sábado, 1 de março de 2008

bons vizinhos

não tenho razão de queixa. a cusca do lado, para além de povoar a escada com uma selva amazónica, não chateia mais do que ouvi-la a espreitar à porta de cada vez que abro a minha. no rés-do-chão, o homem-torre e a esposa de cabelo vermelho são caladinhos, têm um gato engraçado que já salvámos um par de vezes e só se vestem com fatos de treino ao fim de semana. o bêbedo do benfica só tem conversas um bocado longas e de bafo etilizado quando o encontramos na tasca, mas está fora no Brasil e tudo. os velhotes do segundo andar nem piam, e o outro velho esquisito só é massacrante nas conversas das teorias da conspiração nas reuniões de condomínio, uma vez por ano, ou quando teima que quando não consegue estacionar o carro dele na garagem não é por ser um azelha a quem devia ser retirada a carta de condução, mas porque o resto dos condóminos arrumam mal os carros deles. por fim, o Vasco está a administrar condomínio há 3 anos porque toda a gente se descarta e ele até faz um bom trabalho. razões de queixa do Vasco? só o facto de ter forrado a casa a tijoleira branca. de resto, é um porreiro pachola.
todos acham muita graça ao facto de terem um casal de artistas no prédio, a actriz e o fotógrafo, a quem por isso perdoam os horários fora do vulgar e o barulho da porta da garagem à hora do sono dos comuns mortais, as cantorias sobre legumes em tempos de ensaios e outras pequenas situações.
damo-nos todos bem, até se for preciso vamos bater à porta do lado a pedir emprestado um comando da garagem se o nosso parar de funcionar, pagamos cafés de vez em quando uns aos outros quando nos cruzamos na tasca, a coisa é pacífica, quase de pequena aldeia.
agora temos um novo vizinho, que veio ocupar a casa por baixo da nossa, sucessor da senhora que gritava com o marido a toda a hora e dizia coisas de um português que eu desconhecia. o vizinho é simpático, tem uma filhota (como quase todos neste prédio), apresentou-se na reunião de condomínio e disse logo que adora música.
gostei da sinceridade, até pisquei o olho porque tenho o mesmo problema.
agora deparo-me com uma "situação". o senhor é um querido, mas ouve kuduro e morangos do nordeste toda a santa tarde de sábado. num volume que nos faz pensar que se calhar isto é festa da junta de freguesia no largo do café... mas não, é já aqui por baixo...

aaaaii, é a dooooor, ai ai ai é a doooor, é a dooor :S

8 impressões digitais:

espantaespiritos disse...

viva a boa vizinhança!

abaixo a música foleira...

Sway disse...

... Por um momento pensei... Ahhh, tão giro... Gostava tanto de morar num prédio assim, onde toda a gente convive...

Mas acho que kuduro killed it for me... Pobres vocêsses!

intruso disse...

ehehe
prédio animado!
:)


p.s.
morangos do nordeste?!
:/

colher de chá disse...

e se lhe oferecesses um cd'zito de música animada (como ele gosta) mas de qualidade?
;)

polegar disse...

espanta: e eu com problemas em ouvir os "franciscos fernandos" em dias de frenesim...

sway: killed all of us... argh!

intruso: ah pois é, é só do mais refinado estilo de tortura. todos os morangos, inclusive todas as bandas que já nasceram dos "morangos com açúcar"... bah.

polegar disse...

colher: e o senhor gostar? ele não tem culpa que eu seja er... esquisita ;)

Eduardo disse...

:) é um prédio à portuguesa com toda a certeza do mundo :)

O kuduro ainda se tolera... agora os morangos do nordeste.. eishhh :)
Oferece-lhe uma k7 de Dino Meira agora na páscoa :)

pinky disse...

uiiiiiiiiiii terrivel! e uma conversa simpática com o senhor?