Avançar para o conteúdo principal

terapia do impulso



estou cansada. farta, de olheiras pesadas e tornozelo torcido. dias de passos impassíveis ao desespero pedem medidas drásticas de vontade de largar tudo o que obrigue a pensar. uma paragem para encontrar o branco e logo impera o impulso do vermelho. seja assim, sempre, em dança improvisada de apetecimentos. entornam-se os jorros de sangues e vestidos, tangos e coca-cola, o brilho e o cheiro e começar por onde não manda a regra porque é premente ver os muros mudar. e porque sim desenha-se infâncias e verdades na parede por pintar, porque sim, se ficar marcado é só mais uma história para contar. depois é a língua de fora no compasso certo da trincha, porque o risco tem de ficar perfeito, porque assim não se pensa no que não interessa à alegria. essa vive aqui. de corpo pesado, no crepitar de gotas de tinta no jornal, nas solas dos pés a colarem ao chão, no suave roçagar dos pincéis, na companhia infinita de duas almas cansadas e sorridentes que a traços largos esboçam as cores do "para sempre".

Comentários

espantaespiritos disse…
e lá vai mais um cantinho ficando pronto entre suor e gargalhadas.
colher de chá disse…
ah o impulso, que bem nos fazes. que bem que sabes.

como vos guardo dentro do meu abraçinho apertado.
MPR disse…
Quero crepes...
miak disse…
Tenho tido poucos...impulsos...

peço emprestado o canto de cor forte...
polegar disse…
espanta: tem de ser, que aqueles beges pôem-me doente ;)

colher: e nas paredes também passeias, de vez em quando...

mpr: crepes não há. aqui é mais panquecas e vin chaud. já te expliquei a diferença :P

nuno: sempre que quiseres... e se precisares de ajuda para inspirar a tons mais ousados, tens aqui uma consultora do best ;)

Mensagens populares deste blogue

writer's block

considerando o Polegadas, imaginem que faziam um post para aqui. sobre o que seria e porquê? se quiserem, enviem mesmo um texto. quem sabe não sai publicado... ;)

wc cheap&chic makeover

ora passámos disto para isto quem diz que uns pés-descalços do subúrbio não podem ter um Roy Lichtenstein na banheira? com direito a um armário exclusivo para viagens sensoriais ao passado, recheado de pequenas antiguidades da higiene e cosmética por nós coleccionadas através de incursões a drogarias de bairro. trabalho feito por uma equipa de dois, em 8 dias, por um terço do preço que custaria mandar fazer por "profissionais". há por aí alguém que precise dos nossos serviços de consultoria? fazemos orçamentos grátes e vamos a casa...

conjecturas de inspiração vagamente escatológica*

*que se transformou num romântico dueto de classe - ou dinâmica de um relacionamento condenado à partida a um abanamento de cabeça enquanto se rumina entredentes o[s] ditado[s] "só se estraga uma casa" e|ou "um diz mata, o outro diz esfola" eu só disse mata : há qualquer coisa de big brother nas engenhocas públicas demasiado modernas. eu já brincava com os parques de estacionamento em que uma voz diz "bem vindo ao parque não sei do quê, insira o seu cartão. obrigado e boa viagem". dizia "a senhora deve sofrer muito, ali enfiada todo o dia". ou "diz-se obrigadA, ó estúpida". mas pronto, passava. agora mais tétrico é nas casas de banho... não sei. aquela coisa de uma pessoa fazer o xixizito [meio de pé para não contactar com nada daqueles cubículos] e ainda está a subir a calça já o autoclismo, por sua auto-recreação, faz a descarga, no "exacto momento preciso". não sei. fico sempre a pensar se o sensor não será uma aldrabice. s...