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Mensagens

o homem, o gato, e o bicho mau

gato foge. dono pede ajuda. vizinho homossexual prontifica-se e resgata-o. dono vê vizinho com o gato. dono pensa que vizinho não salva gato. dono pensa que vizinho sodomizará o gato. dono pensa que pela sodomia vizinho homossexualizará gato. dono dá tiros no vizinho. dono não acerta no vizinho. dono acerta na vizinha. stop* *via ondas marklianas

sic mulher

entalado entre os anúncios a detergentes e desodorizantes, deparo-me com um "new look", à laia de extreme makeover dos pobrezinhos, em que um senhor cheio de não-me-toques que nunca esboça um sorriso porque enruga, aplicou uns reflexos acobreados foleiros tipo anos 80 e cortou 2 cm às pontas do cabelo da mocinha. isto depois de lhe aplicar um champôm intense repére . outro, mais simpatiquito, aplicou à Carla [a mocinha] uma sombra nos olhos, enquanto dizia: "agora aplicas com a esponja assim, queres ver? fecha os olhos" a consultora de moda - a.k.a dona de uma loja ali no Fonte Nova - sugere à funcionária pública [ou será estagiária, ou será reciba-verde?] do IPJ um versátil... vestido de cocktail beringela, um casaquinho de malha com apliques de pérolas e umas sandálias de salto agulha prateadas para a mocinha levar para o trabalho. como alternativa tem sempre umas alpercatas com sola de cortiça e vime de salto compensado. e a Carla diz que se sente muito bonita. ...

sim

tenho dias. e aí questiono-me. se será sensato tanto instinto. tão pouco estudo das coisas, tão pouca dissertação. tão pouco pretenso pretensiosismo. se de tanto apreciar o que é simples não me tornarei simplória. nunca fui disso dos estudos. não fui de debitar nem dissertar. tinha de perceber. simplesmente perceber. o sentido, único ou não, mas o meu, o que lhes dava, o que me davam. era disso que eu gostava. saía-me assim. saía-me sempre. e depois, claro, cansou-me. e foi assim. foi por isso que voltei ao que gostava. dos bonecos e não dos rótulos. para falar, saboreio. é que bastam-me as palavras. em vez de pensar, cheiro. em vez de medir, abraço. em vez de olhar, mergulho. não hei-de eu ser chanfrada...

big band

Glenn Miller - imagem tirada daqui ontem à noite estava uma big band no Rossio. podia comentar aqui uma série de defeitos que encontrei, especialmente na falta de profissionalismo e humildade de algumas pessoas. mas o poder daquele som, da harmonia de metais, contrabaixo, bateria e piano, o fumo do cigarro, o arrepio constante e a lua. a viagem no tempo incomparável. a saia-suspiro ou bem travada. e o risco nos olhos. a boquilha, as luvas, os saltos altos. cada vez mais estou convencida que nasci na época errada... ou que vi demasiados filmes em miúda...

acordaste, Lisboa?

tenho-me queixado frequentemente que a Baixa está moribunda. por falta da dedicação de... todos. falta-lhe uma pulsação própria fora do horário de expediente. falta-lhe gente que a viva. e também me queixo das pessoas, da apatia, do comodismo, da falta de vontade de sair dessa modorra que assola tudo e todos. da mania de se queixarem e de não se mexerem para fazerem o que querem. da incapacidade de se unirem no que realmente interessa. da incapacidade de se levarem menos a sério e de se entregarem mais uns aos outros. ontem ouvi falar nisto . já conhecia algumas iniciativas dessa maravilhosa arte urbana do improviso com multidões, da espontaneidade deliberada em cheio na testa do quotidiano, a que se chama flash-mob. e quis fazer parte. armada em agente infiltrada, com o rádio sintonizado na antena 2 e uma câmara na mão, fui ver como era. e dei por mim submersa. e soube bem. soube bem porque à minha frente eram velhos e novos, deitados no chão a ouvir as trepidações dos passos. deitado...

super-pateta

noites de vinho tinto, séries, filmes. a brisa, a lua refrescante, as cortinas coloridas. nós os dois. e chorrilhos de disparates. dizer o que dá na gana. sem travões. sem censuras. rir de tudo. rir com gosto. rir com garra. rir todos os dias. só me ocorre uma coisa... és o meu super-amendoim.

