quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

em cadeia

eya! já não me mandavam uma destas há que tempos... obrigada, raio de sol :)

sete coisas que faço bem:
(não entrando nas poucas-vergonhas)
1. bolos e massas
2. conduzir (sim, sou gaja mas conduzo bem :P)
3. conversar/ouvir
4. dormir horas a fio
5. rir feita parva
6. estrebuchar e logo a seguir passar-me
7. representar

sete coisas que não posso/não sei fazer:
1. aturar gente demasiado umbilical
2. dizer não (esta já vinha de origem e aplica-se, especialmente no acto de deixar de ser parva e esquecer o teatro)
3. controlar a minha bocarra
4. escolher o jantar
5. não transformar dinheiro em prendas e mimos, se recebo algum extra
6. resistir a sapatos ou a casacos (certa e determinada pessoa diz que devia aderir aos casacos-e-sapatos-anónimos: "olá, sou a polegar e não namoro um casaco há 3 horas")
7. estrebuchar no trânsito com o mais suburbano português

sete coisas que digo:
1. raisparta (também tu?!)
2. eya!
3. yellow (a atender o telefone ou no msn - coisa pegajosa do espanta)
4. assim em bom...
5. pelo amor da santa!
6. poucas-vergonhas
7. e eu tudo bem! (em agudo)

sete coisas que me atraem no sexo oposto:
1. um sorriso franco e bonito
2. vontade de partir à aventura
3. pescoço e linha dos ombros viris
4. pele às pintas ;)
5. sinceridade
6. inteligência e vontade de não morrer estúpido
7. muito sentido de humor e tendência para a parvoíce

sete pessoas para serem celebridades:
1. eu... desculpem a falta de chá, mas estou farta de falsas modéstias e trabalho deitado à rua
2. o espanta, que também já convinha ser lançado no estrelato como grande fotógrafo que é
3. o Jota, o melhor actor que conheço e o mundo ainda desconhece
4. a colher de chá, outra grande actriz
5. o Guinho, também actor
6. o MPR - ainda por confirmar, mas cheira-me...
7. assim de repente... a minha "mai nova", que tão piquenita já escreve tão bem...
8. o meu pai. devia [citando e bem a minha irmã] ser consultado para quaisquer decisões políticas deste país. e é tão charmoso... ;))

sete pessoas a quem quero passar esta brincadeira:
1. espanta-espíritos
2. MPR
3. colher de chá
4. pinky
5. mary mary
6. LFM
7. wicahpi
e mais quem lhe apetecer roubar... é só avisar para eu ir lá cuscar :)

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

desencaixes

questiono-me a capacidade de encaixe. quando a transparência toma conta de mim, surpreende-me a velocidade com que me conformo com a minha invisibilidade. houve um tempo em que me era essencial tatuar o coração dos outros. parecia que respirava melhor. hoje já só sobram disso esquiços, poucos, de tinta debotada e braços caídos.

subo as escadas, linguagem corporal de quem já sabe o que está ali, para onde vai, onde vai dar a porta fechada. nariz no ar para cheirar as recordações. sim, ó tu de cabelo no ar, conheço-te. e tu também me conhecias. esqueceste já as picardias sorridas nas tardes mornas e as mãos que te enfeitaram o bar com velas e percussões e poesias. talvez os olhos estejam assim tão diferentes. tu és dos tempos em que a esperança era perfeita. em que qualquer desafio era vencível. e tudo era um deslumbre e um caminho de pedras polidas. se calhar por isso não te lembras de mim. era a miúda de cara estragada da adolescência, de calças de ganga, passos incertos, sorriso de leste a oeste com a vida. tinha os dedos rasgados de cortes de papel, dos primeiros mailings, e o nariz farejante do pó denso dos bastidores e da antiga alcatifa que já não está lá - aquela que me deixou marcas de queimaduras de alegria. agora tenho franja e um pouco de peso a menos. deve ser isso. mas eu sei-te tanto que sem pestanejar pedi uma das tuas tostas. sim, com tomate e orégãos.
e com um meio sorriso percorro à distância o varandim onde fazia rir o bebé de olhos de safira. já deve estar enorme. a mãe dele também se cruza comigo, tantas vezes, e nunca me reviu, apesar da simpatia pronta com que brinda um qualquer um.
e a mãe dela, essa outra, varreu-me um par de vezes do lado de lá, de cima do palco, fixando-me como quem me procura em ficheiros há demasiado tempo arquivados. se a cabeça já lhe dava para pouco, agora... como me encontraria na bilheteira horas infindas, a martelar bilhetes de dedos sujos de tinta carimbo, ou a vadiar pelos palcos enquanto não começávamos? como me reencontraria naquele vestido preto e luvas compridas que me passaram para a mão sem apelo nem agravo?

