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funny face ou havia muito a dizer acerca disto

You Scored as Audrey Hepburn Audrey Hepburn 75% Betty Page 69% Mae West 69% Betty Grable ...

seis horas

de suor a derreter no peito de asfixia de ácaros na garganta de cinzento de pó de pés em meia ponta de costas encaracoladas de pontadas nas mãos de deixas penduradas de dedos esvaziados de recusas de vontade de noites de tinto de incongruências de gripes de ânimo enfraquecido de ego que nem com muletas de ausências de desorientações de cadeiras partidas de cigarros a meio de fitas de amuos de idiotices de palermices de risos cansados de dias que já se esvaíram quando se sai para a rua sem os ter visto.

cabaret

teatro maria matos até 28 de Dezembro Adriana Queiroz, Ana Cláudia Ribeiro, Ana Lúcia Palminha, Bernardo Gama, Carlos Gomes, David Ripado, Dima Pavlenko, Fernando Gomes, Henrique Feist, Isabel Ruth, Meredith Kitchen, Paula Fonseca, Pedro Laginha, Sandra Rosado e Sara Campina. encenação de Diogo Infante bilhetes entre 15 e 25€ já toda a gente sabe que a minha vida é um musical, que nasci na época errada e com um estranho pânico, vá, respeitinho encolhido por cantar em palco. sendo este musical um off-La Féria, não me podia escapar. aviso já que neste género quero ser bem servida, quero tudo - porque já vi o tudo - mas, mais do que esperar cantores exímios e dançarinos exemplares, vou à procura de representações poderosas que elevem as notas musicais ao tão estimado arrepio. já se sabe que vamos entrar numa Alemanha quasi-nazi, num submundo boémio e nas relações e ralações dos vibrantes seres desse mundo e dos que o rodeiam. não querendo ser acusada de fornecer spoilers, fico-me por ...

cinzentamente

sair porta fora e o mundo está pendurado nas pálpebras, pressiona-as de maneira a que tudo se veja apenas por entre as aranhas das pestanas, em cinzas vários e cada um mais desinteressante que o outro. terá sido falta de café, mas há dias despojados de toda a boa intenção. que nos é sugada por antecipações, previsões, confirmações. interjeições. sim, essas são as piores. a interjeição do ego, essa cabra. que salta e arranca um braço a quem já estava de mãos preparadas para a defesa - dizem que é o melhor ataque, mas tinham de conhecer certas interjeições. e a dor de cabeça, claro está. terá sido falta de café. ou falta de força. ou repressão de força para um bem maior que já não se sabe bem qual. e palavras ditas em desdém, e desdenhadas e desenhadas com tanta força que a ponta do lápis parte. cansa. a doença alheia que calcorreia corpos, suga e cospe os despojos do que fomos. há coisas que nos absorvem e não nos devolvem e vamos para casa à procura de onde estamos. mas deve ter sido f...

wiiiiiiii!

os senhores do Imposto Redutor de Sorrisos demoraram demasiado a mandar a cartinha da cobrança. por isso, e fazendo orelhas moucas ao bom senso, fizemos foi o gosto ao dedo. mais fãs de jogos de tabuleiro [mas com poucas visitas aos "arrabaldes" para dar asas à loucura como deve ser] e de longas noitadas de mikados e scrabble a dois, tínhamos no entanto uma pequena fraqueza. branquinha e sem fios. andávamos há demasiado tempo a namorar uma coisa destas. a minha primeira desde a Nintendo Super Set, e a única que nos fazia sentido: faz-se exercício e é perfeita para jogar em grupo. desde há um tempinho que as noites são passadas a jogar. ou a fazer ginástica. curiosamente, desde a divulgação do Advento da Compra, um pequeno grupo de peregrinos - anteriormente estranhos a este local, mais conhecidos como a irmã e os amigos da irmã da Polegar - ruma frequentemente à nova Meca, para estabelecer contacto com a estranha consola imaculada, assaltando frigoríficos pelo caminho. nós di...

