quarta-feira, 31 de agosto de 2005

inocencia...?

acredito em cada um. e que muitos são mais e melhores. e que todos podem ser mais e melhores.
acredito no caminho. acredito no objectivo. acredito na vontade.
acredito nisto porque preciso de acreditar. acredito demais.

terça-feira, 30 de agosto de 2005

imac-ginem esta!

os homens, no geral, são umas crianças grandes. depois dá nisto: estou neste momento a tentar descobrir o admirável mundo novo do enorme IMAC que tenho à minha frente, muito bonitinho e branquinho (estas teclas vão ficar pretas num instante)...
vai uma pessoa três dias de folga e regressa para dar de caras com isto...

ora o senhor patrão Porthos há uns dias resolveu que precisávamos de um computador novo, de preferência um Macintosh por causa dos vírus.
enquanto que para pagar as contas temos de esperar meses até que nos cortem o telefone e ele se resolva a fazer os pagamentos, neste caso o menino quis porque quis ir buscar o brinquedo novo... imediatamente.
meu dito, meu feito: fala-se em ter computador novo na 3ª, na 4ª faço os backups, na 2ª chego ao escritório e que é do meu querido velhinho lento e pacholas PC? que eu demorei 2 meses a conhecer de trás para a frente e do avesso para o direito? cujo sistema operativo é o único que conheço desde que comecei a dar os primeiros passos na área da informática, com o qual tirei os dezassetes e os dezoitos?

agora ando às voltas com as teclas das maçãzinhas e o raio que o parta, porque tudo tem de ser um bocadinho diferente, só para chatear o utilizador. os textos aqui do blog vão aparecer na formatação que bem der na veneta deste MAC porque os menus aparecem alterados, já não posso fazer links, ou um ajustamento do texto que seja e muito mais coisas hão-de haver... não estranhem as alterações de personalidade deste pobre blog... pelo menos enquanto eu não perceber como é que funciona esta magnífica máquina infernal.

ai, mas fui logo à cata do messenger para MAC... e eu agora ficava info-excluída, não? é que, cá por mim, eu sou muito gaija!

e os gajos, realmente, quando querem, fazem o que têm a fazer. tomam iniciativas, vão às coisas, lutam, desunham-se...
o problema é quererem...

segunda-feira, 29 de agosto de 2005

torre

subo as escadas de madeira e chego ao topo da torre de marfim, de onde olho o mundo nesta última janela. telhados e copas de árvores. nada mais. entre tantos pássaros escolho um onde me escondo. peço-lhe que mande um recado ao mundo.
um dia falei a alguém de torres de marfim. e de um grito que partiria a redoma de vidro.
há pouco tempo acordei numa cascata onde misturei no doce o salgado das lágrimas e me lavei da tristeza. não espero mais, agora. posso abrir a porta. o cadeado estava congelado com o choro frio nas noites longas de luzes veladas. bastou um toque e partiu. a espera do toque é que travou a vida. será recuperável?

sexta-feira, 26 de agosto de 2005

não explodi...

apenas estarei de folga três dias para ver se acabo o resto das "férias" que me tiraram. obviamente que surgem sempre coisas para fazer e descansar é mentira...
ontem fui com a B. comprar sapatos para as personagens... assim que voltar ao bulício do Príncipe Real prometo inserir as fotos da nossa expedição imperdível... as coisas que se descobrem quando andamos às pechinchas nas lojas da Baixa... considerámos repensar algumas personagens para incluir alguns do apetrechos que nos foram aparecendo pela frente... ainda estou a considerar aquele fato de cabedal com correntes para a sensual Ana... vou também aproveitar para actualizar o meu projecto de thumbwork... não está esquecido, caros leitores d'A Palavra deste Blog... ;)

entretanto, ontem houve Gift, conforme planeado há uns meses... ombros e cabeças à discrição. mas aquele som, aquelas batidas a entrarem dentro de mim... obrigada a quem arranjou maneira de acabar o ensaio mais cedo. apesar de quase 1 hora à procura de estacionamento, aquele pedaço de música foi um prémio bem ganho...

quarta-feira, 24 de agosto de 2005

ainda sobre a cola...

tenho medo de acender um cigarro...

onde tá?

fiz um refresh no blog e eis senão quando percebo que a minha side bar não está presente! alguém a viu? deve ter fugido, coitadinha, afugentada pelo cheiro a cola que se espalha nos corredores deste multicentro de escritórios, onde estão a haver obras. se há pouco gostei de sentir o cheirinho quando entrei, agora já me arde o nariz...
... esperem lá...
e se o desaparecimento da side bar tiver a ver com o facto de eu ter inalado estes vapores e já não estar a ver a direito...?

colorida de fresco

a nossa casinha é de cores frescas, pistachio e tangerina. altamente comestível, doce e salgado.
a aventura no reino dos sofás, puffs e cadeirões começou na fila da segunda circular, na antecipação do que "dava jeito"..."dava jeito, e depois nunca se sabe!"
quando nos deram mais uma vez carta branca para subir e escolher à vontade, (muitos anos que passemos a ir lá, ficaremos sempre atónitos), entrámos no reino das "linhas", do "tem a ver com a personagem", no "encaixa", no "preenche demasiado espaço visual", no "olha pra mim toda boa a dar consultas" e no "este ficava bem era na minha sala"... de repente, tínhamos uns quantos selccionados, e portanto havia que proceder a eliminações. ora assentando o rabiosque nos mais variados tecidos e formatos, procedemos aos test drives e combinações de formas e cores, e as possibilidades foram-se estreitando. no final, foi fazer o pandã das cores para "equilibrar a cena" (que nós, os pobrezinhos, também usamos termos técnicos...) voltar a experimentar as poses das personagens e a imaginar o tamanho do colega, que não foi, encaixado na selecção. esta dança do traseiro é fundamental, porque, afinal, queremos a nossa casa bonita e confortável. é que vão ser os nossos rabinhos ali "assentados" durante um mês.
embalar tudo com celofane e encaixar na carrinha foi mais fácil que no ano passado. o compasso de espera no escritório à espera da guia de autorização foi passado em amena cavaqueira com a rapariga da loja, bebendo café e partilhando um cigarro, em que uma dizia que gostava de ser presa por fraude para ter férias uns meses, e o outro dizia que o sofá-cama tinha de ser bom porque passávamos o tempo todo lá... a rapariga ria-se.
depois foi levar para o teatro e experimentar. e que delícia ficou. uma casa gulosa, diferente das cores sóbrias do ano passado, mas clean e hype, como deve ser o ambiente da coisa.
ontem os ensaios correram de olhos brilhantes, faltando muito pouco para ter perfeita noção do aspecto final. ainda vou raspando os joelhos na alcatifa, que a nossa cama ainda é uma pilha de almofadas, mas a piéce de resistance está para chegar em breve...
entretanto, tenho a certeza que a minha mãe vai achar que fui eu que obriguei o pessoal a escolher o cenário. eheheheh...

