domingo, 31 de outubro de 2004

FDS Prolongado...

Esta 6ª feira, toda a gente à minha volta planeava o belo do fim-de-semana prolongado.
"E tu, que vais fazer?". Eram as perguntas animadas de quem às vezes não se apercebe de realidades paralelas bem menos agitadas.
Viagens, malas feitas, pressa para sair do escritório, telefonemas, vêm-me buscar, não sei onde é o encontro.
Hot dates, ou viagens em grupo ou simplesmente uma data de encontros com amigos para actualizar o álcool no sangue.
Reponho o sono, apesar de saber que 3ª feira já volta tudo ao mesmo. Acordo, aqueço o almoço. Vejo séries na cabo. Fumo. Janto fruta. Vejo um filme que já tinha visto no cinema. Conversa de circunstância com os pais, afinal a vida é bela nesta redoma que inventaram e onde nos querem manter à viva força. Vou à net, mas até mesmo os habituais 700 mails de colegas foram de férias. Não há contacto com o exterior. Fumo. Acabo um livro que me emprestaram. Era muito bom, obrigada.
Adormeço.
Acordo com ainda mais dores musculares. Mudou a hora. Merda, mais uma hora para ocupar. Tomo um banho sem grandes pressas, a ver se o corpo me dá folga. Cozido à Portuguesa. Nunca gostei, mas pronto. Venham os enchidos. Com um bocadinho de vinho tinto, que esse sabe sempre bem. Café. Troca-se uma molha pela cafeína barulhenta da pastelaria. Saco dos cigarros, não há muito mais que fazer às mãos. Vejo séries na cabo (Obrigada SIC). Venho ao mail, não está ninguém. Tenho de ligar a uma amiga para pôr a conversa em dia mas nem isso me apetece.
E ainda é só Domingo.

Tinha feito uma resolução de agora aproveitar o glamour da minha vida nova, da minha solidão. Ia montar a minha casinha... Já não dá (não há namorado, não há pai-lhaços). Saídas aos fins-de-semana com os amigos? Estão tão habituados a que eu não possa sair que já nem me telefonam. Actualizar o cinema? Não gosto de andar sozinha. E tenho de poupar para... sei lá o quê. Talvez seja desta que pegue nas malas e vá viver para bem longe. Mas tenho de comprar as prendas de Natal e aniversário (que esta família decidiu nascer toda ao mesmo tempo).
Oh, merda, tenho mesmo de arranjar uma vida...

sábado, 30 de outubro de 2004

Pastéis de Nata

Noite. Chuva. A potes.
Começou a tamborilar no carro.
E lembrei-me de como gostava de andar à chuva, em miúda.
Há certas alturas em que a alternativa é mesmo essa. Ser miúda.
Saí porta fora (tranquei o carro, ah pois, sou doida mas não sou maulca), tirei o tal boné azul e pus-me de cara para a chuva, de boca aberta, língua de fora, a beber as gotinhas.
Saltei nas poças, encharquei-me.
Apetecia-me ir para casa tomar um banho de espuma, mas, com a roupa e o cabelo colados ao corpo, entrei numa pastelaria.
Estava com ar de arrumador de carros.
Sentei-me e bebi um chá quente e ataviei-me de pastéis de nata.


sexta-feira, 29 de outubro de 2004

Lua

"A lua desapareceu por completo na madrugada de quinta-feira. A noite tornou-se escura e envolveu a Europa, a África e a América, num eclipse total. O círculo lunar criou um verdadeiro espectáculo cor-de-laranja. Os portugueses que perderam este fenómeno, devido à nebulosidade só terão oportunidade de o voltar a observar em 2007".
[DN, 29.Outubro]

Porque é que a lua só é digna de nota quando desaparece?
O seu espectáculo, quanto a mim, é a sua presença diária, no céu e no meu imaginário, bem como no meu quarto.
Companhia infalível de cada noite, de cada km de estrada. Confesso, às vezes até desligo os faróis do carro para ver o asfalto pratear.
Ela não me abandona. Sempre lá, com cara de riso. Se influencia marés, porque não influenciar as pessoas?
E pouco me importa que ilumine as noites românticas dos casalinhos borbulhentos clichés. Aproveitem-nas. Ou não.
Ilumina as noites de quem precisar dela. De quem a quiser receber. E eu sou lunática por excelência.


