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Mensagens

[d]a ficção

no fim do espectáculo, ainda vestindo a personagem, vou passear para o foyer e falar com os miúdos que por ali andam. uma menina de uns 5 anos aborda-me. diz que gostou muito de mim, fui a preferida dela porque também me chamo "Ana". e puxa-me de lado, em estilo de confidência: - olha lá, Aninha, aquela bruxa não era a sério... - [abro muito os olhos, com o meu ar mais espantado] a Doença? não era a sério?! claro que era! eu fiquei mesmo doente há bocado, senti-me muito mal! só me safei porque comi as verduras! - [em tom condescendente, de mão na anca, a revirar os olhos] ó Aninha! isto é teatro , é uma peça... as bruxas eram a fingir, não te podiam fazer mesmo mal!

peticionando

esta era-me impossível não divulgar. vá lá, dêem um pulinho aqui e assinem... mais uma vez, as condições de vida dos chatos dos artistas e do recibamento verde : por exemplo, somos obrigados a pagar um mínimo de 150 euros/mês de segurança social, independentemente de nesse mês [e há muitos] só termos feito um trabalho de 50. e depois não temos direito a subsídios de desemprego, de gravidez ou baixa... os contratos de trabalho não são contratos: basicamente são contratos de prestação de serviços e não nos protegem ou dão quaisquer regalias típicas dos contratos. e o Senhor Estado resolveu que, numa nova lei, ia usar o termo "intermitentes", inteligentemente utilizado e regulamentado em França, mas para manter o nosso estatuto basicamente na mesma, senão pior. tenham a bondade de nos auxiliar...

t.p.c.

constantinopolitano, quando te desconstantinopolitanizarás? eu me desconstantinopolitanizarei quando todos os constantinopolitanos forem desconstantinopolitanizados.

fado

são dez da noite e a calçada ainda cheira a chuva. arabescos de fumo confundem-se com o céu nublado e esperamos ouvir os saltos da Lu chapinhar nas poças. depois de um abanar contente do guarda-chuva, entramos. é tão discreto, secreto, lento o ar ali dentro. nada se mexe para não fazer barulho. até as bolhinhas da cerveja dançam devagarinho. ao fundo, depois das cabeças, o preto. o negrume das mãos postas na tensão da nota, ou será da palavra. não importa. são as mãos, as mãos e os riscos dos olhos que saltam, que vibram, que escorrem nas paredes, para dentro do colarinho e arrepiam devagar a pele desidratada de música. nos intervalos há conversas, há risos roubados ao silêncio, que recua com uma certa benevolência. são jovens, todos, deixá-los. depois voltam, com as guitarras, com os xailes e o preto, às suas outras personagens. observo. as notas, as cadências e as mudanças de volume. escuto. os corpos parece que inchados, direitos, o queixo ao alto à procura. e as outras mãos, os out...

serviço [que pode irritar algum] público

que podia ter o título alternativo "só lá vai quem quer" neste blog , encontra-se a tentativa de ir listando os locais [restaurantes, cafés, bares, etc] onde fumar continua a ser um direito, sem trazer inconvenientes de maior para os não fumadores. pode contribuir-se via mail ou comentário. também encontrei este site , sobre bares. espero sinceramente que a ASAE não o leia, porque senão lá segue a perseguição. perdão, a inspecção que pretende ser totalmente aleatória e que por acaso só tem ido a estabelecimentos com dísticos azuis. repito: "só lá vai quem quer"...

teste

este post será para apagar... o que se passa é que consigo fazer tudo menos ver o meu blog... será que fui fechada pela ASAE? :|

imperfeições

o pequeno pedaço de tinta lascada na parede conta que foi lata a lata que as pintámos todas. o relevo das frutas nos azulejos da cozinha contam que já foi tudo bege-desespero e agora é verde-alface. a ponta de papel de parede levantado fala da festa que foi esconder os azulejos da entrada, e do ataque-relâmpago da nossa gata. e o sofá, que era branco e que agora não vive sem uma manta, invoca das noites quando nem cama havia. o vestido de festa no armário conta que só tu é que me convences a comprar roupa sem ocasião, só porque me achas bonita. a mancha de café no colchão sorri e diz que somos gente de pequeno-almoço almoçarado na cama. os riscos na máquina fotográfica são prova dos teus inúmeros trabalhos. as molduras de madeira por pintar são o rol das fotos e dos cartazes, das viagens e sorrisos. a queimadura na mão traz-me aos olhos quem esteve comigo no meu dia de anos. o quadro por pendurar lembra-me que me devolveste coragem para voltar a pintar. a cama por fazer avisa que ficám...