terça-feira, 23 de agosto de 2005

próxima estação: cenário

off we go, to furnitureland!
vamos pegar na carrinha escamocada, encaixar-nos nos lugares da frente, e, depois de um dia inteiro de trabalho, debaixo deste calor peganhento, fazer a ronda da mobília para a nossa casa encantada. déjà-vu.
ele vai ser escolher e embalar os mais diversos formatos de sofás, cadeirões, puffs... carregá-los para a carrinha e da carrinha para o teatro onde estamos a ensaiar. a sorte que é encontrar lojas que vendem mobília de contos e contos de reis mas que praticam O Bem, emprestando o material de exposição aos pobres artistas que não conseguiram uma borla da Tribo... "Azioni, sofás com um toque de classe" obrigada!
para a semana, apanhamos o resto da tralha e levamos tudo para a morada fixa, o Auditório Carlos Paredes.
e vamos remontar tudo, reviver cada pedaço de madeira, cada cheiro de tinta, cada marca nos lençóis brancos que não saiu depois de 3 lavagens. ainda soam na minha cabeça as marteladas, a lixa a raspar na madeira, as risadas e as discussões, o barulhinho dos parafusos espalhados no chão. e a imagem daquele branco imenso.
vai ser bom reviver isso, mesmo com os músculos das costas a pedirem piedade.
saio mais cedo, com outro sorriso, hoje. vou "comprar mobília para a nossa casinha"...

companhia

no peso destes dias sem gente, dei por mim a ir ao Extra comprar uma revista foleira só para não almoçar com as paredes.

pessoas

gosto de pessoas. sempre o disse. gosto dos seus rostos, expressões, histórias, estórias, e pequenos sorrisos que surgem do nada. gosto de ter surpresas. gosto de ser ombro e que surjam do nada gestos engraçados. acho que seria uma boa profiler e já me atestaram qualidades como psicóloga. gosto de imaginar, no metro, quem será aquele desconhecido, de onde vem, para onde vai, porque é que coça a cabeça assim.
adoro brincar com tipões. apesar de saber que cada indivíduo é único, as caricaturas apaixonam-me.
no entanto, todos têm defeitos, todos a certa altura desiludem.
acredito piamente na mudança, na regeneração. dou sempre segunda, terceira hipóteses. nunca fecho portas.
apesar disso, há pequenas desilusões diárias que me magoam às vezes mais que as grandes. não sei como explicar.
as pessoas falham redondamente nos seus objectivos, na sua maneira de ser até, talvez porque não contam com a teoria do caos, com os factores externos, porque estão demasiado certas das suas virtudes e verdades absolutas. com isso eu conto. conto com o contexto, o background emocional e profissional, com a temperatura ambiente, com as pessoas que estão à volta e o que se comeu ao almoço.
até conto previamente com certos defeitos... ou feitios... quem tenta virar o bico ao prego, quem açambarca créditos alheios, quem é naturalmente convencido, quem se descarta, quem não assume incapacidades, quem não reconhece qualidades alheias, quem é pedante e critica os outros de o serem com observações tristes, quem é tão umbilical que conta histórias deturpadas para se poupar da culpa.
há momentos em que engolir custa. normalmente não consigo.
(há, inclusivé, quem conte com esse meu defeito... ou feitio... e não me leve a mal ou até me consulte para ser mandado à merda)
outros momentos há em que tento fazer de conta que nada se passa. porque gosto da pessoa, porque é comigo (e não o contrário), porque são coisas a que, pensando ponderadamente (ui, coisa complicada) eu sei que não se deve dar valor.
mas fica aquela moinha, aquela mágoa... aquele bichinho a moer...
depois pode acontecer uma de duas coisas: afastamento natural, ou explosão emocional.
bicho estranho, este do eu de cada um...

segunda-feira, 22 de agosto de 2005

adenda

contando comigo, são 4 gajas a habitar-me o corpo e a mente...
senhores, imaginem o galinheiro!
imaginem como não é quando se avizinha a TPM!

ela

ela é indescritível em palavras ou metáforas. ela não consegue ser pintada de mulher, porque tem pouco de real. ela é tão bonita como só os anjos e as fadas.
por isso ela é etérea, volátil e deliciosa.

ela tem de menina o beicinho e de mulher o olhar provocante. ela está sempre bem disposta.ela é o sorriso guloso, o olhar divertido, o brilho comprometedor de uma vela solitária.
ela desliza nos lençóis brancos entre a dança e o desejo.
porque ela é a languidez dos lençóis quentes num dia de chuva. mas também a sofreguidão do querer.
ela é a sensação de beijos doces, do abraço interminável.
e ela salta nessa cama e brinca sem pudores, em roupa interior que revela a pele nua.
ela apetece.
ela são cabelos compridos espalhados na almofada e uma silhueta feminina em contra-luz, espalhando nas palavras a brisa da janela aberta.
ela disserta sobre homens e mulheres como se não fosse nenhum deles.
ela é impulso.
ela é pele na pele dele. é a vida do amor soprado em golfadas mornas preenchentes. ela é uma cascata. de água pura e doce. é uma banheira de espuma e água quente. é gelo deslizado pelas costas num dia de calor. é todos os clichés bons da vida, todas as coisas simples. todas as coisas especiais, únicas. como um sopro naquela gota de suor que escorre do pescoço.
ela enrola as suas pernas à volta da cintura dele e deixa-se ficar na sensação de completo.
ela completa-se no abraço terno e dá de beber a sua pele.
porque ela é yin e só existe porque há o yang.
ela é conversa de almofada.
ela existe em todas as mulheres naqueles minutos em que se joga conversa fora depois de fazer amor. em que ainda se está embriagado de cheiros doces e plenitude. em que só há duas pessoas no mundo. nesses momentos, a mulher perfeita é ela.
eu sou ela.

