quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

vermelho

vermelho escuro. pequeno. divertido. diziam que era a minha cara. era, sem dúvida, um cacifo da minha vida.

um companheiro, sim, apesar de objecto. estranharão muitos este post, este estranho apego a uma coisa. mas essa coisa simplesmente foi a minha casa e a minha liberdade ao longo dos últimos 7 anos. nascido em Novembro de 1998, morreu em Novembro de 2005. morreu. porque não volta a andar, porque mo destruíram. durou 7 anos certinhos.
era meu por uso capião e por estima. estranhamente sentia que me passava emoções, que me percebia, e, sim, eu falava e cantava com o meu jipinho.

agora, entre pesquisas de valores comerciais em guias de automóveis, pergunto-me como vou pagar prestações de um novo carro. porque o que ele vale para os técnicos é pouco. e pergunto-me também quem me vai pagar as aventuras, as paisagens, os cheiros, as lágrimas e as risadas que aquele carro viveu?
ficam as recordações. das coisas boas e das coisas más. especialmente a nível de aderência ao chão e assistência técnica. grandes guerras com os senhores mecânicos... mas até isso neste momento me arranca um sorriso melancólico.
mais uma vez uma porta que se fecha com violência, uma corrente de ar vinda não sei de onde... uma vez um amigo disse-me que a maior capacidade do ser humano é a de adaptação. pois parece que vai ter de ser.
a ti, jipinho, amigo, querido e impulsivo, fica um adeus cheio de saudades e um obrigada pela cumplicidade e por toda a liberdade que me deste. acima de tudo, obrigada por me salvares a vida.

14 impressões digitais:

Alien disse...

Acredito que bocadinhos da nossa alma podem passar para coisas e objectos que nos pertencem. Perdi um desses objectos há relativamente pouco tempo, por isso sei o que custa... mas não tentes ver por esse lado. Pensa antes que ele viveu 7 aninhos certinhos... e que 7, é um número mágico.

beijocas

miak disse...

Também tive um amigo assim...era pequenino e creme, quase branco de tão gasto...
Acompanhou-me em tantas aventuras...tenho saudades...

macaso disse...

Sempre achei que não tinha amor ao meu carro. O primeiro que tive era comercial e chateava-me tremendamente o facto de não poder dar boleia. Teve um fim trágico e eu quase ia pelo mesmo caminho. Perto de Abrantes veio um carro na faixa contrária que se despistou, por causa de uma abelha:) e deixou o meu num estado tal que foi para a sucata. Eu tive sorte porque nem fiquei muito mal, só psicologicamente. Andei uns meses com medo de andar de carro. Depois lá passou o medo e herdei o carro da minha irmã e que ainda dura. Vivi muitas coisas nele mas até hoje nunca me senti vinculada. Até hoje, quando me pus a pensar nos primeiros riscos, nas primeiras multas, nas aventuras, nos risos, no excesso de velocidade, na música ouvida baixinho ou em altos berros, nas notícias do dia, na liberdade, nas conversas partilhadas, nos pensamentos soltos. Sim é o meu amigo das reflexões individuais.

Tanta coisa que se perde, tanta coisa, por se achar que não se é feliz...

idontwannagrowup disse...

eu acabei por ter sorte... o meu rodinhas foi ressuscitado depois de ter decidido descer o marão ás cambalhotas... lá está... tive sorte...

n. disse...

qdo falas em recordações, lembro-me de qdo comecei a passar por aqui, em alturas do sleeping in my car (link) e é engraçado ver que as coisas vão mudando...mais tarde no meu outro blog coloquei um post inspirado nesse teu, porque achei mesmo que o meu carro (e já lá vão 7 anos de convívio)também merecia umas palavras...

Anónimo disse...

AMIGA LINDA,

Sei bem o que sentes e sou solidária a 100%.
Também eu fiz parte de algumas das recordações do jipinho ("...o teu colchão, também o trago às costas e no jipinho, e o resto da casa.") e não me vou esquecer nunca delas! Mas..."mudam-se os ventos..." e por isso peço-te que mais uma vez puxes das forças que sei que tens dentro de ti e que com esse sorriso lindo encares a vida e sigas em frente, pois o teu futuro é lindo, apesar de ás vezes o caminho parecer tão nublado!