taxicidade

"Um táxi. Cinco motoristas. Cinco dias úteis. Inúmeras histórias escritas nos estofos gastos de um velho Mercedes. O passo lento do taxímetro leva ao destino personagens que se revelam durante o percurso da viagem e das suas vidas". o Damon , um blogger que me acompanha quase desde o nascimento deste cantinho, sempre me surpreendeu com textos de ficção lindíssimos. nas poucas vezes que nos vimos [ele é do Porto], sempre veio à baila um sonho, um projecto, mas que lhe parecia muito longínquo. cá para mim ele tem talento para dar e vender, força e, acima de tudo, merece. mas pronto. ele achava que não. sinto-me, portanto, muito honrada em anunciar que saiu para as estantes das livrarias o seu bebé, o livro Taxicidade, escrito em parceria com outros 4 jovens. além de ter um tema que apetece e a garantia do contributo criativo deste meu amigo, tem ainda uma capa lindíssima [que as capas são logo um chamariz para a gula literária]. no próximo sábado, os autores descem à mouraria ...

há coisas fantásticas, não há

sexta feira foi um ponto de viragem nesta pequena família suburbana. resolvemos que o orçamento familiar aguentava mais um compromisso a longo prazo: tv cabo e internet normal. o nosso sonho de há muito tempo: mandar o leeento e limitaaado modem zapp à vida, e despedirmo-nos sem pompa nem circunstância das noites de tvshop e aqueles concursos de telefonemas com as mamalhudas de cérebros monocelulares. pesquisámos muito, porque o orçamento é curto. eu queria alinhar nos pacotes da Clix: mais baratos, mais velocidade de internet, tráfego ilimitado, conjunto de canais compostinho em que depois se pode escolher mais uns quantos, tipo pizza. mas a Clix não tem as Foxes todas. e um amigo [ainda não decidi se convicto ou com acções na TvCabo] aconselhou-nos a optar pela TvCabo/NetCabo. porque diz que os outros não podem garantir isto e o outro, cabo de fibra óptica e mais uma catrefada de coisas. e tem as Foxes todas. pronto, siga. começou, então, a aventura a caminho da civilização. mal se c...

publicidade meio institucional

o meu amigo MPR vai, em breve, levar a cena um espectáculo. finalmente, com texto e tudo. enquanto me delicio com os seus ataques, e o ouço vezes sem conta falar das cenas, das dificuldades, das roupas, dos nervos, enfim, de todo um novo mundo que se lhe apresenta, sou também assediada para fazer divulgação da sua peça. só porque é para ti, abro uma excepção e falo dela antes de a ver... ;) GODOT NOS INFERNOS Pelo grupo de Teatro Hipócritas Texto, adaptação e encenação de Alexandre Borges, baseado em "Huis Col" de Jean-Paul Sartre e "À espera de Godot" de Samuel Beckett. Com Ana Chambel, Filipa Pais de Sousa, Manuel Barbosa, Miguel Pires Ramos, Selma Totta, Sara Totta, Sheila Totta, Sofia Ribeiro e Ricardo Lérias. Instituto Franco-Portugais - Av. Luís Bívar, 91, Lisboa 11 de Janeiro a 10 de Fevereiro Sextas e Sábados às 21:30h [dia 18 não há espectáculo] Domingos às 17h [apenas dias 20 de Janeiro e 10 de Fevereiro] Preço: 6,50 euros [com desconto de Pin Cultura, ma...

vendida

a partir de hoje, confesso a minha total rendição e rogo pragas à padeira de Aljubarrota: o único sítio que [a meu ver] realmente cumpriu [pôde cumprir] a legislação e tem os simpáticos locais ventilados para fumadores dentro da sua área comercial [sentados, com direito a bicas, e não à chuva] é o el corte inglês. olé!