entrementes

acordada desde as 7 da manhã, desesperada por penumbra e colo, vou a casa entre peça e gravações. - que é que queres comer? - ... não sei... - que enjoo, queres sempre comer a mesma coisa, safa!

só bronze e sonho

entre nervos e risinhos frescos de coisas pequeninas a quem contámos histórias de gente grande. o medo de as histórias serem pesadas, de não estarmos a ser ciganos como deve ser, evaporou-se nos olhos atentos, nos comentários murmurados e nas risadas francas sempre que a ocasião o propunha. com estes pequenos seres não há meias medidas. trespassam-nos com a franqueza, topam-nos um passo em falso. por isso foi de peito aberto e olhos nos olhos. depois o momento decisivo, engolir em seco e atravessar a parede que nos protegia. "mostra a mão, senhora" [pequenina, perdida na cadeira maior que o mundo dela, de trancinhas com missangas]. um segundo de hesitação e... uma mãozinha esticada, pequenina, curiosa, a ver-me percorrer as linhas ainda por desenhar e outras que não estão lá. olhos pasmados "um rapaz te quer muito, e outros te falam de amores". cora e ri. depois mostrou-me o dói-dói na perna. fiz-lhe uma mezinha de beijocas e passei ao próximo cliente. levanto os o...

raspões

corre corre, polegar. dos estúdios afogada em papéis e vozes. para o ensaio geral. povo das estrelas, canções, sinas e verde que te quero verde. ainda não vi bem o sol. pinto-o na cara para parecer cigana. contagem decrescente: uma semana para respirar.

repto ao norte

pessoal da zona do Porto, aqui vai um pedido muito especial: se alguém passar nas imediações do Teatro Nacional São João nestes dias, vejam se por acaso lá continua o telão do FITEI e fotografem-no. é que os senhores acharam tão pouca graça a esta foto de cena do meu namorido , que virou quase uma "imagem de marca" do evento este ano. os membros do elenco e equipa artística do espectáculo fotografado, que lá estiveram em digressão, vieram todos contentes contar que estava um telão enorme com esta imagem, cito, "a cobrir o teatro inteiro"... mas não se lembraram de tirar uma fotografiazinha para atenciosamente alimentar o ego agastado do fotógrafo que tão bem alimentou o ego dos intervenientes com cliques do mais alto coturno. assim, peço ao pessoal do Norte que possa fazer o obséquio de, se tiver possibilidade, me enviar uma foto do teatro com o dito telão na fachada. eu retribuirei com fotos do que precisarem de Lisboa, e, se cá passarem, contem com uma bic... um c...

banlieue*

há coisas tão boas que se sentem com o sabor do pecado. sabe a pecado perceber que nos visualizamos a viver ali ou ali. sem dificuldade, acreditamos que simplesmente podíamos ir ficando, por um enquanto indefinido. derrete-se a língua nova na boca, sabe-se que se vira à esquerda e o rio é já ali, que é tão fácil criar raízes entre bancas de roupa vintage . as rotinas são coisas que nascem espontaneamente, o café preferido e o sítio onde comprar a baguette , o restaurante japonês barato, o mercado de rua e o supermercado do leite bom. de repente já são nossos, dados adquiridos como saber que descendo aqui a rua vai dar à tasca onde o vizinho dispensa um pão ao domingo à noite. gosto de não precisar de um carro para nada. gosto de poder ir a pé ou de bicicleta, do é já ali sem cansaço, gosto de ter transportes para todo o lado, de o passe ser barato e dar para tudo a toda a hora, de a comida ser barata, de os jardins serem para todos e de haver muitos jardins, de se poder pisar a relva, ...

banho de cultura

vou ali tomar um banho de cultura e já volto... :)

senhora directora

de um dia para o outro, a uma semana de desaparecer por uns tempos, vira-se-me a vida do avesso. quando pensava que tinha uma semana de descanso, para preparativos, entregas de IRS e dormir o dia todo... pam! de novo os bonecos. e agora, a gerir os dois lados da barricada. é no que dá um "padrinho" que tem uma fé cega no meu talento e me recomenda a torto e a direito, salvaguardando:"achas que dei o teu nome só porque és gira?" e é no que dá um namorido que tem um poder, o tal do tão afamado secret. que quando digo que se calhar não passei no casting de voz porque estou enferrujada, me responde que até vou progredir na carreira. que me vai levar de uns lados para os outros "porque de mota é mais rápido", abdicando de merecidas horas de descanso até no próprio dia de anos. e que está ali à minha espera com um lanche de leite fresco e pão com tulicreme para me acalmar do dia inacreditável que foi este... a minha vida é muito bonita. podia era ser menos intem...