já no fim, outro fantasma que perdura pergunta-me o que quero beber. não há café.
- eu conheço-te, não te conheço? surpreende-me a surpresa de me reconhecerem.
- sim, eu já trabalhei aqui. e ficaste tu e saí eu porque tu cantavas.
- ah, do tempo da B., não era? sim, desse tempo antes do teu, os meus primeiros passos de bebé livre foram ali em baixo, sala um.
- pois. há muito, muito tempo. o tempo em que a minha vida era preenchida com sopros de alegria e tudo se fazia com um lençol, e eu pertencia, e eu fazia, e eu era quem queria ser.
- mas também já te vi numa peça com o P. e a S., não já? já, já, noutra casa que me arrancou a ferros aquela que eu devia ser.
- sim, sim.
- desculpa não te ter reconhecido logo.
- não há problema, é normalíssimo. ainda têm capilé?

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

não leves a mal



andam por aí. festejos pingados, com fitas e papéis sujos, meio desfeitos calcados na calçada. as cores andam pela rua, pardacentas de pés com sapatilhas e poucas horas de sol. lembrei-me. sem querer, porque pensava que já tinha apagado essas linhas. lembrei-me. desse rosto encardido, de cores destroçadas, do fim do dia. que eu gostava de ver derreter às minhas mãos, ao chamamento do meu resfolegar. dos pequenos gemidos tremidos que te saíam das pálpebras e da boca fechada. gostava particularmente da hora da lágrima. o momento alto do sexo, ultrapassando mesmo o instante fremente em que finalmente a minha carne rasgava a tua e éramos um. era meu, por excelência, aquele momento em que logo a seguir ao teu orgasmo caías. o teu corpo ainda em estremecimento e já outros fantasmas te abandonavam. e continuavas a cair até desfazeres o rímel em lágrimas pretas, em borrões que pareciam aranhas gravadas em torno dos teus olhos a tinta fresca. sulcos escurecidos, ainda hoje não sei se da tristeza ou só das pinturas, deslizavam-te por essa pele tão lisa. e eu podia jurar que via. a tua respiração em arabescos de neon, os soluços como argolas de fumo da lagarta no cogumelo. as palavras segredadas pequenos comboios de lata. sem qualquer componente químico a invadir o meu cérebro, apenas a adoração que te tinha. as cores explodiam em ti, deslizavam no ar e pousavam-me na pele ainda arquejante, que as absorvia com um arrepio. e depois o negrume. do teu cabelo lustroso no meu peito. até ao dia em que ao acordar tinhas desaparecido.

hoje recordo-te. ninguém nota como isso me arranha desgostos pequenos nos parêntesis do canto dos lábios. pintarei aranhas nos olhos e rasgarei tinta preta pelo rosto. desenharei um sorriso nos lábios. e sairei para esta festa decrépita à tua procura.

indigo nocturno

havia uma redoma feita de tecido. nos destroços da minha pele quebrada reinventavas suspiros às escondidas. ali tudo se descobria. ali estávamos nus. a luz era filtrada e projectava graffitis azuis nos corpos cerzidos. éramos nus tatuados. escondidos. rezando sem deus específico para que a luz não apagasse os desenhos no suor. essa era a hora de sair. então sopravas e eu soprava de novo. podia ser que de tanto soprar as horas se mantivessem suspensas. e depois abocanhávamos os ponteiros com soluços desconsolados. fechávamos as portas e sabíamos que ali tudo ficaria parado à nossa espera. sarcasticamente o pó suspendia a sua viagem até que retornássemos e ele voltasse a passear-se lentamente, contando-nos os segundos das nossas fugas.
depois rasgámos a redoma. e no lugar das lágrimas montámos um altar onde a luz penetra num azul escuro de noite sem estrelas que não as dos olhos. forrado a cores sem tino. na lateral, dormem relógios de corda. há um vago cheiro de eternidade.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

who's your momma now?



pois que ninguém manda em mim. ninguém me obriga a ter um template de que não gosto. e o meu refinado apreço pela estética [cof cof] não calará ninguém!
bati às portas todas, fui a fóruns de bloggers [uma experiência demoníaca, cruzes! eles falam uma língua própria e tudo], mandei mails, pedi ajuda às mais altas instâncias e a outros bloggers que tinham ar de cromos. falei com amigos que têm o mesmo template e que também não sabiam o que fazer.
sem respostas, acabei por conformar-me.
fiquei sozinha, com a minha teimosia. e com um marido zen, culto e extremoso... e a gata a quem dar uns pontapés de frustração de vez em quando.
com as minhas pesquisas e o pouco tempo que tínhamos livre no fim de semana, queimámos as pestanas para o Polegadas não perder a sua imagem de marca.
obviamente que tem algumas pequenas diferenças - no novo blogger ou se domina o html na perfeição, ou se só se sabia fazer umas maroscas fica-se completamente preso. mas faz-se o que se pode... a evolução ao longo da noite está patente na imagem acima, nos comentários do blog de teste que criámos... desculpem-me o francês, mas estava fora de mim, alojada no meu "eu" mais taxista...

