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Mensagens

do alcatrão . actualização non troppo

queria actualizar o post anterior com mais novidades, notícias, avanços. mas depois do clássico " sacuda a água do seu capote ", as notícias cessaram. que isto de serviço público não é para o jornalismo. nem para o site da Brisa. era aterro, tinha problemas geológicos, mas afinal já sabiam disso tudo, mas ninguém foi ver porque a responsabilidade é sempre de alguém mas de ninguém em especial. já têm lá as escavadoras e continuam a ver se a terra continua a cair. agora esperem. sentados, na segunda circular. todos vocês, os 40 mil utilizadores.

do alcatrão ou a importância do tom

a A9 - CREL é, na minha vida, a diferença entre demorar hora e meia ou meia hora a chegar ao trabalho. um percurso entre duas zonas sem transportes públicos que as unam. na passada sexta feira houve um aluimento de terras na dita Cintura Regional Externa de Lisboa, de manhã. soube pela rádio que cortaram uma faixa, no sentido oposto ao que eu seguia. pensei... tudo bem, aquilo com umas vassouradas vai ao sítio até ao fim do dia, logo à tarde estou safa. estúpida. estúpida. no regresso ouço pela rádio - já tarde demais - que afinal já ia em duas faixas cortadas e 4 km de fila. e eu na fila. durante uma hora e vinte minutos. quando finalmente passo pelo "sucedido", vejo primeiro que tudo uma fila de uns trinta - não estou a exagerar - topos de gama lindos e brilhantes estacionados ao longo da berma. mais à frente um ajuntamento de uns trinta senhores e senhoras, de fatos de corte impecável, sapatinho bicudo, pasta no braço e mão no queixo, visual profissionalizado pelo ...

o bilhete

entraste, simplesmente. recortaste-te na luz contra a penumbra atrás de ti. a noite já se fundia no céu azul. o outono é assim. recortaste-te não pela tua figura imponente, mas pelo vermelho da gabardine, subitamente incendiado pelos néons do restaurante. olhaste em volta e em cada resquício de movimento li que o sistema da loja não te era familiar. estavas mais próxima, agora. encostaste-te ao balcão. levaste a mão ao bolso enquanto esperavas que a velha dos sacos à tua frente fosse atendida. tiraste um pequeno leitor de mp3 de marca branca e carregaste num botão. levantaste o olhar e o empregado esperava-te. esticaste o pescoço para a frente, levando os dedos aos phones e tirando-os dos ouvidos. fizeste o teu pedido. as bebidas são self-service. seguiste-lhe o dedo indicador espetado e dirigiste-te aos copos, de passo hesitante. uma cola. lá do fundo ele perguntava-te mais coisas. quer queijo? quer salada? a tudo respondias com um sorriso cansado. sentaste-te a comer isolando os olh...

crise no peito

hoje recebi um postal que me doeu no peito. a crise em Espanha é tão real que já não se bebe café. e os meus tios, donos de um café, não podem, por isso, vir passar cá o natal este ano. pela primeira vez em... sempre... a casa vai estar mais vazia. só nós. nós, sós. só. se calhar não se justifica o bolo-rei. nem talvez a lareira. e a conversa solta perderá as vogais abertas e adocicadas. não vai haver o momento da corrida para o quintal para ajudar a descarregar as malas, e embrenharmo-nos no perfume forte e na gargalhada da minha tia, nas bochechas frescas e olhos enormes da minha prima, na pacatez sossegada e brincalhona do meu tio. não se afogará a distância de quase um ano num prato de presunto com 1000 quilómetros, cortado por mim com a língua de fora. inspiro forte e atiro-me à costura. as prendas não se poupam só pela distância. em breve, no correio, um embrulho grande com um bocadinho de amor alinhavado na nova máquina de costura. um feliz natal para quem está desse lad...

balançar

não gostei de dar por mim a fazer balanços quando pisei a terceira década. de que serve encostar-me à ombreira da porta e olhar para a sala a ver o que lá está e o que sempre pensámos que por esta altura já devia lá estar? sabemos bem que o que está foi o que se conseguiu, que luta não falta por estes lados. ponho de lado esses balanços e enveredo por outros, que o que me faz falta é rir. nesta vida que se me apresenta, há sempre factos curiosos... ainda posso fazer compras na secção juvenil, mas quando acho que algo está mal, ainda armo arraial como se tivesse 2 metros de altura ainda não tenho celulite apesar de já estar na idade de usar creme anti-rugas, ainda estou a lutar contra o acne eventual ainda sei de cor grande parte da primeira peça que fiz há... uns bons 10 anos. mas não sei o que é que comi ontem ao almoço. (bem, se calhar foi porque não almocei) com meia dúzia de anos de vida nas dobragens, já dirigi uma boa dose de dinossauros com resultados extremamente p...

