segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005

daddy valentine

chego de madrugada a casa. o ensaio demorou, como sempre. entro no quarto e dou de caras com um embrulho em cima da cama... tenho uma prenda do dia dos namorados. ai...

não posso com o apelo vermelho ao consumismo; com os coraçõezinhos vermelhos pendurados nas lojas; com a ideia pré-fabricada de escrever umas palavras (es)forçadas num postal vermelho - à semelhança dos aniversários em que nunca nos sai uma dedicatória de jeito mas tem de ser; com a prendinha vermelha foleira para pôr em cima da cama ou (deus nos livre) pendurar no retrovisor do carro.
criam-se aversões à medida das desilusões. fora a falta de jeito clássica de qualquer macho que se preze para escrever/ oferecer algo/ ter um gesto arrebatado e romântico de jeito, a mais chocante foi para aí no 9º ano: recebo na escola um ramo de rosas anónimo. além de muito curiosa (acreditem, não era de todo normal), fiquei louca, orgulhosa, inchada, enorme (tanto quanto o meu metro e cinquenta e pouco me permitia, claro). largos tempos depois descubro que foi a minha mãe quem mo mandou. vão lá explicar isso a uma adolescente borbulhenta e solitária cheia de filmes parvos na cabeça... é de ficar a destestar o dia dos namorados para o resto da vida!

mas esta prendinha foleira é uma delícia, porque quem ma deu está muito mal, muito triste e muito doente, mas foi à loja procurar um ursinho que me diz "gosto de ti".
obrigada papá.

2 impressões digitais:

Anónimo disse...

não venhas dizer que não és feliz. tens tudo o que precisas.
Laura

polegar disse...

Laura: só tu para não perceberes que na vida dos outros pode caber mais do que aquilo que queres para tua. não quero, não "preciso" de ver o meu pai doente.