a lei da chucha

antes de mais, bom ano novo. ou bom dia 1 de um novo mês, para os menos místicos. agora é proibido fumar... basicamente... em todos os espaços públicos. fiquei por casa, a descansar no quente e a ver as reportagens que por aí andam sobre as reacções à lei. factos: nos estabelecimentos com menos de 100 m2 os donos têm de optar se tornam o local "verde" ou, vá, cinzento. se optarem pelo verde, tudo bem. se optarem pelo cinzento, têm de pôr extractores de fumo. apesar de a lei já estar bem definida há muito tempo, ainda não estão estabelecidas as características que devem ter os tais extractores. e são caros. e se não estiverem de acordo com o que ainda não foi estipulado, pode dar em multas na mesma. se tiverem mais de 100 m2, podem criar espaços de fumadores, mas, lá está, têm de meter os tais extractores que ninguém sabe como são. os não fumadores estão contentes e já vão assumindo aquele comportamentozinho pedante de quem se sente uma entidade superior. os fumadores conforma...

blog em suspensão temporária

[musiqueta de natal em bom[b] pelo meu Donaldim preferido, Achmed, the dead terrorist] porque: é Natal e as prendas são todas feitas à mão [grande agradecimento à Air pela dica da cola quente: elevou a velocidade do nosso trabalho a um patamar nunca antes conseguido] como as prendas são feitas à mão, a roupa está por lavar, a loiça por arrumar, o lixo por levar para a rua, o chão por aspirar. só parei de trabalhar ontem [dia 23], depois de várias maratonas durante semanas a fio, e tive jantar de natal da peça. hoje tenho prendas para terminar e só vou começar a dormir mais de 5 horas por noite amanhã. estou a aproveitar os últimos momentos de liberdade de fumar neste país para poluir o mais possível, enquanto não vedam aos fumadores o acesso aos cafés e esplanadas. os meus tios chegam de Espanha e quero aproveitar ao máximo esta visita-relâmpago. por isso, ficam os desejos costumeiros da época: aconchego, mimo, as pessoas que realmente interessam, e paz... pás pás. ;)

por uma fatia de pão-de-ló

eu e a Câmara Lenta conhecemo-nos há muitos anos. desde um projecto de leitura dramatizada na escola que ganhou tais dimensões que teve de subir para um palco. com lata para reposição e tudo. tempos de reuniões de 20 pessoas, em que todos fazíamos tudo, planeando minuciosamente os desastres à volta de uma mesa com pão-de-ló da avó desta mesma "pequenita". já na altura, se revelava moça com um humor desmedido e uma maturidade acima da média. desde sempre a chateei. escreve. escreve. insiste. nós fazemos, nem que seja num vão de escada. quando acredito no talento das pessoas tenho este problema. e ela muito hesitante, a dar passinhos de bebé. e eu a chateá-la sempre que a apanhava a jeito. mas a acreditar que um dia ia acontecer. e chegou o dia. um telefonema: um piloto. sem garantias, logo se vê no que dá. a minha resposta? "sim, sim, e há pão-de-ló da tua avó?" havia... este fim de semana acordei às 9 da manhã, contentinha como uma criança com um caderno novo. [eu,...

polegar no cinema português

hoje foi o dia da "rodagem da cena com deixas". o nervoso miudinho ainda não tinha acordado, já eu tinha gravado. é que o despertar foi às 6 da manhã, entenda-se. chegar, comer uma sandocha, maquilhagem, cabelos, troca de mimos com o ex-patrão no cigarro da espera ["você nem imagina as saudades que eu tenho de si, minha cara", disse-me ele, e eu de lágrima de crocodila - oh - que - peninha - que - saudades - tenho - eu - do - escritório - e de - sua - azia - matinal quase quase a rolar-me pelo rosto se não fosse a pintura poder esborratar]. em bela diva meio acabada vou ao guarda-roupa e lá está o meu fardamento de criadinha insular do século passado antes do século que já é passado mas que eu não me habituo. vestidinha a preceito, já temos a perfeita mulher do campo, delicada mas vigorosa, com rosetas fornecidas pela secção das pinturas, e só me lastimei de não ter deixado crescer a sobrancelha-monocelha para ficar mais autêntico. e de não me deixarem fazer a coisa...

