quinta-feira, 27 de novembro de 2008

bonjour

o ambiente no meu camarim é geralmente épico. língua afiada e pouca cafeína, acho eu. portanto entro, maquilho-me a contar até duzentos para não rebentar com as enormidades que se vão acumulando no ar, e saio a abrir para aquecer no corredor.

no entanto, hoje aconteceu um pequeno milagre.
os clássicos da disney, em brasileiro, salvaram a minha manhã.
e por isso, agarrei a oportunidade e cantei tudo o que me lembrava, fazendo as vozes de todos os personagens incluídos em cada número.
em plenos pulmões.
eu, que não canto.

só por um bocadinho de paz, de gargalhadas com gosto enquanto pintava [literalmente] o focinho.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

tu és tão grande



deixa-me ver a tua mancha.
mas és uma pessoa, não és?
vais sair daí?

mais ou menos.
[isso de] ir ou ficar.
onde estaria?

descansar. sim. só.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

são martinho


foto de espanta-espíritos

por estes lados a rua fria ainda cheira a lume.
em casa, uma manta, o aquecedor e a nossa mistura perfeita das melhores tradições: castanhas no forno e vin chaud.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

pânico combustível

na bomba de gasolina, ouve-se a voz roufenha de uma rapariga da caixa:
- senhor da bomba cinco, desligue o telemóvel.
começam a rodar cabeças à procura do imbecil. volta a voz, um pouco mais alterada:
- senhor da bomba cinco, por favor desligue o telemóvel.
vemos o imbecil, continua imperturbável - vá, talvez o barulho do intercomunicador esteja a chatear um bocadinho, mas pronto -, telemóvel numa mão, mangueira de abastecimento na outra. esbracejamos, mas nada. eu começo a gritar na direcção do imbecil, tentando comunicar pelo único meio que acho que ele compreenderá: "ó senhor! trrim-trrim não! gasolina! fssst cabum! morrer! explosão! dói!" a menina da caixa insiste, cada vez mais nervosa:
- senhor da bomba cinco, é proibido falar ao telemóvel. está a ouvir? desligue o telemóvel. senhor da bomba cinco?
o meu namorido começa a encaminhar-se na direcção do imbecil, fazendo-lhe sinais para parar. abana-o para ele levantar os olhos. ele lá se apercebe que a conversa é com ele e desliga. no ar, a última frase em pânico da rapariga da caixa:
- senhor da bomba cinco, sou muito jovem para morrer.

os senhores da bomba seis têm um ataque de riso no meio da estação de serviço.

domingo, 9 de novembro de 2008

quando se pensa que já se viu tudo

vai-se comprar farinheira ao supermercado e vê-se numa estante um Trivial Pursuit edição DVD...
porque deve dar muito trabalho às novas gerações essa coisa de atirar os dados ou mexer o queijinho.

chega-se a casa e, abananadamente, descobre-se que até há a versão digital do bicho, tipo Game Boy, ou para os mais modernos, vá, PSP, para acabar com o incómodo dos cartões...

medo...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

um pedaço de história americana

nos bastidores de um teatro em Lisboa, uma colega estava quase histérica no camarim, de contente. durante o aquecimento, em vez de "força, merda", gritou-se "Obama".
soube por fonte fiável que noutro espectáculo uma "menina" da Brízida Vaz também gritou, mas em cena, pelo Obama [aqui entre nós, lixando um bocado toda a dramaturgia do Gil Vicente, eheh]...

hoje está tudo parvo em bom.
faço parte desse sentimento.
sei que um homem não resolve uma crise mundial, mas identifico-me mais com as suas intenções e planos práticos do que com outros.
e sei que, acima de tudo, um povo inteiro que vivia arreigado numa pequenez de espírito assustadora deu um passo incrível por cima dos costumeiros preconceitos fúteis para acreditar na força e propostas desse homem.
e como, por acaso, esse povo tem uma influência gigantesca em tudo o que se passa por todo o lado, eu agradeço.