Ana, Rita, Ela... as três mulheres da minha vida...

Sax - 4 actores, 12 personagens, 1 cama . de 7 de Setembro a 1 de Outubro no Auditório Carlos Paredes . Benfica

sexta-feira, 19 de agosto de 2005

moinho de vento

voei por entre verdes e cinzas e riscas brancas.

cheguei lá e o coração levou-me ao topo do monte.
onde fui menina e apanhava amoras e fazia de canas os meus cavalos de pau e esfolava joelhos e, bebé ainda, brincava numa banheira insuflável com caixas de colgate. com uma baía como cenário, mato cerrado à volta e bancos de areia, onde rebolei.
onde comia as bolas de berlim na praia.
sentei-me na mó e voltei a ver o meu pai de faca do mato à cintura, a desbravar o caminho no primeiro dia de férias.
e a minha mãe de caracóis pretos a ondular ao vento.
a minha avó comigo ao colo.
e o velhinho Bugui a dormir à sombra da mesa de pedra onde comíamos as saladas de atum num tupperware, quando não havia mais dinheiro que o suficiente. quando não havia mais que tantos, tantos sorrisos.
agora está fechado, mas sei que sei voltar. e sei que aquelas paredes foram brancas, as janelas estavam abertas, cheirava a mar, pinheiros, eucaliptos e doce de amora e ainda lá deve estar a minha cama de bebé no andar de cima, ao cimo de umas escadas de pedra em caracol.
trouxe uma pinha comigo, daquelas que se usavam para acender a fogueira.
e nessa noite dormi embalada com os sons do vento no moinho.

V., para ti

apesar de ter andado a falar de pessoas-personagens, que vivem em mim e numa caixa gigante com um quarto iluminado por holofotes e esperança de vida de hora e meia, hoje vou falar de uma pessoa-pessoa.
V. era a beta que me irritava nos primeiros tempos da faculdade. mas estávamos sempre juntos, todos, naquele grupo heterogéneo de gente que vinha da mesma zona e apanhava o mesmo metro das 7 da manhã. e, apesar das diferenças, da fase da vida por que eu estava a passar, a V. entranhou-se em mim. devagar.
a V. mudou e eu mudei, somos assim, gente, pessoas, e a formação da personalidade é diária. e assim nos entranhámos uma na outra, fugindo das aulas para jogar matraquilhos, indo para o café fumar os primeiros cigarros ás claras, gozando com o "Manel" e partilhando ideiais de esquerda fomentados ainda mais pela faculdade reaccionária onde aprendemos as teorias todas de livros anteriores (obviamente) a 1974.
a V. já não é beta e eu já não uso sempre calças de ganga... agora eu também gosto de marcas e a V. está mais doce e vamos as duas ao "horroroso" Colombo.
os "loucos anos" passaram-me despercebidos, porque ser louca era normal. afinal, estava acompanhada de outros. e V. destacou-se. pela preserverança. pelas certezas absolutas do que queria. e pelo acompanhar do crescimento e decisões da minha vida. com as opiniões muito próprias e muitas vezes diferentes das minhas. que aprendemos a respeitar uma na outra. sem que, espantosamente, isso nos afastasse.
já aqui falei dela. dos nossos disparates.
mas recordo também as infinitas conversas sérias. nas piscinas e no carro antes e depois das aulas de step, para onde me arrastou.
V. tem uma personalidade muito muito muito vincada. desde sempre soube o que queria e ainda acredito, depois destes anos todos, que um dia ainda a vou ver num Iraque da vida de camuflado, no meio do pó, a falar do avanço das tropas, debaixo de fogo cerrado. e a imagem da rapariga de nariz arrebitado cheia de sardas de capacete cheio de folhagens maior que a cabeça faz-me sorrir.
a vida levou-te onde precisavas de estar. tenho a certeza disso.
gostei de entrar na SIC de braço dado contigo para o teu primeiro estágio. de dar-te bateria para o velhinho Y10, de fazer-te "as unhas" à borla quando saías do trabalho para bebermos café. de apanhar a minha única bebedeira pública contigo, enquanto esperávamos que o teu destino se viesse encontrar conosco daí a pouco.
gostei que me mandasses aquela primeira carta, que estivesses sempre na plateia, que gozasses com o meu cabelo amarelo, que me desses umas dicas sobre uns certos bruxedos, que me lesses o tarot, que me preparasses aquela fantástica surpresa no aniversário, e que me fizesses chorar no messenger quando me forçaste a admitir que não, ainda não estava bem.
V. é carisma, sentido de humor tramado, inteligência, sangue quente boca fora e sangue frio no trabalho, V. é amor à camisola e noitadas de conversa num sofá qualquer. V. é Londres e Camden Town. E a V. é a única que conseguiu ser, de facto, aquilo para que tirou o curso. V. é capricho e, lá bem no fundinho, a ver se escapa, um coração muito muito grande. V. é uma daquelas amigas.
parabéns, querida. um beijinho

quinta-feira, 18 de agosto de 2005

esta juventude...

o encontro de afinidades moderno já ultrapassou largamente o "não me digas que também frequentaste essa piscina nessa altura?!" ou "não acredito: também andaste nessa faculdade?!" ou até "também tens pancada por esse filme?"

hoje em dia é mais intenso, mais arrebatado, mais fashion, mais trendy, mais... tudo:
"não me digas que também tens ataques de ansiedade?!"

caros amigos e leitores e seguidores fiéis d'A Palavra deste blog: conheçam a praga do século XXI!