cabo verde

teatro Meridional até 15 de Dezembro 4ª a 6ª às 22h; Sábado às 17h e 22h rua do Açúcar 64 - beco da mitra, Poço do Bispo, Lisboa bilhetes - 10 euros, vários descontos. eu não dava para crítica de teatro. ia ser acusada de ser amiga deste e do outro. de ser uma vendida a certas companhias. chega-nos uma compilação de textos de autores caboverdianos. prosa, verso, música. uma actriz, um músico. isolados numa ilha de caixas de madeira, uma enorme lua de papel e um espanta-espíritos para deixar aproximar apenas as almas boas. ele faz mar com arroz. ela faz um povo com o corpo. começa com "deus abençoa este espectáculo". e parece que sim, que há uma qualquer força que deixa que cada som, cada palavra e gesto saiam abençoados e contagiem todas as pessoas ali sentadas. são histórias. são coisas pequeninas, gestos de um quotidiano, de um imaginário - bem real - que ali se nos apresenta. são símbolos reconhecíveis por todos, são pequenos contos que lemos como num livro em que as letra...

no dia dos meus anos

desta vez ficámos por cá. e pela primeira vez em 28 anos, trabalhei no dia do meu aniversário. antes de parecer mal, digo que é feriado. levantar cedo, depois da tradicional meia-noite com os meus infalíveis e de doses inacreditáveis de amor até às 3 da manhã, que incluíram uma surpresa muito kinky-pinky e tentar afinar uma guitarra de ouvido. apaguei as olheiras com base e pó e cores e riscos. era dia de dose dupla. dos corredores de correntes de ar disparavam abraços, apertadelas, beijos repenicados e puxões de tranças. porque as pessoas do teatro são assim, expressivas. e eu gosto. o namorido levou-me à porta de artistas e entregou-me na mão do meu mr. bojangles . "seguro a minha mão na tua", já dizia o outro. e na mão de um e na lente de outro dancei a menina. e depois, ainda no palco, cantaram-me os parabéns. o público também, desconhecidos e quatro vozes que cantavam mais alto que as outras porque, já se sabe, a família. "não chora", dizia-me bojangles, sempr...

auto-dedicação

foto de espanta-espíritos para mim, aos meus fantasmas de bolso, com banda sonora ou silêncios, sem dúvida em fôlegos apertados. caminhadas na minha cidade de vento frio a baralhar-me o cabelo. as imagens escorrem apesar de não serem chamadas. simplesmente estão lá. vivas, de bocas riscadas para baixo e palavras amealhadas em meias ilusões que almofadam a queda. é tempo. é tempo de as agarrar com os dedos e ignorar punhos cerrados. para que as sinta sem me magoar. para que não me esqueça. mas para que repouse. servir a gosto. mudemos de casa; porque é preciso arrumar as dores de outra maneira, certificarmo-nos da existência do corpo em novos lençóis, voltar a ter ilusões, lugar propício para a curiosidade de alguns que nos fazem acreditar que a vida é um amplo anfiteatro para as mãos. jorge gomes miranda agradeço à lebre e à menina limão , que me ajudaram a arrumar as ideias.

the extra

pediram-me que escrevesse, e escrevi. afeiçoei-me ao senhor e foi com um gostinho adocicado na boca que soube que ele tinha conseguido levar a sua avante e que os meus dedos tinham dado um pequeno contributo para isso. depois fugi, como se sabe, dos dias cinzentos, à procura de luz e de pinturas que me devolvessem a cor à cara. não sei por quanto tempo, mas isso agora não interessa à conversa. há pouco tempo inscrevi-me numa nova agência, onde trabalha uma colega minha. "procuramos actriz entre 20 e 30 anos, sem madeixas" - não se vê logo que sou eu? conhecendo a minha história, não hesitou em ligar-me: há aqui a hipótese de uma participação pequena no filme do teu amigo. o cachet é uma merda. queres? por acaso até quero. se andei com o bebé ao colo, agora, se posso, quero ajudá-lo a andar. fui, assim, conhecer o glamoroso mundo do cinema. num ambiente bastante aconchegado, ou não conhecesse eu mais de metade da equipa. incluindo os senhores do topo. todos acharam imensa graç...