Avançar para o conteúdo principal

slow motion ou o strip-tease numa estrada do alentejo


the tree of us Ben Harper [welcome to the cruel world]

a estrada corre debaixo dos pneus, asfalto escurecido pelas sombras, ainda quente do fim do dia.
a promessa do mar lá ao fundo. muito ao fundo, onde acaba o céu. ainda falta. mas o percurso é também parte da viagem. sem pressas. não tenho pressas. o tempo só começará a contar quando tiver de voltar.

o silêncio dos estofos, do cigarro a crepitar entre os lábios. lá fora voam candeeiros alaranjados, recortando-se cada vez mais no azul-negro.

o sol foi descansar, vestindo o seu pijama laranja.

do outro lado, lentamente, surge, provocante, redonda, lá ao fundo, a lua. saída da mesma cama, veste o mesmo pijama.
e enquanto sobe lânguida pelo céu, vai despindo o pijama devagarinho, para passear nua a sua pele alva, noite adentro, céu afora, numa dança sensual com as copas das árvores.

iluminando o rosto cansado descansado dos viajantes na estrada.

Comentários

O Estranho disse…
Interessante imagem da lua... Realmente, é uma provocadora. Desperta os desejos mais... ardentes.
polegar disse…
eheheh... visto desse ponto de vista...
bem, vamos lá ver como se comporta o geocities, que a música não está a dar... raios...
luis mendes disse…
O texto está excelente... e com música apropriada (pelos vistos, o geocities portou-se bem!!!)
O Estranho disse…
Olha, quando o ouvir no Sudoeste, vou lembrar-me de ti. Por acaso não vais?
Anónimo disse…
oh querido estranho, é ÓBVIO que o meu irmão se casa no dia 7, portanto aquilo de ir ver Ben Harper e Fatboy Slim tá fora de questão, não é...?
luís: tiveste sorteeu não consigo... se calhar vou tirar a músca e tudo, deve estar muito pesada. fica só como sugestão... obrigada pelo elogio :)

Mensagens populares deste blogue

writer's block

considerando o Polegadas, imaginem que faziam um post para aqui. sobre o que seria e porquê? se quiserem, enviem mesmo um texto. quem sabe não sai publicado... ;)

wc cheap&chic makeover

ora passámos disto para isto quem diz que uns pés-descalços do subúrbio não podem ter um Roy Lichtenstein na banheira? com direito a um armário exclusivo para viagens sensoriais ao passado, recheado de pequenas antiguidades da higiene e cosmética por nós coleccionadas através de incursões a drogarias de bairro. trabalho feito por uma equipa de dois, em 8 dias, por um terço do preço que custaria mandar fazer por "profissionais". há por aí alguém que precise dos nossos serviços de consultoria? fazemos orçamentos grátes e vamos a casa...

conjecturas de inspiração vagamente escatológica*

*que se transformou num romântico dueto de classe - ou dinâmica de um relacionamento condenado à partida a um abanamento de cabeça enquanto se rumina entredentes o[s] ditado[s] "só se estraga uma casa" e|ou "um diz mata, o outro diz esfola" eu só disse mata : há qualquer coisa de big brother nas engenhocas públicas demasiado modernas. eu já brincava com os parques de estacionamento em que uma voz diz "bem vindo ao parque não sei do quê, insira o seu cartão. obrigado e boa viagem". dizia "a senhora deve sofrer muito, ali enfiada todo o dia". ou "diz-se obrigadA, ó estúpida". mas pronto, passava. agora mais tétrico é nas casas de banho... não sei. aquela coisa de uma pessoa fazer o xixizito [meio de pé para não contactar com nada daqueles cubículos] e ainda está a subir a calça já o autoclismo, por sua auto-recreação, faz a descarga, no "exacto momento preciso". não sei. fico sempre a pensar se o sensor não será uma aldrabice. s...