quarta-feira, 17 de agosto de 2005

rita

rita é menina. menina-mulher.
rita ama ferozmente, com a candura da primeira vez. põe em pedestal e acredita de braços abertos, alma estendida ao sol a secar.
rita veste-se de azul, o azul da sua inocência, dos céus brilhantes que adivinham um novo dia.
rita tem sapatos macios, perto das sapatilhas das bailarinas e das pantufas confortáveis.
rita usa rabo de cavalo desprendido.
rita faz beicinho, finge a dor que finge fingir.
porque acredita, a rita, na vida e no seu amor. e o resto vai passado, bem disposto.
rita é mulher, mas deixa-se ficar menina porque assim é mais bonita que a rita-mulher para o homem da sua vida.
rita tem a voz fina, afinada e doce. rita não diz palavrões. rita faz a cama todos os dias, lava a loiça e sorri ao fim do dia.
rita queria ser psicóloga. mas nos corredores da faculdade encontrou outro destino.
que lhe trará entre sorrisos e beijos soltos no ar uma rita-mulher.
rita costura as suas prendas com as mãos pequenas cheias de sorrisos que espera encontrar do outro lado.
nos pequenos momentos de gestos vagos, rita não vê, não quer ver a evasão.
rita fica em casa todo o dia e estuda, e sabe, às escondidas, o que Freud dizia. não sabe para que o faz, mas rita diz que é rato dos livros. só. porque não importa o que sabe, prefere perder-se noutras palavras.
rita às vezes tinha vontade de se vestir com saias justas, perfumar-se com cheiros quentes e sentir-se voluptuosa, num baton vermelho. e de sair para a rua e ser levada em danças arrebatadas de bar em bar, entre as luzes das velas.
outras, gostava de sentir uma vida quente e companheira dentro de si, um ser pequenino para envolver nos seus braços, agora fracos, mas que tem a certeza, ganhariam a força do amor protector. da muher-guia.
rita gosta de bolas de berlim e de cozinhar. rita gosta de se aninhar.
a rita só gritará uma vez na vida.
a rita sou eu.

Sax

sexta-feira, 12 de agosto de 2005

último cigarro antes de fugir

sentou-se. meia Lisboa já gravada nas solas dos sapatos, à hora quente do suor incontrolado.
era o último cigarro antes de fugir.
para lado nenhum. mas podia sair daquele abafado. das paredes brancas e da nudez da alcatifa, tão solitária como o Romeu triste do cartaz.

os recados estavam feitos, e já conhecia os tempos biológicos da menstruação da senhora da segurança social que ia de férias nessa tarde. até lhe preencheu o formulário cheia de boa vontade, para que a tinta da bic cristal lhe levasse mais uns segundos ao relógio.
depois lembrou a menina do metro de olhos cheios de lágrimas sonolentas que fixara, até ser vencida pelo João Pestana, as suas unhas dos pés pintadas do laranja quente do sol lá fora.
e a senhora dos brinquedos de lata que, fechada na loja vazia - porque cara - desarrumara a montra para cima do balcão só para poder conversar mais um pouco, só para ver um sorriso desconhecido e interessado por um bocado.
toda a gente à espera que o tempo passe para chegar a algo.

era só pegar nas chaves e na mala que lhe doía nos músculos para poder sair. no entanto, a inércia. o mirar sem ver a ponta dos dedos, os rasgões definidos das palmas das mãos. o encontro dos olhos com um nada que lhe sugava as forças e lhe tremia nos braços. o tal último cigarro desnecessário.

lançou a última golfada de fumo com a força de quem expira dentro de água salgada, entre braçadas. saudades do mar. do sal que não o do seu suor. do sal que não o seu.

this side up

frágil.
hoje talvez chore...

lamechas



ela estava feita princesa, vestida de nuvens.
ele muito nervoso não parava de falar.
ele é trapalhão, mas até acedeu dançar.
foi um momento bonito, muito bonito.

hoje estou lamechas. processem-me.

quinta-feira, 11 de agosto de 2005

ana

ana é psicóloga, e está nos vintes e uns trocos. ana veste de preto. ana ouve jazz. ana anda sempre de saltos altos. ana fuma muito. ana usa óculos. pretos.

ana passa os dias sentada no seu consultório, em casa, a ouvir as tristezas dos outros.
ana passa os dias a ver a felicidade ao alcance de uma palavra, um gesto, de uns. e a ouvir os estonteamentos de outros, perdidos, completamente perdidos.
ana ouve. ana analisa. ana pergunta e disseca. ana receita-lhes esperanças e prozacs, na sua caligrafia angulosa que criei só para ela.
ana é prática. ana é calmamente explosiva. ana hostiliza o paciente que não é paciente, é só chato, grunho e egocêntrico. e, para ele, a sua receita é um "deixe-se de merdas". porque ele pode não gostar de jazz, pode não comer sushi nem saber o que é a DKNY, mas tem a sua vidinha. vá vivê-la. ele pode.

ana é sensual. ana é volátil. ana tem andar felino. olhar inteligente. irónico. poderoso. luxurioso. e poucos reparam que triste. porque ana é uma caçadora-recolectora. para ana o amor não é, não é? e isso é típico da ana.
ana passa as noites em casa descalça a ouvir a sua música com um whiskey. puro. porque poucos sabem que ela gosta de sentir o frio do chão nos pés. a ligação à terra que só sente nos mosaicos. ou então, noutras noites de fumo e fogo, vai consumir um homem vazio até se alimentar completamente do seu suor, dos gemidos e dos braços viris, do ritmo cadente que a leva ao esquecimento. ana não é possuída, ana possui. para ana os homens são como os cigarros: "sabem bem, consomem-se rápido, e deitam-se fora". diz, na sua voz profunda, que me custa porque arranha cá dentro. como arranha dizer aquilo e saber que ana se arranha quando o diz.
é que ana morreu menina. e ana mulher chora sozinha. quando ninguém está a ver. e as lágrimas caem no mosaico do chão.
mas isso, só eu sei. porque eu sei quem é a ana. eu sou a ana.

