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Mensagens

em cadeia

eya! já não me mandavam uma destas há que tempos... obrigada, raio de sol :) sete coisas que faço bem: (não entrando nas poucas-vergonhas) 1. bolos e massas 2. conduzir (sim, sou gaja mas conduzo bem :P) 3. conversar/ouvir 4. dormir horas a fio 5. rir feita parva 6. estrebuchar e logo a seguir passar-me 7. representar sete coisas que não posso/não sei fazer: 1. aturar gente demasiado umbilical 2. dizer não (esta já vinha de origem e aplica-se, especialmente no acto de deixar de ser parva e esquecer o teatro) 3. controlar a minha bocarra 4. escolher o jantar 5. não transformar dinheiro em prendas e mimos, se recebo algum extra 6. resistir a sapatos ou a casacos ( certa e determinada pessoa diz que devia aderir aos casacos-e-sapatos-anónimos: "olá, sou a polegar e não namoro um casaco há 3 horas") 7. estrebuchar no trânsito com o mais suburbano português sete coisas que digo: 1. raisparta (também tu ?!) 2. eya! 3. yellow (a atender o telefone ou no msn - coisa pegajosa do esp...

desencaixes

questiono-me a capacidade de encaixe. quando a transparência toma conta de mim, surpreende-me a velocidade com que me conformo com a minha invisibilidade. houve um tempo em que me era essencial tatuar o coração dos outros. parecia que respirava melhor. hoje já só sobram disso esquiços, poucos, de tinta debotada e braços caídos. subo as escadas, linguagem corporal de quem já sabe o que está ali, para onde vai, onde vai dar a porta fechada. nariz no ar para cheirar as recordações. sim, ó tu de cabelo no ar, conheço-te. e tu também me conhecias. esqueceste já as picardias sorridas nas tardes mornas e as mãos que te enfeitaram o bar com velas e percussões e poesias. talvez os olhos estejam assim tão diferentes. tu és dos tempos em que a esperança era perfeita. em que qualquer desafio era vencível. e tudo era um deslumbre e um caminho de pedras polidas. se calhar por isso não te lembras de mim. era a miúda de cara estragada da adolescência, de calças de ganga, passos incertos, sorriso de l...

não leves a mal

andam por aí. festejos pingados, com fitas e papéis sujos, meio desfeitos calcados na calçada. as cores andam pela rua, pardacentas de pés com sapatilhas e poucas horas de sol. lembrei-me. sem querer, porque pensava que já tinha apagado essas linhas. lembrei-me. desse rosto encardido, de cores destroçadas, do fim do dia. que eu gostava de ver derreter às minhas mãos, ao chamamento do meu resfolegar. dos pequenos gemidos tremidos que te saíam das pálpebras e da boca fechada. gostava particularmente da hora da lágrima. o momento alto do sexo, ultrapassando mesmo o instante fremente em que finalmente a minha carne rasgava a tua e éramos um. era meu, por excelência, aquele momento em que logo a seguir ao teu orgasmo caías. o teu corpo ainda em estremecimento e já outros fantasmas te abandonavam. e continuavas a cair até desfazeres o rímel em lágrimas pretas, em borrões que pareciam aranhas gravadas em torno dos teus olhos a tinta fresca. sulcos escurecidos, ainda hoje não sei se da tristez...

indigo nocturno

havia uma redoma feita de tecido. nos destroços da minha pele quebrada reinventavas suspiros às escondidas. ali tudo se descobria. ali estávamos nus. a luz era filtrada e projectava graffitis azuis nos corpos cerzidos. éramos nus tatuados. escondidos. rezando sem deus específico para que a luz não apagasse os desenhos no suor. essa era a hora de sair. então sopravas e eu soprava de novo. podia ser que de tanto soprar as horas se mantivessem suspensas. e depois abocanhávamos os ponteiros com soluços desconsolados. fechávamos as portas e sabíamos que ali tudo ficaria parado à nossa espera. sarcasticamente o pó suspendia a sua viagem até que retornássemos e ele voltasse a passear-se lentamente, contando-nos os segundos das nossas fugas. depois rasgámos a redoma. e no lugar das lágrimas montámos um altar onde a luz penetra num azul escuro de noite sem estrelas que não as dos olhos. forrado a cores sem tino. na lateral, dormem relógios de corda. há um vago cheiro de eternidade.

who's your momma now?