quarta-feira, 27 de outubro de 2004

Jobs

Tenho um emprego giro... Não é o meu trabalho do coração, mas ponho o coração neste trabalho também.
Gosto de poder andar por Lisboa, entre ruas estreitas, antigas, às vezes ensolaradas, às vezes molhadas e escuras, mesmo ao pé do Rossio.
Gosto da Calçada onde está o meu escritório, gosto que o escritório esteja num último andar, de cuja janela se vêem os telhados de Lisboa antiga e se adivinha o Tejo.
Não gosto tanto de ter de subir tudo a pé, íngreme e comprida como é, fumadora e preguiçosa como sou.
Gosto deste mini-bairro, onde às vezes há porrada, nunca se consegue arranjar lugar para estacionar porque um velhote gosta de estar num canto da estrada a ver os carros passar e não os deixa parar ali... E um bêbado canta o fado ou assobia alguma melodia melancólica.
No restaurante-tasca onde vou, que já não suportamos pela repetição dos pratos do dia, há um senhor simpático que me tira as espinhas do peixe.
E pode-se acertar o relógio por um grupo de miúdos pequenos que sobe a calçada ás 2 da tarde com um grito de guerra para esse senhor:
"Ó senhor fixe, ó senhor fixe,
venha cá, venha cá,
dê doces à gente, dê doces à gente,
pronto, já está. Pronto, já está"
Gosto do meu grupo de trabalho. Somos 3 mulheres, terríveis. O trabalho atrasa, mas faz-se. Entre risotas e parvoíces que ajudam a descontrair. Falamos de sexo enquanto arranjamos milagres para colocação para estagiários.
Gosto de não estar muito tempo sentada à frente do computador e sair por aí, com grupos de pessoas tão diferentes. E poder sorrir-lhes e mostrar um bocadinho desta cidade, e dar-lhes novos conhecimentos.
E gosto que no fim tenham sempre uma caneca ou um postal da terra deles para me oferecer, e há sempre o convite para ir lá um dia, à terra deles...
Já tenho uma casa em meia dúzia de cantos deste mundinho... Falta-me o belo do guito para ir lá ter...
Os turcos querem arranjar-me um marido rico.
As polacas querem que conheça a Cracóvia.
Os alemães querem mostrar-me Berlim, e os espanhóis já me fizeram um guia de Sevilha.
Não gosto de ter de andar de metro uma datas de horas por dia, para a frente e para trás.
Não gosto de calcorrear Lisboa a pé, quando me dói o corpo todo.
Não gosto das filas da Carris quando tenho de comprar 37 passes.
Mas gosto de encontrar sorrisos em lugares inesperados. "A menina é que é uma simpatia por nos estar a aturar."
Eu respondi:
Se nos aturássemos todos uns aos outros assim, era tudo mais fácil...


terça-feira, 26 de outubro de 2004

Tempestade

Começou agora.
Andaram a ameaçar com ela todo o dia, cheguei a pensar que era mais uma partida deste nosso governo tão travesso (agito o dedo espetado no ar, arqueio a sobrancelha, e faço tssc tssc)...
A assustar a minha mãezinha... Coitada, bem que ela me pediu hoje para eu ir com cuidado para o emprego... Tentando confortá-la, disse-lhe "Tem calma, eu digo ao senhor condutor do metro que mandaste dizer para ele ter cuidado..."

A chuva começou a sapatear na janela do sótão, depois já não era sapatear, era mesmo aos pontapés... e o vento foi subindo de tom e tornou-se um uivo. Parece que o telhado vai desta para outra daqui a nada...
Sempre tive medo de tempestades... E ao mesmo tempo fascinam-me.
Desde miúda.