o que importa é que já podemos todos conversar e a essência deste estaminé não ficou afectada [ou melhor a sua essência é afectada de nascença... sou eu ;)]

com um pouco de calma, aos poucos, voltará ao que era...
e vocês, os poucos sobreviventes que ainda seguem A Palavra d'Este Blog, podem voltar... mas voltem de mansinho que eu agora vou dormir, sim?

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

evangelização

devido a ter sido forçada a converter o meu blog ao novo blogger, este estaminé está com problemas de pluralidade. parece uma coisa de igreja... ou do demo...

quero eu dizer que parece haver um conflito entre o meu template e o novo blogger que impede os meus caros visitantes de inserirem comentários. [se bem que este template foi "adquirido" na blogger templates...]

estou a bater o pé. já pus um raspanete e um pedido de ajuda no fórum destes tansos e tudo.
não quero mudar o meu template, a não ser em último recurso. e não tenho conhecimentos de html ou de css para construir um igual de raiz.

por isso mesmo suplico a todos paciência. garanto que se não me for dada nenhuma solução até ao fim desta semana, lá terei de fazer o que não quero. por vós, caros leitores d'A Palavra deste Blog...

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

ao que sabes?




exposição de fotografia pin-hole . o beijo
do nosso [e muito meu] querido espanta-espíritos
no restaurante alfândega, ao campo das cebolas
a partir de 14 de fevereiro.

os beijos, os "quases". onde é que a nossa realidade acaba? onde começa a fantasia que inspirámos? porque nos reconhecemos na película?
os protagonistas são quem quisermos que seja. somos nós.

o método é do passado. a paixão é eterna.
a vida é uma caixa de chocolates, dizia o outro.
não podia estar mais de acordo. também é com uma caixa de chocolates que se tiram fotografias... ou melhor, que alguns loucos apaixonados fazem fotografias...

aqui as palavras são secundárias. a primazia é ao olhar, ao olfacto, ao sabor, à memória, à surpresa das coisas simples.

e, a isto, chama-se concretizar ;)

um grande obrigada aos amigos - que nos encontram, nos abrem portas e nos fecham nos armários quando é preciso :)

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

intervalo para política

Yeyyyyyyyy!

ps: a quem foi votar, obrigada.
a quem não se quis dar ao trabalho: agora não se queixem.
à Laurinda Alves e quejandos moralistas-a-quem-eu-furava-os-preservativos- tirava-a-empregada-e-punha-a-lavar-escadas: tomaaaaaa!!!


a emissão retomará o seu curso normal dentro de momentos...

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

uma receita de recibos verdes

base:
:: várias horas de espectáculo diárias num Monumento muito frio, para crianças irrequietas e com colegas de trabalho com estranhas mudanças de humor
usar e abusar para manter o ritmo cardíaco acima da linha recta.

:: voltar a correr para o escritório para mais umas horas de trabalho em frente ao computador e agarrada aos telefones, com súbitas mudanças de ritmo. uma pitada de "já agora faz vinte quilómetros ao fim de semana porque é preciso controlar a bilheteira por 5 minutos" e quejandas tarefas.

:: pagamentos dentro do "só não morres à fome porque comes pouco".
levar à vidinha durante dois anos-vai-para-três até atingir a estagnação, o desgaste e a quasi-morte cerebral.

::uma gata carente de aquecedores que, por isso, larga pelo a duplicar - ergo asma, ergo sono interrompido.


condimentar com:
:: uma exposição - um projecto de vida - que arrasta para horas tardias, fins de semana sem dormir, muito vinho tinto, mimo de que aparece para dar uma mão e... uma boa dose de olheiras

:: o lançamento do livro de um bom amigo em que ele pede explicitamente que eu participe


para um efeito explosivo acrescente-se:
:: um telefonema que informa: "estamos a contar contigo para mais 51 episódios de let's and go, fazeres as dobragens e revisão de textos, se bem que desta vez precisamos de entregar 7 por semana."


nota: bater à mão e levar ao micro-ondas, porque isto não é receita para quem tem bimby...