quinta-feira, 23 de dezembro de 2004

natal e lua cheia

deveria já sentir-se o cheiro da canela e dos fritos, da lenha a crepitar, o quentinho do forno sempre a funcionar, e da lareira. devia haver o sussurro das últimas prendas a serem embrulhadas, num vago secretismo maroto. devia sentir-se as vibrações de carinho e ansiedade pela chegada dos nossos tão queridos que chegam amanhã. que são inerentes a esta altura do ano, sempre, cá em casa. devia começar-se a espalhar velinhas pela casa. pôr as prendinhas pequeninas para aqueles que não estão debaixo da árvore. encher o frigorífico com o aprumo e dedicação, já salivando com a perspectiva dos pratos compostos. devia haver música, independentemente dos gostos. sorrir-se com a ideia de uma noite de natal com todos os que sempre importaram juntos de novo, sem hipocrisias, e com o facto de ser uma noite fria, límpida, de lua cheia, ou quase.
todos os anos o temos conseguido, bem ou mal.
este ano, a casa está fria. em todos os sentidos.

2 impressões digitais:

ana disse...

sabes o que é verdadeiramente chato? sabemos que nos cabe a nós aquecer o natal, que o calor vem de dentro, e a cada minuto que passa, o ar gela mais, as vozes soam mais agressivas. e eu cada vez mais odeio o natal, porque sou obrigada a ter um ar feliz, quando estou tudo menos feliz...

polegar disse...

o síndroma "put on a happy face"... meu grande conhecido, companheiro de todas as horas...