segunda-feira, 29 de setembro de 2008

funny face ou havia muito a dizer acerca disto






You Scored as Audrey Hepburn

Audrey Hepburn

75%
Betty Page

69%
Mae West

69%
Betty Grable

63%
Jayne Mansfield

50%
Marilyn Monroe

44%

which 1950's pin-up girl are you?

terça-feira, 23 de setembro de 2008

seis horas



de suor a derreter no peito de asfixia de ácaros na garganta de cinzento de pó de pés em meia ponta de costas encaracoladas de pontadas nas mãos de deixas penduradas de dedos esvaziados de recusas de vontade de noites de tinto de incongruências de gripes de ânimo enfraquecido de ego que nem com muletas de ausências de desorientações de cadeiras partidas de cigarros a meio de fitas de amuos de idiotices de palermices de risos cansados de dias que já se esvaíram quando se sai para a rua sem os ter visto.

domingo, 14 de setembro de 2008

cabaret

teatro maria matos até 28 de Dezembro
Adriana Queiroz, Ana Cláudia Ribeiro, Ana Lúcia Palminha, Bernardo Gama, Carlos Gomes, David Ripado, Dima Pavlenko, Fernando Gomes, Henrique Feist, Isabel Ruth, Meredith Kitchen, Paula Fonseca, Pedro Laginha, Sandra Rosado e Sara Campina.
encenação de Diogo Infante
bilhetes entre 15 e 25€

já toda a gente sabe que a minha vida é um musical, que nasci na época errada e com um estranho pânico, vá, respeitinho encolhido por cantar em palco.
sendo este musical um off-La Féria, não me podia escapar.
aviso já que neste género quero ser bem servida, quero tudo - porque já vi o tudo - mas, mais do que esperar cantores exímios e dançarinos exemplares, vou à procura de representações poderosas que elevem as notas musicais ao tão estimado arrepio.

já se sabe que vamos entrar numa Alemanha quasi-nazi, num submundo boémio e nas relações e ralações dos vibrantes seres desse mundo e dos que o rodeiam. não querendo ser acusada de fornecer spoilers, fico-me por aqui.

em termos de ambiente, senti falta da sujidade, da confusão dos bastidores, do fumo de cigarros [mas é normal, o encenador deixou de fumar], da deliciosa decadência, do tal abraço que nos envolve, agarra e só cospe no final. houve algo de frio e quase asséptico nesta encenação que nunca me permitiu entrar realmente no tão afamado cabaret. só me salvou o corpo de baile e seu Emcee, cheio de energia e vontade de nos cravar as unhas.

a nível de cenário também tudo muito bidimensional, esperava que o espectáculo [me] entrasse pela plateia adentro. acima de tudo, depois de uma Dúvida pelo lápis de João Mendes Ribeiro, esperava uma surpresa. a sorte é que esperei sentada.

as músicas foram uma não-surpresa muito agradável. sim, Ruben Alves e a sua banda levaram-me para os tais outros tempos. a tradução das letras para o português justificava-se [um dos meus medos quando se mexe nestes clássicos] e na sua maioria tinham uma adaptação bastante fiel, se bem que não se apiedavam dos cantores em termos de métrica e espaço para respirar. no entanto - eu sei, há sempre um destes - algumas das letras pareceram-me estranhamente mal traduzidas e adaptadas, como se tivessem resolvido introduzir mais músicas no espectáculo à última hora.

a encenação teve alguns apontamentos de humor quase non-sense que não esperava de um senhor tão bem comportadinho como Diogo Infante. destaco a cena de "two ladies", que considerei soberba e me fez largar boas gargalhadas. ora toma. a primeira aparição de "tomorrow belongs to me", com David Ripado, tem o twist no sítio certo para nos fazer sentir culpados por termos estado a gostar tanto da música. sacanagem da boa.
por outro lado, na sua maioria, as cenas mais dramáticas eram arrastadas ao ponto do suspiro e de sentir a cadeira no rabo.
houve ainda algumas opções artísticas que me fizeram levantar a sobrancelha, questionando-me se aquilo era falta de estudo [o que me recuso a acreditar] ou simples vontade de fazer algo... diferente? por exemplo, a cena de "if you could see her [through my eyes]" foi interpretada com tanta graça pela dupla Hentique Feist e Adriana Queiroz que só por isso me permitiu fazer vista grossa à estranha opção artística da escolha do bicharoco representativo dos judeus.
o final deveria pertencer a Herr Schultz sozinho, encolhido. assim se mataria um público.
ah, e já agora, os homossexuais levavam uma estrela cor de rosa...


os intérpretes, como grupo coeso, funcionam. a nível individual já fia mais fino.

a nível coreográfico e musical são um todo metódico, eficiente, intenso e em certos momentos quase pungente. levam a perna à cabeça sem uma fífia. à excepção de um mocinho muito alto e loiro que em vez de levar a perna à cabeça estava era a tentar não cair da cadeira, servem o espectáculo como um grupo o deve fazer, marcando o nível que todo o musical deveria ter. gostei da mistura de estilos, de corpos, de assimetrias. gostei que não fossem todas altas e espadaúdas, que houvesse, por assim dizer, um tipo de mulher para cada homem. e vice-versa. e vice-vice, está claro. à semelhança do meu imaginário da fauna dos cabarets nos anos 30.

