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a day without a night

passou por mim no jardim. o carro de janelas abertas e som demasiado alto. estava embebida em verdes, crianças a brincar, o homem estranho que pinta quadros do quiosque, as vedetas na esplanada, os turistas de nariz no ar, os velhos, os hippies, os intelectuais, a tia a passear o beagle. mas olhei para trás, seguindo o rasto de som que ainda restava no asfalto.
alguns cigarros ardidos depois, na esperança de esfumar o resto da tarde, a janela aberta para receber a chuva na corrente de ar. já saíram todos. ainda cá estou.
perdi-me em lembranças, porque me perguntei "o que estava eu a fazer há um ano". passou-se, assim de repente, desde que pisei um palco com as palavras de outros. desde aqueles dias que valem a pena, que nos esgotam de prazer. desde que pude contar uma história. desde as borboletas a esvoaçar no peito, o calor das luzes e dos olhos, os espíritos que nos ensinam segredos e as fadas que perdem brilhos se não batermos palmas.

reli as conversas, as histórias que contei. dá-me para isto às vezes. reencontrei-me com os meus fantasmas.
deslizei pelas letras todas, contadas de trás para a frente. choradas de novo porque o que se perde não se recupera e as forças não chegam para tudo. revivi-me. emoções instantãneas, ao alcance de um dedo.

não tive oportunidade de reflectir.
passou de novo o mesmo carro - só pode ser o mesmo. da janela dele para a minha, de novo a mesma música. o Romeu de papel estremeceu. é o vento. eu fiquei estática. são demasiados flashbacks num dia...

Comentários

Anónimo disse…
o palco quente ainda te espera... eu espero lá com ele.
Anónimo disse…
bela escrita há por aqui...

...voltarei
:)

(p.s.
acho que me revejo na sensação que descreves no post...)
Anónimo disse…
Essas memórias são a lenha da busca do sonho futuro.
O regresso será feito, quiçá mais breve do que se pensa...
Anónimo disse…
colher e MPR: oxalá, queridos, oxalá :)

intruso: agradeço o elogio e vem cá sempre que te der na real telha ;)

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