Sax

entre dois luckies

uma janela abriu-se.
e entrou um vento quente...

isso é...

quando o patrão nos liga a meio das férias a dizer que se lembrou que quer mandar duas curtas a concurso...
quando até vamos fazer o jeito de interromper as férias para dar uma mão e descobrimos que uma das curtas tem um argumento daqueles que mete medo ao susto...
quando o tal argumento tem tantos erros de português que se passa mais tempo a corrigi-los e a sentir vergonha alheia do que a escrever textos para o projecto...
quando o autor escreve "abajur", "fallow spot", "flashadas" e "vou prosseguir em procura da busca de..."
quando na dissertação técnica sobre o projecto, o senhor usa pontos de exclamação como se tivesse descoberto a pólvora...
quando não compreendemos o que passa na cabeça de um pseudo-realizador, pseudo-freak quando escreve diálogos em que se disserta sobre o amor das putas com uma psicóloga...
quando a protagonista do tal guião é "de formas generosas, lábios sensuais e misteriosa, com uma grande paixão pelo jogo da sedução" e o protagonista tem "rabo de cavalo escuro e usa luvas de pele escuras"...
quando a outra curta nem sequer está escrita...
quando as candidaturas abriram há um mês e não se falou nisso, e fecham daqui a 3 dias...
quando cada projecto tem de ir com mais 5 cópias, encadernadas, em papel, porque os senhores não devem ter computadores em casa...

template

um dia perguntaram-me porque é que o meu blog era preto.
se tinha tanta vida, disseram. se os textos foram aos poucos ganhando cores novas.
olha, não sei...

quarta-feira, 10 de agosto de 2005

tatuagem

não existes na pele, porque os dedos que te marcaram fundo ainda não te desenharam. não a cores, não a preto e branco, não ainda.
esperas no papel a materialização da aliança. com a noite. com a vida.
com o brilho forte de um ser que me penetrou e encantou.
sinto a volta, a curva perfeita que hás-de descrever em mim. como descreves em mim de cada vez que surges nua, exposta, suave e intensa, dançando fulgores e sonhos de criança de olhos postos em ti.
serás em mim o traço fino definido há tanto tempo, agora revelado. do preto para o branco, volta ao preto na pele dourada.
fundimo-nos em longos raios de serenidade para explodirmos na loucura.
ninguém te conhece. ninguém me conhece. assim não.
somos mulher. não tenho mistérios e melancolias tuas. tenho as minhas. e quero um pouco do teu brilho. do teu enigma.
ainda, no caderno preto, à tua espera. à espera que entres em mim.
serás assim no dia que marcar o dia que marcar a minha pele. aguardo o momento certo, sem pressas. agora já não.
crava-te. segura-me.
lua tatuada em quarto decrescente.

em resposta ao duende feliz

teaser #3

[de gajos, gajas e sinais...]

Francisco - Ligou-te e quer jantar contigo... Só falta pôr um outdoor daqueles bem grandes que cobrem os prédios!

Marques - Que é que queres dizer com isso!

Francisco - Ela quer voltar para ti, pá!

Marques - Chico... Nós estivemos casados 4 anos, 2 dos quais foram passados a preparar um divórcio doloroso, que já passou e estamos bem assim muito obrigado, há um ano e uns trocos...
...Próxima pergunta se faz favor!

Francisco - Estará ela interessada? É ela que te telefona, é ela que marca a data... só falta ser ela a pagar!

Marques - Dava jeito!

Francisco - Dava jeito... e depois nunca se sabe!

Marques - ...Ela quer é amizade.

Francisco - Ela está a dar sinais!... Isso significa que ela quer alguma coisa!

Marques - Porra! Não me venhas com essa agora dos sinais!... Se as mulheres querem uma coisa, que peçam essa coisa!...

Francisco - E estás à espera de quê? De um pedido formal autenticado pelo notário? Ela marca um jantar romântico e...

Marques - Ela quer ir ao rodízio, Chico!
É romântico, não é?...
“Querida, agora que estás a mastigar essa picanha ensanguentada... lembrei-me que tenho algo para te dizer...”
“Licença senhor... Maminha?”


Sax . 4 actores, 12 personagens, uma cama.

entre letras...

... me perco, sem nexos aparentes. não interessa. gosto de palavras.
gosto da palavra "palavra". os lábios tocam-se ao de leve. desliza na língua e brinca na saliva. outras duas palavras bonitas.
"bonita" é bonita porque se mastiga e degusta.
os arrepios dos cantos ao ouvido, sempre entre sussurros quentes, perdem-se-me e fazem-me levar os dedos ao pescoço. é pele, e "pele" também se saboreia. a palavra e o sentir.
gosto de sabores. dos doces. sou gulosa e gosto de coisas gulosas. gosto de palavras e doces, salpicados de canela.
e gosto de maçã, e morango. gosto de como ondula: mo-ran-go. o "g" também é guloso, toca no fundo da boca.
gosto de tocar com a língua no céu. da boca e do mundo.
e gosto de enfiar-me por desconexos momentos onde me enrolo e enrolo os cabelos. como a língua a falar francês.
e o ressoar do ar nas cordas. podiam ser violinos. ou um piano. é som. é, sim.
é a pequena brisa, o pequeno vento ("vennnnto") privativo que cada palavra tem. tem hálito quente, mas sabe a lábios frescos.
gosto de lábios. e sorrisos. sem sons de grande revelação, é das minhas palavras preferidas. porque se dão. só, assim.
e beijos e beijinhos. e carinhos. e "inhos" no geral. já me disseram que a minha Lisboa é "feita de diminutivos".
se calhar, como sou pequenina, também me encanto em encantamentos de tamanhos reduzidos. "encantamento". bonito, não é?
brincar assim, de letra em letra, como se de nada fosse feito o riso. como se descalça na cozinha, ouvindo o fervilhar do jantar, pudesse entre cigarros e cheiros de petiscos, ler Pessoa à janela. porque não? o Pessoa é boa pessoa, e escreveu para se ler. ler poesia como se lê um separador de livro. não precisa de ser grave. precisa de ser.
maravilhas da dicção, da palavra e do falar. não interessam as bocas, interessam as formas. que se moldam à nossa boca.

terça-feira, 9 de agosto de 2005

teaser #2

[pillow talk]

Ela dá um pulinho infantil em cima da cama, meio elétrica e dispara uma exigência:

Ela- Quero um elogio!