elo

o regresso a casa faz-se de passos inseguros de quem não toma as coisas por garantidas. são séculos debaixo dos pés. são vidas na roupa. são palavras que se atropelam à saída. há um sorriso familiar da parte da tarde, há gargalhadas a que já tínhamos esquecido o gosto. o corpo frio, falta de treino, estende-se para voltar ao elástico destes dias de pedras amareladas. tem-se como prenda um encenador que fica e ri. as articulações doem, estremecem. e a vaga lembrança sorri, cansada: amanhã há mais...

5º aniversário

este meu bloco de notas nasceu a 11 de Outubro de 2004. não te arranquei páginas, não te-me escondi, rasuras e tudo, como eu cicatrizes e tudo, o que foi foi para ser o que se é. mudas comigo sem mudar de sítio porque assim sou eu, não fujo, fico, bato o pé e quem vier que venha por bem ou leva porrada.  polegada há-de ser sempre polegada porque vire por onde virar serei sempre polegar e o meu mundo é uma amálgama de impressões digitais. para quem cá vem parar por engano, já vai sendo tempo: 1 polegada = 2,54 cm. boa viagem. para ti, que ficas, que estás, quero que saibas, e apesar da era do facebook ter chegado... gosto-te, blog. parabéns.

beautiful revolution

tirado daqui

primeiro amor e um punhado de neologimos

apaixonei-me por ti de caixão à cova quando tinha 9 anos. antes disso já me andavas a rondar. aprendi a ler e a escrever e a falar e isso libertou-me. devagar, em pequenos sabores no recreio, ao fim da tarde nos têpêcês em letra ensaiada porque nunca sabemos como há-de vir a ser a letra da nossa vida. sem medo do apagador, direita na cadeira, amarrecava-me para fazer a perninha do 'a'. e as regras todas de como se faz acompanhar o quê de nove, atrás de um bê ou de um pê vem sempre um mê. e eu praticava a letra, uns dias mais espraiada, outras mais arredondada: esfolei demasiado os joelhos para ser feminina, mas sempre gostei de batom, era assim, simples, podia ser-se tudo ao mesmo tempo porque há misturas que não fazem mal ao fígado. achei graça, dizia eu, a isto das letras, assim o caderno falava comigo e era eu que o punha a falar e sabia como dizer o que me ia na gana. ria-me muito. sempre me ri muito - é um problema que tenho, há-de dizer o cinzentista e o intelectual...

os carros das eleições

quando era miúda, os únicos carros com música que passavam na rua eram, de facto, os carros dos partidos em época das eleições... e os do PCP e associações sindicais em qualquer época aleatória. por isso, vínhamos à janela, ver o carro enfeitado com bandeiras e "dizeres". não havia a chamada pegada ecológica e ainda se gostava do festival da canção e, portanto, das canções dos partidos - que, na época, ainda tinham partidos. eu entretinha-me a decorar as músicas e depois decidia que os meus pais tinham de votar no senhor que tinha a cançoneta mais mexida - coisa que fez corar de fúria a minha mãe um par de vezes e, se eu tivesse na altura um alter ego adulto, far-me-ia dar-me uma eficaz belinha na minha pessoa in [ingénua, inocente e infantil]. hoje em dia é outra fruta. a coisa de um carro passar com música não faz virar [muitas] cabeças, simplesmente calculamos que o dealer está a fazer o giro na nossa rua.

