às 23h. criação e encenação colectivas dramaturgia e direcção: Ana Sofia Paiva com: Ana Sofia Paiva, Anabela Tomás, Cristina Andrade, Luciana Ribeiro músicos: Tiago Morna e Rodrigo Augusto produção: Kalpa Comunicação e Cultura preço: 8€ [vários descontos disponíveis] quem me conhece sabe que tenho por princípio, neste blog, fazer as minhas pseudo-críticas a espectáculos a que tenha assistido mas nos quais não trabalhe ninguém que eu conheça. maioritariamente para evitar ferir susceptibilidades [com a minha maldita mania de dizer o que realmente acho] e já agora para não parecer que só faço publicidade aos amiguinhos e mesquinhices parecidas. no entanto, hoje faço excepção. uma grande amiga minha faz parte deste elenco. entramos na casa de fados de D. Maria da Rosa, que nos vem receber à entrada. a gerente da...

conjecturas de inspiração vagamente escatológica*

*que se transformou num romântico dueto de classe - ou dinâmica de um relacionamento condenado à partida a um abanamento de cabeça enquanto se rumina entredentes o[s] ditado[s] "só se estraga uma casa" e|ou "um diz mata, o outro diz esfola" eu só disse mata : há qualquer coisa de big brother nas engenhocas públicas demasiado modernas. eu já brincava com os parques de estacionamento em que uma voz diz "bem vindo ao parque não sei do quê, insira o seu cartão. obrigado e boa viagem". dizia "a senhora deve sofrer muito, ali enfiada todo o dia". ou "diz-se obrigadA, ó estúpida". mas pronto, passava. agora mais tétrico é nas casas de banho... não sei. aquela coisa de uma pessoa fazer o xixizito [meio de pé para não contactar com nada daqueles cubículos] e ainda está a subir a calça já o autoclismo, por sua auto-recreação, faz a descarga, no "exacto momento preciso". não sei. fico sempre a pensar se o sensor não será uma aldrabice. s...

Ella e um cigarro

a melancolia de um abril a cântaros a lamber o vidro. a precisão de um suave berbequim nas fontes adivinha que a rinite dos fenos terá rima. pobre, mas rima. aguardo com dois comprimidos e um carioca de limão a que está por vir. a anunciada pelo esforço de me fazer ouvir em claustros com ventanias e trocas de roupa em pele ainda assim suada. a anunciada, a que rima... não? não rima propriamente, mas há um qualquer arabesco de som que me avaria a percepção perfeccionista. rinite... gripe. sigamos enquanto o vinil não se cura - mesmo assim - um crepitar... a música a raspar pela chuva adentro. um pequeno vazio ao canto. quase microscópio, o vazio. da poeira, o canto. encosto os pensamentos à parede e a língua solta-se menos literária. não desfazendo. tenho saudades de certas palavras. daquilo que sei que sei fazer. de fazer de conta a sério. a sério? tenho saudades subir por ali acima, ir por ali afora e deixando-me de rodeios dar valentes pontapés na genitália emocional de uma sala chei...

wc cheap&chic makeover

ora passámos disto para isto quem diz que uns pés-descalços do subúrbio não podem ter um Roy Lichtenstein na banheira? com direito a um armário exclusivo para viagens sensoriais ao passado, recheado de pequenas antiguidades da higiene e cosmética por nós coleccionadas através de incursões a drogarias de bairro. trabalho feito por uma equipa de dois, em 8 dias, por um terço do preço que custaria mandar fazer por "profissionais". há por aí alguém que precise dos nossos serviços de consultoria? fazemos orçamentos grátes e vamos a casa...

megalomania

após uma visita ao Ikea na passada semana, por ocasião das obras na casa de banho, concluem-se três coisas: o meu namorido é o mestre do tetris eu posso vir a ganhar a vida como contorcionista o meu C1 é um camião, carago!

