segunda-feira, 28 de abril de 2008

wall [air] street

acompanhar as mudanças de preço dos vôos das low cost assemelha-se, em arritmias e mudanças de estratégia, a jogar na bolsa de valores...

quarta-feira, 23 de abril de 2008

o canto da rosa


foto de Martim Ramos, tratada por mim

bar do Teatro da Trindade
11 de Abril a 3 de Maio, sextas e sábados às 23h
* bar do Teatro da Malaposta . 16 e 17 maio às 23h.

criação e encenação colectivas
dramaturgia e direcção: Ana Sofia Paiva
com: Ana Sofia Paiva, Anabela Tomás, Cristina Andrade, Luciana Ribeiro
músicos: Tiago Morna e Rodrigo Augusto
produção: Kalpa Comunicação e Cultura
preço: 8€ [vários descontos disponíveis]

quem me conhece sabe que tenho por princípio, neste blog, fazer as minhas pseudo-críticas a espectáculos a que tenha assistido mas nos quais não trabalhe ninguém que eu conheça. maioritariamente para evitar ferir susceptibilidades [com a minha maldita mania de dizer o que realmente acho] e já agora para não parecer que só faço publicidade aos amiguinhos e mesquinhices parecidas.

no entanto, hoje faço excepção. uma grande amiga minha faz parte deste elenco.

entramos na casa de fados de D. Maria da Rosa, que nos vem receber à entrada. a gerente da casa dá por aberta a noite de fados enquanto a jovem Rosinha nos vai servindo os cafézinhos. é apresentada a grande vedeta da casa, Rosa Maria, acompanhada pelos seus músicos [um deles é o marido]. numa mesa de lado, atenta ao espectáculo, está a fadista - prata - da - casa - já - aposentada, uma boémia trocista sempre com o remate pronto [cujo nome não recordo, mas também é arraçado da rainha das flores].

ao longo de uma hora, somos simplesmente brindados com um espectáculo de fados enquanto assistimos a revelações da vida daquelas personagens, dignas de uma trama de novela de faca e alguidar, ilustradas passo a passo, claro está, com músicas a preceito. para nos compensar de uma noite tão constrangedora e atípica daquela casa de renome, ainda temos direito a uns copitos de vinho e chouriço assado no fim.

é um espectáculo canalha e castiço. é simples, ligeiro, disparatado e muito divertido. sem nunca ser brejeiro ou estupidificante. para quem já esteve em casas de fado e conhece o ambiente de bairro, reencontra ali as personagens típicas [ou tipo], obviamente com tiques e deixas bem condensados, como requer uma construção baseada em caricaturas. muito bem cantado, com interpretações algo desiguais, mas que se enquadram nos seus jeitos sem comprometer o espectáculo ou a verdade do que ali se faz. o destaque vai para [e agora vou mesmo parecer tendenciosa, bite me] Luciana Ribeiro, que tem uma garra, uma voz, uma parvoíce inata e uma capacidade de improviso fora do normal, e para Ana Sofia Paiva, que faz uma velha glória fabulosa em termos de corpo, voz e tempos de comédia.

aconselho vivamente a quem passe pelo Bairro Alto a caminho da noite, a ir aconchegar o estômago e a alma no bar do Trindade. a lotação é limitada, portanto reservem com alguma antecedência. e lembrem-se que, como muitos artistas da nossa praça, eles estão ali sem ordenados, à bilheteira e por amor à camisola, mas com todo o profissionalismo. não se acanhem.

terça-feira, 22 de abril de 2008

conjecturas de inspiração vagamente escatológica*

*que se transformou num romântico dueto de classe - ou dinâmica de um relacionamento condenado à partida a um abanamento de cabeça enquanto se rumina entredentes o[s] ditado[s] "só se estraga uma casa" e|ou "um diz mata, o outro diz esfola"

eu só disse mata:

há qualquer coisa de big brother nas engenhocas públicas demasiado modernas.
eu já brincava com os parques de estacionamento em que uma voz diz "bem vindo ao parque não sei do quê, insira o seu cartão. obrigado e boa viagem". dizia "a senhora deve sofrer muito, ali enfiada todo o dia". ou "diz-se obrigadA, ó estúpida".
mas pronto, passava. agora mais tétrico é nas casas de banho...
não sei. aquela coisa de uma pessoa fazer o xixizito [meio de pé para não contactar com nada daqueles cubículos] e ainda está a subir a calça já o autoclismo, por sua auto-recreação, faz a descarga, no "exacto momento preciso".
não sei.
fico sempre a pensar se o sensor não será uma aldrabice. se não haverá por ali uma câmara e se não estará alguém do lado de lá a observar os rabiosques ao léu, especificamente treinado para avaliar o ângulo de inclinação da pessoa para no momento certo puxar no autoclismo...