Henrique Feist estava como peixe na água neste seu Emcee: não houve nota ou fio de cabelo a mexer-se se ele não quisesse. agarrou este seu sonho com unhas e dentes. e com aquela voz. e estava tão verdadeiro... um bálsamo.
a dupla sénior, Isabel Ruth e Fernando Gomes tem aquele estilo de representação que, quando sozinhos, nos transporta para um filme português antigo. e só aí [e por isso] consigo esquecer-me que aquela entoação musicada e as pausas longas estão algo descontextualizadas do resto do espectáculo. "It couldn't please more" é das maiores delícias da peça. podiam ter agilizado [vá, cortado em pedaços mais pequenos] duas músicas dramáticas que canta Isabel Ruth e, com isso, poupado a actriz e os espectadores a duas cenas tão compridas e repetitivas, com as naturais falhas de quem não canta pelo meio. Já Fernando Gomes, na sua figurinha pequenina curvada, tom frágil, doce e meio pateta, conseguiu conquistar-me, com uma ternura imensa. apetecia, mesmo naquele seu género "que já não se usa", meter no bolso e levar para casa.
Paula Fonseca, no seu pequeno papel individual, conseguiu também arrancar-me umas gargalhadas e fazer-me crescer a irritação ao ponto de lhe querer bater [como pedia o papel, atenção]. e canta que se desunha.
o senhor que fazia de Ernst Ludwig era tão estranho e desconcertante de uma forma pouco lisonjeira que a única imagem que tenho para o descrever seria um nazi de Alfama. klop.
Pedro Laginha está esforçado. acho-o capaz de muito mais. parece-me que lhe falta uma qualquer coisa. um clic. um deixar-se ir e acreditar naquilo que está a dizer, independentemente de quem está lá para o ouvir.
isto porque - e vamos ao momento mais temido - na minha opinião, Ana Lúcia Palminha não está mais do que sofrível. nada de Liza. está um perfeito boneco da Velma Kelly da versão cinematográfica de Chicago, do figurino aos tiques de corpo. mas falta-lhe a alma, a garra da senhora Catherine Zeta-Jones para isso. a amplitude vocal é bastante limitada, e nota-se mesmo em músicas totalmente adaptadas ao seu tom. brilha nos graves, mas fica sem ar num instante. e sente-se. nos mais graves já só arranha e quando tem de ir para o falsete acabou-se. "money makes the world go round" lá ficou pelo caminho, nitidamente por falta de ar, entregue unicamente a Henrique Feist. compreende-se... ou não...
como actriz - o que, para mim, era o essencial - surpreendeu-me a total falta de verdade na interpretação. na maioria das cenas roça o histerismo frenético, uma musiqueta irritante na entoação, e por lá assenta. sempre na forma. parece que se está a poupar de qualquer coisa. pois agora já nem está nos ensaios, estará a poupar-se de quê? e escolhendo tão obviamente "Life is a Cabaret" para o ponto alto da personagem - Sally em cena num momento de derrota e desespero -, não queria acreditar no que parecia ser a total falta de lembranças da actriz, de experiências próprias, qualquer coisa que a ajudasse a fazer a cena com menos esgares e mais emoção. revirei os olhos e recostei-me, desconsolada. não acreditei nela. deixou-me as músicas sem alma, a roupa sem vida, os olhos sem história, Cabaret sem Sally.

como qualquer actor que sabe fazer tudo na forma, sem se gastar, Ana Lúcia levou o Maria Matos à loucura, e naquela noite ouviram-se bravos e gritos e tudo. eu saí de lá pouco convencida com ela.
estou convencida, sim, que este musical está muitos furos acima de um La Féria. mas ainda a um passador de distância de uma Broadway, de um West End da minha vida.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

mercado alternativo

ando em profundo contacto com África, por estas alturas.

valho 20 camelos, 2 cabras e 9 ovelhas. just in case...

a quanto estará o maço de Davidoff por aqueles lados?

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

cinzentamente

sair porta fora e o mundo está pendurado nas pálpebras, pressiona-as de maneira a que tudo se veja apenas por entre as aranhas das pestanas, em cinzas vários e cada um mais desinteressante que o outro.
terá sido falta de café, mas há dias despojados de toda a boa intenção. que nos é sugada por antecipações, previsões, confirmações. interjeições. sim, essas são as piores.
a interjeição do ego, essa cabra. que salta e arranca um braço a quem já estava de mãos preparadas para a defesa - dizem que é o melhor ataque, mas tinham de conhecer certas interjeições.
e a dor de cabeça, claro está. terá sido falta de café. ou falta de força. ou repressão de força para um bem maior que já não se sabe bem qual.
e palavras ditas em desdém, e desdenhadas e desenhadas com tanta força que a ponta do lápis parte. cansa. a doença alheia que calcorreia corpos, suga e cospe os despojos do que fomos.
há coisas que nos absorvem e não nos devolvem e vamos para casa à procura de onde estamos.
mas deve ter sido falta de café.