sexta-feira, 29 de julho de 2005

suor

amanheceu fresco e o vento salpicou-me a cara de cabelos (agora) pretos.
agora presos em dois pequenos totós e enfeitados de ganchos. menina.
o sol entra agora a jorros pela janela e a camisola não faz sentido. o ar aqui abafa-me o peito.
no escritório vazio, há tempo para fumar o cigarro agarrando o nada como companhia.



levo a mão ao pescoço. acompanho com os dedos as gotas de suor. não as apanho ainda. deixo-as passear, vaguear até aos ombros.
então aí, encontro com a ponta dos dedos o calor da pele e o prazer de olhar o sol lá fora.
ensaio os passos de dança descalços que por vezes não me deixam trabalhar.
logo à noite vou ao ballet e quero encontrar-me ali.
por agora, agarro nas cartas e vou ao correio. deixar o vento soprar-me arrepios na pele molhada.

let's go and meet the panzies!

andava à procura de alguma coisa que soltasse um sorriso.
daquelas coisas que, por muito chato que esteja a ser o dia, nos desarmem totalmente, e nos façam ostensiva e descaradamente "arreganhar a tacha"*...
ora para isso, temos sempre o King Julien. o rei dos Lémures de Madagascar. este "self proclamed king" é assim daquelas personagens secundárias que brilham filme fora e é a canção dele que se sai a cantar do cinema... sem desprimor para os pinguins que andam à estalada "- don't give me excuses, give me results!",

ou para Mort, o bichinho fofinho irritante por excelência, digna sátira aos Bambis da vida, que, de facto, de tão doce... apetece "mergulhar no café", como diria Gloria (a hipopótama delicada)...
e depois, é só assistir à recepção dos "giant panzies" para ganhar o dia.
- shame on you Maurice! did you not see you've insulted the freak? (ler com sotaque pseudo-jamaicano por favor)

e isto é só uma parte ínfima do filme...

ainda estou a bombar, e já consegui o tal do sorriso...


*expressão gentilmente cedida por B.

quarta-feira, 27 de julho de 2005

pára tudo! pára tudo!

então não é que descubro que há uma bolsa para blogs?!



e mais! o Polegadas está lá!
(parece-me que com uma boa cotação - cof cof, sopra nas unhas - mas não percebo um caracol daquilo... só barrinhas e quadros e gráficos... eu até sou de letras... e deixei a cadeira de economia a descansar na faculdade...)

e mais! alguns de vocês, bloggers amigos e fiéis seguidores d'A Palavra deste blog, também lá estão!
como? não faço puto, meus caros, não faço...

mas convenhamos que me valeu umas gargalhadas valentes. especialmente quando descobri que um blog meu conhecido, que está parado há meses (tsss tsss... e escrevia tão bem, o rapazito...) está mais bem cotado que o meu! isto não há direito...

terça-feira, 26 de julho de 2005

slow motion ou o strip-tease numa estrada do alentejo


the tree of us Ben Harper [welcome to the cruel world]

a estrada corre debaixo dos pneus, asfalto escurecido pelas sombras, ainda quente do fim do dia.
a promessa do mar lá ao fundo. muito ao fundo, onde acaba o céu. ainda falta. mas o percurso é também parte da viagem. sem pressas. não tenho pressas. o tempo só começará a contar quando tiver de voltar.

o silêncio dos estofos, do cigarro a crepitar entre os lábios. lá fora voam candeeiros alaranjados, recortando-se cada vez mais no azul-negro.

o sol foi descansar, vestindo o seu pijama laranja.

do outro lado, lentamente, surge, provocante, redonda, lá ao fundo, a lua. saída da mesma cama, veste o mesmo pijama.
e enquanto sobe lânguida pelo céu, vai despindo o pijama devagarinho, para passear nua a sua pele alva, noite adentro, céu afora, numa dança sensual com as copas das árvores.

iluminando o rosto cansado descansado dos viajantes na estrada.

segunda-feira, 25 de julho de 2005

23.07

praia não vigiada.
é proibido nadar.
correntes fortes.

não farei juízos de valores.

quando cheguei, improvisava-se uma corda, passavam polícias de calções e capacete de bicicleta, correndo na areia escaldante.

eram seis. estavam acampados na praia.
dois, agora, tremiam juntos, sentados nas rochas. outro, mais acima, de cabeça enterrada nas mãos, olhava o azul como se fosse negro e nada. outro, ainda, jazia inconsciente, deitado de lado, com o quinto elemento a tentar aquecê-lo, engolindo as lágrimas.

