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discoteca

entre fumos de música alta, que se dança sem querer-se entender o ondular do corpo, a linha dos ombros e do pescoço, ou onde flutua o cabelo.
sentir só os ritmos bem lá no fundo e deixar a massa de gente levar-me onde quiser.
e não pensar, só abandonar os pensamentos às palavras de outros que encaixam tão bem.
porque a cada música, uma nova letra, um novo estado de espírito que se vive, não se nega. que se canta alto porque ali ninguém ouve.
atirar a cabeça para trás e perder noção do tempo, dos mundos, das cores, dos brilhos a toda a volta. que envolvem e absorvem, mas que permitem o alheamento.
parar para uma cerveja e para um cigarro.
e voltar à inconsciência dormente em que só o corpo fala, e a mente já foi há muito silenciada pelas batidas.
e é ali, na distorção de imagens e sons, no enrolar o cabelo ao alto porque corre suor do pescoço, que desliza para o peito, nos gestos delicados e expansivos, no ondular de uma anca, num meio sorriso, que o corpo ganha liberdade para ser totalmente feminino. e, quem sabe, até bonito. até à exaustão.

Comentários

Anónimo disse…
A sensualidade e expressão da dança...
Saudações Bloguianas

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