terça-feira, 24 de março de 2009

lndn . shortstop

Santa Apolónia . 13:45
com o befe bem assentado já estamos no pouca-terra. parte dentro de 15 minutos, está só a repôr o carvão. vamos no vagão da frente, a levar com o fumo...

Oriente . 14:12
os iogurtes em promoção do Pingo Doce de Santa Apolónia são para consumir até Agosto de 2004 ou Abril de 2008...

Porto . 18:00
sem congestão pelos iogurtes, paragem digestiva pelos preços da bica no magestic

Porto . 18:30
em toda a parte encontramos gente. muita merda, M@nel :)

Porto . 20:30
matraquilhos na sala de embarque, matraquilhos na sala de embarque, matraquilhos na sala de embarque!

Ar . 21:40
bless you diazepam!

Stansted . 00:20
não fuma, corre para o comboio. comboio vomitado. não fuma, mas também não respira.

Lndn . Liverpool St . 01:50
autocarro de madrugada, de 15 em 15 minutos. cheio, utilizado. ah, isto é civilização.

Lndn . Camden Town . 02:20
um homem já aviado pára em trip onírica a olhar para as bolas do meu casaco. outro está em movimento interno a olhar para um copo pousado num beiral.

Lndn . Fdnd place . 02:30
best. flat. ever.

Lndn . Camden Lock . 12:00
invoco os deuses do paracetamol de 35p. este mundo é pain free. e com bancas cheias de roupa e antiguidades para levar. pequeno almoço no Lock.

Lndn . La Strada . 14:00
almoço de grupo. massa em vez de pizza. e a galeria da Getty aqui ao lado.

Lndn . Leicester Sq . 18:00
3 pashminas por 5 quids. um par de óculos por 5 quids. e o quid está igual ao euro.

Lndn . Covent Garden . 18:30
flapjacks e concerto de música no meio da rua. Boots para pague um shampoo e leve 2, anti-histamínicos a 2 euros e mei0.

Lndn . hmv . 19:00
raismeparta os preços: novo cd dos Franz Ferdinand a 7 euros, packs de séries completas a 50, filmes acabados de sair a 13. iPods a metade do preço. eles ganham 4 vezes mais... e à semana...

Lndn . Leicester Sq . 19:30
expresso Delta no west end!

Lndn . West End . 20:00
aqui fazem fila à porta do teatro antes de abrir, meia hora antes do espectáculo, comem na sala sem fazer barulho e a porta fecha à hora.

Lndn . Avenue Q 20:30
best . comedy musical . ever. Generation X meets Sesame St.

Lndn . Avenue Q . 23:00
I wanna be the Bad Idea Bear!

Lndn . Soho . 23:30
wandering. os bares já estão a fechar e mundo já etilizou. a tempo de curar a ressaca para amanhã de manhã.

Lndn . Camden . 00:00
Londres é dançar a 9ª de Beethoven na Proud.

Lndn . Fdnd Place . 03:00
doem-me os pés. a alma ri à gargalhada. waffles aquecidas com manteiga e doce.

Lndn . Camden . 12:00
um vestido fifties para mim, t-shirt do super mário para ti. um mundo de chapéus dos anos 20 a pedir para vir em excesso de carga. e almoço de grupo no Strada. pizza em vez de massa.

Lndn . Oxford St . 15:00
Muji rules. um iPod a metade do preço na mala.

Lndn . Fdnd Place . 21:00
fazer o jantar para os meus meninos. Franz Ferdinand no iPod. último cigarro no terraço.

Lndn . Fdnd Place . 08:00
beijos, queijos. see you soon.

Portugal . Ramada . 20:00
café com papás, e o mundo no buxo.

