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Manhã

Estou levantada há mais de 4 horas... Porque será que o tempo de trabalho só começa a contar quando chegamos ao sítio? Anyway... Hoje estou sem carro, vim de camioneta com aquele típico cheiro a casa-de-banho-usada- perfumada-com-ambientador impregnado nos estofos-alcatifa. Na paragem apanhei chuva (vulgo molha...). Já atravessei meia Lisboa, como é meu costume. Já entreguei a primeira encomenda de turcos ao IST. Fui recebida por uma senhora muito mal encarada. Uma professora, claro.
Tentei explicar-lhe: o metro avariou. "Pois, mas devia estar aqui às 8:20".
Minha senhora: estávamos no metro, parou no Martim Moniz, abriu e fechou as portas duas vezes. Trancadinhos e aconchegadinhos lá dentro, ouve-se a voz do condutor... por motivos de avaria, temos de desligar as luzes. Trancadinhos, aconchegadinhos e às escuras, ali ficámos. Até o metro abrir as portas e eu voltar a sentir a minha pulsação. Saiu toda a gente, o comboio fecha as portas e arranca. Tivemos de esperar pelo seguinte.
Deixei os turcos e a mal-encarada. Se calhar tá a poupar nas rugas de expressão.
Voltei ao escritório, fui a primeira a chegar. Fui ao café, onde foi ter a minha colega. Saiu disparada e levou-me o isqueiro.
Vim cá para cima. Estou sozinha, como já vai sendo hábito.
E um bêbado que para aqui anda, canta o "pomba branca" em plenos pulmões...
São 10:20 da manhã.

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