Mas ser miúda era um luxo, não era?
Qual Playstation, qual Pokemon, qual Quinta dos Fanhosos!
Eu queria era ir para a rua esfolar os joelhos na minha praceta! Roubar "giz" nas obras e desenhar a macaca, onde saltava toda a tarde. Beber chá quentinho e doce, que trazia num termo amarelo dos Marretas, e que distribuía pela turma toda. Espatifar as canelas dos meus inúmeros namorados (sim, nessa altura era concorridíssima). Andar à boleia na bicicleta de uma amiga. E parecia que corria o mundo todo, às voltas àquela pequena ilha de carros estacionados.
E a minha mãe não sabia que eu ia dançar Onda Choc para casa das minhas amigas que viviam no outro lado do bairro (longíssimo, 10 minutos a pé)... "Ela foi ao pão", dizia-lhe a minha avó. eheheh... Eu e a minha avó éramos imparáveis. Era ela a minha cúmplice. Deixava-me ficar na rua até às tantas da noite no verão, a brincar e a fazer campeonatos de balões de "Super Gorila".
Ia comigo ao café e deixava-me atravessar a rua sozinha. Íamos à Baixa, à Praça da Figueira dar milho aos pombos! (Sim, eu contribuí para alimentar as ratazanas do céu, sim!)
Íamos para o monte apanhar papoilas, para compôr os raminhos da espiga que oferecia aos meus pais.
E era com ela que ficava de noite a ouvir o sapateado da chuva nas janelas, e o vento a uivar nas árvores da praceta. Ela lembrava-se sempre de Santa Bárbara... Ah pois! e trazia-me umas meias para eu calçar "porque tens os pés tão frios"...
E cantava fado, enquanto lavava a loiça, porque sabia que estávamos só as duas em casa.
E eu agora às vezes canto fado a lavar a loiça...
E ainda me lembro dela a revirar os olhos com a tempestade, a chamar nomes ao gajo que mandava os relâmpagos...


domingo, 24 de outubro de 2004

Batalha

Foram meses exaustivos, em horário pós laboral, pós real, realidade virtual.
Demos tudo o que tínhamos, pedimos emprestado o que não tínhamos, inventámos o que não nos emprestaram.
Até o tempo. Investido em noites sem sono, olheiras e incapacidade de raciocínio. Esgotamento emocional era nova realidade e não só uma expressão pseudo-avant-garde...
Discutimos muito... Oh, sim... De que maneira... Subimos paredes, já não nos podíamos ver à frente, mas voltámos lá todos os dias...
E fizemos uma peça de teatro.
Que eu queria há 3 anos... Esta história tinha de ser contada e eu queria fazer parte disto.
E hoje chegou ao fim.
Pisei aquelas tábuas, vivi aquelas vidas, trabalhei, suei, chorei, ri.
É esta, a dádiva.
É um trabalho de grupo.
É o chegar todos os dias cansada do trabalho e ir para ali, carregar sofás, lavar pratos, maquilhar, vestir, transformar, levantar o queixo, esquecer a vida e dar o passo em frente que nos expõe.
De repente acendem-se as luzes, ouve-se a música, o burburinho do público a acalmar na plateia. E não há retorno. E dependemos uns dos outros como uma cadeia. Como um pelotão em batalha.
E àqueles que ali estiveram, sentados a receber a história que tínhamos para contar, obrigada.
É por eles.
É uma paixão incondicional.
É a minha vida, e não sei vivê-la de outra forma.
Hoje apagaram-se as luzes deste capítulo. É a parte triste do actor. Ter de fechar a porta do teatro, trazendo consigo as malas e os textos, e as flores, e as recordações, e os cheiros.
Que ficam na pele.
Mas voltamos sempre, a reconstruir tudo do início.
Até já.