Ele-Hã?

Ela- Agora! Rápido...

Ele- (enrascado, improvisa) Errr... "És tão bonita...
cheiras a hortelã... gosto tanto de ti... hã..."

Ela - (risos) Que merda é essa?

Ele - Opá, foi o que saiu...

Ela- Vá lá, a sério. Usa a cabeça...

Ele-...E és lindíssima e tens umas belas mam...

Ela- A-ou-tra-ca-be-ça!

Ele- Ok! Ok!... Espera, Espera...

Ela- Siiiiim?

Ele- (compasso de espera) Ok! Tu és tão bela, tão importante e tão magnífica... tão preciosa para mim... que algo de muito chato está para acontecer na minha vida...


Sax - 4 actores, 12 personagens, uma cama. De 7 de Setembro a 1 de Outubro, de 4ª a Sábado, Auditório Carlos Paredes.

humor de padre

- o marido tem de ser sempre correcto e respeitoso com a esposa, não pode pôr e dispôr. desengana-te, meu caro, porque tens de te lembrar: Deus é teu pai, e é também pai dela, o que faz dele teu sogro... e com os sogros há sempre que ter cuidado...

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

thumbwork

anda a circular um desafio na blogosfera a que achei imensa piada.

Think of 3 pictures you'd like to see. Things around my house or whatever... something I can take a picture of easily. Once I have enough requests, I'll start posting them. If I can't or won't take a picture of something you've requested, I'll let you know.

tendo em conta que tenho algum tempo extra em mãos, venham os pedidos.

ah, mas olhem o nível :P

too darn hot

escrevo isto no computador de casa, num sótão forrado a madeira onde não circula... nada.
só o suor que teima em encharcar-me e faz-me perguntar para que é que tomei banho hoje.
mas a questão não é o calor.
esse vem com o verão.
ontem saí dos ensaios no meio de uma neblina espessa e sufocante. não trazia aquela humidade que, em movimento, refresca.
era escura e estava por toda a cidade. por toda a auto-estrada. pela minha localidade e sabe-se lá por que outras zonas.
quando abri a porta de casa, ardiam-me os olhos, as narinas. o cheiro de terra perdida, morta, ainda quente esteve por toda a viagem. não vi chamas, brilhos incandescentes... mas estavam presentes pelos 30 km que percorri.
hoje está nublado por aqui. mas é a tal película de fumo feia, baça. e o cheiro mantém-se.
já há 3 casas per capita, não é o que dizem? já temos as aldeias descaracterizadas, as cidades cheias de casas vazias, algumas pejadas de prédios vazios para venda há anos... é o caso de uns à entrada da minha terrinha.
quem ganha? eu não sou.
quem é essa gente sem alma, que nunca respirou fundo o cheiro dos pinheiros e eucaliptos? que nunca brincou com uma pinha, que nunca apanhou flores e amoras no campo? que nunca teve nem se pôs no lugar de quem teve um pedaço de terra de onde retira o único sustento? onde tem a casa que demorou uma vida a pôr de pé?
somos pequeninos, pobres e moramos longe. todos. menos os que mandam e não se importam que ardamos vivos em fogueiras de vaidade.
só me apetece gritar: deixem o meu país em paz!

quinta-feira, 4 de agosto de 2005

clac clac

enquanto escrevo no teclado, as minhas unhas novas fazem aquele barulhinho esquisito, clac clac...
tenho umas unhas novas... apoio para o Sax...
tempo houve que eu fazia unhas de gel. pois... era técnica de unhas...
para muitos (os meus pais incluídos "tens tu um curso para isso!") é um trabalho menor... uma manicure.
ontem revivi os movimentos, as dores, os cheiros, e as emoções que nunca passam para quem está de mão estendida.
tem de haver jeito de mãos, noção da individualidade de cada um, de cada formato, de cada curva, defeito transformado em feitio.
é de dores e traumas musculares que é feito. horas seguidas sentada, as clientes a perguntarem se não dá para dar um jeitinho sem marcação "é só aqui esta unha", "é só pintar", sem terem noção de que estamos ali muito tempo, mão nova, unha nova, cola, corta, lima, esculpe, pinta, rebrilha.
é um trabalho quase artístico. lida com a auto-estima das pessoas. lida com pessoas.
é um trabalho que depende sempre do sorriso para os outros, mesmo cansado. foi ali que aprendi.
é um trabalho que implica o tão indesejado contacto físico... ali damos as mãos. ali, as tias dão as mãos às empregaduchas de centro comercial.
e surgem surpresas: gente que me chorou sentada no banco cor-de-rosa, gente que me obrigou a levantar e beber um café, comer um bolo. prendas, abraços e beijinhos perfumados.
uma miúda que tinha cotos em vez de dedos, e que saiu de lá, um mês depois, com umas unhas pequeninas, brilhantes como os olhos orgulhosos de uma batalha complicada vencida contra os vícios de anos.

ontem troquei experiências e dicas com a rapariga que me atendeu, que durante hora e meia teve as minhas mãos nas mãos.

e lembrámos a malograda D. Milú. a dona do estaminé onde trabalhei.
e onde me armei pela primeira vez em agente sindical. porque queria mais trabalho em menos tempo. porque queria que apontássemos cada lima que gastávamos, e que tivéssemos apenas meia hora de pausa. que não se fumasse de bata, e que não estivéssemos sem bata fora do stand para que não parecesse fechado. que não comêssemos de bata, que não comêssemos no stand, que não saíssemos do stand nas horas paradas.
ora eu passei-me, e com a claque das meninas da Parfois a assistirem à cena atrás da montra cheia de malas, pus a senhora habitualmente toda composta (no seu cabelo amarelo armado, a maquilhagem definitiva, a roupa sempre branca com sapatos e malas cor-de-rosa choque cheios de pindurezas) toda rosa-choque (a combinar com a mala e a agenda da Hello Kitty), com a veia do pescoço a saltar-lhe da maquilhagem definitiva, e as garras de 5 centímetros completamente cravadas na almofadinha. e quando me atira com o "ou é assim, ou não é", eu respondi "então não é. a minha carta de demissão chegar-lhe-à às mãos em menos de uma semana, não vou renovar o contrato". ficou em estado de choque, gaguejou, implorou. e lá ficou com a sua cara de rabiosque lipo-sugado.
é uma chatice perder uma das melhores funcionárias, ainda que as raparigas brasileiras façam turnos duplos, folgas e fins de semana sem se queixarem.
algumas clientes tiraram as unhas (de gel, hã...), porque não queriam outra pessoa. a D. Milú continua cor-de-rosa, rica, de BMW, casa na Av de Berna, a explorar (agora ucranianas). eu ganhei as cores que tinha perdido de passar tanto tempo sem teatro. a B ligou-me uma semana depois de eu me demitir para saber se eu queria ir fazer um Auto da Índia para o... Teatro Ibérico...
já lá vão mais de 2 anos e meio...