vai o outro e diz esfola:

soube de fonte próxima que não há câmara nenhuma pois isso aumentaria muito os custos de manutenção da casas de banho. há sim um pequeno corredor atrás das sanitas onde anda uma pessoa com um balde a espreitar pelo suposto "sensor", que fica um pouco acima da sanita, a despejar água por um funil no cano do suposto autoclismo.
como todos os trabalhadores de centro comercial e artes, este sujeito trabalha a recibos verdes, durante 12 horas por dia e aufere 500€ mensais brutos.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Ella e um cigarro

a melancolia de um abril a cântaros a lamber o vidro. a precisão de um suave berbequim nas fontes adivinha que a rinite dos fenos terá rima. pobre, mas rima. aguardo com dois comprimidos e um carioca de limão a que está por vir. a anunciada pelo esforço de me fazer ouvir em claustros com ventanias e trocas de roupa em pele ainda assim suada. a anunciada, a que rima... não? não rima propriamente, mas há um qualquer arabesco de som que me avaria a percepção perfeccionista.
rinite... gripe.

sigamos
enquanto o vinil não se cura - mesmo assim - um crepitar... a música a raspar pela chuva adentro. um pequeno vazio ao canto. quase microscópio, o vazio. da poeira, o canto. encosto os pensamentos à parede e a língua solta-se menos literária.

não desfazendo.

tenho saudades de certas palavras. daquilo que sei que sei fazer. de fazer de conta a sério.

a sério?
tenho saudades subir por ali acima, ir por ali afora e

deixando-me de rodeios
dar valentes pontapés na genitália emocional de uma sala cheia.

pois, isso
how high the moon

domingo, 13 de abril de 2008

wc cheap&chic makeover

ora passámos disto



para isto



quem diz que uns pés-descalços do subúrbio não podem ter um Roy Lichtenstein na banheira?
com direito a um armário exclusivo para viagens sensoriais ao passado, recheado de pequenas antiguidades da higiene e cosmética por nós coleccionadas através de incursões a drogarias de bairro.

trabalho feito por uma equipa de dois, em 8 dias, por um terço do preço que custaria mandar fazer por "profissionais".

há por aí alguém que precise dos nossos serviços de consultoria? fazemos orçamentos grátes e vamos a casa...

terça-feira, 8 de abril de 2008

megalomania

após uma visita ao Ikea na passada semana, por ocasião das obras na casa de banho, concluem-se três coisas:

o meu namorido é o mestre do tetris
eu posso vir a ganhar a vida como contorcionista
o meu C1 é um camião, carago!

terça-feira, 1 de abril de 2008

extreme makeover - bathroom edition

é desta. vai daí, saídos dos lençóis para um café na tasca do lado, aproveitando a folga e a tarde solarenga, voltamos a casa com uma estranha vontade violenta.
tantas guerras, tantos baldes de tinta, tanta martelada no dedo, havia no entanto uma divisão que nos estava atravessada: a casa de banho.
desistimos dos grandes projectos, não encontrámos quem nos assentasse uma mão cheia de pastilha por um preço acessível. por isso terá de ser como tem sido até agora. a dois, inventando do ar, imaginando e rabiscando os meus cadernos cheios de raspas de lápis de cera, como as cores fortes da casa, recorrendo ao engenho e ao "gosto disso".
tudo medido de mãos dadas pelos azulejos acima, com risos e chaves de fendas a caírem nos pés descalços, decorreu hoje a cerimónia de início da remodelação da casa de banho.
com uma vontade e uma mestria saídas não sabemos bem de onde, encaixotámos pertences, arrancámos móveis e loiças e vedámos saídas de água em poucas horas.
e agora que já só temos a banheira e sanita a funcionar, já não podemos mesmo "ir fazendo"...

eheheh