Avançar para o conteúdo principal

coisas simples

gosto...

[ms]
de escrever cartas, em papel, num bloco, numa folha, num guardanapo de mesa. deixar no papel os meus traços, a minha respiração, os cheiros. e receber em casa um envelope manuscrito, com selo, com carimbos [de lugares distantes que se calhar não vou visitar] que traz o vento do caminho nas fibras. abri-lo e receber o aroma do quarto, do jardim, da mesa de plástico onde foi escrita. e ver as letras, imaginar uma mão, uma expressão em cada palavra, em cada curva de caneta. a cor, a textura. tudo é um elo físico.

e gosto...

[ms]
de lençóis brancos. que convidam ao descanso num qualquer quarto anónimo em que o sol entra por frestas dos cortinados corridos. gosto de hotéis pelo facto de os lençóis, muitas vezes, estarem gastos, amaciados pelo uso. não dispenso o meu edredon de cores vivas, mas o lençóis brancos têm em mim um efeito mole, lânguido, solarengo...

Comentários

Anónimo disse…
Dextra (ou destra, se preferires).
:)
Anónimo disse…
totalmente ;)
Anónimo disse…
isso é que era! quando quiseres! ;)
conseguiste, neste bocadinho de prosa, dar uma sensação de tacto... não fosses "polegar", não é?... ;)
polegar disse…
olá josé, bem vindo. obrigada ;)

Mensagens populares deste blogue

writer's block

considerando o Polegadas, imaginem que faziam um post para aqui. sobre o que seria e porquê? se quiserem, enviem mesmo um texto. quem sabe não sai publicado... ;)

wc cheap&chic makeover

ora passámos disto para isto quem diz que uns pés-descalços do subúrbio não podem ter um Roy Lichtenstein na banheira? com direito a um armário exclusivo para viagens sensoriais ao passado, recheado de pequenas antiguidades da higiene e cosmética por nós coleccionadas através de incursões a drogarias de bairro. trabalho feito por uma equipa de dois, em 8 dias, por um terço do preço que custaria mandar fazer por "profissionais". há por aí alguém que precise dos nossos serviços de consultoria? fazemos orçamentos grátes e vamos a casa...

visualizem

parte da tarde do dia. apesar de ela estar no trabalho desde as 10, o patronato chegou às 13 a querer fazer ditados de 15 páginas em cima da hora de almoço dela. ela teve de apontar em letra de médico - que não sabia que tinha - os ditados intermitentes, recheados de "coiso" e "prontos, tu sabes" às quais teria de dar definições específicas quando voltasse. assim que regressa de comer, senta-se com o intuito de despachar as tais 15 páginas de projecto alterado, com tabelas, contas e imagens. tudo por decifrar e a enviar dentro de meia hora. tenta concentrar os olhos e os dedos, que a dor de cabeça já lhe assou o cérebro. já está de olhos em bico. o patrão neguinho, de pança saliente, carapinha e calções, sentado no outro computador, começa a declamar Shakespeare. alto, que ele só tem dois volumes: alto e muito alto. ela pede-lhe suavemente que a poupe. ele ri-se e continua. ela faz uma careta que desenvolve, muito rapida e detalhadamente, para o queixume trémulo em ...