quinta-feira, 17 de abril de 2008

Ella e um cigarro

a melancolia de um abril a cântaros a lamber o vidro. a precisão de um suave berbequim nas fontes adivinha que a rinite dos fenos terá rima. pobre, mas rima. aguardo com dois comprimidos e um carioca de limão a que está por vir. a anunciada pelo esforço de me fazer ouvir em claustros com ventanias e trocas de roupa em pele ainda assim suada. a anunciada, a que rima... não? não rima propriamente, mas há um qualquer arabesco de som que me avaria a percepção perfeccionista.
rinite... gripe.

sigamos
enquanto o vinil não se cura - mesmo assim - um crepitar... a música a raspar pela chuva adentro. um pequeno vazio ao canto. quase microscópio, o vazio. da poeira, o canto. encosto os pensamentos à parede e a língua solta-se menos literária.

não desfazendo.

tenho saudades de certas palavras. daquilo que sei que sei fazer. de fazer de conta a sério.

a sério?
tenho saudades subir por ali acima, ir por ali afora e

deixando-me de rodeios
dar valentes pontapés na genitália emocional de uma sala cheia.

pois, isso
how high the moon

7 impressões digitais:

intruso disse...

...

um abril a cântaros a lamber o vidro
(isso mesmo).


bjs



p.s.
com rinite-gripe(-não-sei-bem-qual-será)

intruso disse...

[excelente texto,
muito real mesmo...]
:)

menina limão disse...

"tenho saudades de certas palavras. daquilo que sei que sei fazer. de fazer de conta a sério."

"deixando-me de rodeios
dar valentes pontapés na genitália emocional de uma sala cheia."

:)

colher de chá disse...

saudades de ti.

Astor disse...

abril depressões mil.

=/

miak disse...

Confessa. Escreveste isto a lápis, sentada num café...

polegar disse...

colher: saudades de.

astor: nem por isso...

miak: parece-te? pois não. foi directo aqui, no computador, encostada ao aquecedor do escritório cá de casa...
pronto, sim, baseado numa frase que escrevi na agenda :)