quinta-feira, 21 de outubro de 2004

Metro

O rapazito estava sentado à minha frente, de frente para o vagão atrás de nós.
De repente vejo-o levantar os olhos e sorrir timidamente.
"Está-se a rir de mim... ok... o boné azul turquesa chama a atenção..."
Não. Daí a pouco os olhos brilharam-lhe. Acenou.
Voltou a fixar o olhar no chão, mas de vez em quando levantava-o, hesitante.
E sorria. E brilhava.
"Levanta-te. Sai na próxima estação e muda de carruagem. Vai... Força... Mostra que queres, ela vai perceber..."
Mas ele ficou.
E quando saí, ele lá estava... A torcer os dedos, de olhar baixo, as estrelas a caírem no chão sujo.




quarta-feira, 20 de outubro de 2004

Amarelinhas

Ainda há pequenos recantos nesta cidade que me surpreendem pela sua simplicidade. Pelo facto de me levarem ao tempo da minha infância. Ao tempo da minha avó.
Há um cafézinho na rua dos Jerónimos de portas amarelas.
3 senhoras e um senhor.
Todos já entradotes.
Houve uma altura em que lá ia todos os dias.
O rádio velhinho num canto da sala está sempre na Nostalgia.
Os guardanapos de papel enrolados em copos de galão. Lembram-se?
Tudo é amarelo e branco. Como a cozinha da minha avó.
E aquelas senhoras, apesar da idade, cheias de vida, com que enchem aquele cafézinho.
Temos a D. Teresa, mais tímida e nervosa, mas sempre afável.
A D. Lena é a das batatas fritas. Eu nem gostava de batatas fritas, mas ali são às rodelas fininhas, estaladiças, cortadas sempre por ela. De manhã, lá está ela a cortar as batatinhas.
A D. Fernanda (outra coincidência, avó) é nitidamente quem comanda as hostes. Controla a caixa registadora. É uma mulher enorme, de cabelo preso sempre com aquela mola, a boca pintada como já não se usa... Mas nela só podia ser assim.
Anda por ali com uma espantosa ligeireza.
Ao fim do dia, quando já estamos só os do costume, senta-se numa das mesas, a comer uma peça de fruta, a falar de Iogurtes e do que vai fazer para o jantar, a meter-se com o marido (sempre sério, no seu avental amarelo, muito mais lento e atrapalhado que elas, aguenta-se à bronca com meios sorrisos e piadas entredentes), a limpar o suor do rosto cansado.
De vez em quando estica o pescoço e cumprimenta algum vizinho, cliente, amigo, conhecido. "Então, está bonzinho? Cá vamos andando. Então até loguinho".
É tudo assim. Aquele desvelo com diminutivos.
"- Olha o pratinho da menina, que já está à espera. Não quer saladinha?"
"- O cafézinho, é para agora ou espera pelo colega?"
"- Então e hoje, vai um bolinho?"
Quase que ralham se me levanto para ir buscar o cinzeiro. "Não era preciso, menina, eu já levava o cinzeirinho".
E eu divirto-me, ao fazer uma festinha numa delas, e a despedir-me com um "Até amanhã, beijinhos!"
E ouço o ternurento "Até amanhã se deus quiser, filha! Beijinhos".
Temos de lá voltar...

segunda-feira, 18 de outubro de 2004

Próxima Estação...

Alvalade . Roma . Areeiro . Alameda* . Arroios . Anjos . Intendente . Martim Moniz . Rossio .

Martim Moniz . Intendente . Anjos . Arroios . Alameda* . Areeiro . Roma . Alvalade . Campo Grande** .

*Há correspondência com a linha vermelha
** Há correspondência com a linha amarela

Eu devia chamar-me linha verde...
Verde fico eu, com o balançar do metro. Ultimamente fico um bocado enjoada. Mareada.
Começa a fartar-me, este percurso. Várias vezes ao dia. Sempre igual.
Caras de almofada de manhã, maldispostas e ensonadas.
Caras apressadas à tarde, enervadas, epilépticas.
Alguns risos dos estudantes (e dos putos em geral) quebram o gelo.
Pouco varia... Às vezes tenho de ir por outra linha... Ou apanhar autocarros e o seu delicioso refogado, nestes meses agora "au vapor", por causa das janelas fechadas...
Pr'á loucura mesmo é andar no Cacilheiro. Aí não enjoo... estranho...