por entre um aglomerado de rochas, descobri que os anjos, às vezes, não são transparentes, não têm asas.
vestem fardas azuis ou vermelhas ou brancas.
e, incansáveis, de corpos esfolados, carne rasgada pela inconsciência dos outros, inconsciência de si, suores frios, de olhares impenetráveis, tentam soprar vida num corpo inerte, gelado, pescado de entre as pedras fundas e as ondas batidas. fazem das suas mãos coração forte e pujante, bomba de impulso que acorde (por favor) aqueles braços caídos, aqueles olhos perdidos.
e a outro prometem uma cerveja ao fim do dia, como se o pescoço entalado em amparos de plástico nada significasse, enquanto carregam as macas falésia acima.

sexta-feira, 22 de julho de 2005

lacuna



sentir que falta o evidente.
tantos pedaços sem encaixe, tantos pedaços a deambular, sem pouso, sem lugar.

sempre ausente, presente divino com dois cordéis de seda de cor indefinida do espectro universal. símbolo gravado num círculo de luz, gaveta de pó brilhante, envolve num laço sem nó.

o laranja pincela em ondas, acompanha o corpo sedento de música. volátil, brinca no ar, rodopia e flutua, branco, deserto, na gravidade ambígua de um saco vazio (cheio de ar) a voar. coup-de-pied, sapatilha cor-de-rosa, fita de cetim, tule flutuante, costas finas, pescoço de graça (garça), sonho de menina em caixa de música, agora quente de suor que soltou as voltas do corpo enrodilhado. assim muda o compasso, sem recuperar o passo.

é quente, a cor da vela, que apanha de surpresa com cafeína. desperta dentro do sonho premente, gritante, que lateja nas mãos que podiam ser pés de firmes e seguros. cai o chão.
na pele, a gota que se faz língua, percorre o mundo redondo. quer norte, quer sul. costa e mar e ventos de açúcar.
o sorriso de este a oeste em forma de lua branca, curva suave de anca, corpo de mel e paz.

não sem guerras.
somos todos assim. humano sem perdão, sem botão de comando. estende a mão. não. tem de cair. sabor do impacto, acre e molhado. calca a punhos o tempo. na palma aberta, rasgão de linhas, sem nexo aparente, caminho sem volta, dor latente. cicatriz e chaga de ventos que sopraram e deixaram a chuva nos olhos. nos actos as cordas.
nas guerras do peito não perdoa os entantos. salga o rosto. inevitável, irreversível, indelével, inevoltável.
estende a mão. lacuna.

quinta-feira, 21 de julho de 2005

writer's block

considerando o Polegadas, imaginem que faziam um post para aqui.
sobre o que seria e porquê?
se quiserem, enviem mesmo um texto. quem sabe não sai publicado... ;)

quarta-feira, 20 de julho de 2005

túnel

já alguma vez tiveram o impulso violento de abraçar com força uma pessoa completamente desconhecida, apenas pelo olhar profundamente triste que trazia consigo?

terça-feira, 19 de julho de 2005

something old, something new


... something borrowed, something blue
and a silver sixpence in your shoe...

quando era miúda, e, devo confessar, até muito tarde, queria ser princesa por um dia. queria casar-me como manda a regra e os filmes românticos todos. ia desenhar o meu vestido, escolher as flores, ter uma banda a tocar a minha banda sonora, fazer um passeio a cavalo na praia para as fotos, e o meu marido ia chorar desalmadamente quando me visse entrar na igreja.

depois apercebi-me que sou agnóstica.

depois comecei realmente a ir casamentos.

e a fazer uma lista do que não queria no meu.

