sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

hold still

recuperou o fôlego da noite e despiu os lençóis do corpo nu. da janela de madeira espreitavam ramos de plátano e prédios antigos. neles prendeu os olhos enquanto o primeiro cigarro lhe aquecia o peito. a chávena de café fumegou-lhe o silêncio das paredes lisas. as imagens suspensas dos seus olhos eram estilhaços de vida. tatuados em papel e em memórias vagas como o lume do sol no céu brilhante da manhã, que sombreava a cama revolvida através dos estores de ripas. pousou a caneca dengosamente, sentindo a cerâmica macia escorregar-lhe nos dedos húmidos do vapor. enterrou as mãos no cabelo e espreguiçou-se. ouviu uma voz.
- pára. assim.

clic.


por causa disto. cliquem em "hold still" e fiquem parados um bocadinho. gostem ou não do cantor, um clip admirável com fotografias de Augusto Brázio.

8 impressões digitais:

Sara (AmigaTeatro) disse...

=))

colher de chá disse...

olha outra S. do teatro! heheheheh
enfim, é boa a musica sim, é lindo o teledisco. mas disso já falámos. :)
beijo

espanta_espiritos disse...

a fotografia para se desenvolver precisa de inspiração.
esta surge quando menos se espera.
mesmo numa caneca de café a fumegar numas mãos ensonadas

Rui disse...

...só me tirariam uma foto nessas condições com uma pistola apontada em simultâneo com a máquina fotográfica... (eheh)

Bjos
Rui

macaso disse...

O preto, o branco e o cinzento. Excelente. São overdoses de sentir. São quotidianos. Não necessariamente banais.
Apeteceu-me pedir ao cavaleiro andante que me aprisione na sua máquina. Agora com tatuagem e tudo.
Beijos com saudades.

miak disse...

Paraste no tempo...Às vezes gostava. Outras não.

Rui A disse...

Fantástico. Não só pelas fotografias mas pela mensagem. Já conhecia e gostava da canção mas agora ganhou outra dimensão. Obrigado por me apontares nesta direcção. E escreveste bem uma introdução.

polegar disse...

colher: foste tu que me lembraste de ir lá espreitar ;)
espanta: isso é para ti que és fotógrafo :P
rui: compreendo-te eheheh
macaso: às vezes é bom sermos nós as tatuagens na película...
miak: adoro quando me dizem isso. é que ouvir bandas de rock dos anos 80 (agora) é hype e muito bem (até as tias vão ao Tokyo), gostar deste senhor é foleiro... adoro rótulos... especialmente sendo eclética
rui A: ora bem, um cliente bem servido, é o que se quer ;) beijinho