Já repararam (ó multidão incontável de fiéis seguidores deste blog e da Sua Palavra) que o metro agora avaria quase todos os dias?

Gostei de ver hoje um quasi-narcoléptico. Ao menos deu para me rir.
É que ainda por cima tinha-me esquecido dos auriculares... no carro...



Falling Fall

Este tempo deprime-me. Fico mole, sonolenta, com dores de cabeça, sem vontade de nada. Tenho muito frio, mãos e pés gelados, estou sempre com arrepios, ando encolhida, espirro imenso e parece que os olhos me querem sair da cabeça... Credo, pareço uma velha... O problema é que não sei fazer crochet...
Podia pensar... bem, agora ia era uma mantinha, uma caneca de chá quentinho, um livro...
Opá, não!
Ainda não. Isso é no Inverno, não é?
Então e aqueles dias de Outono, brilhantes, em que me sentava na esplanada ao sol a ler um livro, a sentir o cheirinho das castanhas, trazido pelo vento frio?
Pá, organizem-se! Não me digam que os senhores do tempo também fizeram greve! Ou será que não foram colocados?

Manhã

Estou levantada há mais de 4 horas... Porque será que o tempo de trabalho só começa a contar quando chegamos ao sítio? Anyway... Hoje estou sem carro, vim de camioneta com aquele típico cheiro a casa-de-banho-usada- perfumada-com-ambientador impregnado nos estofos-alcatifa. Na paragem apanhei chuva (vulgo molha...). Já atravessei meia Lisboa, como é meu costume. Já entreguei a primeira encomenda de turcos ao IST. Fui recebida por uma senhora muito mal encarada. Uma professora, claro.
Tentei explicar-lhe: o metro avariou. "Pois, mas devia estar aqui às 8:20".
Minha senhora: estávamos no metro, parou no Martim Moniz, abriu e fechou as portas duas vezes. Trancadinhos e aconchegadinhos lá dentro, ouve-se a voz do condutor... por motivos de avaria, temos de desligar as luzes. Trancadinhos, aconchegadinhos e às escuras, ali ficámos. Até o metro abrir as portas e eu voltar a sentir a minha pulsação. Saiu toda a gente, o comboio fecha as portas e arranca. Tivemos de esperar pelo seguinte.
Deixei os turcos e a mal-encarada. Se calhar tá a poupar nas rugas de expressão.
Voltei ao escritório, fui a primeira a chegar. Fui ao café, onde foi ter a minha colega. Saiu disparada e levou-me o isqueiro.
Vim cá para cima. Estou sozinha, como já vai sendo hábito.
E um bêbado que para aqui anda, canta o "pomba branca" em plenos pulmões...
São 10:20 da manhã.

domingo, 17 de outubro de 2004

Filmes de Sempre

Não sei, eu considero-me eclética...
Gosto de tudo um pouco e não nego à partida uma película que desconheço...
Há quem me chame intelectualóide. Há quem me considere tão básica que não me convida para ir ao cinema. Curioso é que a maioria das pessoas tem mais dificuldade em aceitar as escolhas dos outros que eu...
Agora... Ele há filmes que sim senhor!

When Harry Met Sally: comédia romântica, lamechas. A Meg é e será sempre a Meg, assim... E o Billy a mesma coisa. Mas e a relação, o desenrolar, a banda sonora, a menina-mulher que ela é, o orgasmo no café, a autenticidade dele?
"- You made a woman meow?!"
"- Waiter, there is too much pepper on my papprikash"
"- When you find that you want to spend the rest of your life with someone, you want the rest of your life to start as soon as possible!"
"- You see? That is just like you, Harry. You say things like that and you make it impossible for me to hate you!"

Cidade de Deus: violência gratuita. Meus senhores: aquilo são meninos da favela. A melhor direcção de actores, a mais pura matéria prima, uma grande realização. Puro, puro.
"Se correr o Bicho pega, se ficar o Bicho come" (olha, podia ser o novo slogan da quinta dos famosos!)

