aleatoriamente
...passou-se a manhã sem telemóvel. esteve-se no trânsito hora e meia só para entrar em Lisboa, à beira de lágrimas de frustração. perdeu-se 2€ na cabine. foi-se para o Consulado do Brasil enjoar com o cheiro abafado de filas intermináveis em dia de chuva, regressou-se pela calçada escorregadia e enfiou-se o nariz e a paciência em formulários e fotos de tamanhos duvidosos, almoçou-se na secretária, de uma embalagem metalizada, e continuou-se em desespero à espera do telefonema que leva daqui os actores e os cenários de uma vez por todas, levando os problemas de 6 meses para dar lugar aos novos.
quando as coisas acalmaram, na hora H, chegou o senhor realizador famoso com um novo guião e descrições de personagens em molhos de folhas A4 escrevinhadas, que residem agora nos meus dedos e dores lombares para terem bom aspecto rapidamente.
... agora, enquanto espero a hora de sair e continuar a busca do senhor das castanhas que me há-de trazer à boca e ao nariz a certeza do outono, vou espraiando à velocidade cruzeiro as palavras dos outros, os papéis dos outros, tentando não pensar em mais nada do que as palavras que não são minhas, embalada por Groove Armada e Massive Attack. daqui a pouco cantar-me-á Ella Fitzgerald ou Toranja. não sei, desliguei o rádio e escolhi o "tocar aleatoriamente"...
4 impressões digitais:
Ainda hoje vi um carrinho de castanhas a seguir para os lados da Baixa! Se sempre o encontrares, compra meia-dúzia,se possível ao fim da tarde com o frio no nariz que chega com a noite, q é qd sabem melhor. Depois volta para o colo de quem te quer, toma um banho rejuvenescedor e não penses mais nem em vistos nem em computadores até amanhã. ;)
Ainda não me apetece castanhas.
Ainda ando de manga curta o dia todo.
Só quando estiver mais frio =)
As castanhas devolvem-me o passado...e isso é bom. Na altura não tinha medos. Agora afasto-os com coragem...
Bjs.
(cont.) Apanhei o relato do jogo para a taça distrital SanJoanense-Pontapénascostas. Foi exactamente no momento em que Wanderlei marca um golo de pontapé de libelinha que muda de trajectória e entra nas quatro redes quando bate em cheio na fronha de Julião-Pé-de-anão o melhor central da ultima legião. Entrei num portal do tempo. Estou em pleno final do séc. II a.c. Tento travar o carro quando me apercebo da possibilidade dos calmantes que meti hoje de manhã estarem fora de prazo. Perco o controlo da viatura e a "poliçar" atropelo Gaius Marius político e general da República Romana (156 a.c). Estou tramada acabei de dar cabo da minha linhagem e se calhar de toda a história da Europa. Como vai ser agora?
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