pois que ninguém manda em mim. ninguém me obriga a ter um template de que não gosto. e o meu refinado apreço pela estética [cof cof] não calará ninguém! bati às portas todas, fui a fóruns de bloggers [uma experiência demoníaca, cruzes! eles falam uma língua própria e tudo], mandei mails, pedi ajuda às mais altas instâncias e a outros bloggers que tinham ar de cromos. falei com amigos que têm o mesmo template e que também não sabiam o que fazer. sem respostas, acabei por conformar-me. fiquei sozinha, com a minha teimosia. e com um marido zen, culto e extremoso... e a gata a quem dar uns pontapés de frustração de vez em quando. com as minhas pesquisas e o pouco tempo que tínhamos livre no fim de semana, queimámos as pestanas para o Polegadas não perder a sua imagem de marca. obviamente que tem algumas pequenas diferenças - no novo blogger ou se domina o html na perfeição, ou se só se sabia fazer umas maroscas fica-se completamente preso. mas faz-se o que se pode... a evolução ao longo da...

evangelização

devido a ter sido forçada a converter o meu blog ao novo blogger, este estaminé está com problemas de pluralidade. parece uma coisa de igreja... ou do demo... quero eu dizer que parece haver um conflito entre o meu template e o novo blogger que impede os meus caros visitantes de inserirem comentários. [se bem que este template foi "adquirido" na blogger templates...] estou a bater o pé. já pus um raspanete e um pedido de ajuda no fórum destes tansos e tudo. não quero mudar o meu template, a não ser em último recurso. e não tenho conhecimentos de html ou de css para construir um igual de raiz. por isso mesmo suplico a todos paciência. garanto que se não me for dada nenhuma solução até ao fim desta semana, lá terei de fazer o que não quero. por vós, caros leitores d'A Palavra deste Blog...

ao que sabes?

exposição de fotografia pin-hole . o beijo do nosso [e muito meu] querido espanta-espíritos no restaurante alfândega, ao campo das cebolas a partir de 14 de fevereiro. os beijos, os "quases". onde é que a nossa realidade acaba? onde começa a fantasia que inspirámos? porque nos reconhecemos na película? os protagonistas são quem quisermos que seja. somos nós. o método é do passado. a paixão é eterna. a vida é uma caixa de chocolates, dizia o outro. não podia estar mais de acordo. também é com uma caixa de chocolates que se tiram fotografias... ou melhor, que alguns loucos apaixonados fazem fotografias... aqui as palavras são secundárias. a primazia é ao olhar, ao olfacto, ao sabor, à memória, à surpresa das coisas simples. e, a isto, chama-se concretizar ;) um grande obrigada aos amigos - que nos encontram, nos abrem portas e nos fecham nos armários quando é preciso :)

intervalo para política

Yeyyyyyyyy! ps: a quem foi votar, obrigada. a quem não se quis dar ao trabalho: agora não se queixem. à Laurinda Alves e quejandos moralistas-a-quem-eu-furava-os-preservativos- tirava-a-empregada-e-punha-a-lavar-escadas: tomaaaaaa!!! a emissão retomará o seu curso normal dentro de momentos...

uma receita de recibos verdes

base: :: várias horas de espectáculo diárias num Monumento muito frio, para crianças irrequietas e com colegas de trabalho com estranhas mudanças de humor usar e abusar para manter o ritmo cardíaco acima da linha recta. :: voltar a correr para o escritório para mais umas horas de trabalho em frente ao computador e agarrada aos telefones, com súbitas mudanças de ritmo. uma pitada de "já agora faz vinte quilómetros ao fim de semana porque é preciso controlar a bilheteira por 5 minutos" e quejandas tarefas. :: pagamentos dentro do "só não morres à fome porque comes pouco". levar à vidinha durante dois anos-vai-para-três até atingir a estagnação, o desgaste e a quasi-morte cerebral. ::uma gata carente de aquecedores que, por isso, larga pelo a duplicar - ergo asma, ergo sono interrompido. condimentar com: :: uma exposição - um projecto de vida - que arrasta para horas tardias, fins de semana sem dormir, muito vinho tinto, mimo de que aparece para dar uma mão e... uma bo...

cartas de amor . procuram-se

das antigas, daquelas de autores portugueses às suas amadas [ou de autores portugueses aos amados, ou delas para eles, ou delas para elas, não sou esquisita], onde escreviam os seus dedos e não os dedos dos fantasmas das suas personagens. daquelas que eram caneta e lápis e papel e mata-borrão. das que eram saliva e selos e tinta manchada de sal. ando em pesquisas e falta-me o tempo, sempre o tempo. fica o apelo. sirvam-se de mail e comentários a gosto. como recompensa, há-de pensar-se em qualquer coisinha. muito agradecida.