clac clac clac

dog battle in strangerland

há dias o Estranho fez um post para mim... desafiando-me...
aceitei o desafio...
e saiu isto: (não resisti a publicar)

" - Desculpa lá, Polegar...
...mas o meu cão (PUKI) é mais preguiçoso do que a tua cadela!"

- Polegar said...
ehehhe agora quanto a nós (arregaça as mangas, esfrega as mãos, estala os nós dos dedos)...
a minha cadela não se levanta, arrasta-se
a minha cadela não se baba, deixa descair as bochechas até ao chão.
a minha cadela mexe-se 10 minutos por dia: vai até à porta, sai para o jardim, e deita-se à porta do lado de fora...
a minha cadela não corre, dá dois passos e senta-se
I could be here the whole day... beat that!

- O Estranho said...
Ai é assim?! (franze o sobrolho e estala o pescoço)
O meu cão, quando quer entrar em casa, começa a ganir, deitado, a partir do cesto onde dorme
Quando lhe oferecemos um petisco, temos de o ir levar até ao dito cesto porque ele não se levanta
Passa a tarde toda a dormir no fresco da sala e levanta-se de hora em hora para andar um metro porque sente que aquele sítio está demasiado quente
Quando quer brincar com alguém, agarra-o pelo pulso e puxa-o até ao chão para poder estar deitado
Senta-se à cão preguiçoso, de lado, não directamente sobre o rabo
Vá lá, com certeza consegues melhor do que isso! (sorriso desafiador de Peter Pan...)

- Polegar said...
a minha cadela quando quer entrar em casa, tendo em conta que continua deitada à porta, a única coisa que faz é levantar as orelhas ou dar uma ligeira focinhada na porta.
ela também come deitada, e às vezes vira a taça para não ter de mexer tanto o pescoço.
a ideia dela de brincar com alguém é dar um saltinho no mesmo sítio de orelhas levantadas. depois deita-se e já está cansada.
quando quer ser agressiva ladra duas vezes e puxa uma manga com os dentes.
dantes corria em direcção ao portão e era tão preguiçosa que se esquecia de travar, parava mesmo NO portão.
só o sabíamos porque ouvíamos um estrondo.
ela também se senta de lado, mas só para ficar deitada, se possível com as patas apoiadas na parede.
se lhe fazem uma festa, cai no chão imediatamente, toda aberta. e se nos afastamos, mexe uma pata. isso quer dizer que quer mais festas...
(saltinhos de Sininho)

- O Estranho said...
ARGH!!!!(grito de derrota de Capitão Gancho)
Bolas, que cadela tão preguiçosa!;)

terça-feira, 2 de agosto de 2005

estava a pedi-las...

... e pronto, vou tê-las.
como pessoa abençoada pela Lei de Murphy (Ámen, Áwoman, Ágay), agora, que estou em ensaios e não posso ir a lado nenhum, vou ter 10 dias de férias.
começam daqui a... 10 minutos...

ainda por cima sabendo que o meu tio querido, lá no outro lado, no sul de Espanha, comprou o trespasse de uma gelataria... o que eu não dava por una agua cebada en aquel pueblo perdido de Hondon de las Nieves, con mi primita, e depois fugir para as águas quentes de Arenales... a dor...

como não posso ir a lado nenhum e eu gosto é de berbicachos, vou aproveitar para dar uma mão à B na produção do Sax.
e vou poder dormir... e ir sem olheiras ao abençoado casamento maná.
ao menos isso, não é?

ah! não pensem que se livram de mim... vou andar por aí na mesma, senão entro em descompensação.

segunda-feira, 1 de agosto de 2005

teaser

[ post-it

João - Minha Querida Futura Esposa, há coisas que tens de me explicar: Porque raio é que eu nunca consigo falar contigo quando quero e porque raio é que eu estou a olhar para uma lista de tarefas que mais parece as exigências da AL-QAEDA:
“Querido, limpa a casa.
Querido, vai às compras.
Querido, põe o lixo..."

O jantar em casa do Mário é às Oito, e como hoje é Domingo, e tu sais do trabalho quando quiseres, vais fazer tu esta merda TODA!

...”Querido, os meus sapatos estão no sapateiro, vais buscá-los?!”

Claro, minha rainha! E quando chegares a casa estarei algemado na cama com chantilly nos mamilos, ansiando pelo estalar do teu chicote!
Vou à BOLA!
...
Amo-te...

João volta a olhar para o post-it...

João
- ...pronto, pronto... ...vamos buscar o vestido da menina, vamos buscar o vestido da menina!]
[SAX - 4 actores, 12 personagens, uma cama... estreia a 7 de Setembro no Auditório Carlos Paredes, Benfica]
um novo espaço no Polegadas.
vou aproveitar-me descaradamente dos tais fiéis seguidores dA Palavra deste blog, essa vasta multidão.
vou mandar (se já não mandei ou não deram por isso) o anonimato dar uma curva.

porque já conhecem um pouco do que é a vida de quem faz teatro por amor, não é famoso, sabe articular, e não tem tachos nem subsídios.
porque preciso de público como de pão para a boca.
porque tenho uma (é forma de se dizer, são 13) história(s) para contar.
que acho que todos vão gostar de conhecer ou rever.
porque há sangue, sexo e lançamento de anões... not!

a partir de agora, de vez em quando, editarei aqui um trecho da minha próxima peça.
na esperança de que gostem do texto, ganhem curiosidade, e queiram vir ver.
e tragam gente.

