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tatuagem

não existes na pele, porque os dedos que te marcaram fundo ainda não te desenharam. não a cores, não a preto e branco, não ainda.
esperas no papel a materialização da aliança. com a noite. com a vida.
com o brilho forte de um ser que me penetrou e encantou.
sinto a volta, a curva perfeita que hás-de descrever em mim. como descreves em mim de cada vez que surges nua, exposta, suave e intensa, dançando fulgores e sonhos de criança de olhos postos em ti.
serás em mim o traço fino definido há tanto tempo, agora revelado. do preto para o branco, volta ao preto na pele dourada.
fundimo-nos em longos raios de serenidade para explodirmos na loucura.
ninguém te conhece. ninguém me conhece. assim não.
somos mulher. não tenho mistérios e melancolias tuas. tenho as minhas. e quero um pouco do teu brilho. do teu enigma.
ainda, no caderno preto, à tua espera. à espera que entres em mim.
serás assim no dia que marcar o dia que marcar a minha pele. aguardo o momento certo, sem pressas. agora já não.
crava-te. segura-me.
lua tatuada em quarto decrescente.

em resposta ao duende feliz

Comentários

miak disse…
A serenidade com que esperas prepara a pele para doce encontro...

Obrigado pelas palavras...sempre elas...

Beijo.

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