frios

é acordar um dia com a parangona da TVI: "Portugal a bater o dente!" e ao domingo de manhã com uma mensagem da irmã a dizer "está a nevar!" - note-se a semelhança de pontuação entre uma irmã entusiasmada e um telejornal nacional. aliás, quando lançaram o alerta laranja, esqueceram-se de mencionar um pequeno apartamento às cores ali para os lados do subúrbio lisboeta... os dias fazem-se de várias camadas de roupa [hoje é uma long sleeve e 3 camisolas], de parecer um repolho farfalhudo com pernas, de abdicar de algum bom gosto no vestir em prol de ter o mínimo de arrepios possível. são lábios brilhantes de baton de cieiro, salas abafadas de fumo porque abrir uma janela é suicídio. é o ataque de asma porque está frio e depois o ataque de asma porque o novo aquecedor-ventilador queima o ar. são, portanto, pesadas bilhas cremes escada acima porque a Galp se esqueceu de preparar as novas Plumas-das-pernas-boas para os aquecedores a gás antigos. é também a noite de bastido...

oioai-ai

costumo dizer que o mundo do espectáculo é um penico. mais um exemplo: um jantar de - espera-se - trabalho é o mote para uma noite que se prolonga porque, afinal, a companhia é tão agradável que não apetece ir já embora. pessoas que entram, passam, sentam-se, bebem um copo e voltam a sair ou ocupam de vez mais um lugar arranjado à pressa. aquele lugar é como mala de mulher. é como coração de mãe: cabe sempre mais alguém... conversas cruzadas com gente estranha e, de repente, um casal discreto - e até ao momento apenas semi-descontraído - perde a pose. eu - tu??? és o vocalista??? vb - s... sou... ee - epá, parabéns, pá, adoro esse single. eu - o Fred! o Fred trabalhou comigo nas dobragens! vb - fixe, gostaste? ah sim, conhece-lo? eu - quem é que não conhece o Fred... está metido em trezentas coisas ao mesmo tempo. vb - é verdade eheh... ee - deviam começar a fazer uma lista das bandas em que o fred não entra... [gargalhada] ee - epá, eu não gosto de músicas românticas, mas se ouço est...

diários da perna de pau #5 . o princípio do fim

hoje é o princípio do fim. o grosso do nosso trabalho termina aqui. começa agora a verdadeira comunicação. a parte visível. não é um espectáculo fácil. tem, para mim, como mais-valia, um cenário chamativo, música forte, texto denso e interpretações com momentos muito bons. criticar, estando cá dentro, é muito fácil. desculpar também. tenho as minhas considerações, mas neste caso específico não quero ser tida nem achada "publicamente", porque pecaria. por excesso ou por defeito. acho que lhe chamaram ética profissional, eu chamo-lhe simplesmente bom senso. lembro-me do primeiro "ditado melódico" do patrão-encenador, que converti em projecto. lembro-me de tudo o que foi calcorreado, telefonado, enviado, recebido, reunido, viajado, investigado. as pessoas, tantas pessoas, tantos braços e gritos e chatices, sorrisos e motivações, injustiças e preocupações. tanta unha roída, tanta auto-estrada. sorriso. o papel e as palavras foram, em grande percentagem, o meu pedaço nes...

d'O Método

fui ver um ensaio, daqueles tipo treino à porta fechada mas para gente da arte. subiu-me até certo ponto a expectativa porque eram pesos pesados a trabalhar, com um peso pesado a dirigir, com uma técnica supostamente peso pesado. foi pesado de digerir. não no sentido de um texto forte com interpretações marcantes e encenação de choque. foi pesado de digerir como aqueles almoços de cozido à portuguesa desenxabido que nem sabem bem e ficam a trabalhar no estômago o dia todo. foi pesado de digerir porque foi... uma seca. compriiido, com má encenação, atabalhoada e com cortes injustificados longuíssimos, actores em overacting constantemente, sem um estudo dramatúrgico do texto feito como deve ser, que se notava nas variações de personalidade completamente desenquadradas... uma contra-regra que fazia trabalho desnecessário se os actores se dessem ao sacrifício de mexer uma cadeira e trazerem na mão os adereços, um texto que podia ser forte se não fosse tudo o resto ser mau ao ponto de nos d...

meada

acorda. a despedida do calor da pele. o frio a vestir. voar às costas de um anjo. frio que corta. espera e café de saco. carrinha. o meu tamanho não carrega plasmas de 44 polegadas. o caminho é por aqui. música do mundo. falta um dvd. pequeno almoço com guia. folhear o Y, "olha tu!". regresso com sotaques. "sou o único que nunca teve um acidente com a carrinha". manobra perigosa, desvia, acidente. pára que pára pára na calçada. triângulo. esperar e praguejar. arrancar o pedaço de plástico. regresso à base, telefones malditos. "venho pela presente informar V. Exa.". o spot de rádio ainda não saiu. os plasmas não são assim. os convites estão a esgotar. "solicitamos o envio de um fax de confirmação até à data limite". a tua mãe já reservou? sim, sim, é ao estilo teatro de rua. não te estou a falar desse, do outro. falta um logo. muda o lettering. afinal tenho de te dar mais um parágrafo. pára. almoço, dividir a dose. cheira a fumo, está calor, tenh...