Beijo muito doces, B.

Daniel Aladiah disse...

Querida Polegar
Um sinal de mudança...está atenta.
Um beijo
Daniel

bloguitz disse...

Aproveito o teu post para lançar uma campanha. Apaixonei-me. Irremediavelmente. Quando o vejo passar, os meus olhos marejam de cobiça. Sim. Lanço aqui um peditório-campanha para juntar dinheiro para comprar o C2 da Citröen, versão tdi. Vá lá, não é pedir muito. Depois levo-vos onde quiserem. Ah, deixo o n. de conta depois.
Obrigado.
E obrigado Polegar!

Linha Recta disse...

Pois o meu carro era um Fiat, baptizado pela marca de "Ritmo". Nele aprendi o que é conduzir e safar-me. Mudar o pneu, pôr 5 litros de água por dia no radiador, encaixar o pedal da embraiagem para poder seguir viagem. Aprendi ainda que num carro pode haver estranhas ligações entre o travão e as luzes e que accionando um, se pode ficar sem o outro. Quando mo foi arrancado, marquei-o em todos os esconderijos (debaixo da buzina, no interior do cinzeiro...) com a inscrição "Este ritmo é meu", gravado com as chaves da ignição. Já me cruzei com ele nas mãos de um estranho.
Depois tive um Kadett que só aceitei que saisse da minha vida, sendo vendido a um amigo que já lhe tinha também tomado estima. Depois lembrei-me do Skoda amarelo. Acordei um dia e achei que era aquele o carro com que tinha sonhado. Revirei meio mundo, com ajuda de amigos que alimentaram o delírio. Corremos todos os stands de Lisboa, sempre com a informação que esse modelo já não era fabricado. Des-delirei. Procurei alternativas e apaixonei-me por uma carrinha toda pipi, com todas as mariquices imagináveis e por aí fiquei. Também fiquei à espera do gajo-brinde que me garantiram aquando da aquisição. Ouvi alguém dizer "ou arranjas gajo agora, ou podes desistir", à custa das lembranças dos velhos decrépitos que comprar bons descapotáveis vermelhos para engatar carne tenrinha. A verdade é que com eles resulta!
Bom, minha querida Polegar, isto tudo para dizer que sim, que te entendo perfeitamente. Mas para te dizer também que, felizmente as paixões, também com os carros, também têm o seu timming e que nem sempre é no Presente que as emoções se devem encontrar.
(Beijo atrasado de boas vindas)

colher de chá disse...

foi no jipinho que te vi pela primeira vez.
tenho um boguinhas por quem tenho esse mesmo apego.
gostava do teu jippy, levou-me a coimbra :)

Anakin disse...

O pé é estimulante!...
beijo

Kwan disse...

Yep. As vezes parece que é com as coisas "materiais" que conseguimos criar as melhores relações afectivas. É que elas têm alma. A nossa.

Kwan disse...

Ah.. e adorei as meias!!

polegar disse...

alien: tenho dias que sim, dias que não...
miak: ficam sempre, não ficam? quero ver se consigo roubar a chapa da matrícula...
macaso: de facto... será que aprendemos...?
indontwannagrowup: gostava que fosse possível, mas em termos económicos seria difícil e o carro nunca mais seria o mesmo... e se já não era totalmente bom da tola...
n.: os nossos popós, nossos aconchegos de rabo de tantas horas, também merecem... bem regressado. é para ficar? ;)
B.: vamos ver o que nos traz a próxima curva... agora demoro mais é a chegar lá, que ando a pé ;)
Daniel querido: será...?
bloguitz: eeeeerrrr.... bem... ok! entro nessa: quero um Mini Cooper Vermelho ou então um Jeep daqueles que parecem dos antigos, da tropa!...
Linha Recta: obrigada... vamos a ver como corre
colherzinha: ele também gostava de ti... com Royksop e tudo!
anakin e kwan: eeeer... ainda bem que gostaram desta minha faceta tão íntima que é a roupa interior: bolas, bonecos, riscas e cores! quentinho e bem-disposto! :)