o canto da rosa

foto de Martim Ramos, tratada por mim bar do Teatro da Trindade 11 de Abril a 3 de Maio, sextas e sábados às 23h * bar do Teatro da Malaposta . 16 e 17 maio às 23h. criação e encenação colectivas dramaturgia e direcção: Ana Sofia Paiva com: Ana Sofia Paiva, Anabela Tomás, Cristina Andrade, Luciana Ribeiro músicos: Tiago Morna e Rodrigo Augusto produção: Kalpa Comunicação e Cultura preço: 8€ [vários descontos disponíveis] quem me conhece sabe que tenho por princípio, neste blog, fazer as minhas pseudo-críticas a espectáculos a que tenha assistido mas nos quais não trabalhe ninguém que eu conheça. maioritariamente para evitar ferir susceptibilidades [com a minha maldita mania de dizer o que realmente acho] e já agora para não parecer que só faço publicidade aos amiguinhos e mesquinhices parecidas. no entanto, hoje faço excepção. uma grande amiga minha faz parte deste elenco. entramos na casa de fados de D. Maria da Rosa, que nos vem receber à entrada. a gerente da...

conjecturas de inspiração vagamente escatológica*

*que se transformou num romântico dueto de classe - ou dinâmica de um relacionamento condenado à partida a um abanamento de cabeça enquanto se rumina entredentes o[s] ditado[s] "só se estraga uma casa" e|ou "um diz mata, o outro diz esfola" eu só disse mata : há qualquer coisa de big brother nas engenhocas públicas demasiado modernas. eu já brincava com os parques de estacionamento em que uma voz diz "bem vindo ao parque não sei do quê, insira o seu cartão. obrigado e boa viagem". dizia "a senhora deve sofrer muito, ali enfiada todo o dia". ou "diz-se obrigadA, ó estúpida". mas pronto, passava. agora mais tétrico é nas casas de banho... não sei. aquela coisa de uma pessoa fazer o xixizito [meio de pé para não contactar com nada daqueles cubículos] e ainda está a subir a calça já o autoclismo, por sua auto-recreação, faz a descarga, no "exacto momento preciso". não sei. fico sempre a pensar se o sensor não será uma aldrabice. s...

Ella e um cigarro

a melancolia de um abril a cântaros a lamber o vidro. a precisão de um suave berbequim nas fontes adivinha que a rinite dos fenos terá rima. pobre, mas rima. aguardo com dois comprimidos e um carioca de limão a que está por vir. a anunciada pelo esforço de me fazer ouvir em claustros com ventanias e trocas de roupa em pele ainda assim suada. a anunciada, a que rima... não? não rima propriamente, mas há um qualquer arabesco de som que me avaria a percepção perfeccionista. rinite... gripe. sigamos enquanto o vinil não se cura - mesmo assim - um crepitar... a música a raspar pela chuva adentro. um pequeno vazio ao canto. quase microscópio, o vazio. da poeira, o canto. encosto os pensamentos à parede e a língua solta-se menos literária. não desfazendo. tenho saudades de certas palavras. daquilo que sei que sei fazer. de fazer de conta a sério. a sério? tenho saudades subir por ali acima, ir por ali afora e deixando-me de rodeios dar valentes pontapés na genitália emocional de uma sala chei...

wc cheap&chic makeover

ora passámos disto para isto quem diz que uns pés-descalços do subúrbio não podem ter um Roy Lichtenstein na banheira? com direito a um armário exclusivo para viagens sensoriais ao passado, recheado de pequenas antiguidades da higiene e cosmética por nós coleccionadas através de incursões a drogarias de bairro. trabalho feito por uma equipa de dois, em 8 dias, por um terço do preço que custaria mandar fazer por "profissionais". há por aí alguém que precise dos nossos serviços de consultoria? fazemos orçamentos grátes e vamos a casa...

megalomania

após uma visita ao Ikea na passada semana, por ocasião das obras na casa de banho, concluem-se três coisas: o meu namorido é o mestre do tetris eu posso vir a ganhar a vida como contorcionista o meu C1 é um camião, carago!