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terapia do impulso



estou cansada. farta, de olheiras pesadas e tornozelo torcido. dias de passos impassíveis ao desespero pedem medidas drásticas de vontade de largar tudo o que obrigue a pensar. uma paragem para encontrar o branco e logo impera o impulso do vermelho. seja assim, sempre, em dança improvisada de apetecimentos. entornam-se os jorros de sangues e vestidos, tangos e coca-cola, o brilho e o cheiro e começar por onde não manda a regra porque é premente ver os muros mudar. e porque sim desenha-se infâncias e verdades na parede por pintar, porque sim, se ficar marcado é só mais uma história para contar. depois é a língua de fora no compasso certo da trincha, porque o risco tem de ficar perfeito, porque assim não se pensa no que não interessa à alegria. essa vive aqui. de corpo pesado, no crepitar de gotas de tinta no jornal, nas solas dos pés a colarem ao chão, no suave roçagar dos pincéis, na companhia infinita de duas almas cansadas e sorridentes que a traços largos esboçam as cores do "para sempre".

Comentários

espantaespiritos disse…
e lá vai mais um cantinho ficando pronto entre suor e gargalhadas.
colher de chá disse…
ah o impulso, que bem nos fazes. que bem que sabes.

como vos guardo dentro do meu abraçinho apertado.
MPR disse…
Quero crepes...
miak disse…
Tenho tido poucos...impulsos...

peço emprestado o canto de cor forte...
polegar disse…
espanta: tem de ser, que aqueles beges pôem-me doente ;)

colher: e nas paredes também passeias, de vez em quando...

mpr: crepes não há. aqui é mais panquecas e vin chaud. já te expliquei a diferença :P

nuno: sempre que quiseres... e se precisares de ajuda para inspirar a tons mais ousados, tens aqui uma consultora do best ;)

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