domingo, 15 de março de 2009

um fósforo

cheguei para o colo do meu encenador: "O senhor presidente entrou por aqui adentro e disse logo, antes de pôr os olhos na exposição da Agustina: vim ver a Puligari". risos.
cumprimentar os amigos de sempre, que por acaso ou não, partilhariam a tela comigo.
fugir dos flashes e baixar a cabeça nos discursos.
e alea jacta est.
a cadeira já doía no rabo, ainda nem íamos a meio. o senhor presidente velava-nos lá do camarote. aguardava-me, com certeza, ri-me.
o fado de Simone de As Vedetas cumpriu-se em grande escala: ou puta ou criada, a criada já está.
reconheço o ensemble da cena. enfio-me pela cadeira abaixo, sapatos adentro.
os meus 20 segundos.
o resto é o resto é o resto. cinema português é cinema português é cinema português.
sair porta fora a rir à gargalhada, de coisas pequeninas se torce o pepino.
puxam-me pelo braço. estavas tão bonita. como assim? ias tão bem! mas mal se vê.
diz quem sabe - ou acredita - que a magia se fez nas pequenas coisas. não sei, mal vi, enfiada lá em baixo, dentro dos sapatos apertados.
ficar em cigarros com os de sempre, assinar dois autógrafos para amigos "desta tua estrela sem créditos", sorrir ao realizador querido, não querendo incomodar em noite de tantos abraços mais importantes. um destes dias cruzamo-nos por aí num café ou uma cerveja e logo lhe agradeço não me ter cortado a cena.

aparecer no grande écran - check.
mais um para a história da menina dos fósforos.

domingo, 8 de março de 2009

Black Vox - histórias negras em teatro de terror



textos e encenação . Ana Lázaro, Patrícia Andrade, Ricardo Neves-Neves

com . Ana Lázaro, Patrícia Andrade, Ricardo Neves-Neves, Sílvia Figueiredo, Vítor Oliveira
vídeo . Dora Carvalhas
curta de animação . Solange Santos e Mário Sousa [polegarfilmes] a partir do texto de Ana Lázaro


Casa Conveniente
| 6 a 15 de Março | todos os dias às 21:30

Teatro da Trindade | 29 de Abril a 17 de Maio | 4ªa a Sáb às 22h . Dom às 17h

bilhetes . 7,5€ . normal | 5€ . para jovens até 30 anos, maiores de 65 anos, profissionais do espectáculo, grupos de mais de 10 pessoas, coveiros, talhantes e médicos legistas

info e contactos: 964096484 | 913938899 |
www.teatrodoelectrico.com


chegada de Braga, passei a última semana e meia a recuperar um trabalho de 3 semanas que se tinha evaporado no éter digital de um velho programa de computador. quinta-feira à noite, depois de várias madrugadas e uma directa a trabalhar ininterruptamente [saindo apenas de frente dos fumegantes computadores para ir fazer espectáculos], finalmente entregámos o material.

valeu a pena.
não fazia ideia de como iria resultar no enquadramento final do espectáculo. sabia apenas o contexto, muito por alto. deram-nos o texto e fechámo-nos em copas com ele e maços de cigarros e café e dores nas articulações. nem a autora opinou grande coisa depois do storyboard.

assim, nesta sexta-feira, lá fomos para a Casa Conveniente ver se as peças encaixavam.
e encaixaram.
Black Vox é um espectáculo de pequenas peças curtas de terror, escritas e encenadas por alguns elementos do grupo que lhes dá corpo. com muito humor negro, daquele de que gosto. despretensioso, bem dito, bem interpretado, com variações entre a poesia, o corpo, o vídeo, a animação e a comédia. todos os textos são bons, e nem os nervos da estreia atabalhoaram o andamento. a Casa Conveniente, com o seu ar baffon [podia dizer urbano-decadente-chic, mas não me apetece a freakalhada], é o cenário perfeito e Hugo Franco fez magia com a simplicidade de algumas lâmpadas espalhadas pelos recantos do espaço.
são todos bonecos pálidos, estranhos, figuras conhecidas do nosso imaginário. e brincam bem com isso, sente-se que gostam de nos provocar e de lamber sangue das paredes como quem diz um poema bucólico. não há que ter medo de que nos façam rir: o mórbido saboreia sempre dois lados e um é o ridículo dos nossos medos. consequências de uma geração Tim Burton...
há sempre os preferidos mas nem entro por aí. não é preciso destaques, essencialmente esta peça é um corpo só. com cabeça, apesar do tema.

recomendo a todos que a apanhem ainda na Casa Conveniente. o ambiente é qualquer coisa. para quem não sabe, o espaço leva pouco mais de 20 pessoas de cada vez, portanto apressem-se.
o mais provável é cruzarmo-nos por lá, que eu vou voltar.

ah, e depois contem coisas acerca de uma curta de animação que por lá aparece... muahahah ;)