diários da perna de pau #4

clic para aumentar ph.t. ms | txt polegar palavras e fotos. há histórias incontadas por detrás de um produto final. poucos saberão, no fim de contas, o que foi dito. o que foi realmente dito e apontado num caderno velho, com letra apressada, depois de dias a implorar uma hora de atenção para cumprir prazos. de tópicos trôpegos de um génio, ao "pesquisa tu que eu não tenho tempo", como se chega a 28 páginas de simples papel? poucos, porventura, terão acesso a uma imagem que teve de ser - para tristeza geral - retirada. os motivos são compreensíveis, claro [por uma vez?]. outras imagens igualmente geniais perdurarão, chegarão a ser folheadas, apreciadas, disfrutadas. para meu orgulho, com os devidos créditos em letras garrafais. esta é a página perdida. de histórias que ficarão por contar. do equilíbrio ténue entre vitórias agarradas com unhas e dentes e sabores amargos de letras que faltam. de um trabalho de equipa que, como sempre, como em tudo, funciona como pouco...

de outras equipagens

uma manhã, cheia de nervos de segundo dia para dois actores. dia normal para os outros, sem descréditos nem diferenças. maquilhagem, roupas, frio e cigarros. o rádio só apanha a RCP e isso são risos e playbacks acrescidos. na torre, no camarim, recebo um telefonema esbaforido da assistente de produção: um dos alunos que vem hoje está numa cadeira de rodas e os professores não tinham avisado. e agora, e agora? faltam 10 minutos para começar. o espectáculo decorre nos claustros superiores, não há elevadores. ainda penso depressa: vamos passar o cenário e charriot com roupa para o claustro de baixo. ainda me surpreendem os outros: sem queixas, sem resmunguices, todos acorrem, todos trabalham, todos carregam. telefonema para as altas entidades que de sentadas à secretária são demasiado burocráticas e não suportam ondas: temos de agir depressa, temos de ter autorização para ocupar os claustros do piso térreo. primeiro um não que gela o sangue, depois o sim. para dar tempo para alguns se ves...

terra queimada

sempre me fascinou o teu cheiro a lenha queimada. olhando-te à primeira impressão dir-se-ia que a tua pele branca de princesa cheiraria a algo como maçãs acabadas de cortar ou loção de bebé. mas tu nunca gostaste de regras nem de preconceitos. sempre fizeste questão de os quebrar. até a tua pele tem essa atitude. cheiras a queimado, a escuro, quando muito a brasas e cinza. e o teu cheiro entregou-te. não me apercebi ao início, quando apenas me sentia confortado. quando o teu lado negro me seduzia em noites agrestes e violentas. quando o jocoso e o irónico, o amargo e o irreverente me envolviam em abraços tão apertados que sentia os espinhos cravados e saboreava o sangue das nossas gargalhadas. mas agora tenho medo. das tuas chicotadas e da minha reacção. já não me satisfazem as nossas noites em que és rainha e esperas que te sirva. e os nossos dias em que violentas os meus pensamentos como se eu não fizesse nada como deve ser. na cama como na vida. sufoca-me a tua política de terra que...

por detras dos montes

criação: Teatro Meridional concepção | direcção cénica: Miguel Seabra interpretação: Carla Galvão, Carla Maciel, Fernando Mota, Mónica Garnel, Pedro Gil, Pedro Martinez, Romeu Costa no Teatro Meridional até 23 de Dezembro 4ª a Sexta às 22:00, Sábado às 17:00 e 22:00 Rua do Açúcar | Poço do Bispo reservas: 218 689 245 o ar é frio e corta. na zona de armazéns estranhos para os lados do Beato, o grupo do Teatro Meridional já tem a sua casinha pronta. um edifício industrial todo recuperado, em tijolo vermelho. lá dentro, um tecto alto de traves pintadas, decoração simples onde apetece estar. bonito, acolhedor, com bom gosto. velas e aquecedores a gás [bom investimento], café de saco à discrição em self-service. o sorriso do rapaz da bilheteira também aquece. o programa é de borla e oferecem um livrinho com turismo de habitação da região de Trás-os-Montes. dá para ir lendo e fumar um cigarro, encontrar casinhas bonitas com preços apetecíveis. já começou a viagem e nem nos demos conta. depo...