torre de marfim

a mulher cresce entre as insensatezes da vida. há chão que queria pisar. há forças que fogem da mão. o hesitante equilíbrio entre correr e ficar parado. o simples parece-lhe demasiado complicado, nada corre como nos filmes. ri-se e o amargo outra vez. retoma-se no espelho, de gestos certos mesmo que falhados e tira o dia do rosto. investiga-se para lá da moldura dos olhos e não sabe o que encontra. há vestidos pendurados na memória do querer, num quarto paralelo, entre os frascos de creme para a solidão. vêem-se nitidamente naquele lago de açúcar queimado. não são gavetas nem imagens confinadas, são espaços imensos de luz, janelas abertas e portas escancaradas, de vento contente rodopiado pelos passos de quem nunca está só. e quase ouve o tilintar de copos na sala. já vago e gasto, o som, de tanto o pensar. recua. está demasiado longe. já não se esforça tanto, sabe. já não pede ajuda, ironiza. convive consigo e basta-lhe que não lhe baste sem chorar. está crescida, seca, a menina. de v...

da pausa

depois de meses de vozes, alheada do mundo, impôs-se uma pausa. enquanto esperava, fugi. sete dias na paz do Alentejo. amor, azul e fotossíntese. já vi pessoas, assim muito de quando em vez, mas já fui vendo as minhas caras. e continuo à espera que o trabalho resolva arrancar. pode ser que quando lhes der a vontade, eu já não esteja disponível. pode acontecer. porque hoje recebi uma mensagem: ensaios já quinta-feira. enquanto sim e enquanto não, fica aqui a promessa: tenho de voltar a escrever aqui. tem de ser. sinto-lhe a falta, apesar de não ter muito para contar...

a formiga avariada

sonho em australiano dobrado em português, com camisas havaianas e tudo. à medida que falam comigo no sonho, além de responder e viver o drama, dei por mim a corrigir batimentos. é o meu verão possível: ficar a ver praias e ondas e biquinis e bronzeados pelo ecrã, num estúdio escuro. pôr as palavras nas bocas dos veraneantes e mandá-los para quem está de férias poder comparar notas. o mar a sério, esse, vejo-o ao longe entre o glamoroso skyline dos prédios do Dafundo, quando venho à rua fumar um cigarro. qual formiga avariada, estou a trabalhar para lá do humanamente aconselhável no verão. e tive de recusar trabalho - comida - que me iria sustentar no inverno. amigos? nem vê-los. posso sempre aconselhar uma excursão ali para os lados do Dafundo, essa bela localidade. o que me vale? o namorido ter horários tão avariados como os meus, e os técnicos serem, de facto, os meus melhores amigos, e os actores serem tão extraordinários a gravar como são como pessoas.

crisis management

taquicardia de cada vez que toca o telefone, respirar é tarefa árdua no fio da navalha. erradamente, pensei que já estava dispensada de aturar depressões e bipolaridades, pensei que já tinha tido a minha dose, mas afinal ainda terá de haver espaço na paciência para o malabarismo desses tristes fados entre ftps, relatórios de erros, revisões, marcações, remarcações e gravações. a vida não tem tido banda sonora, de auscultadores nos ouvidos, olhos divididos entre imagem e letras, frases à letra e jargão especializado. a contrapartida é das 5 à meia-noite, com a melhor equipa que podia pedir, aprender - sempre - vendo fazer, indicando e corrigindo, agudos graves e entoações, rindo sem dúvida às dúvidas e enganos, fechados numa cápsula alheia às confusões. o bom trabalho faz-se com boas pessoas e pessoas boas. não há praia, não há sol, há café na esquina se houver tempo, mãos dadas na cama e correr para o próximo ponto. dentro em pouco o resultado estará à vista, escrutínio de público-alvo...

entalada

estou entalada entre joguinhos políticos, bichos esquivos, roer a corda e lavar as mãos. pergunto-me se respire, se faça o que me manda o mau feitio: deixá-los desorientar-se enquanto vou para a rua ler um livro ou acabar de pintar o meu quadro. que me telefonem quando se entenderem, que me digam que já não precisam de mim quando nunca cheguei a poder fazer o meu trabalho, ou que me digam que o faça então nas minhas condições. ... esta última é só para me rir um pouco. não tenho paciência politizada, não gosto de jogos de anca, do jogo da corda. disse logo que os objectivos eram impraticáveis, perguntei - oh, inocente frontalidade - porque é que não deixam cair este projecto se não têm condições para entregar uma coisa de qualidade. porque sou competente para perceber o que é fazível ou não, raios me partam se não trabalho nisto há 7 anos e se as pessoas que se cruzaram comigo no plano prático não voltam sempre, com um "vai ser um prazer voltar a estúdio contigo". por isso nã...