começou com a lista das pessoas que se "tem de convidar":
> as tias-avós gordas de blusas às flores, que riem histéricas e choram feitas carpideiras, falam mal de toda a gente presente num raio de 2km, borram a maquilhagem da noiva com beijos pegajosos e andam atrás dos putos pequenos todos para lhes fazer o mesmo.
> os putos pequenos, demónios birrentos de laçarotes foleiros que fazem fita em frente ao carrinho dos doces e não páram de correr durante a cerimónia, que se quer uma coisa bonita, poética, não é?
> os tios bêbados da terrinha que batem nos pratos e nos copos, quando chamam os empregados dizem "Ói!", mandam bocas porcas aos noivos, aos pais dos noivos, aos padrinhos dos noivos, falam alto, quase andam à porrada por causa do Benfica, quando não saem a meio para ver a bola.
> as amigas desesperadas que afinal não são lá muito amigas, oferecem naperons e bonequinhos com corações, fazem-se aos solteiros e aos casados, e gritam, saltam, rebolam no chão de perna aberta, esgadanham-se todas só para apanhar o bouquet...
> as amigas que fumaram charros conosco e foram para os festivais acampar só com uma muda de cuecas e agora casaram com um advogado rico, vivem na Lapa, olham de lado para as tias-avós e demais inconvenientes, falam pelo nariz e peguntam puqué que escolheste este chef? s'eu sóbesse dava-to contácto do Julien, qué um crido. olha lá, essa tua mania de fazêzas coisas à tua manara dá buraco, crida, dvias tê lido as tendências de Nu Iórke primaro...
> os conhecidos que emprestaram um alguidar quando os nossos pais foram morar juntos e por isso, coitadinhos, gostam tanto dos noivos, só mais sete pessoas também não faz mal.
> o padrinho fascista que foi designado quando ainda não tinha nascido.

depois a lista dos eventos que "é costume":
> o carro da noiva. eu queria um jipe da tropa, e conduzi-lo eu. o normal é o mercedes, conduzido pelo pai preocupado. de preferência com uma almofadinha de cetim à vista.
> o itinerário maravilhoso da igreja à quintarola de tendas, de Peniche à Quinta do Conde, com os pedacinhos de tule a adejar ao vento nas antenas dos carros, o apitar, passandos pelas localidades.
> o pessoal a perder-se no caminho, o telemóvel do noivo, o único que está no croqui ininteligível, desligado, os carros parados na auto-estrada para fazerem a filinha-pirilau.
> por falar em pirilau: as despedidas de solteira com as épicas bandoletes de tule verde-florescente e os pirilaus, as prendas de algemas e restante equipamento "hot hot hot". e as despedidas de solteiro com as mamalhudas oleadas, o coma alcoólico do primo e o ataque de dúvidas que assola o noivo quando vê a stripper e ouve o padrinho dele sussurrar-lhe "vês no que te vais meter? depois acabou-se...."
> a cerimónia oficial, religiosa ou não. entre o "fica bem" e o "foleiro de todo" há uma linha muito ténue.
> as fotografias. matem a gaja de uma vez... com aqueles folhos todos, a derreter a base para cima do véu, tem de se posar antes de sair de casa, deitadinha na cama de solteira, em frente aos bibelots e a cristaleira da mãe e das medalhas do pai. depois umas 3 horas a morrer de fome num jardim com patinhos e os sapatos de salto a rasgarem os tornozelos e a encravar as unhas, e as tias e tios e outros que tais acima referidos, a sorrir feita boneca de cera, cachimónia ao sol, a levar com o véu na cara por causa do vento, de braço dado com o recém-marido, ex-mais-que-tudo, teso que nem um carapau e a desejar que ela não tivesse escolhido aquela gravata. a foto da liga com celulite, do ombro com triplo queixo, do bouquet, da criancinha ranhosa agarrada ao vestido (outrora) branco, do beija-mão no jardim bucólico, do olhar apaixonado através do espelho do mercedes...
> a banda. mesmo em casamentos de amigos jovens e modernos e hypes e tudo, a banda foi um choque. claro que se pode brincar com a coisa (já me aconteceu) e pôr a sala a dançar ao som do "morango do nordeste". mas é, no mínimo, desgastante. e humilhante para os desgraçados que organizaram aquilo...
> os convites. as aliançazinhas cruzadas? uma flor? um laço? "fulano de tal e sicrano de oliveira convidam v. exa. para a união dos espíritos entre beltrano e altrânia, que 'vão deixar a casa dos pais para se unirem no seu seio de amor eterno, abdicando da vida terrena para uma elevação das almas em uníssono' Gregório, Salmo XPTO.21"
passar o resto do mês a tirar grãos de arroz do cabelo e do soutien.
> os bifinhos com cogumelos, os filetes de peixe e o creme de marisco. o ananás esculpido em forma de tubarão.
> as cadeiras de plástico com as capas brancas e os laços às cores.
> as mesas com nomes de flores, de grupos mal distribuídos,juntando gente que afinal se zangou na terra e deviam ter ficado separados, e os solteiros que não se conhecem e ficaram todos ao molho numa só mesa, "a mesa dos solteiros", claro, para os marcar ainda mais.
> o não poder estar com os amigos porque se está na "Mesa dos Noivos" (aquela com o centro de mesa gigante cheio de ramagens e couves), com os pais, os padrinhos, e as velhas todas à volta.
> leiloar a liga... (sem comentários, não consigo, não consigo)

bem, é só uma amostra, hei-de lembrar-me de mais coisas...
parece que, no fim, a única coisa positiva é poder fazer-se lista de casamento e recheiam-nos a casa à pala, e ainda nos mandam durante 15 dias para as Canárias...