As Pontes de Madison County: O Clint Eastwood tá definitivamente a mais. Devia ter sido o Redford... Mas esta não consigo explicar. Só vai perceber quem me perceber...
"These kind of certainties you only have once in your life"

Shakespeare in love: típico candidatozinho favorito aos óscares. Pois. Os textos, a história dentro da história, o teatro, o teatro...
"Oh, I'm fortune's fool!"
"I saw her boobies"
" Too late, too late..."

8 Femmes: opá, filmes franceses... Bleargh! Ah, mas é de partir o coco... E a linguagem de teatro...
"Toi, mon amour, mon ami, quand je réve c'est de toi, mon amour, mon ami..."

Moulin Rouge: musicais??? Já morreram... Ah, mas o Baz Luhrman é insuperável. E eles cantam bem. E aquelas imagens, a banda sonora...
"Come what may"
"The gratest thing you'll ever learn is just to love and be loved in return"

Le Fabulous destin d'Amélie Poulain: É francês. Pois. E o imaginário daquela menina? Too much!

Love Actually: Sim, sim, outra comédia romântica... Lamechices... Bichices! Uma sequência de histórias tão simples, tão únicas, que se entrelaçam mestramente. Rir e chorar ao mesmo tempo. Representações de cortar a respiração. É ver o making of, as deleted scenes... Havia tanto mais para dizer...
" Is there anything worse than being madly in love?"
"I´ve seen life from both sides now"


Hable con Ella: Almodovar é demais para o meu estômago. Compreendo.
"Hable con ella"

Romeo+Juliet: Vão-se catar, até o Leozito vai bem!
"I'm kissing you"

Les Triplettes de Belleville: animação... francesa!!! E a protagonista é portuguesa! Dois em um!
"Numa casa portuguesa fica bem..."

Eternal Sunshine of the Spotless mind: O da Máscara? A do Titanic? Textos daqueles dois malucos? Sim, sim, sim! Perfeito.
"Please let me just keep this one"

Eu podia passar aqui o resto da vida...

Lei de Murphy

O Murphy é um dos meus melhores amigos, um conselheiro de primeira.
E quase se poderia considerar um visionário... Pois todas as situações estão previstas na Sua Lei...
Basicamente: o que pode correr mal, correrá mal.
Explicitamente: Loja do Cidadão.

A minha irmã

Conversa no café, esta tarde...
O meu pai:
- Ouvi dizer que o João Santos vai doar um Stradivarius para ser leiloado e arranjar fundos para uma casa de repouso.
A minha irmã (preocupada):
- Só espero que não seja a do Colombo...

...

sexta-feira, 15 de outubro de 2004

Despiste

Estou a tremer. Estou sem sentido e o meu corpo dispara em todos os sentidos, à dúvida.

Ontem ia-me despistando no carro. Descida de asfalto molhado, curva e aí vou eu.
E está a passar-me essa estranha dança com o destino pelos olhos outra vez. Não há melhor descrição possível para este meu dia.

Não sei como segurei o carro.
- Seguraste o volante com as duas mãos, meteste a segunda e não puseste o pé no travão nem tentaste compensar a direcção. (lado racional dixit)
Claro, claro...
Até um carro enlouquecido consigo controlar.

Estou na dúvida se consigo ou quero controlar a minha vida. Está em despiste.
Estou em queda livre.
E não tenho rede. Não tenho... rede.
Quero cair de uma vez. Pela primeira vez na vida.
Ou então que venha uma mão e me estenda o polegar, para eu me agarrar. Mas já... Por favor...

Não cheguei a tempo nem o tempo me chega.
Estou dormente. A minha mente adormeceu, o meu coração adormeceu, a minha coragem adormeceu... A minha esperança não me deixa descansar.