Castro pela Cê D~eê... bolas... leiam!

fui intimada "porque no teu blog falas sempre de tudo, porque é que não hás-de falar disso?!?!?!" a dar a minha opinião sobre "Pedro e Inês, talvez..." pela Cê Dê Cê (ai a guerra que foi com o teclado para escrever isto) - Companhia de Dança Contemporânea de Alcobaça, a que assisti na 6ª feira.
... pronto, tá bem...
fui tansa: cheguei meia hora atrasada porque alguém no seu mail me disse que era às 21:30. mas pronto, devia ter confirmado...
quando cheguei, a D. Constança rebolava no chão indo ter com o D. Pedro cheia das vontades, mas ele dava-lhe um encontrão que a mandava para trás porque queria era rebolar com a D. Inês.
até aqui tudo bem.
o grande problema do Bailado, seja clássico ou contemporâneo, é que tem um linguagem que necessita de habituação. com a ausência das palavras, a única ajuda é da música e da expressão dos intérpretes. nem sempre é fácil. se comprarmos os programas (caros...!) ajuda muito. se não, apreciamos muitas vezes apenas a beleza estética e a qualidade técnica (vulgo "dasse, mas como é que ela mete a perna ali?" ou "como é ela foi para ali?" ou até "caramba, quem é que obriga os gajos a vestir aquelas lycras? oh por favor! aquilo não pode ser natural") dos bailarinos, até aprendermos os códigos.
eu sou fâ de dança. prefiro a clássica (I'm a sucker for tutus), mas também gosto muito de contemporânea. e aceito o desafio de conseguir perceber a mensagem sem palavras. às vezes é complicado.
nesta tínhamos a vantagem de já termos feito a peça, de termos levado durante 3 meses com todo o contexto histórico, bem como os fait divers todos... sabíamos a história, criámos a medo as personagens e recebemos de alma aberta as energias dos próprios em Alcobaça e Coimbra... e uns dos outros.
anyways... gostei. muito. porque é daquelas histórias que me apaixonaram e que faria de novo mil vezes (mesmo tendo de pintar o cabelo de amarelo outra vez). porque dançada tem um dramatismo que muitas vezes se perde com a facilidade das palavras. porque se descobrem formas de se dizer as coisas com um toque. porque lá no meio saltavam músicas de Carlos Paredes.

agora os contras (eheheh esfrega as mãos de contente e espera não morder na própria língua senão morre)...

os solos e pas de deux sim senhor, agora os corpos de baile vão-se mas é catar. falta de sincronização. e não venham dizer que "é suposto cada um ter um estilo, que é contemporâneo e assim é que é, não percebes nada, não és intelectual", porque é feio (tão simples como isso) estarem a fazer os mesmos passos com lapsos de centésimos de segundos que saltam à vista, e uns muito tesos e outros a rebolarem-se.

aquela amiba - tentativa de presença imponente do rei tipo assombração, que só aparecia em projecção multimedia - que declamava textos de olhos muito abertos e entoação absurdamente melodramática (boca muito aberta, voz cavernosa, fundo de chamas e o resto do pacote, a lembrar-me alguém...), com o plano fechado na cara, a notar-se que estava A LER. os olhinhos muito escancarados, saídos das órbitas, até aí, pronto, aceita-se, é um estilo. mau, mas um estilo. agora os olhinhos escancarados, saídos das órbitas a saltitar de um lado para o outro, dedurando que o tipo com as folhas de papel estava ali do lado direito... eeek!

a interrupção a meio do espectáculo, assumida com uma projecção que mostrava a palavra "publicidade". ora no meio da tragédia (acho que ela estava a ser morta, ou a ter o pesadelo da própria morte), aparece um senhor com uma tábua com um coração desenhado, põe-no no chão e faz-lhe sapateado em cima com um sorriso enorme. depois, aparece projectada a própria da Inês, sorridente, com uma caixa de detergente com o rótulo "Inês", e todos em conjunto dançam muito bem dispostos, cá à frente, ao estilo anúncio Tide, com a bendita caixa de detergente ao vivo. terminam a dança contentinha...
...passando o polegar pelo pescoço (único gesto que lhes saiu em uníssono em todo o espectáculo) e deitando a língua de fora, cabeça pendurada.
houve quem se risse. nós gelámos nas cadeiras. aquilo já nos passou na pele e não caiu bem aquela brincadeira. era comic relief, mas a mim não me aliviou.

o estupor da ideia que há agora de TUDO o que é peça/espectáculo ter dois actores para o mesmo papel... começou com "Morte de Romeu e Julieta" na Cornucópia e "Pedro e Inês" da CNB (mas esses podem fazer o que quiserem, eu deixo), e foi tristemente copiado pelo meu encenador (contra mim falo, que se não fosse assim, não teria sido Inês) e agora pelo senhor coreógrafo da CDC (eheheh safei-me)... ainda por cima tiveram dinheiro para vir para o Teatro Camões, mas para fazer dois vestidos tá quieto. eu bem que estranhei que a primeira Inês (na altura achava que única) tinha as alças sempre a cair, o que é feio e mau para a bailarina. depois percebi quando aparece a (outra) Inês morta (um único pas de deux, será que não dava para a outra, que era óptima, fazer tudo?) com umas mamas 3 números acima e sem problemas de alças a cair. e fez-se luz.

aquela coisa de enquanto morria Inês uma bailarina fazer playback (mas cantando por baixo e ouvia-se... eeek) do "Llorando", uma adaptação de Crying, cantada soberbamente em Mullholland Drive de David Lynch. havia outras músicas que se adaptariam melhor, e o playback foi muito mal feito. os bailarinos, na marioria dos casos, não cantam. aqui ficou explicado porquê.

ter visto o Paio (quem conhece sabe quem é) à saída... spooky.

faltar cá o resto do pessoal, para sairmos de lá a fazer pas de deux que, invariavelmente, acabam de nariz no chão e com o Guinho de pulsos abertos de nos levantar no ar.

e pronto. foi isto. satisfeita? :P