nota-se que o meu irmão, maná de gema, vai casar-se em breve...?

segunda-feira, 18 de julho de 2005

preencher-me


[ms]

de mar. de azul e verde e castanho-rocha e amarelo-sol. do rosa-choque da toalha e da mochila, descansadas, finalmente.

comer gelados, ler e adormecer embalada pelas ondas lá ao longe.

andar sem relógio. o vento no corpo foi o meu despertador.

a pele a cantar de sal e suor. o cheiro do protector solar. o sabor da maresia pelos lábios.

precisava disto.

mesmo com um escaldão no rabiosque :)

beijos... #2

... trago na pele sol e sal...

sexta-feira, 15 de julho de 2005

beijos...

... vou roer uma laranja na falésia...

quinta-feira, 14 de julho de 2005

visualizem

parte da tarde do dia.
apesar de ela estar no trabalho desde as 10, o patronato chegou às 13 a querer fazer ditados de 15 páginas em cima da hora de almoço dela. ela teve de apontar em letra de médico - que não sabia que tinha - os ditados intermitentes, recheados de "coiso" e "prontos, tu sabes" às quais teria de dar definições específicas quando voltasse.

assim que regressa de comer, senta-se com o intuito de despachar as tais 15 páginas de projecto alterado, com tabelas, contas e imagens. tudo por decifrar e a enviar dentro de meia hora. tenta concentrar os olhos e os dedos, que a dor de cabeça já lhe assou o cérebro. já está de olhos em bico.

o patrão neguinho, de pança saliente, carapinha e calções, sentado no outro computador, começa a declamar Shakespeare. alto, que ele só tem dois volumes: alto e muito alto.
ela pede-lhe suavemente que a poupe.
ele ri-se e continua.
ela faz uma careta que desenvolve, muito rapida e detalhadamente, para o queixume trémulo em crescendo de criança mimada a quem caiu o gelado no chão. fita de centro comercial mesmo. e no choro grita:
- Alexaaaaaaaaaaaa-an-an-an-dreeeeee! ele não se caaaa-aaa-aaa-aa-laaaa

surge o outro patrão da sala de reuniões, que está escura e fresca. de pança maior, lentamente com o seu ar de Porthos. o patrão neguinho ri-se desalmadamente e continua a recitar a sua peça. o patrão Porthos dirige-se à secretária do outro, e tira-lhe o tabaco. sai.

o queixinho do patrão neguinho começa a tremer.

a menina de olhos em bico, agora, ri à gargalhada.

...

dasse!

quarta-feira, 13 de julho de 2005

lucidez

não é todos os dias que nos oferecem uma história de amor.
obrigada, Paulo.

blank

o cursor olha para mim, expectante.
a companhia de Ella tenta abraçar-me.
a folha está em branco. dizem que o branco é a união de todas as cores.
as palavras às vezes são tantas que sufocam à saída.
gostava de dizer muita coisa. aos pedacinhos. em torrentes.
saído de mim. bem do fundo. do que tenho de bonito e de feio.
do sincero e perfeito porque real.
perco-me em meias frases. a monotonia das metáforas.
o monocromático. há por aqui uma bruma. ardem os olhos.
a voz não solta a língua. não solta o suor preso à pele. não solta a vida dos dedos.
vão. fechado. preso. oculto. entupido. vedado.
não vale a pena. pouco há a fazer.

agora, as letras doem.