profilaxis

há coisas absurdamente geniais. num dos meus sotaques preferidos, com as doses perfeitas de "testemunho danone", clipping vintage, comédia da mais fina, mesmo que escatológica, e, claro, actores fabulosos. 9-minutos-e-tal desconcertantes. se eu tivesse forma de sacar isto, dava-me ao trabalho de legendar. onde encontrei? mesmo depois de Studio 60 on the Sunset Strip ou antes de Flight of the Conchords no canal FX, que está a passar curtas espanholas entre programas, aparentemente de forma aleatória, sem os identificar no menu da programação. nem todas são do meu agrado, mas esta... foi de parar tudo para tentar perceber se eles estavam mesmo a contar a história que eu achava que estavam... quero gritar ao mundo que existe. enjoy :) profilaxis , produção de 2003 de prosopopeya producciones

três quilos e trezentas

ph.t. e mão conquistada de Simão por três quilos e trezentas desatámos aos pulos na cozinha, abraçámo-nos e demos vivas. três quilos e trezentas de uma pessoa nova, doce, decidida e delicada, de olhinhos já atentos, a quem o mundo ainda não faz confusão. por três quilos e trezentas de gente há lágrimas e um sorriso de leste a oeste cá em casa. porque também é um bocadinho nossa. a nossa família emprestada de Paris está, agora, mais-que-perfeita. chegaste, Joana. sim, Joana, mais-que-perfeita, sem pretérito mas com travessões para ficar tudo juntinho, porque é tanto o amor que se respira desses dois que te fizeram que a tua casa é sempre assim quentinha para quem por lá passa, cheia de abraços e gargalhadas. e sim, Joana, fomos nós que te andámos a fazer festinhas e sussurrar disparates num francês macarrónico este Maio que passou. fomos nós que levámos os teus pais para as escadas exteriores - de que eles só se lembram quando lá estamos - para ficarmos todos à conversa até às tantas co...

por onde, mesmo?

uma pessoa tem uma consulta no médico, para a qual vai ter de faltar a uma parte considerável de um ensaio. para lá ir ter o mais rapidamente possível, pondera utilizar os transportes públicos porque não quer caos, poluição, perdas de tempo em filas, taxistas enraivecidos e essas coisas. por isso, vai ao site da Transporlis [linkado no da Carris ] informar-se do melhor percurso, e de quais os transportes a utilizar. insere como ponto de partida a Avenida 5 de Outubro, e o de chegada a Avenida Gomes Pereira. pois que manda pesquisar e o bicho diz que falta inserir ponto de partida ou de chegada. depois de estouradas várias tentativas de "vai buscar", recebendo sempre o mesmo recado, a exasperada pessoa resolve ignorar o bug e usar como alternativa o mapa disponibilizado no site para indicar per se - ou à la pata - os ditos pontos. perde-se por vielas e ampliações de ruas estranhíssimas, num mapa que indica que o Hospital de Santa Marta fica a norte do Parque Eduardo Sétimo. ...

mimo

disto, assim. acordar com um elogio profissional. um buraquinho-para-café sem hora marcada na tarde do Chiado [como há tanto tempo]. um corte de cabelo. um livro e filmes para a colecção. e o regresso a casa com as mãos nas tuas costas.

outtake

ph.t. espanta-espíritos

o homem, o gato, e o bicho mau

gato foge. dono pede ajuda. vizinho homossexual prontifica-se e resgata-o. dono vê vizinho com o gato. dono pensa que vizinho não salva gato. dono pensa que vizinho sodomizará o gato. dono pensa que pela sodomia vizinho homossexualizará gato. dono dá tiros no vizinho. dono não acerta no vizinho. dono acerta na vizinha. stop* *via ondas marklianas

sic mulher

entalado entre os anúncios a detergentes e desodorizantes, deparo-me com um "new look", à laia de extreme makeover dos pobrezinhos, em que um senhor cheio de não-me-toques que nunca esboça um sorriso porque enruga, aplicou uns reflexos acobreados foleiros tipo anos 80 e cortou 2 cm às pontas do cabelo da mocinha. isto depois de lhe aplicar um champôm intense repére . outro, mais simpatiquito, aplicou à Carla [a mocinha] uma sombra nos olhos, enquanto dizia: "agora aplicas com a esponja assim, queres ver? fecha os olhos" a consultora de moda - a.k.a dona de uma loja ali no Fonte Nova - sugere à funcionária pública [ou será estagiária, ou será reciba-verde?] do IPJ um versátil... vestido de cocktail beringela, um casaquinho de malha com apliques de pérolas e umas sandálias de salto agulha prateadas para a mocinha levar para o trabalho. como alternativa tem sempre umas alpercatas com sola de cortiça e vime de salto compensado. e a Carla diz que se sente muito bonita. ...