Tinha prometido a mim mesma que este blog não entraria por aqui. Promessas...
Tenho de arranjar uma vida.


quarta-feira, 13 de outubro de 2004

Religiões

Hoje acordei, e, como tive a sorte de não ter de ir trabalhar de manhã (sou tão competente), acendi a televisão. Grande erro... Lá estava, em 3 dos 4 canais (porque eu aqui não tenho cabo) a bela da procissão das velas. E naquele único que não estava a passar esse directo, era um desses fabulosos programas da manhã... SOBRE Fátima.
Ok, sou agnóstica mas respeito a religião de cada um. Agora o que me parece é que a televisão não está nessa onda...
Quer dizer... TODOS os canais pegaram nessa linda temática que é o dia em que o sol dançou no céu.
Está claro... Somos um país católico. 'Tá bem, eu percebo isso.
Mas já foram passear pelo Martim Moniz?
Uma mistura inacreditável de pessoas, raças, cores, roupagens e cheiros... Acima de tudo... uma mistura fantástica de religiões.
Devem estar a pensar: esta gaja não regula... Então o Martim Moniz... Esse antro de pobreza e assaltos.
Pois. É verdade. Mas pode olhar-se com outros olhos. E sentir o cheiro a caril e a temperos e a ervas e legumes estranhos ao nosso paladar. E ver o cigano a tentar meter a tralha toda num carro pequenino, desesperadamente a tentar encaixar a filha de 4 ou 5 anos no meio da bagagem. E os chineses de ombros recolhidos, tímidos, mas de sorriso tão rasgado como os seus olhos. E entrar nas lojas onde vendem pedras mágicas, ginseng e roupagens que nos parecem saídas de uma festa de máscaras. E descobrir nas traseiras do Rossio e da Praça da Figueira aquela zona onde dezenas de negros passam o dia, de pele brilhante e sorriso franco, com os seus fatos tradicionais, e conversam, riem, fumam cachimbo. Sentados em frente a cavaletes e folhas em branco onde desenharão o rosto de um qualquer transeunte que por ali passe; ou em frente a enormes sacos com conteúdos variados, comidas estranhas...
Eu também acho que nem tudo é perfeito. Existem demasiadas pessoas e pouco mercado de trabalho, pouco dinheiro, e nem todas as pessoas são boas pessoas... Mas este texto não é sobre isso.
Portugal é um país de muita gente. Gente muito diferente. É, portanto, um país de muitas religiões. E, parecendo estranho, naquela pequena amostra de que falo (porque é meramente uma amostra, há pessoas de povos diferentes por todo o lado neste país), o Martim Moniz, a vidinha corre bem, harmoniosamente combinando Indianos, Chineses, Africanos, Portugueses e Turistas de todos os lados. Eu sei, eu passo por lá todos os dias.
Gostava que a nossa televisão se apercebesse disso.
Gostava que o povo (tanto imigrante como o local) se apercebesse disso.
Também gostava que de manhã passasse UM programa de jeito, mas pronto...

segunda-feira, 11 de outubro de 2004

porquê, meu deus, porquê?

Apeteceu-me aderir aos blogs.
Sempre achei que dos blogs só podiam haver dois tipos:
Ou criados por pessoas que achavam que iam fazer grandes dissertações sobre a vida e que alguém se daria ao trabalho de as ler (amigos excluídos, que esses fazem sempre o favor).
Ou criados por pessoas com uma grande veia artística e realmente algo de importante e mesmo acutilante a dizer. Conheço exemplos de ambos.
Ora porque é que eu aderi aos blogs?
Porque é fashion?
Porque me queria sentir integrada, e tendo um blog, ia ter mais um assunto de conversa à mesa do café com os meus amigos cultos?
Porque tenho tanta cultura e capacidade argumentativa que faltava mesmo um sítio onde publicar a minha genialidade, os meus comentários arrebatadores, as minhas verdades universais?
Não...
Apeteceu-me, que dizer? Assim uma coisa louca, rebelde, pá! (ler com entoação treca-treca)

Fiz isto por mim.
Não posso fazer muito mais, ao menos vomito disparates no teclado... (a imagem que me surgiu agora não foi simpática... mas também como ninguém vai ler isto, tou-me pouco lixando)
E pronto! Já tenho um blog!
Olha, a ver se ligo aos meus amigos, a contar a novidade, pode ser que assim já queiram beber café comigo!