quarta-feira, 3 de setembro de 2008

cinzentamente

sair porta fora e o mundo está pendurado nas pálpebras, pressiona-as de maneira a que tudo se veja apenas por entre as aranhas das pestanas, em cinzas vários e cada um mais desinteressante que o outro.
terá sido falta de café, mas há dias despojados de toda a boa intenção. que nos é sugada por antecipações, previsões, confirmações. interjeições. sim, essas são as piores.
a interjeição do ego, essa cabra. que salta e arranca um braço a quem já estava de mãos preparadas para a defesa - dizem que é o melhor ataque, mas tinham de conhecer certas interjeições.
e a dor de cabeça, claro está. terá sido falta de café. ou falta de força. ou repressão de força para um bem maior que já não se sabe bem qual.
e palavras ditas em desdém, e desdenhadas e desenhadas com tanta força que a ponta do lápis parte. cansa. a doença alheia que calcorreia corpos, suga e cospe os despojos do que fomos.
há coisas que nos absorvem e não nos devolvem e vamos para casa à procura de onde estamos.
mas deve ter sido falta de café.

4 impressões digitais:

miak disse...

Não te lia assim há uns tempos. Seria falta do café?

MPR disse...

Andas pr'ái a assustar-me...

intruso disse...

(há dias assim)

[deve ser do café, da falta]

e há dias seguintes,
menos cinzentos,
em que sabemos onde estamos
e há café acabado de fazer.


p.s.
cinzentamente bem (d)escrito,,,

LadyBug disse...

Acho que te percebo. São rosas senhora... etu tens e terás sempre o cheiro delas. Continua em frente, de cabeça erguida e nunca duvides do que vales!