sim

tenho dias. e aí questiono-me. se será sensato tanto instinto. tão pouco estudo das coisas, tão pouca dissertação. tão pouco pretenso pretensiosismo. se de tanto apreciar o que é simples não me tornarei simplória. nunca fui disso dos estudos. não fui de debitar nem dissertar. tinha de perceber. simplesmente perceber. o sentido, único ou não, mas o meu, o que lhes dava, o que me davam. era disso que eu gostava. saía-me assim. saía-me sempre. e depois, claro, cansou-me. e foi assim. foi por isso que voltei ao que gostava. dos bonecos e não dos rótulos. para falar, saboreio. é que bastam-me as palavras. em vez de pensar, cheiro. em vez de medir, abraço. em vez de olhar, mergulho. não hei-de eu ser chanfrada...

big band

Glenn Miller - imagem tirada daqui ontem à noite estava uma big band no Rossio. podia comentar aqui uma série de defeitos que encontrei, especialmente na falta de profissionalismo e humildade de algumas pessoas. mas o poder daquele som, da harmonia de metais, contrabaixo, bateria e piano, o fumo do cigarro, o arrepio constante e a lua. a viagem no tempo incomparável. a saia-suspiro ou bem travada. e o risco nos olhos. a boquilha, as luvas, os saltos altos. cada vez mais estou convencida que nasci na época errada... ou que vi demasiados filmes em miúda...

acordaste, Lisboa?

tenho-me queixado frequentemente que a Baixa está moribunda. por falta da dedicação de... todos. falta-lhe uma pulsação própria fora do horário de expediente. falta-lhe gente que a viva. e também me queixo das pessoas, da apatia, do comodismo, da falta de vontade de sair dessa modorra que assola tudo e todos. da mania de se queixarem e de não se mexerem para fazerem o que querem. da incapacidade de se unirem no que realmente interessa. da incapacidade de se levarem menos a sério e de se entregarem mais uns aos outros. ontem ouvi falar nisto . já conhecia algumas iniciativas dessa maravilhosa arte urbana do improviso com multidões, da espontaneidade deliberada em cheio na testa do quotidiano, a que se chama flash-mob. e quis fazer parte. armada em agente infiltrada, com o rádio sintonizado na antena 2 e uma câmara na mão, fui ver como era. e dei por mim submersa. e soube bem. soube bem porque à minha frente eram velhos e novos, deitados no chão a ouvir as trepidações dos passos. deitado...

super-pateta

noites de vinho tinto, séries, filmes. a brisa, a lua refrescante, as cortinas coloridas. nós os dois. e chorrilhos de disparates. dizer o que dá na gana. sem travões. sem censuras. rir de tudo. rir com gosto. rir com garra. rir todos os dias. só me ocorre uma coisa... és o meu super-amendoim.

entrementes

acordada desde as 7 da manhã, desesperada por penumbra e colo, vou a casa entre peça e gravações. - que é que queres comer? - ... não sei... - que enjoo, queres sempre comer a mesma coisa, safa!

só bronze e sonho

entre nervos e risinhos frescos de coisas pequeninas a quem contámos histórias de gente grande. o medo de as histórias serem pesadas, de não estarmos a ser ciganos como deve ser, evaporou-se nos olhos atentos, nos comentários murmurados e nas risadas francas sempre que a ocasião o propunha. com estes pequenos seres não há meias medidas. trespassam-nos com a franqueza, topam-nos um passo em falso. por isso foi de peito aberto e olhos nos olhos. depois o momento decisivo, engolir em seco e atravessar a parede que nos protegia. "mostra a mão, senhora" [pequenina, perdida na cadeira maior que o mundo dela, de trancinhas com missangas]. um segundo de hesitação e... uma mãozinha esticada, pequenina, curiosa, a ver-me percorrer as linhas ainda por desenhar e outras que não estão lá. olhos pasmados "um rapaz te quer muito, e outros te falam de amores". cora e ri. depois mostrou-me o dói-dói na perna. fiz-lhe uma mezinha de beijocas e passei ao próximo cliente. levanto os o...

raspões

corre corre, polegar. dos estúdios afogada em papéis e vozes. para o ensaio geral. povo das estrelas, canções, sinas e verde que te quero verde. ainda não vi bem o sol. pinto-o na cara para parecer cigana. contagem decrescente: uma semana para respirar.