extreme makeover - bathroom edition

é desta. vai daí, saídos dos lençóis para um café na tasca do lado, aproveitando a folga e a tarde solarenga, voltamos a casa com uma estranha vontade violenta. tantas guerras, tantos baldes de tinta, tanta martelada no dedo, havia no entanto uma divisão que nos estava atravessada: a casa de banho. desistimos dos grandes projectos, não encontrámos quem nos assentasse uma mão cheia de pastilha por um preço acessível. por isso terá de ser como tem sido até agora. a dois, inventando do ar, imaginando e rabiscando os meus cadernos cheios de raspas de lápis de cera, como as cores fortes da casa, recorrendo ao engenho e ao "gosto disso". tudo medido de mãos dadas pelos azulejos acima, com risos e chaves de fendas a caírem nos pés descalços, decorreu hoje a cerimónia de início da remodelação da casa de banho. com uma vontade e uma mestria saídas não sabemos bem de onde, encaixotámos pertences, arrancámos móveis e loiças e vedámos saídas de água em poucas horas. e agora que já só tem...

feliz dia, dia feliz

ph.t. de espanta-espíritos a quem se enterra em dúvidas toda a vida, com a paixão como único guia. a quem vive de borboletas, tecidos e pós que se desvanecem nalguma curva do caminho. a quem renasce a cada luz que se acende. a quem se alimenta de dar. a quem tem apenas o corpo para dar. e nele recebe o suor de almas que não existem. mas acredita. a quem se rasga para caber mais qualquer coisa que não se vê, para que se veja. e a quem acende as luzes, a quem carrega nos botões, costura, constrói, inventa, pinta, escreve, captura, estende o adereço e orienta os passos. a quem conta histórias. a quem faz sentir. hoje é o nosso dia. feliz dia mundial do teatro.

ar

são os pontos de encontro da respiração. tudo está ligado, todos os lábios se beijam. cruzámo-nos. tu viste-me, não te vi. levantaste os olhos por momentos dos teus pés que acompanhas com devoção para não teres o mundo por perto, ombros descaídos sob o peso da mochila e da vida que escolheste. levantaste os olhos vagos, vagueantes, imensos, imersos, submersos, subterrâneos. triste momento despejado por ti abaixo, gelado. desenraizado. viste-me na minha distracção abstracta com as músicas enfiadas nos ouvidos, as letras nos olhos, o livro nos dedos hesitados, sem saber o que me leres na tal aura em que acreditas. e por ali ficaste, sem um gesto, sem uma inalação, à espera que essa suspensão me sugasse direito a ti. à espera que me vaporizasse em mil estilhaços que se te arrastassem pela cara, te cortassem as veias e a escultura do perfil, para ser culpa minha outra vez. nada. só os ecos. invadiram-te. mas não eram teus, eram só perspectivas distorcidas do espaço em volta, que te tocava ...

cinco

noites de olhos abertos porque o calor não está e eu com os pés frios não consigo dormir. não está ninguém? acendo a luz de presença, o sol desgasta-se à entrada. o refúgio são as cores. as velharias, os livros, os cartazes, a manta de polar. música. e o filme antigo que o amigo me deu como amêndoa para me adoçar os olhos. deixo que se derreta nas horas, devagar. sorrio. não me farto de esperar por ti.

desacordo ortográfico

a mulher olhava-me de esguelha. de cada vez que eu abria a boca, a minha visão periférica denunciava um movimento amarelo da cabeça da senhora na minha direcção. não sei se interessadíssima na veemência da minha posição, defendida em voz alta apesar de a rapariga que nos servia o chá ser brasileira, ou se incomodada por o meu discurso ser inflamado e pelo facto de eu esbracejar, estando certamente a distraí-la da apatia do seu próprio acompanhante. só sei é que quando peguei no jornal que estava disponível para consulta no bar, procurava o suplemento de cultura para saber em que sala e horário encontrar um determinado filme. mas o dito suplemento estava a descansar na mesa da tal loira, aberto e negligenciado, enquanto ela folheava uma revista de decoração, e eu fiquei-me pelos cabeçalhos do Expresso. como não tenho conseguido acompanhar a actualidade, pude finalmente pôr-me a par das novidades acerca do tal acordo ortográfico. e portanto a culpa de a estar a distrair é totalmente del...