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word

sentou-se de cigarro na boca. não era particularmente feminina a fumar. deu uma passa prolongada, deixando o fumo sair-lhe dos pulmões para a enrolar em mais um pouco de propaganda anti-tabagista. parecia neblina.
pousou os dedos no teclado, onde escreve mais rapidamente que se for de papel e caneta. apesar do prazer que o papel e caneta sempre lhe darão. não é à toa que, desde miúda, tinha uma pancada por blocos.
pensou em território. pensou em politicamente correcto. pensou em desistir. pensou em colaborar na fantasia diária da sua redoma-do-vamos-fazer-de-conta-que-a-vida-é-assim-e-que-estamos-bem-assim.
pensou com tempo. afinal, não tinha nada para fazer. estava farta de tanta inactividade, mas nem sempre das suas vontades dependiam os acontecimentos. a força falha quando não há motivação. a motivação falha quando não há entrega. os sorrisos amarelam porque tem de se sorrir. é suposto. não interessa a vontade.
sorriu. porque sim. um esgar é sorrir? não se lembrava de nada, mas tinha de ocupar os dedos. tinha uma missão. e as missões dão alento. alguém lhe tinha falado de escrita intuitiva.
mas esperava um apito. estava à beira da paranóia. apagou o cigarro. pôs as ideias em ordem e em poucos minutos organizou-se.
estava feito. por ora, a sua parte estava feita, em 3 folhas de word. agora, era acreditar.

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