segunda-feira, 11 de julho de 2005

nevermind

estou a precisar de férias. durante bastante tempo estar longe de tudo.
preciso de um sítio meu. só meu. onde possa descansar. e desligar.
onde possa ler umas horas, apanhar sol, molhar-me na água fresca, ouvir música e adormecer a contar estrelas, descobrir constelações inventadas, com a luz de presença da minha lua. crescente, minguante, nova ou cheia. preciso da lua. e de ventos quentes que me embalem as angústias e me tragam as noites compridas de menina.
esquecer-me de dias como este. de temperamentos sem sentido. de umbilicalismos.
preciso de não ter de desmembrar-me.
quero ver o pôr-do-sol às 9 e tal da noite. sentada na areia ou no topo do monte. mas sem relógios por perto, sem nada que me lembre que tenho de ir a correr para algum lado. que não tenho tempo. que o tempo me tem presa.
preciso de dançar descalça na relva. de largar as energias negativas na tontura das piruetas.
preciso urgentemente de gritar. alto, muito alto. até a vibração da voz desfazer o nó que tenho na garganta. e deixar sair as lágrimas que tenho por chorar e depois as que ainda não sabia que ia chorar. perder o pudor até perder as forças. e depois dormir.
quero limpar a alma. deste suor poluído que me anda a esgotar os olhos.

perdoem o desabafo.

sexta-feira, 8 de julho de 2005

london, 07.07.'05

sweetheart:
went to work. I left you asleep, lying on our bed, dreaming.
I love you so much. days and nights spent with you are paradise in this crazy world.
oh, I wish I could stay, even for a few more seconds, lying there, nesting beside you.
well, gotta go now, into the subway like everyone else. but at least I'm smiling, with the memory of you always with me.

luv ya. see you later.

p.s.: don't worry about supper. I'll arrange it for us today

esta nota é ficção, cedida pelo querido Bufas. quantas terão ficado em cima de uma almofada ao lado de cabelos espalhados e cheiros quentes?
a homenagem merecida a quem não vai voltar a casa.

cavalheiro évora

aqui ao escritório costuma vir um senhor, colaborador da empresa. entra sempre com o seu andar pesado dos cabelos brancos e da barriga enorme. sorriso em riste para o que der e vier. saquinho do pingo doce com fruta fresca, porque as compras são feitas antes de passar por cá às 10 da manhã. demorou cerca de 2 meses a deixar de me chamar Simone ou Yolanda...
começou a pedir-me ajuda para ver os mails dele. ainda não percebe disso dos computadores, e a secretária dele está de férias. mas já se inscreveu em informática na universidade da terceira idade.
descobri que também colabora com colegas meus de há uns anos, e é amigo do meu encenador.
anyways, hoje cá entrou logo de manhãzinha, com o seu "quem é uma flor?" com que me cumprimenta todos os dias, e, penso, para colmatar o facto de nem sempre se lembrar do meu nome.
estendeu-me um embrulho.
agora tenho o cd de Humanos, que apenas ouvia no site deles.
há gestos que deixam uma pessoa desarmada...

sonhos

percorri a rua da Escola Politécnica com Louis Armstrong e "A kiss to build a dream on".
a pensar na minha noite. em como o subconsciente nos prega rasteiras e nos avisa que, apesar de tudo, ainda acredita (ele, coitado) em certos finais felizes.

quarta-feira, 6 de julho de 2005

corrida de obstáculos

chegar a casa tarde, cansaço. entrar pela porta que faz mais barulho na casa toda e está de frente para o quarto dos pais. roda chave, roda chave, sobe tranca. clanc clanc.
abrir porta do corredor. atravessar o corredor.
passar por cima do cão de guarda.

que dorme.
pesadamente.
ronca.
muito alto.
completamente espojada no chão, muitas vezes toda esparramada de barriga para cima, de beiços descaídos para trás...
ó menina, compõe-te! isso é forma de guardar a casa?
vidas... de cão!

terça-feira, 5 de julho de 2005

shoe sale

numa pessoa de baixas finanças, gaja, muito gaja, que gosta do seu saldozinho, da sua bagatela, da sua espiadela de montra, ir passear para um centro comercial cheio de oferta e sem um tostão no bolso é coisa de loucos...
e dá nisto!



entrei na loja onde havia mais fatos de treino e sacos do continente per capita e experimentei os sapatos mais pirosos que encontrei!

estas são umas sandálias de salto agulha em verniz azul, de tiras cruzadas ao lado, adornado por um maravilhoso coração em strass atravessado por uma seta. um mimo!

encontrei-me!

é como quem diz... encontrei a minha Teresinha! na SIC generalista, aos Sábados às 6 da manhã...
(belas horas para se chegar a casa, mas pronto... eheheheh)

sun, moon and the stars


num quarto de céu e luas, nada melhor que um sol a rir-se para mim todos os dias...

sexta-feira, 1 de julho de 2005

humanos











só para partilhar um pouco das imagens que trouxeram os sons.